Com tantos smartphones topo de linha rodando Android, cada fabricante busca diferenciais para o seu. É assim desde os primórdios. No Xperia Z1 a mão da Sony se nota em duas áreas: acabamento do hardware e serviços extras.
Lançado em setembro de 2013, o Xperia Z1 é muito bonito. Ele converge algumas tecnologias e serviços de outros setores da Sony, um esforço conjunto que casa com a nova política de foco em mobilidade, fotografia e jogos divulgada recentemente pela empresa. Adianto que, na prática, esse smartphone me agradou mais do que eu, com meu preconceito com modificações no Android, esperava. Há deficiências, sim, mas há mais coisas para se gostar do que as que incomodam.
Com acabamento premium, serviços da Sony e uma câmera promissora de 20,7 mega pixels, o Xperia Z1 tem o suficiente para se destacar? É o que veremos em mais um review no Manual do Usuário. (mais…)
Em 2010, antes da parceria entre Nokia e Microsoft ser anunciada, muita gente sonhava com um smartphone da empresa finlandesa rodando Android. Na época Anssi Vanjoki, então executivo da Nokia, declarou que recorrer ao Android equivalia a “fazer xixi nas calças para se esquentar no inverno”, ou seja, era uma solução paliativa, sem futuro.
A frase de Vanjoki (que se demitiu logo depois de proferi-la) foi muito recitada ontem por ocasião do anúncio do Nokia X, nova família de smartphones que rodam Android. À primeira vista, parece que morderam a língua. Não é bem assim. O Nokia X usa mesmo Android, mas não disputa espaço com outros smartphones com o sistema do Google. Ele sequer tem a ver com o Google. Complicou? Calma que eu explico. (mais…)
Foi um longo hiato do anúncio da aquisição pelo Google até o primeiro fruto, o Moto X. A Motorola Mobility enquanto “uma empresa Google” ainda dá seus primeiros passos, mas passos confiantes e acertados. O Moto G, segundo smartphone dessa nova fase, foi anunciado no Brasil em novembro e, agora, passa pelo crivo do Manual do Usuário. Com a combinação de boas especificações e preços agressivos, o aparelho faz sucesso no varejo. Sucesso justificável? É o que descobriremos juntos.
Do anúncio da fabricação de smartphones no Brasil até o lançamento comercial do mais poderoso deles (por aqui), passaram-se cinco meses. Em dezembro, a tempo do Natal, o One Touch Idol ganhou as prateleiras do varejo e a loja virtual da própria Alcatel, uma estratégia diferente que foge das operadoras e tenta entrar em contato direto com o consumidor. Com preço sugerido de R$ 899, o que esperar do Idol?
O mercado brasileiro está recheado de smartphones para todos os gostos e bolsos. De modelos de ponta (e caríssimos) até os valentes celulares de entrada, que sofrem para rodar o pouco que oferecem, a variedade nunca foi tão grande por aqui.
Infelizmente não é todo mundo que pode se dar ao luxo de comprar um iPhone ou um Galaxy S. Na medida em que o preço cai, as especificações dos aparelhos definham também e chega um ponto onde as frustrações que eles geram no uso ultrapassam o tolerável. Qual é esse ponto? Difícil dizer, mas estimo que a faixa dos R$ 400 a R$ 500 seja uma boa aposta.
Com isso em mente, ou seja, pagar o mínimo possível por uma experiência aceitável, surgiu a ideia de realizar esse comparativo. O Natal se aproxima, logo, creio que será importante também para quem está em busca de um novo celular, próprio ou para dar de presente, que não comprometa o décimo terceiro. Espero que seja útil.
Cadê a Samsung? Desde o início a minha intenção era ter cinco celulares neste comparativo. Faltou um, da Samsung, que mesmo após insistentes pedidos meus não se dispôs a enviar um Galaxy Young Duos para testes. A resposta da assessoria foi de que eles não enviam aparelhos dessa faixa de preço para a imprensa. Uma pena.
Os competidores
Foto: Rodrigo Ghedin.
O comparativo envolve quatro aparelhos:
Lumia 520, da Nokia.
Optimus L4 II, da LG.
RAZR D1, da Motorola.
Xperia E, da Sony.
Todos foram usados por mim, usando um SIM card da Claro — à exceção do Lumia 520, testado na rede da TIM. São três Androids e um Windows Phone e tentei diminuir ao máximo os desvios que a mudança de plataforma poderia ocasionar. Como? Usando os mesmos apps (ou similares) em todos eles, definindo configurações idênticas (como brilho da tela) e outros pequenos ajustes visando a paridade.
Não é um teste científico, não rodei benchmarks, nem cronometrei ações nos aparelhos. Não é essa a pegada do Manual do Usuário porque não acho que tal abordagem tenha tanta importância no mundo real. Por exemplo: o Optimus L7 II, testado recentemente aqui, tem menos RAM que o RAZR D1, que integra esse testes, mas nem de longe é um aparelho inferior. Faria sentido dizer o contrário baseado em um mero número, ignorando completamente a experiência de uso? Eu acho que não.
Antes de colocar nossos competidores em choque, é válido dar uma passada por cada um deles — em ordem alfabética.
Lumia 520, da Nokia
Foto: Rodrigo Ghedin.
De todos, o Lumia 520 é o que tem mais cara de produto superior. O acabamento, a exemplo dos demais, é de plástico, mas aquele de toque mais suave característico de alguns aparelhos da Nokia.
Este smartphone se beneficia da rigidez que a Microsoft impõe a quem decide usar o Windows Phone. O SoC é um Snapdragon S4 Plus, com processador dual core de 1 GHz e GPU Adreno 305. Não é um foguete, mas segura bem as aplicações do sistema.
O que compromete um pouco é a memória disponível, apenas 512 MB, limitação que cobra seu preço na multitarefa: espere ver com alguma frequência a tela “Retomando…” ao voltar a algum app aberto recentemente. A sensação de lerdeza é amenizada pela interface fluída do Windows Phone; você sabe que demora, mas a espera parece menos dolorosa com as transições suaves e bonitas do sistema.
O Windows Phone dá uma força em outra área: a tela. Com 4 polegadas e resolução de 480×800, ela se distancia das demais testadas neste comparativo, mas ainda assim fica longe das melhores do mercado. O padrão visual fortemente angular e a tipografia grandona do sistema da Microsoft ajudam bastante a ocultar as deficiências da tela — que, em outros aspectos, como brilho, ângulos de visão e cores, é bem competente para essa faixa de preço.
Optimus L4 II, da LG
Foto: Rodrigo Ghedin.
De longe, o mais curioso. Não bastasse ter sinal de TV digital (como o RAZR D1, aliás), esse modelo intermediário da linha Optimus L, da LG, aceita três SIM cards simultaneamente. Não um, não dois; três!
O corpo gordinho não é muito mais grosso que os demais, mas passa a sensação de que sim. Ele também parece ser meio “achatado”, a ponto de deixar em dúvida a proporção da tela — seria esse um filhote do bizarro Vu, também da LG, o phablet com proporção de tela 4:3? Não é o caso. Aqui, temos uma tela de 3,8 polegadas e resolução de 320×480. O L4 II tem a tela com menor densidade de pixels de todos os modelos testados e isso afeta a percepção do usuário, mas mesmo em um equipamento tão barato e simples a LG colocou um bonito (e destoante) painel IPS.
No que diz respeito ao desempenho, temos um SoC single core de 1 GHz da Mediatek, combinado com 512 MB de RAM. As mesmas deficiências apresentadas pelo Xperia E, que compartilha uma configuração similar, são vistas aqui: os apps mais simples até abrem relativamente bem, mas gerenciar dois já sobrecarrega o sistema.
RAZR D1, da Motorola
Foto: Rodrigo Ghedin.
O simpático aparelho da Motorola é mais poderoso do que se poderia imaginar. Lançado junto ao D3 no primeiro semestre, chamou a atenção pelo custo-benefício e ainda hoje é uma compra muito boa no cenário abaixo dos R$ 500.
Embora não seja fator determinante, quando as outras características empatam com celulares nessa faixa de preço, a RAM dele se destaca. Dos modelos testados aqui, é o único com 1 GB disponível, característica impressionante para um smartphone de entrada.
A favor também está o Android (4.1.2 Jelly Bean) praticamente intacto que a Motorola usou aqui. Há pequenas alterações, a maioria útil, que não comprometem a saborosa experiência de usar o sistema como concebido pelo Google.
De ponto fraco, a tela talvez seja o maior. Ela tem 3,5 polegadas e resolução de 320×480, o que dificulta a leitura de textos menores e deforma ícones mais delicados, como os da barra de notificações.
Xperia E, da Sony
Foto: Rodrigo Ghedin.
Cada aparelho dos testados herda algumas características de modelos mais avançados de suas respectivas marcas. No caso do Xperia E, o que se destaca é o botão de liga/desliga e desbloqueio da tela reforçado. Seria legal se todo celular tivesse esse detalhe, já que sendo algo usado o dia todo, é um do tipo que faz diferença.
A tela do Xperia E é a mais esquisita, com reflexos além do aceitável, um aspecto meio lavado e pouco brilho mesmo com essa configuração no máximo. A personalização da Sony, que já é de se questionar nos Xperias maiores, é particularmente ruim para a tela de 3,5 polegadas desse modelo. O app drawer, por exemplo, exibe poucos ícones por página e as alterações estéticas, que visam dar um ar mais sofisticado ao Android, são meio cafonas em um aparelho de entrada nada sofisticado.
