Revisitando as previsões tecnológicas que fizemos para 2023
No final de 2022, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti nos reunimos no podcast Guia Prático para fazer previsões da tecnologia para o novo ano que se avizinhava.
Estamos chegando ao fim de 2023, o que significa que é hora de revisitar as nossas previsões. Acertamos muitas, erramos algumas, é do jogo. Vamos a elas? (Em ordem alfabética.)
Jacqueline Lafloufa
Chatbots vão aumentar: serviços de automação de respostas
Acho que cravei bem, hein? Eu já nem aguento mais tentar responder “quero falar com um atendente humano” nas interações com serviços de atendimento ao consumidor. Qualquer site tem um chatbot, até para conseguir saber preços em uma academia você tem que passar por um hoje em dia!

As secretárias virtuais também cresceram a ponto de virar trabalho com cara de precarizado: já existem empresas especializadas em oferecer profissionais remotos que atuam atendendo ligações telefônicas, respondendo mensagens de WhatsApp, com direito a relatório mensal.
Coisas rápidas: 5G, diminuição de latência, vida em 2x
Estamos mais acostumados com o instantâneo, mas a vida ainda não acontece em 2x, o que causa mesmo uma desconexão e uma baita ansiedade. No entanto, acho que se tornou inevitável, em termos comportamentais. A dica dos especialistas é provavelmente fazer uso com parcimônia pra não acabar ansioso demais ou até burnoutado.
Já em relação ao 5G e diminuição da latência, aqui da minha província no interior o que eu posso dizer é que talvez a vida nas capitais esteja melhor em termos de conectividade. A frequente troca de antenas (5G e 4G na cobertura da cidade) faz com que o sinal fique bem ruim em algumas localidades. Nas duas operadoras que tenho no meu aparelho, há uma que performa melhor que a outra, mas geralmente onde uma manda bem, a outra manda mal, e vice-versa. Conferindo o noticiário, dá pra ver que as reclamações sobre a qualidade da conexão móvel seguem em alta, e que ainda há muito a fazer em termos de criar legislações para conseguir fiscalizar a oferta da conexão móvel. Vamos gramar um pouco até melhorar — então acho que errei nessa previsão aqui.
Guilherme Felitti
A era dos influenciadores vai ter seu momento “Baile da Ilha Fiscal”
Errado 100%, mais torcida que análise. A bola foi totalmente para fora do estádio e o esporte é futebol, não beisebol.

A economia dos influenciadores não engasgou e, se mudou, foi apenas para continuar crescendo. O BBB segue a ser mais interessante para seus participantes depois que durante o programa, eventos focados em agregar influenciadores com entrada restrita, como a SuperCopa Desimpedidos e a Farofa da GKay, seguem funcionando como um selo de validação/luxo desses influenciadores. A Faap criou um curso superior de influenciadores que substitui o curso de Rádio e TV.
Esse cansaço coletivo no qual eu apostei não funciona na prática, já que todo mundo que está olhando o “Baile da Ilha Fiscal” digital se vê lá dentro: a economia de influenciadores funciona como ferramenta de ascensão social e financeira em uma sociedade historicamente bastante restritiva para melhorar de vida. Todos aspiram e a vida melhora para poucos.
OnlyFans vai pagar mais faculdades que qualquer programa educacional no mundo
Na mosca e segue a ser. Packs de pés, rolas, peitos e bundas seguem financiando faculdades pelo mundo. Você, professor e professora, agradeça que o OnlyFans está indiretamente mantendo seu emprego e você não precisa mostra um centímetro quadrado de pele por isso (quer dizer, se quiser pode mostrar; o salário vai ser melhor).
Sob novo governo no Brasil, big tech vai mudar regras e vai executá-las de forma mais severa
O 8 de janeiro embaralhou a previsão, como fica claro no terceiro episódio da trilogia do Tecnocracia sobre o papel das plataformas nas eleições de 2022.
Mostrar-se preocupado com a democracia não dá mais. Com a tentativa de golpe de estado organizada em seus serviços, a big tech assumiu uma guerra aberta para se proteger do máximo possível de responsabilizações e regulamentações. Por enquanto, ela está levando vantagem.
Rodrigo Ghedin
O Twitter não chega a 2024 do jeito que ele é hoje
Acertei? Um pouco? O nome do Twitter mudou, para X, o que talvez já configure o “[mudar] do jeito que ele é hoje”. Em 2023, Elon Musk fez o diabo no Twitter, desfigurou o serviço, transformou a rede em um ponto de encontro de extremistas. (Dia desses Alex Jones foi readmitido e fez uma live com Musk, Andrew Tate e outros birutas de má índole.)

Para ser justo, minha previsão completa dizia que Musk não estaria no controle do Twitter ao fim deste ano. Nas aparências, acertei: em maio, Linda Yaccarino assumiu o cargo de CEO do Twitter.
Só que errei. A CEO do Twitter revelou-se mera marionete e um alvo fácil para absorver as pancadas (metafóricas) que o mundo dá em Musk, sempre que ele tem alguma ideia bosta para deixar o Twitter ainda pior, coisa que acontece… semanalmente? Quase todo dia? As decisões continuam sendo tomadas e o controle segue nas mãos de Musk.
Não entendo como as pessoas continuam nesse lugar insalubre, comandado por um grandessíssimo babaca. Assunto para outra hora.
Apple mostrará seu headset e será um fiasco comercial
São duas previsões em uma. A primeira, acertei na mosca: em junho, a Apple apresentou o Vision Pro, sua aposta em realidade virtual, ou mista.
Quanto ao fiasco de vendas, a previsão acabou anulada porque o Vision Pro só chega ao mercado no começo de 2024. E será um lançamento restrito, só nos Estados Unidos, com um processo de compra complicado e um preço de cair para trás — US$ 3,5 mil, cerca de R$ 17 mil em conversão direta.
Deixo esta para revisitar no final de 2024.
Metaverso vai flopar, mas não será neste ano
Acertei e errei. A inteligência artificial gerativa atropelou a conversa mole do Zuckerberg de que o futuro é o metaverso.
É verdade que a Meta lançou o Quest 3 e óculos da Ray-Ban, produtos muito bons para o que se propõem, mas longe de serem populares.
De qualquer forma, eles (e o metaverso como um todo) acabaram ofuscados pelo ChatGPT. No rastro do sucesso estrondoso do chatbot da OpenAI, todas as empresas de tecnologia, de startups à big tech, tiveram que correr atrás para não perder essa onda — que, a princípio, desponta como um tsunami.
Fico feliz em ter errado essa previsão. Quanto antes esse delírio de realidade virtual, metaverso etc. for embora, tanto melhor.
E em 2024?
No Órbita, eu, Jacque e Guilherme, vamos fazer nossas previsões para 2024. Convido você para brincar também. A conversa no Órbita já está aberta.