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F-Droid 2.0

A F-Droid, loja de aplicativos Android livres e de código aberto (FOSS, na sigla em inglês), ganhou a sua primeira grande atualização desde que foi lançada, há dez anos.

O longo intervalo entre as duas versões se nota no F-Droid 2.0: o aplicativo exibe um visual mais moderno, com novos recursos e se aproveita de melhorias recentes no Android (motivadas por órgãos reguladores) para aproximar a experiência à da Play Store na instalação e atualizações de aplicativos.

Foi feito um trabalho intenso para melhorar a descoberta de aplicativos. A loja passa a ter sub-categorias, a pesquisa agora consulta as descrições dos apps e traduções, há novas opções de filtragem e, na página inicial, listas dinâmicas e destaque às categorias.

O comunicado detalhando as novidades é enorme — e vale a leitura, se o inglês não for obstáculo.

Eu uso a F-Droid no meu tablet e a acho maravilhosa. Nunca tive problemas com a linha 1.x; ainda assim, o F-Droid 2.0 é, à primeira vista, uma atualização sem pontos negativos, mesmo que imperfeita: alguns recursos de privacidade pouco usados foram removidos e melhorias no “Por perto”, para compartilhar aplicativos presencialmente sem depender da internet, não entraram nesta versão.

Dica: existe uma variante do aplicativo da F-Droid, chamada F-Droid Básico, que remove alguns recursos e adota métodos mais modernos à custa da retrocompatibilidade. (O Básico exige Android 13; o F-Droid comum, Android 7 e a clássica, ainda disponível, Android 4.4.)

IA no KDE Plasma

No final de agosto saiu o resultado de uma resolução geral a respeito do uso de IA generativa (LLMs) no Debian. Venceu a opção 5: “Uso responsável de IA generativa.” O desfecho — você já deve imaginar — deixou muita gente insatisfeita.

Nesta semana, foi a vez do projeto KDE ficar no meio do fogo cruzado ao tentar propor uma política de uso (ou não uso) de IA em seu código. Os ânimos se acirraram quando ~a internet descobriu que uma das palestras do Akademy, evento anual do projeto, propunha “um KDE com IA nativa, adorável e soberano” por duas pessoas que já estiveram envolvidas na programação do KDE, mas não mais.

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Gadgetbridge simplifica a relação entre o celular e relógios e pulseiras fitness

Colocar um relógio ou pulseira “inteligente” no pulso pressupõe instalar um aplicativo no celular. Faz sentido, considerando a tela diminuta desses dispositivos.

O problema é que tais aplicativos costumam fazer mais do que se esperaria de um do tipo. O da Huawei, por exemplo, tem uma loja de faces para o relógio e treinamentos por inteligência artificial e sabe-se lá mais o que ele faz nos bastidores. O da Apple (Fitness), que é dos mais calminhos, reserva local de destaque para o botão do Fitness+, assinatura paga para ter acesso a aulas gravadas.

A IA, aliás, tem se alastrado nos aplicativos que acompanham os relógios. (Daqui em diante, entenda “relógios” como “relógios e pulseiras”.) As principais empresas do setor jogaram suas respectivas IAs nos aplicativos de saúde para dar sentido à tonelada de dados que os relógios coletam e armazenam no celular. Que elas “alucinem” parece ser (mas não deveria) mero detalhe.

Existe uma saída (que eu conheça, pelo menos) que não passa por esses aplicativos oficiais. E apenas se você tiver um celular Android. É o Gadgetbridge.

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Gnome 51 “A Coruña”

Nesta quarta (16), foi lançada a versão estável do Gnome 51, o famoso ambiente gráfico para Linux. (Vídeo de divulgação.) O destaque fica para melhorias em desempenho e gráficos. Não sei se já era padrão, mas esbocei um sorriso ao ver que o Sushi é um aplicativo padrão e foi portado para GTK4. Ele exibe o conteúdo de arquivos ao apertar a tecla Espaço no gerenciador de arquivos — similar ao Quick Look do macOS.

Infelizmente a nova camada sobreposta dos resultados da busca, que estava prevista para o Gnome 51, ficou de fora.

Jellyfin 12

Após várias versões de testes, o Jellyfin 12 foi lançado nesta segunda (7). Esta é a aplicação para o servidor, que outros dispositivos acessam para exibir os vídeos, músicas e outras mídias digitais armazenados. Ela também conta com um cliente acessível pela web.

O versionamento mudou e esta nova tem um punhado de alterações de quebra (“breaking changes”) e cuidados pré-instalação. Super recomendável ler todo o anúncio da nova versão — está em inglês; uma tradução automática deve bastar.

Todos esses obstáculos vão desaguar em muitas correções e melhorias. Nas visíveis, destacam-se o suporte a múltiplas versões de um mesmo episódio, melhorias para livros e quadrinhos digitais e recomendações, suporte a plugins que expandem a pesquisa e o leiaute moderno como novo padrão. O registro de alterações é quilométrico.