Comparando detalhes
Vídeo comparativo
Quer vê-los mais de perto do que só em fotos? Temos um vídeo também:
A batalha dos chips
Foto: Rodrigo Ghedin.
Dar suporte a mais de um SIM card está virando padrão em smartphones low-end e mid-range. Nossos competidores não fazem feio e, com exceção do Lumia 520, todos conversam com mais de uma operadora ao mesmo tempo — o L4 II, com três! O Lumia 520, aliás, é o único dos quatro a trabalhar com micro SIM.
Câmeras
Aqui é briga de foice para ver quem se sai menos pior. Com aparelhos tão comprometidos em tantas áreas, era de se esperar que as câmeras não fizessem maravilhas na hora de registrar momentos.
Nas amostras que fiz, as câmeras do Xperia E e L4 II não demoraram a se revelarem ruins. As outras duas agradam, dentro das limitações da situação. A do D1 é bastante saturada, mas tem boa definição. Já a do Lumia 520, apesar de um ou outro estouro ocasional em áreas claras, é a mais fiel em cores e entrega, na média, resultados bem legais. Veja esse primeiro comparativo em ambiente externo com bastante luz natural:
Em ambiente interno com iluminação natural a discrepância foi menor. LG e Sony parecem aplicar um pós-processamento mais pesado, algo perceptível na parte sombreada do Droid, abaixo. A definição da câmera do L4 II ficou surpreendentemente boa nesse exemplo, mas não sem sacrificar a qualidade — há um ruído perceptível naquela área.
Neste último comparativo, vemos o detalhe de uma placa. Aqui, as câmeras da LG e Sony mostram, novamente, que são fracas e acabam recorrendo a correções incapazes de equiparar os resultados aos das câmeras da Nokia e Motorola. Este exemplo também evidencia a inclinação da Motorola por imagens mais quentes e saturadas.
O álbum abaixo traz todas as fotos acima em tamanho natural, ordenadas e identificadas:
No geral, fiquei bem dividido entre as câmeras do Lumia 520 e do RAZR D1. A do smartphone da Nokia tem um tiquinho a mais da minha preferência por ser mais fiel em cores, sem puxar tanto para as quentes, ou saturá-las, como as do D1 — que, a seu favor, leva vantagem em definição.
Note que, como dito no início, aqui o objetivo não é encontrar a melhor câmera, mas a menos ruim. É relativamente difícil conseguir boas fotos com qualquer uma das quatro.
Bateria
Todos os quatro têm baterias modestas, suficientes para passar um dia longe da tomada desde que não se exagere no uso dos recursos. A do Lumia 520 é a menor de todas, com capacidade de apenas 1300 mAh — os demais giram em torno de 1700. Na prática, o Windows Phone parece ser menos gastão e a autonomia não difere tanto quanto essa diferença numérica sugere.
É difícil encontrar smartphones com baterias que se destacam. Quando acontece, geralmente a própria fabricante ressalta isso — como no RAZR MAXX, da Motorola, ou o Honor, da Huawei. Ainda que bem próximos dos preços de dumbphones mais elaborados, no quesito bateria os smartphones de entrada são parecidos com modelos mais caros. O que, nesse caso, é uma pena.
Acabamento
Plástico, plástico para todo lado! Mas alguns bons, especialmente o do Lumia 520. Ele se sobressai e ganha, sem muita dificuldade, o título de celular mais bonito deste comparativo. A ergonomia também é bacana (é o maior dos quatro), com bordas arredondadas atrás e um acabamento suave na tampa traseira.
O Xperia E também aposta em um tipo de plástico diferente, com uma textura rugosa que dá firmeza no uso. Além da ergonomia, o design dele dá uma valorizada estética ao conjunto. Fica em segundo lugar nesse critério.
Foto: Rodrigo Ghedin.
L4 II e D1 usam um plástico mais simples, pouco inspirado. As tampas traseiras são levemente texturizadas, mas de forma ruim ou indiferente. O D1 imita o acabamento em Kevlar dos RAZR mais caros, mas é plástico mesmo e dos mais simples.
Desempenho
A exemplo da câmera, aqui também a briga é feia. Todos eles te fazem esperar para abrir apps, todos se enrolam na multitarefa, nenhum tem desempenho capaz de distanciá-lo dos demais. Adquirir um smartphone por menos de R$ 500 é, antes de qualquer coisa, um exercício constante de paciência.
O RAZR D1 leva vantagem pela RAM extra, mas é uma vantagem que se mostra mais em situações de uso atípicas. É notadamente mais rápido que os outros dois Androids, mas na maior parte do tempo ter mais RAM que os outros não impacta tanto assim — o Android capenga bastante com 512 MB, mas não faz muito melhor com o dobro disso e um SoC ruim.
O Lumia 520 tem a vantagem do Windows Phone: ele transita pela tela com mais harmonia, passando a sensação de ser mais ágil que os concorrentes com Android e é efetivamente mais rápido que os outros. Mas, no geral, é só sensação mesmo: em um teste direto, abrindo apps similares simultaneamente nos quatro logo após reiniciá-los, o tempo de carregamento foi muito parecido em todos, com o smartphone da Motorola levando uma ligeira vantagem na maioria das vezes e o Lumia 520 vindo logo atrás.
Nessa disputa, desempenho é um fator que não pesa tanto na hora da escolha — todos são, infelizmente, fracos. Considere outras coisas na hora de decidir pelo seu.
E o vencedor é…
De cara, pelo acabamento, desempenho e outros detalhes já citados, Optimus L4 II e Xperia E ficaram pelo caminho. O páreo foi duro, porém, entre o Lumia 520 e o RAZR D1. São dois aparelhos que não parecem custar o que custam dada a qualidade que oferecem. Verdadeiras pechinchas que servem muito bem o usuário sensível a preços.
No fim, feitos mais testes e gasto mais tempo refletindo, ganhou a minha preferência o aparelho da Nokia. Na faixa entre R$ 400 e R$ 500, o Lumia 520 é a indicação do Manual do Usuário.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Lumia 520 levou pelo acabamento, muito mais premium que os demais, a tela, a maior fisicamente e com resolução mais alta de todos, e o Windows Phone, que em modelos de entrada está em melhor forma que o Android — cenário que pode mudar com a chegada do KitKat — e já não sofre tanto da escassez de apps, um problema crônico até ano passado. É disparado o Lumia que a Nokia mais vende, e dá para entender o porquê: é um smartphone e tanto.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O RAZR D1 fica em segundo, mas por uma cabeça de distância. Mais especificamente, por uma tela ruim. Para quem prefere a multiplicidade de apps do Android ou o sistema em si (com a promessa de atualização para o começo de 2014), porém, é a melhor pedida. Trata-se de um smartphone bem competente para o que custa, com uma experiência próxima à do Android puro e extras técnicos interessantes em relação ao Lumia, como suporte a dois SIM cards e TV digital.
O D1 tem, agora, um grande concorrente doméstico, o Moto G. Apesar do preço sugerido de R$ 649, na Black Friday diversas lojas venderam a variante de entrada por R$ 550 e não será surpresa se já no Natal esse valor se repetir, ou cair ainda mais. Entre os dois, a disputa é covardia. Vá de Moto G sem pensar meia vez.
É bem provável que o varejo brasileiro empurre os preços desses modelos ainda mais para baixo nas festas de fim de ano. O bom é que, hoje, quem tem pouco para investir em celular não fica tão comprometido quanto alguém há dois anos com o equivalente a esse valor de hoje — comentamos isso em um podcast, aliás. O avanço das configurações e o uso de tecnologias antes de ponta em celulares de entrada gera esse benefício na ponta de baixo da tabela e, no fim, ganha todo mundo.
Associamos o fim do ano a várias coisas. Natal, família reunida, férias, viagem e… compras. Seja para representar o Papai Noel, seja para aproveitar o décimo terceiro, dezembro é sinônimo de compras e o comércio entra na onda com ofertas mais generosas — misturadas a algumas armadilhas.
Minha filosofia, pessoal e para o Manual do Usuário, é sempre ressaltar o custo/benefício. Não vejo muita vantagem em ter o melhor quando a situação não o exige. Claro, claro: não é o caso de se comprometer com equipamentos que não darão conta da demanda. O ponto é que nem sempre (quase nunca, na real) o gadget mais caro será o mais divertido, ou o mais útil.
Pensando nisso e nas compras de fim de ano que daqui até o dia 24 ficarão mais e mais frenéticas, surgiu a ideia de montar este guia de compras de smartphones, o gadget mais desejado e debatido do momento.
A intenção não é indicar modelos específicos*. O objetivo é dar explicações e orientações básicas para que você saiba o que está comprando, evitando levar um pepino para casa e ter aquela ressaca moral no dia 26.
* Mesmo com essa ressalva, no final deste artigo deixo algumas indicações.
Dia desses, na minha odisseia por um nano-SIM com plano pré-pago (é um martírio, acredite), pude observar como seres humanos comuns vão às compras nas lojas das operadoras. A menos que você esteja disposto a bancar um plano pós-pago, o simples fato de entrar em uma loja de operadora já se revela um erro. Os smartphones baratos não estão lá.
Mas relevemos esse detalhe. Durante a observação sociológica, notei um desconhecimento generalizado que, somado a atendentes que precisam bater metas de vendas, são mal preparados ou atuam com má vontade e que não se importam muito com o pós-venda, resultam em uma profusão de recomendações questionáveis de smartphones notadamente ruins.
