Nada mudou no Instagram; Meta sempre leu suas DMs

Desde 8 de maio, o Instagram parou de oferecer a opção de mensagens diretas (DMs) com criptografia de ponta a ponta (e2ee, na sigla em inglês). O anúncio foi feito de maneira discreta, em uma página da documentação de ajuda da Meta, o que condiz com a importância desse recurso dentro do Instagram. Ao repercutir a notícia, porém, a imprensa fez um trabalho lamentável, esticando a verdade ou descambando para a desinformação mesmo, inflamando a opinião pública a troco de nada.

Sou o primeiro a criticar a Meta, e é por isso que devemos ser cuidadosos nas acusações, sob o risco de enfraquecermos os reais argumentos contra ela e suas práticas.

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Tive a oportunidade de ver ao vivo a “tela de privacidade” que a Samsung colocou no Galaxy S26 Ultra, em uma loja da marca em um shopping qualquer de Curitiba. Ela tem dois níveis de escurecimento e, em qualquer deles, a tela perde bastante brilho para a pessoa usando o dispositivo (de frente para ele; veja este vídeo) e, embora eu estivesse sem óculos, fiquei com a impressão (e não só eu) de que a queda na resolução com a tela de privacidade ativada é perceptível (para alguns, até com o recurso desativado).

Para mim, o grande destaque dado pela Samsung a um recurso tangencial sustenta uma tendência salutar que percebi anos atrás: a compra de um celular é similar à de uma geladeira.

O Medium tornará públicas em seu perfil as interações realizadas na plataforma: aplausos (as curtidas de lá), destaques e comentários. A exposição delas é “opt-out”, ou seja, caso você queira mantê-las privadas, precisa abrir esta tela das configurações, no navegador web, e desmarcar as três opções — “Claps”, “Highlights” e “Responses”.

Motorola e GrapheneOS anunciam parceria de longo prazo

Havia alguns meses que os mantenedores do GrapheneOS, uma versão alternativa e focada em segurança do Android, falavam de uma parceria com uma grande fabricante. Nesta segunda (2), no Mobile Web Congress (MWC), descobrimos quem é a parceira: a Motorola Mobility.

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Este app emite um alerta quando detecta os óculos com câmera da Meta perto de você

Com o sucesso dos óculos com câmera da Meta, criou-se o risco de ser gravado sem consentimento nem conhecimento e acabar exposto em um vídeo tosco no TikTok ou Instagram. A piauí tem uma boa reportagem do assunto, assinada por Victor Calcagno.

As empresas fabricantes alegam que um discreto pontinho luminoso na armação desses óculos indica quando eles estão filmando. Nem sempre é fácil perceber a luz e, de qualquer forma, é trivial desabilitá-la.

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Confirmando os rumores, o vindouro iOS 26.4 deverá trazer criptografia de ponta a ponta para mensagens trocadas entre iPhone e Android pelo padrão RCS. E não só: como esse recurso está vinculado a uma versão mais recente do RCS, a 3.0, outros muito bem-vindos deverão chegar também: edição e exclusão de mensagens enviadas, reações sem duplicar mensagens e respostas a mensagens específicas.

Nem mágica, nem IA: PresenteIA, do Marcos Mion, explicita a devassa dos nossos dados

Estava zapeando a TV no último sábado quando topei com Marcos Mion anunciando o PresenteIA, uma solução para “nunca mais esquecer o aniversário de quem é importante pra você”.

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A nova versão do Nova Launcher, popular “launcher” para Android, trouxe uma novidade indesejada: rastreadores de publicidade de Meta e Google. No Exodus, plataforma de auditoria de apps sem fins lucrativos, dá para ver as mudanças da versão anterior (8.1.6) para a nova (8.2.4).

O Nova Launcher foi comprado pelos suecos da Instabridge alguns meses após o criador do launcher deixar a Branch, empresa que comprou o aplicativo em 2022 e fez a promessa de abrir seu código — o que nunca ocorreu. A Instabridge confirmou que está testando a inserção de publicidade no Nova Launcher e que não exibirá anúncios para quem tem o Nova Prime (versão paga).

O apagão na AWS desta segunda (20) causou inúmeros transtornos, inclusive no Brasil. O mais inusitado talvez tenha sido o da Eight Sleep, startup estadunidense que vende uma “cama inteligente” (que não é vendida por aqui). A cama parou de funcionar no meio da noite, o que nem foi a pior parte: alguns usuários descobriram que a cama envia ~16 GB por mês de dados de telemetria à empresa.

Três opções para aumentar a privacidade no LinkedIn

O LinkedIn alterou seus termos de uso para compartilhar mais dados com a Microsoft para fins publicitários. É de praxe, nada muito novo ou preocupante, mas achei legal que, no documento em que explica as mudanças, o LinkedIn incluiu links diretos para as três opções que, ao serem desativadas, impedem o compartilhamento de tais dados. Obrigado…?

É só clicar nos links, estando logado(a), e desativar todos:

Aproveite o embalo e desative também o compartilhamento de conteúdo para treinar IAs generativas.

Uma abordagem menos afetuosa da tecnologia

É quase impossível escapar do WhatsApp e muito difícil livrar-se do Instagram. Para muitos, é também indesejável. Amigos, parentes, pessoas queridas e toda a presença de muitos comércios só estão disponíveis em um ou outro (ou em ambos).

Em 2022, quando escrevi a respeito da “abordagem mais afetuosa” com a tecnologia, havia pouco tempo voltara a usar essas e outras plataformas comerciais. Baixei as defesas numa tentativa de estar mais presente, de participar mais.