Asahi Linux em chips M3

O Projeto Asahi, que tem por missão viabilizar distribuições Linux em computadores pós-2020 da Apple, anunciou no domingo (6) o suporte à família de chips M3. Ainda há limitações importantes, como a falta de aceleração 3D e a incapacidade de fazer o sistema dormir, mas funciona. Devido a elas, o suporte fica oculto atrás do “modo especialista”.

LibreOffice bate recorde de downloads após declarar não ter recursos de IA

O LibreOffice 26.8, lançado em 26/8, tornou-se a atualização mais popular do software, uma alternativa livre ao Microsoft Office disponível há quase duas décadas. Em uma semana, o instalador foi baixado mais de 1 milhão de vezes — sem contar as atualizações via repositórios de distribuições Linux.

Alguém poderia dizer que as melhorias no sistema de escrita e na tipografia são uma sensação entre ONGs, órgãos governamentais e escritórios que usam o LibreOffice. Coloco as minhas fichas em um “não recurso”, porém: a declaração de que o LibreOffice não traz recursos de inteligência artificial generativa devido à (falta de) privacidade da tecnologia.

Um dia depois de celebrar o recorde de downloads e a ampla repercussão, a The Document Foundation (TDF), que gere o software, detalhou o posicionamento em um post intitulado “Sim, não ter IA é um recurso agora”.

O texto, assinado por Italo Vignoli, diz que a TDF “não rejeita a inteligência artificial de pronto”, mas que a tecnologia ainda não atende a uma lista exaustiva de princípios para ser incluída como padrão. Os tais princípios são:

  • Execução controlada pelo usuário.
  • Nenhum conteúdo pode deixar o computador sem autorização.
  • Sem telemetria de qualquer natureza.
  • Sem dependência de um único fornecedor.
  • Sem comprometimentos ao formato [de arquivos].
  • Totalmente opcional.

Por ora, a TDF recomenda plugins da comunidade para integrar IA ao LibreOffice.

O posicionamento distinto da TDF “não tem quase qualquer relação com a tecnologia”, prossegue o texto antes de cutucar rivais que pularam de cabeça na IA. Para a fundação, a IA “justifica aumento de preços e intensifica a manutenção de todos os documentos dentro da própria infraestrutura” da empresa, que depende da venda de assinaturas.

O detalhamento da The Document Foundation pode decepcionar quem entendeu a declaração no lançamento do LibreOffice 26.8 como um manifesto anti-IA.

Quaisquer que sejam os motivos, o caso do LibreOffice 26.8 responde a uma dúvida que eu e outros temos desde 2023: se todo o mercado agora oferece IA embutida em softwares de toda sorte, será que não há espaço para alternativas *sem* IA se destacarem? Aparentemente, sim.

Um truque legal da extensão e aplicativos do Wallabag

Escolher um serviço do tipo “para ler depois” implica em escolher certos recursos. O nosso Readeck é sensacional na web e tem aplicativos para Android e iOS bem ruins. O Wallabag, que aposentamos no PC do Manual devido à redundância, tem uma versão web chinfrim e aplicativos ruins, mas o do Android funciona é menos pior que o do Readeck. E funciona suave em telas E-Ink.

Por isso, quando recebi meu tablet Android com tela E-Ink, subi uma instância do Wallabag no servidor de casa e passei a usá-lo. Abri mão da versão web bonitona do Readeck para ter um aplicativo para Android decente. Escolhas.

O uso contínuo do Wallabag revelou algumas surpresas que desconhecia. A melhor delas está nos aplicativos.

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O LibreOffice 26.8 não contém recursos de IA generativa. Os documentos não são transmitidos para serviços remotos para processamento e nenhum componente da suíte requer acesso à internet para funcionar. Esta é uma posição deliberada. Qualquer organização que lide com dados confidenciais, legalmente sigilosos ou pessoais precisa saber para onde esses dados vão, e a única garantia que sobrevive a uma auditoria é que ele não saia da máquina.

Ícone do LibreOffice, uma folhinha com um canto dobrado.Italo Vignoli
LibreOffice

À parte as justificativas filosóficas, ecológicas ou éticas, a que o LibreOffice oferece para rejeitar recursos de IA generativa se situa no plano pragmático. Muito do que é produzido em editores de texto é sigiloso. Trata-se, pois, de uma questão de privacidade.

