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Chineses contra iFood / Recurso hilário do X / Celular velho prejudica a economia

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Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Chineses contra o iFood, 0:24

Keeta “ataca” Grande SP e foca na experiência do entregador, Startups.

99Food chega a Curitiba e promete restaurantes com preços iguais ao cardápio, Banda B.

Recurso hilário do X (antigo Twitter), 4:29

Estadunidenses estão mantendo o mesmo celular/computador por mais tempo e isso está prejudicando a economia (em inglês), CNBC.

A polarização dos EUA se tornou o bico do resto do mundo (em inglês), 404 Media.

Celular velho prejudica a economia, 7:05

X expôs uma vasta rede secreta de influência visando estadunidenses (em inglês).

IA chinesa censura temas sensíveis na China e água é molhada

Às vezes a imprensa descobre (ou finge que descobre) que a água é molhada e publica coisas como esta, que estampou todos os jornais semana passada: “DeepSeek se autocensura quando perguntado sobre alguns temas políticos da China.”

Vindo de onde vem, seria notícia se uma inteligência artificial generativa chinesa não censurasse tais temas.

Não me recordo (e fiquei com preguiça de procurar) se, nos últimos dois anos e meio, alguém se deu ao trabalho de testar o Copilot da Microsoft na criação de códigos que mencionem palavras como “sexo” ou “gênero”. Até duas semanas atrás, a IA cruzava os braços (figurativamente falando) ao topar com elas, segundo esta conversa no GitHub, um serviço da Microsoft.

E, veja: longe de mim defender a China, o PCCh ou quem quer que seja. É que, embora às vezes se tenha a impressão de que não, todo mundo tem teto de vidro.

Aliás, dado que o novo governo estadunidense tem como principal política pública destruir dados e documentos de gente que eles odeiam, quanto tempo até as big techs de lá, todas em lua de mel com Trump, dizerem “amém” e fazerem o mesmo?

Via Baldur Bjarnason (em inglês).

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia…

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia — até porque, explícita — da OpenAI acusar a DeepSeek de infringir sua propriedade intelectual no treinamento dos seus grandes modelos de linguagem (LLMs). A OpenAI alega que os chineses usaram um método chamado “destilação”, que consiste em usar as respostas de um LLM para treinar um novo. Estão dizendo por aí que o ChatGPT é mais um mandado à fila do desemprego pela IA. / ft.com (em inglês)

A IA da startup chinesa DeepSeek

Enquanto executivos e cientistas-chefes de big techs se engalfinhavam em Davos, na Suíça, a startup chinesa DeepSeek conquistava a liderança em downloads na App Store estadunidense com o seu app, movido pelo DeepSeek-R1, um grande modelo de linguagem mais capaz que o o1 da OpenAI, mais aberto e que custou uma fração do custo e do poder computacional da rival para ser treinado. / ft.com, businessinsider.com (ambos em inglês), g1.globo.com

A estratégia da Temu para ganhar mercado no Brasil

Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.

O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.

A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.

Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.

(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)

Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.

Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.

Onyx BOOX prepara operação brasileira e enfrenta os desafios da importação 

A Onyx BOOX, fabricante chinesa de e-readers, está se preparando para entrar no mercado brasileiro. Já tem uma loja virtual operando em “soft launching”, com produtos à venda com valores a partir de R$ 1,3 mil, e, segundo o PublishNews, com estoque e peças de reposição em solo brasileiro.

É uma alternativa ao Kindle, que reina soberano no Brasil, embora não seja comparável ao modelo básico da Amazon. Os e-readers da Onyx BOOX miram o topo, com telas avançadas e tamanhos maiores, além de usarem Android. É bom termos mais opções, de qualquer forma. Via @pinguinsmoveis/Telegram.

