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Stack Overflow, Quora e Reddit vendem conteúdo dos usuários para OpenAI

Primeiro o Reddit, depois o Quora e, agora, o Stack Overflow: as três empresas, criadas em cima de conteúdo gerado pelos usuários, com um forte apelo comunal, ou seja, de pessoas interagindo com pessoas, fecharam acordos com a OpenAI para fornecer esse conteúdo humano para treinar inteligências artificiais/grandes modelos de linguagem (LLMs).

É bem provável que os termos de uso dessas plataformas permitam tal atitude, mas não deixa de ser, para muitos, uma espécie de traição — piorada quando tentativas de mitigar o assalto de trabalho voluntário e desinteressado são combatidas a ferro e fogo pela plataforma.

E se a IA generativa não for tudo isso?

Fogueira em preto e branco, com efeito dithering.

Em novembro de 2023, em meio à confusão da demissão e readmissão de Sam Altman na OpenAI, saiu um rumor na imprensa de que a startup teria alcançado um novo patamar para a inteligência artificial (IA) generativa com um tal de Projeto Q*.

Segundo a Reuters, que deu a notícia em primeira mão, o Q* seria “um novo modelo capaz de resolver certos problemas matemáticos”.

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Para o seu azar, Zuckerberg está fascinado com IA

Mark Zuckerberg está fascinado com inteligência artificial, o que talvez seja má notícia para os usuários do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Na conferência com acionistas, quarta passada (24), Zuck deu um banho de água fria na audiência quando disse que os investimentos pesados em IA levarão anos para dar retorno.

Até aí, tudo bem — quem liga para acionistas. A questão é como a IA dará retorno. Fala do próprio (via The Verge):

Existem várias maneiras de construir um negócio enorme aqui, incluindo escalar [apps de] mensagens para empresas, introduzir anúncios ou conteúdo pago em interações de IA e permitir que as pessoas paguem para usar modelos de IA maiores e acessar mais poder computacional. E além disso, a IA já está nos ajudando a melhorar o engajamento do aplicativo, o que naturalmente leva a mais visualizações de anúncios e a melhorar os anúncios em si para oferecer mais valor.

Hoje, imagens de Jesus feito de camarões e garrafas pet geradas por IA já infestam o Facebook, mas ainda são pedidas por seres humanos. Nem quero imaginar o futuro dos usuários da Meta quando a IA tomar o controle.

Um dia antes do papo com acionistas, a Meta expandiu o Meta AI, seu rival do ChatGPT, para uma dúzia de países onde o inglês é predominante.

O Meta AI está na busca do WhatsApp e do Instagram, em grupos do WhatsApp, em grupos do Facebook. Em um grupo no Facebook de pais de crianças especiais, o chatbot despirocou e disse ser pai de uma (via X).

Nos grupos do Facebook, o Meta AI entra na conversa quando é invocado por um ser humano ou em posts que não recebem respostas até uma hora após a publicação — foi o caso da insanidade acima.

Nem os clientes da Meta — anunciantes — escaparam. Desde meados de março, campanhas automatizadas por IA, alardeadas como sendo do tipo “configure e esqueça”, estão torrando a grana alocada em anúncios até 10 vezes mais caros que a média e ninguém sabe o porquê.

IA generativa da Meta é um vislumbre da era das redes sintéticas

A Meta anunciou a expansão do Meta AI (equivalente ao ChatGPT da OpenAI) para os populares apps da empresa, como Instagram e WhatsApp, e o Llama 3, nova versão do seu grande modelo de linguagem (LLM) de código aberto.

É a maior investida da empresa em IAs generativas até agora, um movimento que leva a previsões… estranhas, como a feita pelo Casey Newton em sua Platformer:

A primeira era do Facebook foi para conversar com amigos e familiares. A segunda, influenciada pelo TikTok, está mais focada em conteúdo de criadores e outras pessoas que você não conhece.

Nesta semana, tivemos um vislumbre da era ainda por vir: uma em que interagiremos regularmente com pessoas e robôs — talvez nem sempre cientes, ou nos importando, com qual estamos falando.

Um avanço significativo é o gerador de imagens do Meta AI. Ele responde a alterações no enunciado quase em tempo real. Dave Winer gravou um vídeo demonstrando o recurso — que, a exemplo das outras novidades, ainda não está disponível no Brasil.

Como as gigantes de tecnologia dão um jeitinho para coletar dados para IA 

O New York Times publicou uma reportagem bombástica mostrando como, nos bastidores, as grandes empresas de IA dão um jeitinho (às vezes ilegal) de obter conteúdo para treinar seus grandes modelos de linguagem, base das IAs generativas.

A parte mais engraçada é o Google fazendo vista grossa para a OpenAI raspando 1 milhão de horas (!) de vídeos do YouTube para transcrever e alimentar o GPT-4 porque o próprio Google estava fazendo o mesmo para o Gemini. (A prática viola os termos de uso do YouTube.)

