Três opções para aumentar a privacidade no LinkedIn

O LinkedIn alterou seus termos de uso para compartilhar mais dados com a Microsoft para fins publicitários. É de praxe, nada muito novo ou preocupante, mas achei legal que, no documento em que explica as mudanças, o LinkedIn incluiu links diretos para as três opções que, ao serem desativadas, impedem o compartilhamento de tais dados. Obrigado…?

É só clicar nos links, estando logado(a), e desativar todos:

Aproveite o embalo e desative também o compartilhamento de conteúdo para treinar IAs generativas.

Uma abordagem menos afetuosa da tecnologia

É quase impossível escapar do WhatsApp e muito difícil livrar-se do Instagram. Para muitos, é também indesejável. Amigos, parentes, pessoas queridas e toda a presença de muitos comércios só estão disponíveis em um ou outro (ou em ambos).

Em 2022, quando escrevi a respeito da “abordagem mais afetuosa” com a tecnologia, havia pouco tempo voltara a usar essas e outras plataformas comerciais. Baixei as defesas numa tentativa de estar mais presente, de participar mais.

O problema com empresas como a Meta é que toda concessão do nosso lado é explorada ao máximo.

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Você vai usar o Gemini no Android porque sim

O Google enviou um e-mail a donos de celulares Android avisando que o Gemini “poderá ajudá-lo a usar o Telefone, Mensagens, WhatsApp e Utilitários no seu celular, independentemente da Atividade nos apps do Gemini estar ativada ou desativada em sua conta”. A alteração está agendada para 7 de julho.

O aviso gerou confusão até em publicações especializadas em Android. — 9to5Google, Android Police, Android Authority. Mesmo depois dos esclarecimentos, incluindo um comunicado do próprio Google, a coisa toda segue… confusa.

Pelo que entendi, se a Atividade nos apps do Gemini estiver desativada, o Gemini continuará disponível e tendo acesso aos apps mencionados, incluindo o WhatsApp e telefone. A diferença é que as interações com a IA não ficarão registradas no histórico e serão armazenadas pelo Google por até 72 horas, com a garantia de que não serão usadas para treinar IAs nem revisadas por humanos.

(Em outras palavras, deixar o histórico ativado submete as interações ao treinamento da IA e a revisões por outros humanos.)

Quem não quiser mesmo o Gemini se intrometendo em ligações, mensagens, WhatsApp e configurações do sistema, precisa desativar as integrações com cada app dentro do aplicativo do Gemini. Que parece ser outra coisa, diferente da Atividade nos apps do Gemini. Presumo seja este app.

As referidas publicações especializadas, após atualizarem suas histórias para “desfazer a confusão”, concluíram que o saldo da mudança é positivo para a privacidade das pessoas. Não estou muito certo disso. Confusões desse tipo, que soam propositais e tentam escondem os botões “nucleares” (que desativam a função oferecida), costumam ser derrotas à privacidade. E nem entro no mérito se o Gemini fuçando nas minhas mensagens é algo bom ou ruim.

Ou talvez eu ainda não entendi direito.

Link relacionado (acho?): a extensa central de privacidade dos apps do Gemini.

A face do risco: o rosto como senha 

Por falar em reconhecimento facial, ouvi com grande interesse o podcast O Assunto desta segunda (19), que trata do… assunto, e terminei a audição um pouco decepcionado.

Gostei da crítica que o Ronaldo Lemos, um dos entrevistados, fez à banalização do uso do rosto como senha. Quando a Natuza pediu dicas de prevenção contra golpes que exploram brechas do reconhecimento facial, a primeira que Ronaldo deu foi evitar expor seu rosto a esse sistema, o que é meio óbvio e, ao mesmo tempo, muito difícil em vários casos — um deles comentado pelo próprio Ronaldo minutos antes, que admitiu que quando precisa entrar em um prédio que exige reconhecimento facial, acaba cedendo.

As dicas de segurança do outro convidado, Álvaro Massad Martins, me pareceram meio anacrônicas, como “criar senhas com pelo menos dez caracteres” (que tal indicar gerenciadores de senhas e não se preocupar com isso?) e VPN para “navegar com segurança em redes públicas”, o que é dispensável com HTTPS onipresente e, de qualquer modo, está longe de ser uma panaceia.

Ao fim do podcast, continuei incomodado com a banalização e sem saber muito bem o que fazer. Dicas?