Na China, usar VPN pode dar ruim

por Shūmiàn 书面

As regras não são muito claras e o uso de VPN — sistema para forjar um IP de outro país — na China é algo bastante comum, sobretudo entre pessoas com mais recursos financeiros. Mas o caso de um programador da província de Hebei, vizinha a Pequim, chamou atenção depois que ele entrou na mira do governo por ter usado o recurso para realizar seu trabalho.

De acordo com o China Digital Times, o programador foi multado por uso de VPN para atender um cliente no exterior, usando plataformas indisponíveis para o público chinês, como o Zoom. O trabalhador foi multado em um total de mais de US$144 mil, uma soma de três anos (2019-2022) de seu salário mais uma multa.

Principal forma de furar o Grande Firewall chinês, a VPN tem se mostrado cada vez mais instável na China, como contamos aqui. O caso do trabalhador não é o único envolvido em apurações. Contamos recentemente a história de uma mulher que foi surpreendida ao ter a polícia à sua porta para prender o marido: ele usava secretamente o serviço para manter um site no exterior com críticas a Pequim.

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Sem rupturas entre China e EUA

por Shūmiàn 书面

Dando sequência às visitas de autoridades estadunidenses a Pequim, esta foi a vez de Gina Raimondo, a secretária de Comércio dos EUA. Ela se encontrou com o primeiro-ministro Li Qiang na terça (29) e o vice He Lifang.

Entre os destaques dos encontros está a afirmação de Raimondo de que seu país não quer romper com a China, porém acrescentou que preocupa Washington a forma como empresas estrangeiras são recebidas em solo chinês, passando por questões de segurança. Ela afirmou ainda que os empresários estadunidenses se queixam de que a China é um país “ininvestível”.

Apesar de durante a visita a secretária ter tratado as relações comerciais dos dois países em tom mais amistoso, há menos de um mês a administração Biden anunciou restrições de investimentos no país asiático em áreas estratégicas.

Por falar em questões estratégicas, o mandarim parece ter deixado de ser visto como uma língua prioritária para estudantes estadunidenses, como mostra a The Economist. A língua oficial da segunda maior economia global chegou a ser apontada por líderes como algo que deveria ser estudado, caso do ex-presidente Barack Obama.

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Cooperação científica entre China e EUA em risco

por Shūmiàn 书面

Não é novidade o aumento das tensões tendo impacto no campo científico (tanto na pesquisa quanto no ensino).

Agora, um dos mais antigos acordos bilaterais entre os dois — firmado há 44 anos — está na corda bamba, como explica este texto do Axios: o U.S.-China Science and Technology Agreement (STA), assinado em 1979. Ele está em fase de renovação, mas está ameaçado por uma série de questões geopolíticas, pânico de espionagem e xenofobia.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, recebeu uma carta da comissão da Câmara do país — principalmente por pressão do Partido Republicano — recomendando a não renovação do acordo. Mas como explica este artigo (e o fio) de Karen Hao para o Wall Street Journal, a situação é mais complexa para os estadunidenses, que possuem uma dependência de pesquisa chinesa em diversas áreas importantes — ao contrário do que muita gente acha.

De fato, os papers científicos sino-estadunidenses sempre impactam a literatura e o fim dessa colaboração é ruim para todo mundo.

Mesmo assim, continuam as visitas oficiais de autoridades dos EUA à China. Essa semana é a vez da secretária de comércio Gina Raimondo, que chega a Pequim no domingo (27) e fica por quatro dias, onde manterá encontros com autoridades e empresários e para discutir restrições recentes de investimentos.

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Reconhecimento facial na mira da China

por Shūmiàn 书面

A Administração do Ciberespaço da China, órgão que regulamenta a internet no país, abriu para consulta pública o rascunho de regras para restringir o uso de tecnologia de reconhecimento facial em território nacional.

Com 25 artigos, a proposta proibiria o uso dessa tecnologia como forma de verificação de identidade em bancos, hotéis, aeroportos, bibliotecas e estabelecimentos comerciais, a não ser que seja exigido por lei — e, nesse caso, sistemas nacionais de reconhecimento facial devem ser utilizados.

