Acrílico sobre tela

A pandemia aprofundou um incômodo que muitos já sentíamos antes: o tempo excessivo que passamos com os olhos grudados em telas.

É comum, quando se fala de alternativas a elas, que a pintura seja sugerida. Aqui mesmo, no Órbita, a atividade apareceu em quatro de pouco mais de 50 comentários.

Em janeiro, motivado a variar minha rotina, segui a sugestão dos amigos leitores e comecei a fazer aulas de pintura, uma vez por semana, em sessões de 1h30min, com todo o material necessário à disposição (exceto as telas, que são baratas).

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Museus abrem o caminho ao fediverso no governo federal

Em abril, após ataques de Elon Musk no X (antigo Twitter) direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, o presidente Lula, membros do alto escalão do governo federal e parlamentares retaliaram o bilionário — que é dono do X — criando perfis no Bluesky, uma rede social rival criada em cima de um protocolo aberto, o AT.

Se dependesse do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o destino teria sido outro protocolo descentralizado, o ActivityPub.

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O fim do Leia Isso

O Leia Isso, um site popular que oferecia a leitura de artigos de outros sites em uma interface agradável e burlava paywalls porosos, saiu do ar no dia 21 de junho. Conversei com o fundador, que pediu para permanecer anônimo, a fim de entender o que houve e se existe alguma chance do Leia Isso voltar.

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O que acontece quando você tira seu site do Google?

Em junho, em caráter experimental, tirei o Manual do Usuário dos índices do Google e de outros buscadores web. Sumiu, desapareceu.

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A última rede social “good vibes”

Tenho a teoria de que o destino de toda rede social é se afundar em tretas. O que não deveria ser surpresa quando juntamos milhões de pessoas no mesmo ambiente e as estimulamos a opinarem sobre tudo.

O Posts.cv é a exceção que confirma a regra. Despretensiosa, com foco em design, arte digital e carreira e uma curadoria humana, os posts mais polêmicos que vi nos meses em que frequento o local são de gente frustrada com empresas que não retornam entrevistas de emprego. Mesmo esses são raros e o tom deles, ameno.

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Buttondown: newsletter para pessoas como eu e você

A exemplo de muitos empreendedores digitais, o estadunidense Justin Duke achou que podia fazer um serviço de newsletters melhor que o TinyLetter, que ele usava para mandar notícias a amigos e familiares.

Em 2016, motivado pelas falhas constantes do TinyLetter, àquela altura já esquecido pelo Mailchimp — que adquirira o pequeno serviço anos antes —, Justin lançou o Buttondown.

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O fim das senhas?

Quem estava prestando atenção ao tentar criar ou acessar contas em serviços de grandes empresas em 2023 deve ter reparado: Apple, Google e Microsoft passaram a insistir muito para que adotemos um substituto futurista da velha senha alfanumérica, as passkeys — no Brasil, traduzidas como chaves-senha ou chaves de acesso.

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Breve análise dos sites de tecnologia brasileiros

Se tivesse que justificar a razão de existir do Manual do Usuário, diria que é publicar coisas diferentes do que outros sites de tecnologia publicam. O que nos leva à pergunta inevitável: o que os outros sites de tecnologia publicam?

Tenho uma boa ideia, é claro. Uns acompanho de perto, outros de longe, sempre dou uma passadinha em todos para… digamos, “monitorar a concorrência”.

Durante seis dias em 2023 (31/8 a 5/9), porém, fiz uma incursão que se pretendia metódica em cinco dos maiores sites especializados em tecnologia do Brasil. Com a ajuda de um agregador de feeds, capturei, rotulei e categorizei tudo que eles publicaram naquele intervalo.

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Revisitando as previsões tecnológicas que fizemos para 2023

No final de 2022, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti nos reunimos no podcast Guia Prático para fazer previsões da tecnologia para o novo ano que se avizinhava.

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O que aprendi com cursos do Threads lançados menos de 24 horas depois do próprio Threads

Não fazia 24 horas que o Threads estava no ar, na quinta-feira (6), quando li alguém zombando que já tinha gente vendendo curso para bombar na nova rede social da Meta/Instagram.