Detalhe: dois dias antes, o CEO do YouTube, Neal Mohan, disse à Bloomberg (sem paywall) que o uso de vídeos pela OpenAI para treinar a Sora seria contra as diretrizes da plataforma.

IA, mas pode chamar de terceirização para países pobres

A Amazon fez barulho na década passada quando abriu lojas físicas nos EUA com o Just Walk Out, que dispensava caixas humanos: o cliente apenas pegava as coisas nas prateleiras e o sistema (supostamente) inteligente detectava e cobrava direto no cartão, sem intervenção humana.

Acontece que, segundo o The Information, o tal “sistema automatizado” consistia em mais de 1 mil indianos monitorando e rotulando as compras remotamente. (Isso explica, por exemplo, por que algumas cobranças levavam horas para serem creditadas.)

A Amazon anunciou nesta terça (2) que vai acabar com o Just Walk Out. Em seu lugar, implementará outro sistema em que o próprio consumidor passará as compras por um leitor embutido no carrinho de compras.

“Inteligência artificial” segue sendo um eufemismo para terceirização de trabalho repetitivo para países pobres. Via The Information e Gizmodo (ambos em inglês).

Artifact é vendido ao Yahoo, mas será encerrado mesmo assim

O Artifact será vendido ao Yahoo. Em vez de agonizar como outras grandes aquisições do grupo (Delicious, Flickr, Tumblr…), o app de notícias será encerrado nos próximos meses e os dois co-fundadores, Kevin Systrom e Mike Krieger (ex-Instagram), servirão de consultores para a transição, leia-se: integrar a IA de recomendações personalizadas do Artifact ao Yahoo News. Como alguém disse por aí, o Yahoo comprou (por um valor não divulgado) um monte de código sem as pessoas que escreveram ele.

Curso gratuito de inteligência artificial na USP 

A USP está oferecendo um curso gratuito de introdução à inteligência artificial em comemoração aos 90 anos da universidade. São 600 vagas para o curso presencial e 50 mil para o virtual, que será transmitido pelo YouTube. As aulas acontecem no dia 5 de abril. Via Jornal da USP.

Maior servidor de Mastodon proíbe perfis que só postam conteúdo criado por IA

O mastodon.social, principal servidor de Mastodon, publicou uma nova regra (tradução livre):

Conteúdo criado por outros deve ser creditado e o uso da IA deve ser informado
O conteúdo criado por outras pessoas deve fornecer claramente um crédito ao autor, criador ou fonte. Para conteúdo adulto, isso deve incluir artistas [que aparecem]. Os perfis não podem publicar conteúdo gerado por IA exclusivamente.

Se tem um lugar em que regras de atribuição/crédito aos criadores originais pode funcionar, é no Mastodon. Ansioso com a aplicação da nova regra.

Sobre a da IA gerativa, fico reticente. Daqui a algum tempo, será o equivalente a exigir que edições feitas no Photoshop sejam informadas. Se bem que… talvez fosse uma boa? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).

Parlamento Europeu aprova lei que regula inteligência artificial

O Parlamento Europeu aprovou, nesta quarta (13), o Regulamento Inteligência Artificial. Como lembra o Convergência Digital, a lei europeia parte do mesmo princípio da que está se tentando passar no Brasil, definindo obrigações crescentes de acordo com o risco e nível de impacto da IA. Mesmo desidratada por pressão de Alemanha, França e Itália, que temiam que o texto original engessasse startups de IA europeias, parece que algumas boas garantias e obrigações resistiram. A lei começa a valer entre maio e junho, mas algumas regras terão um prazo maior para entrarem em vigor — de até 36 meses. Via Parlamento Europeu, Convergência Digital e The Verge (em inglês).

Estamos tristes por ter chegado a isso com alguém [Elon Musk] que admiramos profundamente — alguém que nos inspirou a mirar mais alto, depois nos disse que fracassaríamos, lançou uma concorrente e, então, nos processou no momento em que começamos a fazer progressos significativos na missão da OpenAI sem ele.

Sam Altman e outros executivos da OpenAI.

A frase acima fecha um post no blog da OpenAI que rebate os argumentos de Elon Musk no processo que o bilionário move contra a empresa que co-fundou. O texto é recheado de e-mails contraditórios de Musk — que, sem surpresa, tentou controlar a OpenAI e abandonou o barco quando fracassou.

Google anuncia mudanças no buscador para combater spam

O Google anunciou algumas medidas para combater resultados de baixa qualidade em seu buscador. As medidas incluem um rebaixamento de domínios que publicam em escala industrial (agora com a ajuda de IA gerativa), que aceitam posts pagos não sinalizados (no Brasil, muito comuns vindos de apps de apostas esportivas) e o reaproveitamento de domínios expirados, prática exposta pela Wired recentemente. Via Google (em inglês).

Na sexta (1º/3), participei do podcast Código do Caos, do Rique Sampaio, falando desse assunto. Ouça aqui ou no seu app de podcasts favorito.