Imagino que não seja esse o caso do leitor regular do Manual, então faça o favor de indicar este texto àquele parente ou amigo menos chegado em tecnologia. Ele irá agradecê-lo! E leia você também; de repente alguma dica bacana aparece e, tenho certeza, os seus comentários agregarão bastante às palavras escritas aqui em cima.
Delimite para avançar
Só de modelos da linha Galaxy, da Samsung, deve haver algumas dezenas inundando nosso mercado. A estratégia da fabricante sul-coreana é preencher todas as faixas de preços possíveis. Por um lado isso a ajuda a vender mais — não será por R$ 50 a mais ou a menos que alguém deixará de levar um Samsung para casa — e para mim foi uma mão na roda na hora de encontrar exemplos na redação deste artigo :-)
Para você, porém, é confusão na certa. Até eu, que acompanho de perto esse mercado, vez ou outra sou surpreendido. Como na vez em que uma amiga veio me contar, contente, do Galaxy Win Duos que havia comprado. Prazer, Galaxy Win Duos. Quem é você?
Em menor grau, toda fabricante repete essa estratégia Gremlins. Nos próximos tópicos veremos como evitar as ciladas e garimpar os modelos realmente legais. Antes de nos aprofundarmos, porém, é preciso definir dois parâmetros básicos: preço e sistema.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Há smartphones que variam de R$ 200 a mais de R$ 3.000. A lógica vale aqui: você terá uma experiência melhor com os mais caros. Mas ela não é absoluta, ou seja, dá para encontrar bons modelos em camadas inferiores. (A minha recomendação absoluta hoje, por exemplo, fica em torno de R$ 1.000.) Não é preciso se endividar para ter um smartphone legal. E, hey, salvo algumas exceções, celular é um luxo, no máximo uma utilidade. Não vá se endividar para ficar vegetando no Candy Crush ou reclamando de falta de grana no Facebook!
Além do valor que você está disposto a gastar, o sistema operacional é outro fator de corte importante. Temos, hoje, alguns no mercado:
Os dois primeiros, Asha/S40 e Firefox OS, ficam restritos à ponta de baixo da tabela — são aparelhos baratos e humildes, bastante limitados em recursos. Na outra ponta está o iOS: é impossível encontrar um iPhone decente por menos de R$ 1.500. Quem fica cheio de dúvidas é aquele que quer um Android ou um Windows Phone. Se for o seu caso, não se assuste. Há uma luz no fim do túnel e eu mostro o caminho até ela.
Números não dizem tudo, mas falam um bocado
Sempre bato na tecla de que números e configurações têm mais importância do que deveria na hora de se escolher um bom smartphone. É a experiência que conta no fim. O discurso continua válido, sempre, mas há um piso para tudo isso de modo que alguns números mínimos devem ser observados.
A maioria dos brasileiros acha importante ter um bom processador no smartphone, mas pouquíssimos sabem qual está dentro do aparelho que carregam consigo. É uma situação meio bizarra, mas é bom que essa preocupação exista. Você não precisa saber o modelo exato, quantos giga hertz ou qual a GPU que equipa o seu smartphone. As próprias fabricantes, como Qualcomm e Samsung, facilitam a nossa vida com nomes comerciais — mais fáceis de gravar e que atestam a qualidade do conjunto.
Antes que alguém pergunte: não há um tópico para bateria. Com pequenos desvios, hoje todo smartphone dura, se muito, um dia longe da tomada. Essa característica é sempre um choque para quem vem de um celular mais simples, mas é a vida. Existem modelos que se destacam pela grande autonomia, como o RAZR MAXX, da Motorola, e o Honor, da Huawei. São modelos de meia idade e que, hoje, não valem a pena.
SoC: o processador — e mais algumas coisinhas
Já que estamos falando de SoCs, comecemos por eles. SoC é a sigla para System-on-a-Chip, ou seja, um chip que traz, embarcados, a maioria ou todos os componentes vitais para que um dispositivo móvel funcione. Processador, GPU, antenas e módulos como Bluetooth e GPS vêm, em geral, no SoC. São informações importantes, sim, mas que em sua quase totalidade acabam “traduzidas” no jargão marketeiro das fabricantes e operadoras.
A fabricante de SoCs ARM mais popular, hoje, é a Qualcomm. Ela produz a linha Snapdragon que equipa os smartphones mais poderosos dos universos Android e Windows Phone. A linha atual é composta pelos Snapdragon 200, 400, 600 e 800 e algumas variantes recentes, como as famílias 410 e 805; ainda existem alguns modelos respeitáveis com o S4 Pro, do ano passado. Considere a “nota de corte” o Snapdragon 400: dele para baixo, grandes são as chances de você se decepcionar com o desempenho.
Para situá-lo, veja o que alguns smartphones interessantes disponíveis hoje usam:
Se o smartphone desejado não usar um chip da Qualcomm, ele provavelmente cairá em uma das seguintes marcas/empresas:
Exynos, da Samsung: algumas variantes dos Galaxy S III, S 4, Note II e Note 3 usam o SoC da casa.
MTxxxx, da MediaTek: esta fabricante taiwanesa tem se destacado pela fabricação de bons chips a um custo muito baixo. Não por acaso, aparelhos pensados para bolsos sensíveis costumam trazê-lo embaixo do capô, como os RAZR D1 e D3,
Tegra, da NVIDIA: a última iteração, o Tegra 4, ainda não apareceu em um smartphone, só em tablets. A linha ficou um pouco queimada por, em versões anteriores, prometer muito e entregar pouco.
AX, da Apple: esses você só encontra nos iPhones. A versão mais atual é o A7, presente no iPhone 5s.
Atom, da Intel: rainha absoluta nos computadores, a Intel vem se esforçando para fincar sua bandeira no segmento móvel. Há poucos aparelhos com um SoC dela no mercado, sendo o mais bem sucedido até o momento o RAZR i, da Motorola.
Como escolher um bom SoC? Com ressalvas, a hierarquia dos modelos é um bom caminho. Existem diferenças entre Snapdragon 600 e 800, mas no dia a dia não é algo que se nota com facilidade. Mesmo o Snapdragon S4 Pro move aparelhos bem bons, como o Moto X, da Motorola. Essa trinca, somada ao Exynos 4 e 5, são o que o consumidor de olho em smartphones que não engasgam deve procurar.
Para quem está com restrições orçamentárias, o Snapdragon 400 e os MediaTek dual core são boas pedidas. Eles equipam o Moto G e o RAZR D3, respectivamente, dois modelos da Motorola que brilham no custo/benefício.
Memória? Quanto mais, melhor
Existem dois tipos de memória em um smatphone que devem ser alvos de atenção. A RAM é a memória que os apps e o sistema usam temporariamente. A memória interna é o espaço que “guarda” indefinidamente o próprio sistema, apps e dados do usuário — fotos, músicas, arquivos de texto e tudo mais que for gerado pelos apps.
Esta simpática animação dos anos 1990 conta como funciona um computador por dentro — os dois minutos iniciais. Para nosso intento, ela serve: repare, logo no começo, a distinção que o processador faz entre RAM (“sobe janela”, “abre o Internet Explorer”) e o HD (no nosso caso, a memória interna; outra tecnologia, a mesma finalidade):
Em questão de RAM, o mínimo aceitável no Android é 1 GB. Com 768 MB você se vira com algum sufoco ocasional em sessões mais intensivas com a abertura de múltiplos apps ao mesmo tempo. 512 MB? É fria. Talvez o Android 4.4 mude esse cenário, mas como não existe ainda no mercado Android de 512 MB com a última versão do Android, a dica segue válida neste final de 2013.
Para o Windows Phone, vale o mesmo. O sistema é mais fluído que o Android, o que significa que aparelhos com 512 MB de RAM, como o Lumia 520, não sofrem tanto quanto seus pares com o sistema do Google. Mas a limitação afeta a multitarefa e tem uma leve agravante: a restrição a determinados apps mais gastões na loja de apps. A Microsoft e os desenvolvedores se esforçam para otimizá-los, mas vez ou outra aparece um app que só roda em dispositivos com 1 GB de RAM.
Se você estiver de olho em um iPhone, Asha ou Firefox OS, RAM não deve ser motivo de preocupação porque… bem, porque não há escolha. Dos dois primeiros nem se sabe quanto trazem, mas suspeita-se que seja pouco pela (pretensa) leveza dos sistemas e por contenção de custos — memória custa caro. No iPhone, os modelos atualmente à venda vêm com 1 GB, com exceção do iPhone 4S, ainda comercializado, com 512 MB. Pela arquitetura e otimização que o iOS tem, são quantidades suficientes para se ter uma boa experiência, sem engasgos ou esperas intermitentes.
Em relação à memória interna, a variação é maior. Até o iPhone é oferecido em vários patamares, com preços bem salgados para apenas dobrar a memória disponível.
O mínimo que eu recomendaria, hoje, é 8 GB. No aperto, tendo que limpar fotos e música esporadicamente e se policiando quanto à instalação de apps e jogos. Com 16 GB já dá para viver com relativo conforto. Fartura mesmo é ter 32 GB ou mais, mas isso, só para bolsos abastados.
Uma saída para se ter memória sem ter que empenhar um rim no banco é apelar para cartões SD. A relação custo por mega byte é bem mais em conta. Problema? Nem todo aparelho oferece o slot correspondente. Atenha-se a esse detalhe se espaço for importante.
