Na segunda (8), via Platformer, a popular newsletter de Casey Newton, os fundadores do Substack disseram ter banido cinco newsletters nazistas apontadas por Casey e que estão desenvolvendo ferramentas de denúncia para que os leitores sinalizem outras publicações infratoras.
Resposta tardia e fraca, nem o próprio Casey, que havia dado um ultimato ao Substack prometendo migrar para outro canto se a política “nazi-friendly” não fosse revista, se convenceu.
Atualização (12/1, às 6h50): Casey anunciou que a Platformer deixará o Substack em poucos dias.
Há quem argumente que “eram só cinco newsletters”. O problema é que… bem, o Substack continua sendo um lugar receptivo a nazistas (literalmente nazistas), e isso não pega bem com quem não é nazista porque, para nós, “incitação à violência física” — a diretriz que enseja banimentos no Substack — é inerente à ideologia nazista.
Essa conexão não existe para os fundadores do Substack. O que causa estranheza. É meio zoado você dizer abertamente que não se incomoda com nazistas no seu quintal, promovendo e lucrando em cima do seu serviço (e você mesmo lucrando em cima deles), ainda que seja o caso.
Nem Elon Musk, ele próprio cada vez mais embriagado de ideias erradas, ousou cruzar essa linha. (Ainda. Dia desses o assunto na pocilga dele era imigrantes ilegais tendo filhos nos EUA, o que talvez esteja a um passo de, sei lá, controle de natalidade para pobres? Eugenia?)
Quando abordei o assunto pela primeira vez neste Manual, disse que:
Para quem está estabelecido e tem muitos inscritos, é um caminho válido. Para o resto de nós, é complicado.
Essa frase gerou alguns ruídos. Por “estabelecido”, referi-me a donos(as) de newsletters com muitos inscritos e uma base de assinantes estável e grande o suficiente para se viver disso. Para eles é, de fato, mais fácil sair: há dinheiro e estrutura para uma migração complexa.
Já vemos essa previsão se materializar.
Molly White, do hilário Web 3 Is Going Great, pulou fora: migrou sua newsletter, a Citation Needed, para um servidor próprio usando o Ghost.
A Garbage Day, de Ryan Broderick, também vai zarpar do Substack.
A gratuidade do Substack dificulta a saída de quem tem uma newsletter apenas por hobby ou não faz grana o bastante para bancar alternativas (todas pagas), ou seja, é difícil para “o resto de nós”. Não julgo quem permanece lá.
No dia em que Hamish McKenzie, um dos fundadores do Substack, publicou aquela nota patética sobre como lidam com nazistas usando seu serviço, fiquei meio puto e cancelei todas as newsletters em que estava inscrito no Substack, umas 20 ou 30.
Em vez de receber os textos delas por e-mail, peguei os endereços dos feeds RSS e cadastrei todas no meu agregador (Miniflux dos assinantes do Manual).
Foi o ponto de equilíbrio que encontrei para ler pessoas interessantes e queridas e, ao mesmo tempo, dar distanciar-me do Substack. Pelo feed RSS, as pessoas perdem um inscrito, mas o mais importante é que o Substack perde um “usuário” e outras métricas que serão úteis na próxima vez que tiverem que mendigar dinheiro de investidores para manter aberto o bar de nazis que construíram.