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Chrome, Manifesto v3 e o fim da linha para a extensão uBlock Origin

O Google começou a desativar extensões do Chrome que dependem do Manifesto v2, especificação usada pelos desenvolvedores para acessar recursos do navegador web e obter permissões. Uma das afetadas é a popular uBlock Origin (uBO), que serve para bloquear anúncios, rastreadores e todo tipo de conteúdo indesejado.

O Manifesto v3, apesar das suas vantagens, descarta recursos de que a uBO depende para funcionar direito. O Google já avisou que todas as instalações do Chrome estarão livres do Manifesto v2 até junho de 2025.

Diante desse cenário, o que fazer?

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O problema do SafetyCore, app que “brotou” em celulares Android

Seu celular é Android? Se sim, é provável que tenha aparecido um novo app aí chamado SafetyCore. Anunciado pelo Google em outubro de 2024, a empresa expandiu sua disponibilidade por esses dias.

O SafetyCore se destina a dispositivos que rodam Android 9 ou posterior, ocupa ~2 GB do armazenamento e, segundo o Google, “fornece infraestrutura comum que apps podem usar para proteger os usuários de conteúdo indesejado”. Ainda segundo a documentação (somente em inglês), “a classificação do conteúdo roda exclusivamente no dispositivo e os resultados não são compartilhados com o Google”.

Quase ninguém lê avisos, alertas, quiçá a documentação de um app ou sistema operacional. O que não passa batido é um novo ícone entre os apps do celular que “brota” da noite para o dia. O SafetyCore é motivo para preocupação?

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Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as…

Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as referências ao compromisso em não vender dados pessoais no Firefox. No arquivo structured-data-firefox-faq.html, da sessão de perguntas e respostas, a pergunta (removida) “O Firefox vende seus dados pessoais?” terminava dizendo que “Isto é uma promessa”. A pergunta e a promessa já não constam no site.

Relacionado: Por que agora, Mozilla?

Por que agora, Mozilla?

A Mozilla apresentou termos de uso para o Firefox. É a primeira vez que o navegador tem um documento do tipo, incomum em navegadores FOSS. Os termos de uso vieram acompanhados de uma política de privacidade atualizada.

Em um adendo no blog onde anunciou a novidade, a Mozilla esclarece que a cessão de certos direitos e permissões, prevista nos termos de uso, não significa propriedade dos dados ou o direito de uso do que acontece no navegador fora dos casos previstos na política de privacidade.

Esse tipo de confusão é normal. Serviços web e aplicativos precisam dessa garantia para operarem com dados dos usuários.

A política de privacidade prevê diversos casos de uso meio decepcionantes, em especial os ligados à iniciativa de “links patrocinados” (ainda indisponível no Brasil) e que envolvem marketing de produtos e inteligências artificiais generativas.

É preciso reconhecer que os dois textos são legíveis, relativamente fáceis de entender por serem livres de “juridiquês”. Também é possível desativar a maioria das (todas?) opções mais invasivas.

Por outro lado, esse anúncio soa como uma contradição ao “ethos” da Mozilla, ou o que se pensa sê-lo; uma contradição com os ideais de quem está atento e se importa com a monopolização da web pelo Google/Chromium e tem, no Firefox, uma espécie de bastião da web aberta.

“Por que agora?”, a Mozilla pergunta no blog. “Embora tenhamos ao longo da história confiado em nossa licença de código aberto para o Firefox e nos compromissos públicos com você, estamos trabalhando em um cenário tecnológico muito diferente hoje. Queremos tornar esses compromissos abundantemente claros e acessíveis.”

É tudo uma questão de perspectiva, claro. Nesse “cenário tecnológico muito diferente”, acho eu que as práticas históricas da Mozilla no contrato com os usuários seriam mais importantes do que jamais foram. Seguir a manada e sujar-se com a publicidade programática acaba com os (poucos) diferenciais que o Firefox ainda sustenta.

Os termos de uso não alcançam o código do Firefox, o que significa que “forks”, navegadores alternativos baseados no da Mozilla, não estão sujeitos a eles. Recomendo o LibreWolf em computadores. O projeto tem por propósito oferecer um Firefox livre do braço comercial da Mozilla e que priorize a privacidade. (E já vem com a extensão uBlock Origin pré-instalada.)

O LibreWolf pesa a mão na privacidade, o que gera alguns transtornos em uso normal da web. Para evitá-los, recomendo desativar a proteção contra fingerprinting (RFP).

Para o Android, o IronFox é recomendado pelo pessoal do LibreWolf. Outra alternativa, menos focada em privacidade acima de tudo, é o Fennec, disponível na F-Droid.

O Google ameaçou remover o app XScreenSaver da Play Store pela ausência de… 

É de 2024, mas só soube desta história agora. O Google ameaçou remover o app XScreenSaver da Play Store pela ausência de uma política de privacidade. O dono do app, Jamie “jwz” Zawinski, escreveu um belo texto (acredite) contrapondo suas práticas de privacidade às do Google, submeteu-o ao Google, e… não é que deu certo?