Tela: o que você vê (e o que não vê) é importante
À esquerda, tela do iPhone 3. À direita, tela Retina do iPhone 4. Fotos: Paul Hudson/Flickr.
Além de ser a interface entre você e o seu smartphone, a tela costuma determinar outra característica importante: o tamanho físico do gadget.
A variedade de tamanhos é generosa hoje, mas com uma ou outra exceção, telas menores significam configurações mais fracas. Quando a Samsung encolhe o Galaxy S 4 e acrescenta um “mini” ao seu nome, ela encolhe também a velocidade e a quantidade de memórias que vão nele. Telas muito pequenas, com cerca de 3 polegadas, significam smartphones ruins. Alguns Galaxy (Young Duos, Pocket), Xperia E, Optimus L3 II e L2 II… ultrapassam o tolerável. Não valem a pena, mesmo.
Existe algum pequeno poderoso? Sim, o iPhone, com tela de 4 polegadas e hardware capaz de fazer frente a qualquer outro smartphone disponível. Mas essa relação pouco usual cobra (bem!) seu preço. É um aparelho caro.
É de se notar, também, que o conceito de “grande” no universo móvel mudou um pouco nos últimos tempos. Hoje, graças a processos de construção mais precisos e bordas mais finas, smartphones com até 5 polegadas cabem sem sustos no bolso e podem ser manipulados com uma mão sem tanta dificuldade. Se tiver receio, vá a uma loja e mexa em um você mesmo, experimente-o no bolso (avise o atendente antes!), faça o teste. Acima disso temos os phablets e aí sim, com telas chegando a 6,8 polegadas, o risco de não caber em uma calça mais justa é real.
O tamanho da tela importa, mas a qualidade também. Veja a resolução, se for possível saber, descubra também a densidade de pixels da tela. Com qualquer coisa acima de 300 PPI você estará bem servido: nesse nível os pixels passam a ser indistinguíveis individualmente, o que se traduz em fontes mais suaves, menos fadiga ocular e mais beleza em fotos, vídeos e jogos. Aparelhos fisicamente grandes mas com resoluções baixas, como o Galaxy Grand Duos, da Samsung, são furadas.
À esquerda, a tela super saturada do Moto X. À direita, a sóbria do Nexus 4. Prefiro a segunda. Foto: Rodrigo Ghedin.
Indo mais a fundo, entramos em uma área com a qual me importo bastante e que, não raro, é esquecida: a tecnologia empregada no painel. Vale a pena o trabalho que dá para entendê-la se você se importa com detalhes.
É comum a utilização de painéis AMOLED, uma técnica com vantagens, mas que dentre as desvantagens satura bastante a tela — o preto é mais profundo e economiza energia, e as cores ficam mais vivas, mas fogem da realidade e sofrem com distorções estranhas, geralmente pendendo para o verde. Samsung e, em menor escala, Motorola são as que mais recorrem a ela. Há quem prefira essas telas saturadas e em modelos topo de linha, como o Galaxy S 4, os efeitos colaterais são bastante amenizados. De minha parte, fico com as mais neutras, mais fiéis à realidade, como as que a LG produz.
Muitos mega pixels não são sinônimo de câmera boa — mas podem ajudar
Por anos a indústria apostou no aumento dos mega pixels das câmeras para forçar os consumidores a atualizarem suas câmeras digitais. Demorou para cair a ficha de que a resolução é apenas parte da soma do que faz uma boa câmera. Sensor, conjunto de lentes, software de processamento e outros aspectos também contam.
Smartphones sofrem com uma limitação física: por serem pequenos e finos, não dá para colocar sensores muito grandes, ou lentes elaboradas ali. Há exceções, claro, e a primeira que vem à mente é o Lumia 1020, com um sensor enorme de 41 mega pixels. Fugindo à regra (e ajudado por aqueles outros aspectos que também contam), é a melhor câmera móvel do mercado, de longe.
Outras que merecem destaque são as dos Lumias 920 e 925, Xperia Z1, Galaxy S 4 e iPhone 5s. Todas muito boas, considerando serem de smartphones. Partindo dessas, a qualidade das câmeras em outros modelos cai junto com os preços.
Em aparelhos mid-range, vale a lógica dos melhores smartphones de um ou dois anos atrás: passam em situações com bastante luz natural, mas é preciso cautela em ambientes fechados e à noite. Nos abaixo dos R$ 800, esqueça: encare a câmera como um quebra-galho e nada mais para não se frustrar.
3G? 4G? Você vai mesmo precisar disso?
O último item numerológico da análise deve ser o padrão de conectividade, se o smartphone conversa com redes 3G ou 4G. A primeira tecnologia é bastante difundida, de modo que você só não a encontrará em modelos realmente simples, como o Asha 501, da Nokia. Em todos acima disso, é praticamente certo o suporte a redes 3G.
O 4G ainda engatinha, embora seja funcional em grandes centros e até algumas cidades do interior — em Maringá, Paraná, onde moro, a Vivo já oferece em algumas regiões-chave. Se você quiser usufruir da velocidade maior do 4G, é preciso ter um aparelho compatível.
O smartphone mais barato que compatível com redes 4G é o Lumia 625, da Nokia. Depois disso temos Moto X e Xperia SP, da Motorola e Sony, respectivamente. O Lumia 920 e 820, da Nokia, estão com preços bem convidativos devido à idade (foram lançados no começo do ano) e também são compatíveis. Praticamente todo topo de linha lançado nos últimos meses é certificado para o 4G nacional, como os novos iPhones, Galaxy S 4 (uma das variantes), Xperia Z1 e Z Ultra, Lumia 925 e 1020, BlackBerry Z10 e G2, da LG.
O campo minado das versões do Android
Android 2.3 em 2013 não dá! Foto: Rodrigo Ghedin.
Se naquele critério inicial você optou pelo Android, é preciso estender a análise para a versão que vem instalada no smartphone em vista.
A mais atual é a 4.4. Nenhum celular vendido hoje no Brasil sai de fábrica com ela, e apenas dois já ganharam atualização — Nexus 4 e Moto X. Essa versão é mais um aperfeiçoamento da linha Jelly Bean (4.1 a 4.3) do que uma totalmente nova; vem com recursos diferentes e muito úteis, como o discador inteligente e a centralização de serviços de armazenamento de arquivos na nuvem, mas não é primordial.
A dica? Não pegue nada anterior ao Android 4.1. Nessa versão o Google introduziu o Google Now, assistente pessoal pra lá de esperto, e o Project Butter, uma série de modificações internas que suavizaram o sistema. E não espere atualizações: com exceção de aparelhos de ponta, elas são raras. O mais comum é um smartphone nascer e morrer com a mesma versão do Android.
Não é muito difícil encontrar smartphones rodando Android 4.0 e, com um pouco mais de dificuldade, até o 2.3 Gingerbread. Fuja desses. Além do sistema defasado, diversos apps exigem no mínimo a versão 4.0 para rodar.
Calma que tem mais. Não bastasse a versão, o Android ainda traz outro “problema” na hora de escolher um smartphone: as skins das fabricantes. A natureza semi-aberta do sistema permite que Samsung, LG, Sony e outras modifiquem-no por inteiro. Isso significa que o Android como concebido pelo Google dificilmente é visto por aí. As variações são mais populares: temos o Android com TouchWiz (camada da Samsung), Optimus UI (LG), Sense UI (HTC) e Xperia UI (Sony).
Tenho uma opinião bem radical nesse ponto: nenhuma dessas modificações é boa. O Android puro é, de longe, a melhor experiência no sistema. E isso pesa, demais… Usar um Nexus e depois partir para um Galaxy ou Optimus é quase como usar dois sistemas distintos. Além da linha Nexus, que tem a bênção do Google no projeto e, por isso, vem com o Android livre de modificações, apenas a Motorola aposta em um sistema mais enxuto, mais limpo — as versões que equipam Moto X, Moto G e os RAZR D1 e D3 são acertadas, com algumas pequenas intervenções, todas bem felizes.
Nos EUA e em alguns poucos países onde o Google Play comercializa hardware existe a opção de comprar “Google Editions” de smartphones populares, como HTC One e Galaxy S 4. Elas extirpam o Android modificado das fabricantes e colocam, no lugar, a versão pura do sistema. Por aqui, ficamos na vontade.
No lado Microsoft, o Windows Phone se apresenta como o meio termo entre Android e iOS — o sistema da Apple atualiza uniformemente em todos os aparelhos a partir de uma mesma data. Com a Microsoft, as atualizações são garantidas, mas dependem do aval das operadoras em cada país. Esta página mostra o status da última, no caso, a Amber. Você espera um pouco mais, mas tem a certeza de que seu aparelho será atualizado, diferentemente do Android onde essa questão é sempre uma loteria.
Cuidado com cópias e marcas sem tradição
Ao longo do texto cito alguns aparelhos para exemplificar configurações e as dicas mostradas, todos de marcas conhecidas. Não que essas sejam as únicas confiáveis, mas elas têm a seu favor o uso por milhões de pessoas e anos de estrada. É mais provável que essas deem menos dor de cabeça do que uma marca obscura que compra equipamentos prontos da China e faz apenas o rebranding por aqui, certo?