Sorocaba lança “app da beleza” com IA e vigilância por reconhecimento facial, duas notícias (espero) não relacionadas

Sorocaba (SP) vai disponibilizar um “App da Beleza” à população a partir da próxima segunda (26). Segundo nota no site da prefeitura publicada no final de abril, “o aplicativo vai informar quais são os produtos mais indicados para cada pessoa” com a ajuda de “inteligência artificial”. A pessoa, então, receberá os produtos indicados gratuitamente mediante um cadastro.

A iniciativa, segundo o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), visa “promover o bem-estar e a autoestima à população”. Em entrevista à Gazeta de S.Paulo, Manga disse que o programa é “sem custo para você, sem custo para o município”.

Quem vai pagar essa conta, então?

Ainda segundo o periódico, o “App da Beleza” é uma parceria com a Mais Cosméticos, atacado online do Grupo Ativa Brasil, de Palhoça (SC). O que é um alívio, considerando que o prefeito Manga quer muito, muito mesmo que a Virgínia leve a sua empresa de cosméticos à cidade.

Em nota (espero) não relacionada, nesta quarta (21) a prefeitura de Sorocaba lançou um programa de vigilância por reconhecimento facial que usa o mesmo sistema adotado na capital, o Smart Sampa.

Sorocabanos sem privacidade, mas com o skin care em dia 💁‍♀️

Dica do Gustavo e do Gabriel no nosso grupo no WhatsApp. Valeu!

O Signal encontrou uma solução genial para blindar seu aplicativo do Recall, o spyware oficial da Microsoft para o Windows 11: classificar o app como protegido por direitos autorais (DRM), tal qual o da Netflix, o que o impede de ser “fotografado”/aparecer em prints — incluindo os do Recall.

Recall, caso tenha se esqueci, é um recurso de “IA” que a Microsoft anunciou em maio de 2024, para computadores Copilot+, que tira prints da tela a cada poucos segundos e cria um arquivo pesquisável. Tipo um spyware. O lançamento foi adiado diante da repercussão, mas voltou a ser testada em abril e deverá chegar a computadores elegíveis em breve.

ChatGPT consegue adivinhar o local de fotos

Não que eu me orgulhe disso, mas a verdade é que perdi o fio da meada dos lançamentos da OpenAI. Na quarta (16), a empresa anunciou dois novos modelos, o3 e o4-mini, com curiosos desdobramentos.

O o3 é definido pela OpenAI como “o nosso mais poderoso modelo de raciocínio”; o o4-mini, um “modelo menor otimizado para raciocínio rápido e eficiente em custo”. Ambos são acessíveis pela interface do ChatGPT e são capazes de lidar com vários ferramentais, como a análise de arquivos enviados.

Um dos exemplos dados pela OpenAI no anúncio oficial, do tipo “pensar com imagens”, parece ter disparado uma nova febre: descobrir a localização de imagens a partir delas próprias, uma espécie de pesquisa reversa ou, como tem se falado nas redes sociais, “o fim do Geoguesser”.

O TechCrunch notou que o o3 não é muita coisa melhor que o GPT-4o, um modelo anterior e mais rápido, e que não é perfeito, errando os locais de várias imagens e, às vezes, sequer conseguindo dar um palpite. De qualquer modo, às vezes essa capacidade do ChatGPT assusta e cria, desde já, um novo vetor de paranoia com privacidade online: não basta mais limpar os metadados de fotos.

Pela própria natureza dos LLMs, é muito difícil distinguir avanços genuínos do entusiasmo da torcida. O Techmeme, um agregador do noticiário e de reações de gente da indústria da tecnologia, pescou este comentário de alguém no X:

Estou obcecada com o3. É muito melhor do que os modelos anteriores. Ele acabou de me ajudar a resolver uma questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos em três conversas (uma que não é socialmente aceitável compartilhar, e aqueles com quem eu compartilhei não ajudaram/não poderiam ajudar).

Fico me perguntando que tipo de “questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos” uma conversa com uma IA lançada há poucas horas poderia resolver.

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A blitz de lançamentos da OpenAI está surtindo efeito. Em março, puxado por “trends” como a do estúdio Ghibli e a das caixas de bonequinhos, o ChatGPT foi o aplicativo mais baixado do mundo, segundo a consultoria Appfigures, desbancando Instagram e TikTok, líderes habituais nos últimos meses.

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Nesta quinta (17), o Google liberou o Gemini 2.5 Flash, que “oferece uma grande atualização nas capacidades de raciocínio, ao mesmo tempo em que continua a priorizar a velocidade e o custo”. Talvez esse novo modelo consiga adivinhar a cor das nossas roupas íntimas e trazer a paz mundial.

