Dane-se o Google

Sexta passada (31/5), incluí uma sinalização no site do Manual para que buscadores, como Google e Bing, parem de indexar nossas páginas.

A ideia é remover o site desses locais. Fiz isso motivado pelo desrespeito que ambas as empresas, Google e Microsoft, têm demonstrado pela web aberta com suas iniciativas predatórias de inteligência artificial generativa.

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Até a tarde desta quinta (6/6), páginas do Manual ainda apareciam nos resultados dos buscadores. É como se nada tivesse mudado. Talvez leve algum tempo para a sinalização surtir efeito. Usei o método indicado pelo Google para remover páginas do seu índice.

O que esperar disso? Minha hipótese é a de que um site que não fatura diretamente com tráfego, como o Manual, consiga existir sem depender do Google.

Alguém pode dizer que é um ato extremo, afirmação com a qual concordo. Também foram extremos os atos de Google e companhia quando decidiram engolir a web sem autorização para treinar IAs que regurgitam plágios com base nesse conteúdo alheio. Aqui, na minha insignificância, gosto de pensar que estou nivelando o jogo.

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21 comentários

  1. Eu acho que o caminho é esse mesmo: ações individuais que vão se somando até criar um “nicho significativo”. Que a maioria das pessoas “não está nem aí” acredito que seja verdade. Mas tenho a impressão que “a maioria das pessoas” também não produz conteúdo relevante para alimentar “inteligências degenerativas”. Logo…
    Minha dúvida paranóica é: como impedi-los de usar todo o conteúdo que JÁ armazenaram do Manual, de mim e de tantos outros?

    1. Não tem muito o que fazer nesses casos, Antonio. Essas empresas, aliás, só publicam os robôs de IA a fim de podermos bloqueá-los depois de se apropriar do conteúdo da internet inteira. Desonestidade pura.

  2. O duro é que funcionou. Fui acessar o site em um navegador novo, sem histórico, e percebi que eu não fazia a menor ideia do endereço exato – manualdousuorio por extenso, terminação ponto net. Transpirei!

  3. Entendo (e concordo com) o Ghedin (inclusive, vou adotar no sitezinho). Pode parecer uma ação ínfima, diante de algo aparentemente grandioso, já determinado e que, talvez por isso, nos dê essa ilusão pessimista de que sempre foi assim e nada mudará, mas nenhum império dura para sempre, principalmente os digitais (lembro de um mundo antes do Google, do Twitter…)!

  4. vai ser um experimento interessante, espero que dê certo.

  5. Poxa, legal!, por isso que estava tentando pelo DDG e começou a aparecer outros sites pensei “ué?”
    Aí coloco na busca o nome .Net aí que ele me sugere

  6. Não seria mais inteligente talvez, usar a ferramenta deles para trazer mais gente para o site e libertar mais pessoas a partir de um ponto de vista dissonante?

    1. Sempre foi assim. A relação visitas vindas do Google/leitores que ficam é ínfima. Pelo volume, bastante gente conhece o site por lá e segue por aqui. O problema é que com os AI Overviews no horizonte e o treinamento de IAs generativas, essa relação custo-benefício — que já era ruim — ficou pior. O Google tem muito mais a ganhar extraindo valor de todos os sites que indexa do que os sites têm com as visitas que recebem de lá, e que — tudo indica — vão minguar ainda mais daqui para frente.

  7. o nofollow também impede buscadores como duckduckgo de indexarem?

    existe uma maneira de bloquear apenas google e bing?

    1. Acho que a maioria dos buscadores identifica e respeita o nofollow. Dá para bloquear crawlers/robôs específicos via robots.txt, mas não é o meio indicado e uma garantia ainda menor de que páginas já indexadas sejam/serão removidas.

      1. Eu tenho um site que faço só com html puro e como era mais fácil pra mim eu só fui e bloqueei tudo pelo robots.txt. Pq não é uma medida muito indicada?

  8. Não usar Gmail
    Não usar YouTube
    Não usar Android
    Não usar Chrome
    Não usar Google/Drive/Foto/Maps/Etc
    Gente, vcs não vão salvar a internet

    1. Ninguém quer “salvar a internet”, Caio. Eu, pelo menos, já aceitei que é caso perdido 🥲

      Só não quero, na medida do possível, compactuar com empresas abusivas nem deixar que elas se apropriem do que eu produzo sem devolver nada em troca e/ou violando a licença do conteúdo do ManualCC BY-NC-SA 4.0, está ali no rodapé, em todas as páginas do site.

    2. Não é “salvar a internet” é não usar produtos de uma empresa que discorda. Os gringos chamam de “vote with your wallet” e é o que normalmente mandam a gente fazer quando reclamamos de alguma empresa.

    3. Pô… mas ficar aceitando tudo que o Google e as outras Big Techs empurram sem nem reclamar é horrível também. Entendo o seu ponto. E como já disse o Ghedin, creio que ninguém acredita realmente que está “salvando a internet”. rs Mas aceitar calado todos os absurdos impostos pelas grandes empresas de tecnologia também não dá. Enfim…

    4. Correto superficialmente, iniciativas orgânicas por si mesmas não vão salvar a internet das organizações gigantescas das Big techs, apenas outra organização ainda mais poderosa poderia fazê-lo, como parte de um projeto político economico social etc que seria imposto e fiscalizado para todos e todas usando o monopólio da força (i.e. o Estado, leis, regulações, etc). Lembrando que isso sempre existe e existirá de uma forma ou outra, inclusive podendo ser usado para favorecer as Big Techs.

      Mas até se conseguir alcançar essa etapa, e várias regulações já foram feitas nessa direção de direitos privacidade etc como a LGPD no brasil e União Européia, é necessário alguém começar a desenvolver as formas alternativas de usar a internet para conseguirmos ter uma direção para mudar do cenário atual. Desenvolver tanto ideologicamente quando mecanismos tecnológicos. Pois, parafraseando Stuart Mill, uma crítica não é completa se não tivermos além do projeto negativo (crítica as Big techs) um projeto positivo (regulações, garantias, software livre, mastodon, etc).

      Mas respondendo mais diretamente a seus exemplos. Reduzir já é um progresso ótimo, reduzir o consumo significa reduzir os lucros do ofertante, o que já é uma retaliação e abre espaço para cultivar as alternativas. Dar um jeito de consumir youtube sem ver anúncios (ublock origin) já te torna um prejuízo ao google. Gmail dá para substituir por outra empresa em alguns cliques mesmo hoje, Android ainda está dominante mas se baixar um Fuckdroid e não comprar nada na loja oficial ajuda (e usar as ISOs alternativas se puder), Chromium ao menos é um projeto aberto por enquanto, e mesmo que muito controlado pelo google, temos alternativas que ainda conseguem anular as partes ruins como Ungoogled Chromium, Brave e Vivaldi, e tem o Firefox e seus derivados como substitutos totais e funcionais, google pesquisa usa o Pato, Maps tem o Moovit (que é até melhor no seu tema) Waze e o Open Street Maps (fora o maps da apple, etc) só as lojas e horários-menus que faltam (bem que os empresários podiam colocar isso no Open street também né), tem trocentas empresas de Nuvem disponíveis de todos os níveis. Dá para reduzir muito o Google , se não 100% uns 80-95% é factível

    5. Acho que a ideia não é salvar a internet, mas a nós mesmos (me refiro a pessoas que querem um ambiente mais saudável).