Ainda não tive contato suficiente com as nacionais (Positivo, Gradiente e CCE, para ficar em algumas), nem com marcas menos tradicionais (ZTE, Alcatel one touch, Huawei) para indicar aparelhos delas com convicção. Dependendo do preço e das configurações, que a essa altura você já deve estar apto a interpretar, podem ser bom negócio.
“Smartphone estilo iPhone 5s” com screenshot do Android 1.6.
O que é sempre um mau negócio são as marcas piratas. Viu um smartphone que parece iPhone, mas roda Android? Fuja sem olhar para trás. Ainda que no papel as configurações pareçam boas, grandes são as chances de componentes de baixa qualidade terem sido usados e, com isso, que durabilidade e qualidade sejam pífias. Se a marca não respeita propriedade intelectual das outras, por que respeitaria o consumidor?
Onde comprar?
Quem tem plano pós-pago junto à operadora pode, de repente, conseguir algum desconto que compense na troca ou compra de um smartphone novo. No Brasil, porém, os planos pré são mais populares, o que nos leva para longe das lojas de Claro, Oi, TIM e Vivo.
O varejo vez ou outra coloca bons aparelhos em promoção. Sempre compare preços, usando ferramentas como Buscapé e JáCotei — essa última tem um gráfico bem interessante de variação de preços nos últimos seis meses. Os dois sites oferecem ainda alertas de preço, que avisam o consumidor quando determinado produto atinge o valor pré-definido por ele.
Variação de preço do Moto X, segundo o JáCotei.
Você pode arriscar no MercadoLivre e similares. O risco, nesses locais, é dar o azar de lidar com vendedores desonestos, ou encontrar dificuldades na hora de acionar a garantia ou resolver outros imprevistos. Nas lojas do varejo é tudo mais fácil e amparável juridicamente. Use o Buscapé e o JáCotei, somado ao Reclame Aqui, para encontrar as com boa reputação, que atendem com agilidade e resolvem as reclamações dos clientes.
Uma exceção a essa regra é a dos usados. Especialmente em se tratando de iPhone, cujo preço não costuma cair nas lojas, pode ser uma via interessante — o meu, um iPhone 5, é de segunda mão; bem conservado, com pouco tempo de uso e saiu bem mais barato do que um novo. Smartphones Android e Windows Phone desvalorizam rapidamente na loja, então pesquise com atenção caso opte por comprar um usado. Nem sempre a diferença de valor torna a compra de um usado melhor negócio que a de um novo.
Algumas indicações de smartphones
A essa altura você já deve estar pronto para escolher um bom smartphone. Se apesar do conhecimento adquirido você ainda não se sentir seguro na escolha, pesquise. Use os comentários abaixo, procure fóruns de discussão. Há alguns bons espalhados pela web e outros tantos escondidos nos grupos do Facebook e comunidades do Google+. Apenas tome cuidado com grupos focados; não adianta muito pedir indicação de um bom Windows Phone em uma comunidade de fãs do Android. Dar um grito no Twitter também pode ser eficaz.
Para dar aquele empurrãozinho, separei algumas indicações abaixo. Elas não são absolutas, nem compreendem todos os bons smartphones disponíveis no varejo nacional. Considere-as como ponta pés iniciais: depois de ler as minhas justificativas, vá atrás de uma segunda, terceira, quarta opinião. Sinta-se livre para debatê-las lá embaixo, nos comentários. Sempre, sempre busque conhecimento — o ET Bilu sabe o que fala!
O melhor: Moto X
Foto: Motorola/Reprodução.
O Moto X é a nova Motorola condensada em um dispositivo. É um smartphone bem acabado, recheado de recursos (4G, boa câmera, tela legal, boa autonomia, ergonomia nota dez) e supera as expectativas graças à profunda otimização e alguns truques exclusivos, como as notificações ativas e os núcleos auxiliares — de linguagem natural e computação contextual.
Ele vem com o Android quase puro (e, agora, atualizado) e as poucas intervenções da Motorola são grandes golaços, como o assistente de migração, o Assist e o software simplificado da câmera. É fácil encontrá-lo por R$ 1.000, um preço baratíssimo para tudo o que ele entrega. O custo-benefício é imbatível e, importante, não traz comprometimentos de carona.
Pelo conjunto da obra, o Moto X é a minha indicação para esse final de 2013.
Considere também:
Nexus 4: mesmo com mais de um ano nas costas ainda segura a onda bem e está em processo de desova no varejo há meses, o que significa preços inferiores a R$ 800.
Lumia 920: apesar do peso (é um chumbo) e do Windows Phone, tem aparecido em promoções muito boas, abaixo dos R$ 1.000, o que é uma pechincha e se explica pelo fim da produção do modelo no país.
iPhone 5s: se dinheiro não for problema, a última versão do smartphone da Apple é ligeira, tem uma câmera melhorada, sensor biométrico e o acervo infinito de apps que fazem a fama do iOS.
A melhor câmera: Lumia 1020
Foto: Nokia/Reprodução.
São 41 mega pixels bem utilizados pela câmera PureView do Windows Phone topo de linha da Nokia no Brasil, o Lumia 1020. O Windows Phone 8 ainda está um passo atrás do Android e do iOS, mas já oferece uma boa variedade de apps e vem amadurecendo rapidamente. Os apps de câmera, aliás, são encontrados aos montes e ajudam o usuário a fazer melhor uso do latifúndio de mega pixels disponível.
Não é o smartphone mais barato, nem o mais caro — o preço sugerido da Nokia é R$ 2.400, mas ele já chegou a R$ 1.900 em algumas lojas do varejo –, mas estamos falando da melhor câmera grudada em um smartphone que se pode comprar hoje.
Considere também:
Xperia Z1: o smartphone da Sony tem uma câmera de 20,7 mega pixels que, a exemplo do Nexus 5 (ainda indisponível no Brasil), também melhora com atualizações de firmware. O preço está na mesma faixa do Lumia 1020, mas as similaridades param por aí. Vem com Android, tela Full HD e tudo o que se pode esperar de um Android topo de linha hoje.
iPhone 5s: versão após versão é notável a melhora que as câmeras do iPhone apresentam. Na última, ela ficou mais rápida, sensor e aberturam aumentaram, um LED extra apareceu e as otimizações de software a deixaram capaz de tirar fotos ainda mais belas.
O melhor econômico: Moto G
Foto: Motorola/Reprodução.
O Moto G é intrigante. Com um hardware bem bom e preço de smartphone inferior, ele tem colhões para subverter o mercado. Antes dele, era difícil comprar algo digno de elogios por R$ 650. Não mais. Configurações atuais, desenho sóbrio e recursos que se não são os melhores do mundo, deixam os de smartphones da mesma categoria no chinelo, são a fórmula para se fazer um smartphone barato vencedor.
Considere também:
Lumia 625: se 4G for essencial para você, este Nokia é a opção mais em conta. Ele não tem configurações estelares; na realidade, elas são relativamente fracas. Mas chegando abaixo de R$ 700 em promoções pontuais do varejo, é a forma mais econômica de usufruir do 4G no Brasil.
O melhor para quem está no aperto: Lumia 520
Foto: Nokia/Reprodução.
Considerando o teto de R$ 500, o Lumia 520 é a melhor escolha. O Windows Phone é suave e o hardware fraco dos smartphones nessa faixa de preço não sente tanto seu peso. O acabamento é muito bom, chama a atenção e dá a sensação de que se trata de um aparelho de categoria superior.
Considere também:
RAZR D1: o valente smartphone da Motorola conta com suporte a TV digital, aceita dois SIM cards e, o que é mais importante, consegue domar o Android 4.1 (promessa de 4.4 para janeiro) com seu SoC MediaTek e 1 GB de RAM. A tela e a câmera são sofríveis, mas não dá para esperar muito.
Asha 501: quem tem R$ 250 na mão e a vontade de ter qualquer coisa melhor que um dumbphone de lanterninha, tem neste modelo de entrada da Nokia uma boa saída. Não tente forçá-lo a fazer muita coisa, o ideal é se contentar com os apps que vêm pré-instalados. Nesse termos, ele se comporta bem e consegue até impressionar em alguns pontos, como na sua bateria highlander. (Na última grande atualização o Asha 501 ganhou WhatsApp.)
Comprar um smartphone é um grande evento. Para a maioria dos que enxergam e fazem uso das possibilidades que esses aparelhos oferecem, ele se torna o gadget mais usado, aquele que está sempre por perto e a quem recorremos inúmeras vezes ao dia. Vale a pena pesquisar, se informar e tirar dúvidas antes de gastar algumas centenas de Reais em um.
Se as dicas acima não forem suficientes, ou se você ficou com alguma dúvida, não hesite em utilizar o espaço de comentários para esclarecimentos. Tem alguma dica extra, algo que faltou citar no post? Use o mesmo espaço para ajudar os outros.
Boas compras e lembre-se de visitar o Manual do Usuário no seu novo smartphone — o blog se adapta e fica lindão em telas pequenas :-)
Muito em breve a divisão de celulares da Nokia será incorporada à Microsoft, encerrando uma história de décadas. As atividades da Nokia, porém, vão muito mais longe do que décadas. A empresa orgulho dos finlandeses está prestes a completar 150 anos e embora os celulares com a sua marca estejam com os dias contados, alguns herdeiros já se movimentam para dar continuidade a esse legado.