(Depois o app foi removido de vez porque Jamie, um dos fundadores do Netscape e da Mozilla, se recusou a enviar a cópia de um documento ao Google.)

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo…

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo de assinantes no WhatsApp foi a exposição do número de telefone dos participantes. (Ou: como saber que você está entre leitores do Manual do Usuário sem que eles se identifiquem como leitores do Manual do Usuário.)

E o Signal?

Estadunidenses de grupos minorizados estão sugerindo o uso do Signal diante do resultado da eleição presidencial de lá.

Usar o Signal é uma boa prática de segurança e privacidade digital, com Trump no poder ou não, nos EUA e em qualquer outro país.

No final de maio, em meio a uma onda de ataques esquisitos contra a direção do Signal por sujeitos como Pavel Durov (Telegram) e Elon Musk (X), migramos o grupo do Manual para o Signal. (Até então, usávamos o Telegram.)

Dia desses, o leitor Tasso sugeriu “um texto de reflexões sobre a mudança do grupo para o Signal, alguns meses depois”. Achei boa ideia! Cá está o texto.

A mudança transcorreu sem maiores transtornos, ainda que não sem perdas. No Telegram, éramos mais de 120 pessoas, se não me falha a memória; no Signal, nesta quarta (6) estávamos em 94.

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Meta AI no WhatsApp: Privacidade e desativação da inteligência artificial

Para muita gente, a Meta AI que pipocou no WhatsApp é a primeira interação com IA generativa. O encontro tem causado algumas frustrações e gerado ansiedade.

Sem rodeios: não é possível desativar a Meta AI.

Poderia ser, mas não é do interesse da Meta, que quer, com esse movimento, tomar a dianteira na corrida da IA generativa. Acostume-se com aquela rodinha colorida na busca.

Há relatos de que dá para remover a bolinha que aparece no topo da tela, ao lado dos botões de câmera e iniciar conversa. A opção Mostrar botão Meta AI estaria na área Conversas, nas configurações do WhatsApp. Aqui, porém, não a encontrei. / idec.org.br

Neste site, é possível impedir o uso de interações com a Meta AI para treinar as IAs da Meta.

Note que conversas pessoais e em grupos são criptografadas de ponta a ponta e não são usadas para esse fim. A solicitação acima diz respeito apenas a conversas com a Meta AI e a mensagens em que a IA é invocada em um grupo. / faq.whatsapp.com

Curioso que esse comportamento acabou sendo uma frustração para alguns, como o Gustavo. Não dá para agradar a todos. / manualdousuario.net/orbita

Mudança na forma de salvar contatos no WhatsApp tem duas consequências concorrenciais

O WhatsApp agora permite salvar contatos no próprio WhatsApp, ou seja, independente da agenda de contatos do celular. / blog.whatsapp.com

Além disso, a empresa prometeu para “em breve” a possibilidade de adicionar e gerenciar contatos pelo WhatsApp Web e app do Windows, e suporte a nomes de usuários a fim de dispensar o número de telefone ao adicionar alguém. (O Signal tem isso desde fevereiro de 2024.)

Segundo a Meta, os contatos salvos em seus servidores usando um novo sistema de armazenamento criptografado, chamado Identity Proof Linked Storage (IPLS). / engineering.fb.com

Há dois desdobramentos concorrenciais que, por óbvio, a Meta não comenta no comunicado à imprensa.

Primeiro, ao restringir os contatos ao WhatsApp, o “povoamento” de outros apps de mensagens que competem com ele se torna mais difícil. A agenda de contatos do celular é compartilhada por todos os apps, a critério apenas do usuário; os contatos salvos no WhatsApp nesse novo modelo, por outro lado, ficam limitados ao WhatsApp.

O segundo diz respeito a uma novidade em privacidade que a Apple implementou no iOS 18:

A permissão do app Contatos foi aprimorada e permite que você escolha quais contatos compartilhar com um app. / support.apple.com

Até o iOS 17, um aplicativo como o WhatsApp tinha acesso a todos os contatos ou a nenhum. No iOS 18, existe a possibilidade do acesso seletivo — como já existia com a permissão das fotos, por exemplo.

Curioso para ver se essa mudança no WhatsApp disparará algum alerta em órgãos antitruste.

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

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Bastaram alguns dias no xilindró parisiense para que Pavel Durov…

Bastaram alguns dias no xilindró parisiense para que Pavel Durov mudasse o discurso sobre “nunca entregar dados dos usuários às autoridades”. Na segunda (23), o CEO do Telegram avisou em seu canal que “endereços IP e números de telefone de quem viola as nossas regras serão repassados às autoridades em resposta a pedidos legais válidos”.