Como explica Evelyn Cheng para a CNBC, o reconhecimento facial pode ser usado atualmente para realizar pagamentos em algumas lojas, estações de metrô e para entrar em prédios e campi universitários.

As regras propostas também estabelecem que essa tecnologia somente deve ser usada quando outros métodos de verificação de identidade não-biométricos não forem suficientes e que é necessário obter consentimento e declaração de fim específico do uso dos dados coletados. Chama atenção o artigo 11, que preconiza que nenhuma organização ou indivíduo pode usar a tecnologia de reconhecimento facial para obter dados relacionados a raça, etnia, religião, classe social e demais dados sensíveis. A consulta pública está aberta até sete de setembro e o rascunho da proposta pode ser lido aqui (em chinês). Uma tradução para o inglês foi disponibilizada pelo China Law Translate.

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China quer limitar o uso de internet por menores

por Shūmiàn 书面

Depois dos jogos de videogame, chegou a hora de o Partido Comunista Chinês (PCCh) lançar diretrizes para o controle do uso de celulares e da internet por menores de idade no país.

O pacote de diretrizes foi lançado na última quarta (2) e foi cuidadosamente detalhado pelo China Law Translate.

Será necessário logar no modo “menor” ou “maior” quando cada usuário acessa os dispositivos móveis, e cada modo tem restrições distintas, semelhante ao que acontece com alguns canais de streaming, por exemplo.

A legislação visa controlar o conteúdo e também o tempo que cada menor de idade passa na internet. A Bloomberg publicou uma reportagem [sem paywall] sobre como isso deve impactar os negócios de empresas como a Tencent e a ByteDance.

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Também na China, IA se alimenta de trabalho precarizado

por Shūmiàn 书面

Quando trabalho existe em alimentar a inteligência artificial? Muito.

Para criar padrões de análise e oferecer respostas, os programas como ChatGPT ou MidJourney (de imagens) precisam de dados detalhados, estruturados e catalogados.

Esta tradução de Jeffrey Ding (do ChinaAI) de um artigo publicado na 南风窗 (South Reviews) conta a história de mulheres chinesas sem ensino superior, com filhos e morando no campo que estão fazendo esse trabalho — normalmente mal pago, mas que tem sido importante para complementar a renda da família.

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Montadoras chinesas ocupam vácuo deixado por europeias e norte-americanas em fábricas no Brasil

por Shūmiàn 书面

Se a indústria automobilística do Brasil vem sofrendo com a debandada das montadoras europeias e estadunidenses, agora está gerando oportunidades para as chinesas.

A BYD anunciou na semana passada (20) que deve abrir um complexo industrial na Bahia, em espaço que antes comportava a produção da Ford. Com um investimento de R$3 bilhões, a expectativa é de que a fabricação de veículos híbridos e elétricos gere 5 mil novos empregos na cidade de Camaçari.

A maior fabricante de veículos elétricos do mundo não está sozinha: a Great Wall Motor deve iniciar sua produção em São Paulo em 2024, ocupando um espaço deixado pela Mercedes-Benz.

O objetivo das montadoras chinesas no Brasil é conquistar o mercado latino-americano e facilitar exportações para os Estados Unidos e Canadá.

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Mais um capítulo na guerra dos chips

por Shūmiàn 书面

A China vai restringir a exportação de matérias-primas necessárias para a fabricação de chips, especialmente gálio e germânio.

Segundo comunicado do Ministério do Comércio divulgado na segunda-feira (3), fornecedores desses materiais devem solicitar licenças de exportação às autoridades chinesas já a partir de agosto de 2023.

A jornalista Rebecca Choong Wilkins resumiu os pontos de maior interesse.

Como coloca o Asia Times, com a medida, Pequim espera ganhar tempo para aprimorar sua indústria, enquanto empresas estadunidenses, japonesas e europeias lidam com as consequências do fim do fornecimento dos materiais.

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