O fim da Nokia fabricante de celulares foi conturbado. Muitos atribuem esse desfecho, o início do fim, à chegada de Stephen Elop, ex-Microsoft, ao cargo de CEO da Nokia, o primeiro da história não nascido na Finlândia. Em 2011, um memorando comparando a empresa a uma plataforma de petróleo em chamas marcou o começo de uma série de reformulações que acabou com os sistemas operacionais da casa — primeiro o Symbian, depois o MeeGo — e culminou na adoção irrestrita do Windows Phone, da Microsoft, nos smartphones topo de linha.
Foi uma guinada que ainda não se justificou. Algo precisava ser feito, sim, e dentro das possibilidades ter adotado um sistema novo e sem players fortes pode ter sido uma boa. Mas poderia ter sido diferente? A Nokia conseguiria se reinventar apostando no MeeGo? Usando Android? A essa altura, só podemos imaginar esses cenários paralelos.
O abraço na Microsoft desagradou um punhado de gente, dentro e fora da Nokia. Vários funcionários foram demitidos, alguns se demitiram. Uns poucos se juntaram para dar continuidade às ideias da era pré-Elop. Dessa desbamdada surgiram três empresas que esperam conseguir, em um mercado hostil com novatos, despontar como alternativas não só à própria Nokia, mas às outras empresas estabelecidas, como Apple e Samsung. Elas querem ser a Nokia que todo finlandês, que todo mundo que usou e curtiu um N9, gostaria de ter visto.
Jolla: o sucessor espiritual da velha Nokia
Nessa semana a Jolla, primeira das empresas criadas por ex-funcionários da Nokia, no final de 2011, começou a distribuir seu primeiro smartphone para os finlandeses que fizeram a pré-compra. O aparelho roda o Sailfish OS, uma espécie de sucessor espiritual do MeeGo, com interface totalmente baseada em gestos e compatibilidade com apps do Android.
O Jolla não tem especificações que saltam à vista. Vem com um Snapdragon 400 (processador Krait 200 dual core rodando a 1,4 GHz, mais GPU Adreno 305), 1 GB de RAM, 16 GB de espaço interno, tela de 4,5 polegadas com resolução qHD (960×540 pixels) e câmeras frontal e traseira, com 2 e 8 mega pixels, respectivamente. No universo Android, seria no máximo um mid-range, algo para bater de frente com o Moto G, da Motorola.
Especificações não contam toda a história. A centralização da produção de hardware e software é um diferencial e, na prática, pode ser que tais números se traduzam em uma experiência suave, livre de engasgos ou lentidão. Pesa contra o status “beta” do Sailfish OS, e por € 399, algo em torno de R$ 1.260, o Jolla não é exatamente barato. Mas vamos dar um desconto: o MeeGo era um sistema bem acertado e vê-lo voltar à ativa com melhorias é, no mínimo, empolgante.
Foto: Jolla/Reprodução.
Empolgante, mas passível de dúvidas. O Jolla não tem botões físicos, toda a interação se dá por gestos. Embora eles não sejam coisa de outro mundo, são vários — vide as imagens abaixo. Existe uma curva de aprendizado em um dispositivo que as pessoas tomam como certo o manuseio — ou alguém aí lê o manual do celular antes de começar a usá-lo? Ser diferente é legal, mas é também um entrave para consumidores menos conscientes do que é a Jolla e o que ela representa.
Ações com widgets.
Gestos em apps.
Gestos na tela inicial.
Minimizar apps.
Quebrada essa barreira inicial, imagino que o usuário se sinta em casa com o sistema de gestos e a bela interface do Sailfish OS. Claro, só testes empíricos podem dar essa exata noção, mas os vídeos demonstrativos apresentam um sistema rápido e esperto, com uma multitarefa que se confunde com widgets e um padrão visual de muito bom gosto. No papel, é um sistema correto, coeso.
Se o Sailfish OS inspira um misto de empolgação e desconfiança, a ideia das capinhas multifuncionais é genial por consenso. A Jolla chama o conceito de “A Outra Metade”. Essas capas podem incorporar funções físicas ao smartphone graças ao padrão I²C, da NXP:
Não se sabe muito bem até onde a flexibilidade d’A Outra Metade vai, mas ideias malucas não faltam, algumas delas renderizadas pelo designer Caprico nesta imagem:
Um teclado físico, uma câmera melhor, mais bateria, NFC… A simplicidade do padrão I²C faz com que o smartphone incorpore a “metade” anexada automaticamente, de forma quase orgânica. Quando uma é acoplada, o Sailfish a identifica sozinho, muda a interface e se adapta para fazer uso da função que a capa em questão traz. É uma versão simplista do conceito Phoneblok, mas o importante é que é uma funcional.
Não há expectativa de quando o Jolla cruzará as fronteiras finlandesas e chegará a outros países. Quem financiou a campanha de crowdfunding da empresa receberá um por agora. A venda direta no varejo ou via operadoras, por ora é algo incerto — mas apostar na China, onde a empresa tem escritórios e um centro de P&D, é uma boa.
Adaia: smartphones duros na queda para aventureiros
Foto: Adaia/Reprodução.
Se o Jolla se esforça para dar continuidade ao software característico da velha Nokia, a Adaia, fundada em maio também por ex-funcionários da empresa e liderada por Heikki Sarajarvi, busca manter viva a alardeada durabilidade dos seus celulares, ainda que por um motivo bem mundano: Sarajarvi destruiu três smartphones em uma viagem de barco de três meses em 2011. “Não posso ser o único que destrói esses smartphones fazendo coisas absolutamente normais”, disse para si mesmo.
A Adaia quer ser sinônimo de smartphones aventureiros. No pouco que já divulgou, não se interessou muito em falar sobre especificações e software, mas em ressaltar como seus aparelhos serão duráveis. Além de “casca grossa”, eles terão conectividade via antenas e satélite, para manter o usuário conectado mesmo nos lugares mais remotos do planeta.
Espera-se que o primeiro modelo, por ora um protótipo chamado Blackcomb, seja lançado em algum ponto de 2014. A Adaia, que conta com 16 funcionários, firmou parcerias para torná-lo realidade: para o design, que lembra uma planta topográfica (imagem acima), fechou com o DesignworksUSA, grupo pertencente à BMW; para os componentes internos, com a Elektrobit.
O Blackcomb não será barato, como todo equipamento feito para resistir a condições adversas, e deverá ser um produto de nicho. Talvez você nunca mais ouça falar da Adaia, e está tudo bem — nem todo mundo tem uma veia aventureira tão pulsante.
Newkia = Nokia + Android
“O acordo reflete a falha completa da estratégia com Windows que Stephen Elop escolheu quando foi indicado a CEO da Nokia dois anos atrás. (…) A Nokia, que há apenas três anos era líder mundial de telefones móveis, é hoje uma marca pequena e insignificante.”
Com essas palavras em mente, Thomas Zilliacus, que tem no currículo 15 anos de trabalhos prestados à Nokia e mais três como consultor, fundou a Newkia em Cingapura no mesmo dia em que foi anunciada a venda da Nokia à Microsoft por US$ 7,2 bilhões. Acusando a Nokia de arrogância e estagnação, Zilliacus quer, com a Newkia, fazerdo jeito que ele acha certo: casar o hardware de ponta da Nokia com o sistema mais popular do mundo, o Android.
Essa dobradinha, o sonho de muita gente, ainda tem uma longa jornada até se concretizar em um aparelho comercial, embora, nas palavras do fundador, esteja “andando rapidamente rumo à distribuição [do primeiro aparelho]”. Nessa semana a Newkia ganhou um CEO, Urpo Karjalainen. Em seu currículo, 20 anos de Nokia e o cargo de chefe de operações de negócio de alguns mercados emergentes da BlackBerry até março deste ano.
Apoio à Newkia parece não faltar. Zilliacus recebeu mais de 50 emails de funcionários da Nokia quando anunciou sua nova empreitada, vários com currículos anexados pedindo uma vaga em sua empresa.
Sabe aqueles universos paralelos que a gente imagina vez ou outra? Algo como iPhone rodando Android, ou notebooks da HP/Dell com o OS X? A Newkia tornará um deles realidade. Se um Nokia com Android será sucesso ou não, não dá para prever, mas curioso pelo menos isso será.
O que sobrou para a Nokia?
Foto: Rodrigo Ghedin.
A divisão de dispositivos da Nokia vendida à Microsoft era parte da empresa. A mais popular junto às pessoas comuns, mas apenas parte. Com a sua venda, o que sobrou da Nokia foi dividido em três áreas:
Equipamentos de rede (Nokia Solutions and Networks).
Serviços de geolocalização (HERE Maps).
e “Tecnologias Avançadas”.
Em julho desse ano a Nokia comprou a parte da Siemens no acordo que tinha com a empresa desde 2006 na primeira dessas três áreas. Essa divisão, lucrativa, torna a Nokia a quarta maior empresa fornecedora de equipamentos de telecomunicações do mundo, atrás de Ericsson, Huawei e Alcatel-Lucent.
Os serviços de geolocalização, consolidados sob a marca HERE, são outra força — embora longe de ser tão rentável quanto a NSN. A Nokia entrou pra valer nesse mercado em 2007, quando comprou a Navteq. Hoje, além de servir seus próprios aparelhos, ela licencia a tecnologia para outras fabricantes, de smartphones (Jolla e Windows Phone usam mapas HERE) a carros.
Por fim, em “Tecnologias Avançadas” ficam abrigadas as propriedades intelectuais da Nokia, incluindo as mais de 10 mil patentes que a empresa possui.
