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Cookies de terceiros não são bons para a web. […] Essa coleta às escondidas de dados pessoais prejudica a privacidade de todos.

— Hadley Beeman, membro do Grupo de Arquitetura Técnica (TAG) do W3C.

A frase acima vem de uma publicação do W3C criticando a decisão do Google de manter cookies de terceiros no Chrome. Segundo Hadley, a decisão do Google foi inesperada e “prejudica muito do trabalho que fizemos juntos para fazer a web funcionar sem cookies de terceiros”. Via W3C (em inglês).

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Sexta, 18/7

O Google vai desativar seu encurtador de URLs, o goo.gl. Todos os links do tipo deixarão de funcionar em 25/8/2025. Encurtadores de URLs sempre foram uma má ideia. / developers.googleblog.com (em inglês)

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Segunda, 22/7

O Google desistiu de aposentar o bloqueio a cookies de terceiros no Chrome. Em vez disso, vai introduzir uma “nova experiência” que permita às pessoas fazer uma “escolha informada” que vale para toda a navegação web. Finja surpresa… / privacysandbox.com (em inglês)

O Pix Automático, modalidade de cobranças recorrentes do Pix, foi adiado outra vez, para 16/6/2025. O Banco Central anunciou também alguns reforços na segurança do Pix que passam a valer em 1º/11 deste ano. / bcb.gov.br

A União Europeia notificou a Meta de que seu arranjo de exigir uma assinatura paga como alternativa à vigilância dos usuários do Facebook viola os direitos dos consumidores do bloco. Note que essa rusga em nada tem a ver com a GDPR (lei de proteção de dados pessoais), ou seja, ainda há espaço para mais porradaria. / ec.europa.eu

A Meta liberou a sua assinatura paga, Meta Verified, para empresas no Brasil. São quatro planos, com valores que chegam a R$ 10 mil por ano. / oglobo.globo.com

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Terça, 23/7

A Meta expandiu sua inteligência artificial para mais países, incluindo vários da América Latina, mas deixou o Brasil de fora “devido a incertezas regulatórias”. / about.fb.com

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Quarta, 24/7

Sistema do governo atingido por ataque hacker foi criado no Judiciário e é usado em mais de 300 órgãos. folha.uol.com.br

A beleza da concorrência: na Europa, a AltStore PAL, loja de apps alternativa para o iOS, publicou seus primeiros apps de terceiros — incluindo dois clientes de BitTorrent, categoria de app vetada pela Apple em sua App Store. / fosstodon.org/@altstore (em inglês)

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Quinta, 25/7

A OpenAI anunciou um protótipo (beta) do SearchGPT, seu aguardado buscador web. Pelos vídeos, parece trazer novas ideias à mesa, com a vantagem de não ter que conciliá-las com experiências legadas, como Bing e Google. Tem fila de espera para testar. / openai.com (em inglês)

Saiu o Linux Mint 22 “Wilma”. Esta versão é baseada no Ubuntu 24.04 LTS e terá suporte até 2029. / omgubuntu.co.uk (em inglês)

“Atribuição com respeito à privacidade” do Firefox coloca Mozilla em xeque

A Mozilla é uma espécie de último bastião da web não (tão) comercial, porém está longe de ser uma unanimidade. Entre a dependência umbilical com o Google, a estrutura corporativa complexa e distrações com modinhas (a do momento parece ser a inteligência artificial), vez ou outra atitudes inexplicáveis abalam a confiança de quem usa o Firefox na dona dele.

O Firefox 128, lançado em 9/7, trouxe uma nova opção, ativada por padrão, da API de Atribuição com respeito à privacidade (PPA, na sigla em inglês).

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ANPD proíbe Meta de treinar IAs com dados pessoais no Brasil

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) enfim mostrou os dentes e determinou que a Meta suspenda o tratamento de dados pessoais para treinar inteligências artificiais.

A proibição, determinada em caráter cautelar, baseia-se em quatro pilares: ausência de base legal para tratar os dados com essa finalidade; falta de informações sobre as mudanças na política de privacidade; dificuldade excessiva aos usuários para negarem o uso de seus dados; e tratamento de dados de menores de idade sem as devidas salvaguardas.

Vale mencionar o “timing” da determinação, como lembrou Carlos Affonso Souza em sua coluna no Uol: na semana em que estavam previstos o lançamento dos recursos de IA do WhatsApp no Brasil e em que o projeto de lei 2338/23, o PL da inteligência artificial, teve movimentações no Congresso.