A aventura de montar seu próprio servidor doméstico

Foto do servidor doméstico do Lucas em um nicho, com alguns fios e HDs conectados.

por Lucas Kacherian

Muito se fala aqui no Manual do Usuário da privacidade dos nossos dados e atividade online, e do crescente poder que as grandes corporações têm sobre os mais diversos aspectos da nossa vida digital, esta cada vez mais incorporada à vida. É clara a importância que a tecnologia tem hoje, mas junto com ela vem uma miríade de novas preocupações que vão desde a parte prática dos gastos para manter os mais diversos serviços online funcionando (ou a falta destes gastos), até o quanto os nossos dados, o nosso dinheiro e a nossa atividade estão nas mãos de empresas que já demonstraram diversas vezes que não deveríamos confiar nelas. Pensando em tudo isso, e inspirado por muitos artigos do Manual e de outras fontes, que decidi montar um servidor doméstico.

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O estado da comunidade [WordPress] 2026 
thewpocc.org

Saiu o resultado da pesquisa independente sobre a comunidade do WordPress, realizada pelo coletivo WP Open Community.

Ela representa uma crítica fortíssima aos rumos do WordPress e, principalmente, à liderança de Matt Mullenweg. Por exemplo, 73,8% disseram se sentir mais pessimistas em relação ao projeto do que 24 meses atrás. Quando perguntados em relação ao software de código aberto em geral, a visão negativa caiu para 23,9%. A maior fonte de problemas, com 73,3% afirmando terem sofrido ou testemunhado ocorrências, refere-se à governança e liderança.

O uso de inteligência artificial generativa no WordPress desagrada a maioria, mesmo entre quem usa IA no trabalho.

No discurso de encerramento do WordCamp US, na quarta (19), Mullenweg trouxe esse dado da pesquisa e sugeriu que “talvez a gente só precise dar novos nomes ao que estamos fazendo [com IA]”, como “automação”, segundo o relato do blog The Repository. Penso comigo que essa reação se soma às evidências de uma liderança que não ouve a comunidade.

LineageOS ganha instalador web

O LineageOS agora tem um instalador web. O projeto avisa, porém, que ele não faz o processo completo, e que ainda é preciso seguir as instruções da wiki do seu dispositivo. Ainda assim, deverá facilitar um bocado nas grandes atualizações anuais. Na mesma nota, informam que o trabalho no LineageOS 24, baseado no Android 17, está “progredindo lindamente”.

Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

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Sua vida digital não é sua: a batalha oculta pela liberdade do software 
fsf.org

Sou muito simpático ao software livre. (E lamento não usar mais softwares do tipo.) No blog da Free Software Foundation, Jason Self reforça a importância das quatro liberdades do FOSS em face do aprendizado de máquina — que, neste contexto, se confunde com o que chamam por aí de “inteligência artificial”. Ele o define assim:

[…] software que não apenas segue instruções, mas aprende e toma decisões autônomas. É um novo e poderoso tipo de código, e se tornou a caixa preta mais profunda já criada.

O texto apresenta a IA como uma ameaça para revisitar as bases do movimento. O que é sempre bom e, vez ou outra (como neste caso), revela histórias desconhecidas do público (ou a mim, pelo menos). É por uma dessas, a da criação do conceito de software livre, que trouxe este link para cá:

No Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, um programador chamado Richard Stallman ficou frustrado com uma nova impressora a laser da Xerox que vivia emperrando. Sua solução era simples: modificar o programa para notificar automaticamente os usuários na rede sobre o congestionamento, economizando tempo e frustração de todos. O problema era que ele não tinha permissão; o código-fonte do programa era um segredo. Embora um programador em outra universidade tivesse o código, ele estava vinculado a um acordo de confidencialidade e se recusou a compartilhá-lo. Isso não foi apenas um inconveniente; foi uma crise ética em miniatura. Um problema prático se tornou impossível de resolver, não por razões técnicas, e definitivamente não porque era melhor assim. Uma barreira foi colocada intencionalmente para negar aos usuários o controle sobre o software que eles usavam.

Esse momento de frustração acendeu a centelha para o movimento do software livre.

Na próxima vez que a minha impressora emperrar, encararei a situação com um pouco mais de animação. Forçando um pouco a barra, ela tem um quê de sagrado, pois reproduzem o momento da criação do software livre. Amém!

Home Assistant Voice Preview Edition, a alternativa livre às Alexa e Siri para controlar casas inteligentes

O Home Assistant Voice PE, caixinha branca com um “dial” em cima, ao lado de um boneco de pelúcia azul.

por James Pond

Quando o assunto é caixas de som inteligentes, a Amazon tem a Alexa, Apple tem o HomePod e o Google tem o Nest. Se você quiser algo privado — que rode localmente — para controlar a sua casa, não existem alternativas.

Ou não existiam. Para fechar essa lacuna, a Nabu Casa, patrocinadora do projeto de código aberto Home Assistant, lançou o Home Assistant Voice Preview Edition.

Comprei seis desses aparelhos para substituir seis HomePods que tinha espalhados pela casa. Depois de algum tempo de uso, a pergunta que fica é: dá para confiar nesse para o uso no dia a dia, ou é melhor esperar por uma versão que não tenha “preview” no nome?

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