O problema com empresas como a Meta é que toda concessão do nosso lado é explorada ao máximo.

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Você vai usar o Gemini no Android porque sim

O Google enviou um e-mail a donos de celulares Android avisando que o Gemini “poderá ajudá-lo a usar o Telefone, Mensagens, WhatsApp e Utilitários no seu celular, independentemente da Atividade nos apps do Gemini estar ativada ou desativada em sua conta”. A alteração está agendada para 7 de julho.

O aviso gerou confusão até em publicações especializadas em Android. — 9to5Google, Android Police, Android Authority. Mesmo depois dos esclarecimentos, incluindo um comunicado do próprio Google, a coisa toda segue… confusa.

Pelo que entendi, se a Atividade nos apps do Gemini estiver desativada, o Gemini continuará disponível e tendo acesso aos apps mencionados, incluindo o WhatsApp e telefone. A diferença é que as interações com a IA não ficarão registradas no histórico e serão armazenadas pelo Google por até 72 horas, com a garantia de que não serão usadas para treinar IAs nem revisadas por humanos.

(Em outras palavras, deixar o histórico ativado submete as interações ao treinamento da IA e a revisões por outros humanos.)

Quem não quiser mesmo o Gemini se intrometendo em ligações, mensagens, WhatsApp e configurações do sistema, precisa desativar as integrações com cada app dentro do aplicativo do Gemini. Que parece ser outra coisa, diferente da Atividade nos apps do Gemini. Presumo seja este app.

As referidas publicações especializadas, após atualizarem suas histórias para “desfazer a confusão”, concluíram que o saldo da mudança é positivo para a privacidade das pessoas. Não estou muito certo disso. Confusões desse tipo, que soam propositais e tentam escondem os botões “nucleares” (que desativam a função oferecida), costumam ser derrotas à privacidade. E nem entro no mérito se o Gemini fuçando nas minhas mensagens é algo bom ou ruim.

Ou talvez eu ainda não entendi direito.

Link relacionado (acho?): a extensa central de privacidade dos apps do Gemini.

A face do risco: o rosto como senha

Por falar em reconhecimento facial, ouvi com grande interesse o podcast O Assunto desta segunda (19), que trata do… assunto, e terminei a audição um pouco decepcionado.

Gostei da crítica que o Ronaldo Lemos, um dos entrevistados, fez à banalização do uso do rosto como senha. Quando a Natuza pediu dicas de prevenção contra golpes que exploram brechas do reconhecimento facial, a primeira que Ronaldo deu foi evitar expor seu rosto a esse sistema, o que é meio óbvio e, ao mesmo tempo, muito difícil em vários casos — um deles comentado pelo próprio Ronaldo minutos antes, que admitiu que quando precisa entrar em um prédio que exige reconhecimento facial, acaba cedendo.

As dicas de segurança do outro convidado, Álvaro Massad Martins, me pareceram meio anacrônicas, como “criar senhas com pelo menos dez caracteres” (que tal indicar gerenciadores de senhas e não se preocupar com isso?) e VPN para “navegar com segurança em redes públicas”, o que é dispensável com HTTPS onipresente e, de qualquer modo, está longe de ser uma panaceia.

Ao fim do podcast, continuei incomodado com a banalização e sem saber muito bem o que fazer. Dicas?

Sorocaba lança “app da beleza” com IA e vigilância por reconhecimento facial, duas notícias (espero) não relacionadas

Sorocaba (SP) vai disponibilizar um “App da Beleza” à população a partir da próxima segunda (26). Segundo nota no site da prefeitura publicada no final de abril, “o aplicativo vai informar quais são os produtos mais indicados para cada pessoa” com a ajuda de “inteligência artificial”. A pessoa, então, receberá os produtos indicados gratuitamente mediante um cadastro.

A iniciativa, segundo o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), visa “promover o bem-estar e a autoestima à população”. Em entrevista à Gazeta de S.Paulo, Manga disse que o programa é “sem custo para você, sem custo para o município”.

Quem vai pagar essa conta, então?

Ainda segundo o periódico, o “App da Beleza” é uma parceria com a Mais Cosméticos, atacado online do Grupo Ativa Brasil, de Palhoça (SC). O que é um alívio, considerando que o prefeito Manga quer muito, muito mesmo que a Virgínia leve a sua empresa de cosméticos à cidade.

Em nota (espero) não relacionada, nesta quarta (21) a prefeitura de Sorocaba lançou um programa de vigilância por reconhecimento facial que usa o mesmo sistema adotado na capital, o Smart Sampa.

Sorocabanos sem privacidade, mas com o skin care em dia 💁‍♀️

Dica do Gustavo e do Gabriel no nosso grupo no WhatsApp. Valeu!

O Signal encontrou uma solução genial para blindar seu aplicativo do Recall, o spyware oficial da Microsoft para o Windows 11: classificar o app como protegido por direitos autorais (DRM), tal qual o da Netflix, o que o impede de ser “fotografado”/aparecer em prints — incluindo os do Recall.

Recall, caso tenha se esqueci, é um recurso de “IA” que a Microsoft anunciou em maio de 2024, para computadores Copilot+, que tira prints da tela a cada poucos segundos e cria um arquivo pesquisável. Tipo um spyware. O lançamento foi adiado diante da repercussão, mas voltou a ser testada em abril e deverá chegar a computadores elegíveis em breve.