A Meta se disse “desapontada” com a determinação. Os argumentos da ANPD me pareceram razoáveis — já viu o labirinto para negar o uso de dados pela Meta?

Carlos Affonso acredita que a determinação, ao focar em uma empresa (e das maiores), passe um recado a toda a indústria. Afinal, existem outras além da Meta fazendo o mesmo tipo de treinamento com dados, incluindo os pessoais.

O único navegador web possível

Não sei se estamos em uma era em que escolher um navegador web é fácil ou muito difícil. As evidências apontam para uma resposta ambivalente.

De um lado, se ignorarmos questões outras que a experiência de uso, é fácil. Vive-se a ilusão da escolha — tão típica do capitalismo tardio — no que tange ao Chromium, projeto de código-aberto do Google que move o Chrome e uma variedade de outros navegadores, como Edge, Opera e Brave.

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Reddit, Slack e o uso dos nossos dados para treinar IAs

Reddit e OpenAI fecharam um acordo de cessão de conteúdo do primeiro para treinar IAs. Quase ao mesmo tempo, alguém reparou que os termos de uso do Slack, da Salesforce, permitem o uso de dados dos clientes para treinar certas IAs “não-generativas”.

Em momentos como esse, a criptografia de ponta a ponta vem a calhar. É uma das poucas formas de impedir que a empresa que fornece o serviço abuse dos nossos dados. (Desde que seja uma empresa confiável, porque sempre é possível que haja brechas. Vide o caso do WhatsApp.)

Apple e Google lançam especificação que alerta a presença de AirTags indesejados

Três anos após lançar as AirTags, pequenos rastreadores que podem ser desvirtuados para perseguir pessoas, Apple e Google lançaram uma especificação que alerta alguém que estiver carregando um desses sem saber. Os alertas também valem para rastreadores de outras marcas que aderirem à especificação.

No iPhone, o alerta veio com o iOS 17.5, lançado nesta segunda (13). No Android, o Google liberará a funcionalidade a todos os dispositivos rodando Android 6 ou superior.

No comunicado à imprensa, a Apple diz que “projetou desde o princípio [as AirTags] com proteções de privacidade e segurança”. A proteção para quem usa Android consistia em exigir o download de um app que só servia para emitir alertas de AirTags de perseguidores. Não deu certo, evidentemente. Via Apple.

Google adia fim dos cookies de terceiros no Chrome pela terceira vez

Pela terceira vez (!), o Google adiou o fim dos cookies de terceiros no Chrome. O novo prazo é 2025. O original era Janeiro de 2020. Via Google (em inglês).

Lembrando sempre que você já pode ter esse recurso de privacidade usando virtualmente qualquer outro navegador web que não seja o Chrome.

Leis de privacidade não são culpadas pelos popups de cookies que poluem sites

A Wired analisou os 10 mil sites mais populares e descobriu que muitos deles compartilham dados dos visitantes com +1 empresas.

Isso não é novidade para quem presta atenção naqueles alertas/popups de cookies. (Ou lê este Manual.) O que me chamou a atenção foi o motivo de agora sabermos o número de empresas com quem os sites compartilham dados. De lá:

Em novembro de 2023, a IAB Europe atualizou seu Framework de Transparência e Consentimento em resposta a decisões judiciais dizendo que não estava em conformidade com o GDPR [lei de proteção de dados pessoais] da Europa, para incluir a disposição de que as empresas devem divulgar com quantos parceiros estão compartilhando dados do usuário nas páginas iniciais de seus sites. Townsend Feehan, CEO da IAB Europe, diz que a atualização “inclui uma série de iterações significativas”, que fornecem às pessoas mais informações sobre quais dados podem ser compartilhados e incluem mudanças como disponibilizar uma opção de “rejeitar tudo” com destaque.

Os popups de cookies são odiados por todos, e muita gente culpa a União Europeia e o GDPR por essa praga na web.

O pulo do gato é que o GDPR só menciona a palavra “cookie” uma vez, e num contexto exemplificativo. Os popups de consentimento são uma gambiarra incômoda criada por uma indústria viciada em espionar leitores/usuários — tão viciada que não sabe trabalhar de outro jeito. Este texto (em inglês) explica o dilema. (Não sou especialista em direito europeu, logo não posso garantir a acurácia jurídica das informações.)

Sabe por que o Manual não mostra um popup pedindo consentimento para usar cookies? Porque não compartilho os dados (poucos, nenhum pessoal ou identificável) coletados quando você acessa este site. O problema não é o GDPR nem os cookies.

