End of 10: Troque o Windows 10 por uma distro Linux

O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.

Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)

O batismo por analogia em dois níveis do GNU nano

O povo do software livre é cheio de gracinhas na hora de batizar suas criações. Estão aí o GNU (GNU’s Not Unix) e o Wine (Wine Is Not an Emulator) de provas.

No Mastodon, Simon Tatham contou a história do nano e seu batismo por analogia duplo:

O editor de texto GNU nano recebeu seu nome por analogia inspirado em um editor anterior (não livre) com uma interface muito semelhante, chamado pico. O nome faz um trocadilho com prefixos do Sistema Internacional de Unidades: “Tipo o pico, mas um pouco maior.”

O pico foi derivado do cliente de e-mail Pine [descontinuado]: é o editor embutido que o Pine usava para compor e-mails, que foi retirado e transformado em uma ferramenta independente. É uma abreviação de PIne COmposer, até onde eu sei.

E o Pine também foi batizado por analogia, a partir de um cliente de e-mail mais antigo chamado Elm. [São árvores em inglês, pinho e ulmeiro.]

Portanto, o nano tem dois níveis de “batismo de aplicativo por analogia a um anterior” em sua história. (Sem contar a etapa intermediária em que o Pine deu origem ao pico, porque esse não foi por analogia.)

Alguém consegue pensar em uma cadeia mais longa do que essa, envolvendo três ou mais níveis de batismo por analogia? Ou o nano é recordista?

Nas respostas, lembraram ainda do Micro, outro editor que se propõem ser um pouco mais completo que o GNU nano.

Fedora Linux 42

Já está disponível a versão final do Fedora Linux 42, trazendo o Gnome 48 na edição Workstation e a nova baseada no KDE Plasma (versão 6.3.4), promovida neste ciclo ao mesmo status da Workstation. Apesar do mesmo status, a lógica dos nomes é diferente; o povo lá está ciente da confusão e afirma que “vamos resolver isso em algum momento”.

O Anaconda, instalador do Fedora, ganhou uma grande atualização que torna o particionador automático do disco mais esperto, traz a opção de reinstalar o sistema e lida melhor com “dual boot”. Por ora, o novo Anaconda só é padrão no Fedora Workstation (a edição com Gnome).

Ah, e uma falha de última hora acabou ficando:

Apenas inicializar o sistema direto do pen drive (“live media”) adiciona uma entrada inesperada ao boot loader UEFI, mesmo quando o Fedora Linux 42 não esteja instalado no computador local.

O transtorno é apenas cosmético, mas é bom saber de antemão. Aqui tem a orientação de como remover a entrada (em inglês).

Pinta 3.0

Logo do Pinta: pincel inclinado ao lado de uma bisnaga de tinta.

Saiu o Pinta 3.0, nova versão do editor de imagens levinho, tendo como destaque a migração para o GTK 4 e a Libadwaita — em outras palavras, a bem-vinda modernização do aplicativo para o Gnome.

Embora isso, por si só, já traga uma série de melhorias “de graça” ao Pinta, não é a única. Há novidades visíveis (novos ícones, menu, seletor de cores e camadas inteligentes) e por baixo dos panos (ajustes dinâmicos para diferentes tamanhos de e orientações de tela, suporte a gestos, mais velocidade e, espera-se, menos falhas).

O suporte a add-ins, que havia sido removido temporariamente na série 2.x, está de volta. Por ora, apenas dois fizeram a “passagem”, mas os desenvolvedores dizem que “é provável que mais sejam portados para esta versão e lançamentos futuros”.

A origem do Pinta remonta ao Paint.NET do Windows, ou seja, a proposta é ser um editor de imagens simples, mas nem tanto; o elo perdido entre o Paint e o Photoshop. O código é aberto e o app é compilado para Linux, macOS (agora com suporte a chips Apple), OpenBSD e Windows.

apt 3.0.0 e 2.x, lado a lado, executando o mesmo comando.
Ficou mais fácil ler as saídas dos comandos no apt 3.0.0 (esq). Imagem: 9to5Linux/Reprodução.