Incrédulo, abri o marketplace do Hotmart e pesquisei por “threads”. Não havia um, mas sim uma dúzia de cursos do tipo nos resultados, com promessas absurdas de revelar supostos segredos do Threads para os negócios, para viralizar, para vender… enfim, para se dar bem no puxadinho recém-inaugurado do Zuckerberg.

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Game houses: Nas redes sociais, proprietários mostram dia a dia e dão dicas de negócio

por André Alcântara

Gerailton Gomes estava sempre atento aos eventos religiosos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Ferreiros, município pernambucano de cerca de 12 mil habitantes. Na infância, ele ia às missas com um só objetivo: coletar material para criar seu próprio video game.

Com caixas em papelão de fogos de artifício, criava console, tela e controles, cuja conexão por fio era feita de uma corda de nylon simples. Mais tarde, Gerailton passou a frequentar lan houses e locadoras de games, e não tardou a perceber como esses locais facilitavam o acesso a jogos para pessoas como ele.

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Os custos, serviços e resultados da auto-publicação de um livro de ficção no Brasil

por Rodrigo Pontes

Em fevereiro lancei meu primeiro livro, As neurofiandeiras de Val, uma ficção científica leve. Foi uma auto-publicação, em formato e-book apenas.

Acredito que, hoje, esse é o caminho mais viável para um escritor estreante. O convencional, de ficar batendo na porta de editoras e implorando para ser lido, é entediante, então nem cogitei essa opção.

Auto-publicar não é algo novo. O estigma de que quem se auto-publica é porque não conseguiu uma editora é ao mesmo tempo verdadeiro — na maioria dos casos — e irrelevante, porque a auto-publicação me parece um excelente primeiro passo para chamar a atenção de editoras, se esse for o seu objetivo.

Acho que ainda faltam referências e exemplos do caminho da auto-publicação, por isso resolvi escrever esse texto, para contar o meu caso, para compartilhar minha experiência de iniciante para que outros possam ver as escolhas que tomei, o dinheiro que gastei e os resultados alcançados.

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A “classe média” dos desenvolvedores de aplicativos

Em 2022, baixamos pouco mais de 140 bilhões de aplicativos em nossos celulares1. Em termos financeiros, gastamos US$ 129 bilhões tocando em botões virtuais na tela de aparelhos que cabem no bolso.

Nem o mais otimista executivo da Apple poderia imaginar em 2008, no lançamento da App Store do iOS, que esse negócio de aplicativo em celular poderia ser tão rentável. E tão útil. De atividades triviais dos primórdios daquela época, como ler o e-mail e abrir sites, passamos a fazer meio que tudo no celular, de pagar por coisas e investir até “invocar” carros e comida.

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Quem precisa da Adobe? Estes estúdios de design usam apenas software livre

Em janeiro de 2021, o jovem Dylan Field, co-fundador do Figma, serviço de prototipagem de interfaces digitais, disse que “o nosso objetivo é ser o Figma, não a Adobe” em uma conversa em que alguns usuários, insatisfeitos com a Adobe, especulavam quanto tempo levaria para o Figma desbancar a dona do Photoshop.

Quase dois anos depois, em setembro de 2022, a Adobe comprou o Figma por US$ 20 bilhões e Dylan, no mesmo Twitter, pareceu animado com a notícia de que sua empresa acabara de se tornar a Adobe.

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O anti-guia que todos precisamos ler

por Tatiana Dias

O texto abaixo, assinado pela Tatiana Dias, editora sênior do The Intercept Brasil, é o prefácio do zine Outros jeitos de pensar a tecnologia, escrito por este editor (Rodrigo Ghedin) e publicado com a marca do Manual do Usuário. Compre a sua cópia no site da Casatrês — custa R$ 35.


Las Vegas, janeiro. Para quem trabalha no jornalismo de tecnologia, a capital da perdição vira o centro do mundo. É a semana da CES, a Consumer Electronics Show, um mega-evento anual que costuma, junto com os eventos do Google e da Apple, ditar os rumos da cobertura e das tendências para o ano vindouro. Lá, tudo é colossal. As distâncias, os estandes, a iluminação. O clima claustrofóbico dos cassinos de Las Vegas e sua profusão de luzes, barulhos e cenários artificiais nos ajuda a perder a noção se é dia ou noite. (mais…)