Duas fotos, lado a lado, da webcam Piranha Plant, da Hori, com a “boca” aberta e fechada.
Fotos: HORI/Divulgação.

A HORI anunciou uma webcam compatível com o GameChat do Switch 2 com o formato da Piranha Plant. Além de mais barata que o modelo oficial (e sem graça) da Nintendo, a da Hori pode ser “destacada” do vaso para ser conectada direto no video game e — o mais legal — “fecha a boca” para bloquear fisicamente a câmera quando não está em uso. Na Alemanha, sai por € 39,99.

PS: Hoje eu aprendi que o nome dessa personagem é “Piranha Plant”. Eu sequer imaginava que ela tivesse um nome.

A Microsoft vai remover a gambiarra (via script bypassnro.cmd) que permite instalar o Windows 11 sem vinculá-lo a uma Conta Microsoft e desconectado da internet. A empresa diz que a mudança é para “melhorar a segurança e a experiência de usuário”.

Eu gosto desse tipo de integração e a uso no macOS. Muita gente, ou muita gente cronicamente online, detesta, a julgar pelas reações em caixas de comentários. Por ora, a mudança só vale para versões de testes (Insider Preview build 26200.5516).

O editor-chefe da revista The Atlantic foi adicionado a um grupo no Signal onde membros do alto escalão do governo estadunidense, incluindo o vice-presidente e o secretário de defesa, trocavam informações confidenciais de um ataque dos EUA contra os Hutis, no Iêmen.

O caso, surreal, ilustra uma máxima deste Manual: de nada adianta criptografia de ponta a ponta se uma das pontas for comprometida — ou, como neste caso, for uma pessoa burra.

A Amazon avisou alguns clientes que, no dia 28/3, removerá a opção de não enviar gravações de voz de conversas com a Alexa à nuvem. O pessoal ficou bravo — vide o texto do Cory Doctorow.

Fiquei intrigado com a mera existência dessa opção. Depois, olhando mais a fundo a documentação de ajuda do serviço, descobri que ela só existe em três dispositivos — Echo de 4ª geração, Echo Show 10 e Echo Show 15 —, para quem vive nos Estados Unidos e conversa com a Alexa em inglês.

Surpreendendo absolutamente ninguém, o Pinterest é a última plataforma social comercial a alterar sua política de privacidade a fim de usar conteúdo dos usuários para treinar inteligências artificiais generativas.

Ao site Futurism, um porta-voz do Pinterest disse que nada mudou (eles treinavam IAs sem aviso prévio?) e que quem tiver insatisfeito tem a opção de “opt-out” (é sempre a mesma história).

Eu achava que o Pinterest era um agregador de conteúdo de fontes alheias, ou seja, sem conteúdo original, do tipo que os usuários detêm os direitos. Não que respeitar direitos autorais seja prática comum entre empresas de IA. Ainda assim, a cara de pau impressiona.

Chrome, Manifesto v3 e o fim da linha para a extensão uBlock Origin

O Google começou a desativar extensões do Chrome que dependem do Manifesto v2, especificação usada pelos desenvolvedores para acessar recursos do navegador web e obter permissões. Uma das afetadas é a popular uBlock Origin (uBO), que serve para bloquear anúncios, rastreadores e todo tipo de conteúdo indesejado.

O Manifesto v3, apesar das suas vantagens, descarta recursos de que a uBO depende para funcionar direito. O Google já avisou que todas as instalações do Chrome estarão livres do Manifesto v2 até junho de 2025.

Diante desse cenário, o que fazer?

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O problema do SafetyCore, app que “brotou” em celulares Android

Seu celular é Android? Se sim, é provável que tenha aparecido um novo app aí chamado SafetyCore. Anunciado pelo Google em outubro de 2024, a empresa expandiu sua disponibilidade por esses dias.

O SafetyCore se destina a dispositivos que rodam Android 9 ou posterior, ocupa ~2 GB do armazenamento e, segundo o Google, “fornece infraestrutura comum que apps podem usar para proteger os usuários de conteúdo indesejado”. Ainda segundo a documentação (somente em inglês), “a classificação do conteúdo roda exclusivamente no dispositivo e os resultados não são compartilhados com o Google”.

Quase ninguém lê avisos, alertas, quiçá a documentação de um app ou sistema operacional. O que não passa batido é um novo ícone entre os apps do celular que “brota” da noite para o dia. O SafetyCore é motivo para preocupação?

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