A nova Nokia não é tão empolgante quanto a que nos deu o N95, N9, Lumia 800 e o lendário 1100, o celular mais vendido do mundo. É uma empresa enxuta, que foca em fazer menos coisas, e só as mais lucrativas ou com potencial para fazer dinheiro. É meio triste se pensarmos no legado que fica pelo caminho, engolido pela Microsoft, mas é bom saber que ex-funcionários darão continuidade a ele, com novas empresas, sistemas e propostas.
Ano passado a LG apresentou a linha Optimus L, composta por smartphones low-end e mid-range com preços atraentes e desempenho agradável principalmente nos modelos mais simples. Em 2013, sem muita criatividade e com poucas mudanças, a LG lançou a segunda leva desses aparelhos chamando-a de L II.
Um review rápido é o que o nome diz: a análise de um gadget feita com menos detalhamento do que reviews convencionais. Como sou um só e às vezes o volume de aparelhos é maior do que a minha capacidade de analisá-los, a saída encontrada para falar um pouquinho do excedente sem correr o risco de fazer julgamentos precipitados foi encurtar esses reviews.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Optimus L7 II é o modelo mais robusto desses novos — o L9, que existia na primeira geração, não fez a transição para a atual. Ele conserva diversas características do seu antecessor e traz algumas melhorias interessantes, ainda que insuficientes para destacá-lo — o que, convenhamos, é bem difícil no mar de smartphones Android.
Nos Optimus L do ano passado o design angular era um diferencial questionável. Os aparelhos eram bem quadrados, impactando até a ergonomia. O L7 II é diferente, assemelha-se mais ao padrão de outros aparelhos e fabricantes, com cantos e bordas traseiras arrendondadas. Ele é confortável de segurar.
Foto: Rodrigo Ghedin.Da esquerda para a direita: Nexus 4, caneta BIC, Optimus L7 II e iPhone 5. Foto: Rodrigo Ghedin.
O acabamento é todo de plástico e para desespero de quem tem TOC com limpeza a tampa de trás é em black piano, aquele ímã de impressões digitais. Ela sai com facilidade, revelando a bateria e os slots para o SIM card e cartão micro SD — um de 4 GB acompanha o aparelho. Há ainda, no mercado local, o L7 II Dual, com suporte a dois SIM cards.
Na frente, chamam a atenção a borda prateado e o botão principal que traz um LED multicolorido no seu contorno, como o Optimus G Pro. Vem desse phablet, aliás, outro toque exclusivo: o botão extra do lado esquerdo, acima dos de volume, configurável nas opções do sistema.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Configurações medianas com dois destaques
A tela do L7 II mantém a tradição da LG de fabricar painéis bonitos. Ela tem 4,3 polegadas, painel IPS, boa fidelidade de cores. Só escorrega na resolução, de 800×480, o que não chega a incomodar na maior parte do tempo, mas revela serrilhados na hora de reproduzir vídeos, jogos e fontes pequenas àqueles com olhos mais atentos. De qualquer forma, com 217 pixels por polegada é uma tela bacana.
Detalhe curioso (e chato): não há controle automático do brilho. Isso passa numa boa em modelos de entrada, mas para um que se posiciona como mid-range é uma ausência estranha.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Para mostrar o que aparece na tela e receber os comandos do usuário, o L7 II conta com um Snapdragon S4 Play, um SoC mediano com processador Cortex-A5 dual core de 1 GHz, GPU Adreno 203 e 768 MB de RAM. Está longe de ser ruim; ele lida bem com o Android e as intervenções da LG no sistema, e na maior parte do tempo não é impedimento ao bom uso do smartphone. Mas basta exigir um pouco mais, com um jogo ou intensificando o uso da multitarefa, que algumas engasgadas se fazem notar.
O L7 II não foge à regra e, a exemplo dos demais Androids da casa, vem com uma camada extra sobre o Android (4.1.2, no caso), a Optimus UI. Elementos visuais e configurações, quando aplicáveis, são os mesmos do Optimus G Pro, incluindo o QuickMemo – que em uma tela abaixo das 5 polegadas não faz lá tanto sentido. As críticas feitas à Optimus UI no último review se repetem aqui: as alterações são feias, a usabilidade é pior que a do Android puro e, ainda que existam, é difícil encontrar pontos onde ela se justificam no sentido de serem benéficas ao usuário.
A câmera de 8 mega pixels é o que se esperaria de uma topo de linha em celulares há dois anos: passável em ambientes com bastante luz, sofrível com luz artificial e proibitiva em locais com baixa iluminação. É relativamente fácil deparar-se com ruído e o baixo alcance dinâmico atrapalha. Novamente: para um mid-range, está de acordo. São fotos que ficam bonitas em redes sociais, redimensionadas, e que são suficientemente boas para guardar para a posteridade. O mesmo não pode ser dito dos vídeos, dada a incapacidade de filmar em alta definição. O L7 II só grava vídeos em 480p a 30 quadros por segundo, o que é uma pena.
Além da tela, a bateria é outro ponto que se destaca no L7 II. Ela tem 2460 mAh, um valor alto nesse patamar. A título comparativo, o modelo anterior tinha uma bateria de 1700 mAh e alguns concorrentes do atual, como o Xperia M, da Sony, e o Lumia 620, da Nokia, ficam bem abaixo do que o L7 II oferece — 1750 e 1300 mAh, respectivamente. Dá para ficar mais de um dia longe da tomada com esse smartphone, uma coisa sempre boa independentemente da faixa de preço em que ele se insere.
Como telefone o aparelho cumpre bem o que se espera de um. O alto-falante traseiro, porém, é um tanto ruim, com volume baixo e um som pobre, carente de detalhes e graves. Os fones de ouvido que vêm na caixa são bem ruins também.
Vale a pena comprar um Optimus L7 II?
Foto: Rodrigo Ghedin.
Quando lançado no Brasil, em abril, o L7 II com suporte a um SIM card tinha o preço sugerido de R$ 929. Hoje é encontrado em lojas virtuais confiáveis por valores que variam de R$ 720 a R$ 800, o que o coloca em choque com aparelhos bem atraentes.
O Nexus 4, também da LG, está em promoção eterna no varejo local e, enquanto não esgotarem os estoques, é a melhor compra não só nessa faixa, mas de todas do mercado. A uma cabeça de distância aparece o Moto G, da Motorola, que bate o L7 II em praticamente todos os quesitos e tem preço sugerido quase R$ 100 mais barato que o aparelho da LG já com descontos promocionais aplicados. Outros modelos correm por fora, como o Lumia 720, da Nokia, e o Xperia L, da Sony.
Comprar o Optimus L7 II não é mais um bom negócio. E é compreensível: ele foi lançado há oito meses, uma eternidade em se tratando de smartphones que parece ainda maior entre os modelos de entrada e intermediários. Se vê-lo em alguma promoção agressiva, porém, de repente pode ser uma boa. Apesar das mexidas infelizes da LG no Android e do SoC mediano, tela e bateria ainda estão acima da média e são capazes de deixar qualquer dono de um L7 II bem contente.
“Nossa, que grande!” é o que mais se ouve de quem vê o Optimus G Pro pela primeira vez. Lançado no Brasil no final de agosto de 2013, o telão de 5,5 polegadas realmente se destaca, mas há outras qualidades (e estranhezas) neste phablet da LG.
O Optimus G Pro foi anunciado durante o World Mobile Congress, na Espanha, em fevereiro deste ano. Na época, chamou a atenção por ser o primeiro smartphone com o então novo Snapdragon 600, SoC poderoso da Qualcomm, e por trazer diversas características superiores às do Galaxy Note II, da Samsung, concorrente direto na briga de grandões no universo Android.
A demora em chegar ao Brasil desgastou o brilho do aparelho? O que a LG fez para diferenciá-lo dos outros phablets? Com LG G2 e Galaxy Note 3 já disponíveis por aqui, ele ainda é uma boa compra? Tentarei responder essas e outras dúvidas neste review.
Review em vídeo
Amor e ódio com o tamanho
Foto: Vitória “Toia” Santos Cruz.
Para meu alívio, o Optimus G Pro coube em todas as calças e shorts em que tentei colocá-lo. Faltar espaço ali para colocar o phablet era o maior temor antes de receber essa unidade de testes, e um justificável, afinal são 150,2 x 76,1 x 9,4 mm.
Apesar da relação harmoniosa com os bolsos, o tamanho avantajado cobra seu preço em diversas situações. O manuseio com uma mão é difícil, mesmo com os truques de jogar os teclados para um dos lados da tela e as pequenas decisões de design que melhoram a empunhadura — bordas traseiras arredondadas, botões laterais colocados no meio do corpo, em vez do topo, e largura e moldura da tela mais finas. Alcançar o botão home (físico) e os táteis que o ladeia também é um exercício de malabarismo dos mais chatos, com o risco iminente de tocar a base da tela e desencadear algum comando sem querer. Bônus indesejado: a LG substitui o botão de multitarefa do design padrão do Android pelo de menu, e isso afeta a Action Bar de todos os apps. Afinal, para que seguir um padrão se podemos mudar tudo?
Quanto mais cedo se admite que o Optimus G Pro, a exemplo de todo phablet, é aparelho para duas mãos, mais rápida é a adaptação a ele.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Embora tenham nomes parecidos, a LG posiciona o Optimus G Pro em uma categoria diferente da do Optimus G. A desse último seria a linha premium, que privilegia acabamento e design; a segunda, na qual se insere o Optimus G Pro analisado aqui, é a linha desempenho, com foco, também, em ergonomia.