Foi um dia vitorioso para os que ainda têm esperança na ressocialização da pena privativa de liberdade do sistema penal. / t.me/@durov (em inglês)

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Em agosto, o iFood bateu a marca de 100 milhões de pedidos em um mês. “O centésimo milionésimo pedido de agosto foi feito às 12h54m do sábado passado, último dia do mês: um combo de hambúrguer, refrigerante e batata frita entregue em Lins (SP)”. / oglobo.globo.com

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Mais de 40% da receita do Telegram em 2023 veio de negócios relacionados a criptomoedas. No período, a empresa faturou ao todo US$ 342,5 milhões e teve prejuízo de US$ 108 milhões. / ft.com (em inglês)

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O fornecimento de dados biométricos preocupa 60% dos brasileiros com acesso à internet. O dado consta na segunda edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados, do Cetic. / cetic.br

Números enormes

Os diversos modelos de iPhone já respondem por 40% das vendas da Trocafone, marketplace brasileiro de celulares usados. Em 2023, o percentual dos celulares da Apple era de 25%. / mobiletime.com.br

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A Samsung sentiu o bafo de rivais chinesas na corrida das TVs conectadas e anunciou que as suas contarão com 7 anos de atualizações para o Tizen, sistema operacional próprio que equipa as TVs. A nova política vale a partir de alguns modelos lançados em 2023. / businesskorea.co.kr (em inglês)

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A Autoridade Holandesa de Proteção de Dados aplicou uma multa de € 290 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) à Uber na segunda (26), por transferir dados de motoristas europeus aos Estados Unidos sem os devidos cuidados com a privacidade. / oglobo.globo.com

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 26/8

O Google iniciará, na próxima segunda (2/9), a construção de um centro de engenharia em São Paulo, dentro da Cidade Universitária da USP. A previsão é de que a obra fique pronta em 2026. / folha.uol.com.br

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Terça, 27/8

A Anatel espera implementar, ainda este ano, o programa “Origem Verificada”, que identificará “chamadores frequentes”, como bancos e operadoras, em ligações ao celular do consumidor. São dois objetivos: reduzir o incômodo e os golpes. / oglobo.globo.com

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Quarta, 28/8

Após ser preso no último sábado (24) ao desembarcar de seu avião na França, Pavel Durov, CEO do Telegram, foi solto após pagar fiança com a condição de não deixar o país, que o acusa de não colaborar com investigações criminais. / g1.globo.com

A Automattic anunciou a intenção de migrar mais de meio bilhão de blogs do Tumblr para a infraestutura do WordPress. Segundo a empresa, será “uma das maiores migrações técnicas da história da internet”. Sem prazo para conclusão. / automattic.com (em inglês)

O Bluesky liberou uma rodada de recursos “anti-tóxicos” aos usuários. Tem várias coisas legais, como remover o post de outro que o cita (“quoted”). / bsky.social (em inglês)

A Meta continua liberando, a conta gotas, a integração do Threads ao fediverso. Desta vez, respostas a posts de outros usuários vindas do fediverso passaram a ser visíveis a todos. / techcrunch.com (em inglês)

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Quinta, 29/8

Trabalhadores do Serpro entraram em greve nesta semana. Eles pedem reajuste salarial. / convergenciadigital.com.br

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Sexta, 30/8

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou bloquear o acesso ao X (antigo Twitter) no Brasil após o empresário Elon Musk descumprir a determinação de indicar um representante legal no país. / g1.globo.com

A ANPD liberou a Meta para coletar dados dos usuários brasileiros para treinar IA, após a empresa adequar sua conduta, com mais transparência e uma maneira facilitada aos usuários de negar esse uso de seus dados. / gov.br

Sai o WhatsApp, entra o… BraZap?

A não-notícia da Folha de S.Paulo, que atribuiu supostos ilícitos à conduta do ministro do STF e ex-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, no enfrentamento dos atos golpistas de 8 de janeiro, reverberou no governo federal.

Segundo o próprio jornal, Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), “decidiu fazer uma licitação para contratar empresas nacionais que possuem aplicativos similares ao WhatsApp”.

O objetivo é nobre, mas a motivação carece de fundamento. Que pese o WhatsApp ser de uma empresa estadunidense e um software proprietário, ele usa o protocolo de criptografia do Signal, padrão ouro da área, sem histórico de brechas ou violações.

(Sempre é bom lembrar que criptografia de ponta a ponta não tem serventia quando uma das pontas é comprometida. Joesley Batista que o diga.)

O que me incomoda nessa proposta é ter como critério principal a nacionalidade do fornecedor. É preferível que seja uma empresa brasileira e poderia ser um requisito, mas o que mais beneficiaria a segurança e privacidade das comunicações seria a adoção de um protocolo aberto e confiável, como o Matrix.

O risco de responder sob pressão uma ameaça inexistente é trocar o WhatsApp por algo muito pior, mas com o selo “made in Brazil”. Quais as chances disso acontecer?