Eis algo que não se vê todo dia: uma grande atualização do apt, o gerenciador de pacotes padrão do Debian e distribuições Linux derivadas. O apt 3.0.0, aceito no Debian Sid (instável) na última sexta (4), tem um apelo especial pela repaginada estética, com a adoção de colunas, espaçamentos maiores e até cores (!) a fim de facilitar a leitura das saídas dos comandos.

O apt 3.0.0 estará no Debian 13 “Trixie”, previsto para meados de 2025, e no Ubuntu 25.04, que deve sair ainda em abril.

O WordPress passará de três grandes atualizações anuais para apenas uma. A nova cadência já vale para 2025; o WordPress 6.8, previsto para a próxima terça (15), será a única do CMS no ano.

A decisão foi comunicada em uma reunião online no dia 27 de março, como relatado pelo The Repository. A reportagem conversou com alguns colaboradores que estiveram presentes e o clima era de frustração com a sensação de que Matt Mullenweg, líder do projeto, abriu sua webcam no Zoom já decidido a limitar o WordPress a uma grande versão anual.

No início do mês, a Automattic demitiu 16% dos funcionários, cerca de 280 pessoas distribuídas em 90 países.

Sempre importante lembrar que a sucessão de más notícias no WordPress deriva da decisão intempestiva de Matt de arrastar a si mesmo e à Automattic a uma guerra judicial contra a WP Engine por… sei lá, motivos.

Deixem as nossas interfaces em paz

Não é de agora que sinto desconforto quando sei que algum software que uso passou por uma “grande atualização”.

Veja o caso do app do Jellyfin para Roku OS.

No dia 26/3 saiu uma grande atualização, versão 3.0.0, que os próprios desenvolvedores definiram como “😵‍💫 o lançamento ‘alguém me explica o que está acontecendo’ 🤷”. Mau sinal. De acordo com a lista de alterações, ela foi baseada em um “fork” (derivado), bem diferente da versão estável/oficial anterior que a nova substituiu.

(mais…)

Thunderbird terá serviço de e-mail para concorrer com Gmail e Outlook

Não sei se é o caso de “desafiar o Gmail”, como diz o título da notícia na Forbes, mas que boa notícia o anúncio de que o Thunderbird lançará um serviço de e-mail, o Thundermail. Precisamos de mais disso!

Ainda não está claro como o chamado Thundermail será estruturado. Sabe-se apenas que ele faz parte do Thunderbird Pro, um conjunto de serviços web de código aberto desenvolvidos pelo pessoal do Thunderbird. (O domínio thundermail.com abre o site do Thunderbird Pro, só para confundir um pouco mais.)

Jason Evangelho, da Forbes, disse ter obtido, em conversas com gente envolvida no projeto, a informação de que o Thundermail será pago. O que é de se esperar. Cogita-se, também, uma IA para desempenhar algumas rotinas usando um LLM enxuto, capaz de rodar no dispositivo do usuário.

Ryan Sipes, diretor de produto da MZLA Technologies Corporation, posiciona o Thunderbird Pro como alternativa ao Gmail e ao Office 365, “ecossistemas que são ao mesmo tempo clientes [aplicativos] e serviços […] com travas rígidas (problemas de interoperabilidade com clientes de terceiros) e suaves (via conveniência e integração entre seus clientes e serviços)”.

Ainda não há previsão de lançamento para o Thundermail.

Obrigado pela dica, Ricardo!

Várias novidades no Firefox 137, lançado na terça (1º/4):

  • Grupos de abas. (Liberação gradual; pode demorar a aparecer aí.)
  • Várias mudanças na pesquisa direta pela barra de endereços.
  • Em arquivos *.pdf, todos os links em um documento passam a ser clicáveis e agora é possível inserir assinaturas.
  • Uso da barra de endereços como calculadora.

Para quem usa Linux, o Firefox ganhou suporte a vídeos HEVC.