Kindle sem Amazon

Foto de um Kindle de 11ª geração, mostrando informações do dispositivo, incluindo o “não registrado [na Amazon]”.

Mesmo eu, que prefiro livros de papel, não consigo negar as vantagens dos leitores digitais, ou e-readers, como o Kindle e… bem, o Kindle. No Brasil, você pode escolher qualquer leitor digital, desde que seja um Kindle.

A compra do dispositivo da Amazon é, na verdade, um contrato com o diabo, digo, com Jeff Bezos, digo, com a própria Amazon. Embora seja possível carregá-lo com livros e documentos não adquiridos na Amazon, esse tráfego de arquivos alternativos tem que passar pelos servidores da empresa.

Ou será que não?

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Por que usar o Signal se ninguém usa o Signal?

#publi A BrazilJS Conf, maior evento de tecnologia da América Latina, volta ao presencial com uma proposta que vai além do código. Será nos dias 25 e 26 de abril, no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre (RS).

Compre seu ingresso com desconto exclusivo para leitores do Manual.

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Neste episódio do podcast, falo da aguardada novidade do Signal, os nomes de usuários, e do dilema que acomete a gente que usa esse app: com quem conversar por ele?

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Assinar o Manual custa pouco (a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano), fortalece o projeto e, de quebra, oferece um montão de benefícios. Conheça a assinatura »

Signal ganha nomes de usuário e fecha sua grande lacuna de privacidade

Desde a sua concepção, o Signal tinha uma lacuna em sua proposta de privacidade: o uso exclusivo do número de telefone como meio de contato.

Isso muda agora, com o lançamento dos nomes de usuários — os famosos @nomes, popularizados e adotados por outros aplicativos de mensagens e, principalmente, redes sociais.

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A próxima parte crucial do nosso plano é aprender com os dados únicos e loops de feedback em nossos produtos… No Facebook e no Instagram, há centenas de bilhões de imagens compartilhadas publicamente e dezenas de bilhões de vídeos públicos, o que estimamos ser maior do que o conjunto de dados Common Crawl, e as pessoas também compartilham um grande número de postagens de texto público em comentários em nossos serviços.

Mark Zuckerberg
CEO da Meta

Common Crawl é o maior conjunto de dados da web disponível, com +250 bilhões de páginas coletadas no intervalo de 17 anos. Foi usado pela OpenAI na criação do GPT 3.

É nas conferências com investidores, e não em depoimentos no Congresso, que os CEOs falam sem muitas amarras do que realmente importa. Não poderia ter exemplo melhor disso do que as falas de Zuckerberg um dia depois de pedir desculpas às famílias de adolescentes vítimas de abusos no Instagram (e só depois de ser coagido por um senador). Via Bloomberg (em inglês).

Firefox Focus, uma alternativa mais saudável às pesquisas rápidas do Arc Search

Ícone do Firefox Focus: silhueta de raposa de fogo envolvendo um globo, com cores negativas (em relação ao ícone padrão do Firefox).

A The Browser Company fez (mais) barulho há poucos dias com o lançamento do Arc Search, um navegador web reimaginado para celulares.

Um dos seus destaques é o acesso rápido à busca: ao abrir o aplicativo (disponível apenas para iOS), a pessoa é recepcionada por um campo de busca e o teclado já expandido.

Eu já tinha visto isso em algum lugar… lembrei! Foi no Firefox Focus, um app lançado pela Mozilla em 2015.

Pode-se dizer que o Firefox Focus é um app complementar ao Firefox convencional. É para consultas rápidas e despreocupadas; nada do que é pesquisado ali fica salvo em históricos e coisas do tipo. Com um toque (ou com o tempo), todo o histórico recente é esquecido.

Outra característica bacana é a proteção contra rastreamento e anúncios invasivos, mais potente que a (já excelente) do Firefox convencional. Dá até para bloquear o carregamento de fontes externas.

O Firefox Focus não tem a inteligência artificial do Arc Search, que “lê” seis páginas do termo pesquisado e constrói uma (supostamente) melhor, mas tem três duas vantagens em relação a esse:

  1. A já mencionado proteção contra rastreamento/bloqueador de anúncios invasivos;
  2. Versão para Android; e
  3. Opções de buscadores alternativos (no Arc Search, é Google ou Google).

Atualização (12h26): Desde a versão 1.0.1, o Arc Search permite alterar o buscador padrão. As opções são limitadas, porém. (Obrigado pelo aviso, Martinatti!)

Firefox Focus / Android, iOS / Gratuito