Essa ruptura com o Optimus G, apesar da nomenclatura e visual similares, fica bem evidente quando se pega os dois na mão. O perfil fino, leve e com acabamento envidraçado dele (e do Nexus 4) cede lugar, no Optimus G Pro, ao plástico e soluções ergonômicas, citadas acima, para tornar o uso de um phablet mais natural.
São esforços válidos, mas em termos de design parece um passo atrás. O Optimus G Pro não é selado, ou seja, é possível remover sua tampa traseira e trocar a bateria, algo raro em smartphones topo de linha hoje. O plástico não tem um aspecto barato, parece resistente e tem até uma textura visual de quadradinhos brilhantes similar à dos irmãos com vidro menores, mas o conjunto é, de fato, menos “premium” que nesses outros. Ele também é pesado, com 172 g, embora seja algo esperado para um aparelho tão grande.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Bem servido de portas e botões, o Optimus G Pro guarda algumas invencionices legais. O conjunto básico está lá: porta micro USB, microfones (um normal, para falar, e outro para cancelamento de ruídos), botões de volume e liga/desliga e saída de áudio. Ao lado dessa última, começam as surpresas: um sensor infravermelho.
Alguns modelos high-end recentes, como Galaxy S 4 e HTC One, vêm com ele. No phablet da LG, o app QuickRemote pré-instalado permite usá-lo para interagir com diversos aparelhos da casa. Testei com uma TV Samsung e funcionou muito bem. Como é mais fácil perder o controle remoto do que o celular, é um recurso bem-vindo.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Na lateral esquerda reside algo ainda mais único, um botão configurável. Por padrão ele ativa o QuickMemo, outro app da LG que, no caso, transforma a tela que está sendo exibida em um caderno de desenhos. Dá para fazer anotações, setas, desenhar, enfim, o que quiser e, depois, salvar o trabalho no Caderno, o app que gerencia essas anotações, ou compartilhá-lo — só faltou uma stylus para aproveitar melhor isso, né? (Outra forma de abrir o QuickMemo é clicando no primeiro slider da área de notificações.)
Nas opções do Android, a Tecla rápida, como a LG a chama, pode ganhar funções variadas, inclusive abrir e servir de disparador para a câmera, como é padrão nos Windows Phones.
Por fim, o LED de notificações é enorme. Na verdade, ele é a borda do botão home frontal, que é grande, logo… Chama a atenção, talvez até demais. Prefiro soluções mais sutis como a do Nexus 4.
Solta o som e desligue as luzes: que bela tela você tem!
Foto: Rodrigo Ghedin.
Se você precisa de algum motivo para comprar este phablet (ou explicar aos amigos por que comprou um), aposte na tela. A LG talvez seja quem faça as melhores telas de celulares hoje e o Optimus G Pro é o ápice dessa arte: 5,5 polegadas, resolução de 1920×1080, densidade de 401 pixels por polegada, painel IPS. Traduzindo: uma tela estonteante.
Esperta que só, a fabricante ainda inclui alguns vídeos demonstrativos que fazem pulsar a telona. A qualidade dessa tela é assombrosa de tão boa. Graças ao SoC poderoso, lidar com vídeos na resolução nativa, Full HD, não é problema. O que talvez cause um gargalo aqui é o espaço de armazenamento, de apenas 16 GB na versão brasileira (lá fora é de 32 GB), pouco para vídeos de alta resolução. Essa escassez de espaço pode ser remediada com o uso de um cartão microSD de até 64 GB.
A sonzera sai de um alto-falante solitário ao lado da câmera. Não impressiona, no volume máximo se notam distorções bem aparentes, mas na falta de fones de ouvido, quebra o galho.
Por falar em fones, os que acompanham o produto são bem bacanas. Bom isolamento acústico, graves ok e atenção aos detalhes. São feios que doem, mas oferecem boa qualidade sonora.
Desempenho e bateria
Foto: Rodrigo Ghedin.
Não há muito o que reclamar do hardware do Optimus G Pro. Com um Snapdragon 600 composto por um processador quad-core de 1,7 GHz e GPU Adreno 320, mais 2 GB de RAM, ele voa. Nem mesmo a skin esquisita da LG afeta o desempenho do phablet, que é notável. Ele é rapidíssimo, inclusive em jogos intensivos como Real Racing 3.
A bateria tem 3040 mAh e uma tecnologia que a LG chama de SiO+. Ela acrescenta partículas de silício na composição da bateria que, segundo o site oficial do Optimus G Pro, aumentam sua densidade. O resultado é uma recarga mais rápida e duração estendida de 5% a 25% em comparação a uma bateria similar sem essa tecnologia.
No mundo real, a autonomia do Optimus G Pro agrada. Diferentemente do que 3040 mAh nos leva a pensar, ela não se converte em dias de despreocupação com recarga, como no RAZR MAXX, da Motorola, ou no Honor, da Huawei. A tela provavelmente compromete a bateria, mas não a ponto de torná-la sequer mediana. Dá para passar um dia longe da tomada sem sustos.
O Optimus G Pro vem com uma câmera traseira de 13 mega pixels, sensor de 1/3,06 polegada e lente com abertura f/2,4. Ela não traz nada espetacular como as câmeras PureView, mas gera resultados satisfatórios e o software se aproveita do poder de processamento do Snapdragon 600 para oferecer diversos truques, uns curiosos, outros úteis.
Anote aí: disparo por voz, captura prévia de imagens (tira fotos antes e depois do disparo para o usuário escolher as melhores), modo panorama VR (igual o PhotSphere do Android 4.2), câmera dupla para fotos e vídeos, modo automático inteligente, focagem manual ou automática (com um incomum slider no primeiro) e estabilização de imagem para filmagens.
A câmera é rápida, as fotos saem boas, considerando ser um smartphone, e enormes na configuração padrão, graças aos 13 mega pixels. Em certas circunstâncias as imagens saem um pouco lavadas e em condições extremas, como cenários naturais com muitas folhas ou outros elementos pequenos em grande quantidade, perde-se um pouco de definição. No geral, porém, as fotos são acima da média, com imagens bem definidas e bonitas. À noite, mesmo com pouca iluminação é possível obter resultados aceitáveis.
Crop de 100% de uma foto em ambiente interno, com iluminação natural:
Crop de 100% em uma foto.
O HDR também é legal (lado esquerdo normal, lado direito com HDR ativado):
Foto: Rodrigo Ghedin.
E algumas amostras em condições variadas:
Optimus UI
As fabricantes sul coreanas têm certo fascínio pela natureza. A Samsung usa muito esse tema na promoção e inclusão de recursos da linha Galaxy S e a LG, com a nova Optimus UI, também recorre a campos verdejantes, gotas d’água e nuvens no tapa visual que dá no Android.
O Optimus G Pro vem com o Android 4.1.2 profundamente modificado. Dos elementos de interface às opções, tudo passou por um tratamento de beleza. Um tanto duvidoso, diga-se de passagem.
Embora a combinação de hardware potente com anos de trabalho tenha acabado com a fama de lentidão das skins de fabricantes, é difícil superar o trabalho de UI/UX e design do Google — é difícil superar o Android puro. Em alguns pontos a Optimus UI mais confunde do que ajuda e, em termos estéticos, é raro encontrar alguma parte dela que seja mais bonita do que a do visual base do sistema.
Um local emblemático é a área de notificações. Boa parte do espaço dela se perde para atalhos rápidos, os aplicativos QSlide (que flutuam sobre a tela e rodam em paralelo com outro app) e o slider de brilho. Tudo bem que a tela é enorme, mas as notificações também o são e, nessa alteração, quase metade da área destinada a elas é ocupada por elementos intrusos.
Outra coisa que incomoda deveras é a preocupação exagerada com RAM, gerenciador de tarefas, administração de apps. Parece um viagem no tempo, de volta aos anos 1990 a bordo de um Windows 98. A LG destina um widget específico para mostrar quanto dos 2 GB de RAM está em uso, criou um app dedicado à administração de apps abertos e coloca, na tela de multitarefa, atalhos rápidos para forçar o fechamento de todos os apps que estão na memória.
De verdade: não precisa de nada disso.
2 GB de RAM sobra para o Android hoje. Fosse em um aparelho comprometido nesse aspecto, com… sei lá, 512 MB, seria compreensível — ainda que o adjetivo “vantajoso” permaneça questionável. No Optimus G Pro, isso tudo é bobagem. O Android gerencia a memória bem e o único efeito que saber quanto de RAM está em uso tem no usuário é o de paranoia ao ver muito dela está ocupada. Normal: memória existe para ser usada, não economizada.
As intervenções visuais na Optimus UI são, na maioria das vezes, deselegantes. As nuvens no app drawer, os ícones redesenhados, os seletores dos menus, a animação ao alternar as telas iniciais, tudo é esquisito, parecem partes distintas que não conversam entre si e destoam drasticamente das diretrizes de design do Android que, nos apps (bem feitos), aumentam ainda mais essa sensação de estranheza e distanciamento visual.
Está tudo perdido? Não. Há coisas para se gostar na Optimus UI. A tela de desbloqueio possui atalhos rápidos bem úteis e os apps QSlide oferecem um workflow multitarefa bastante versátil. O recurso que mantém a tela ativa monitorando o olhar do usuário é bacana, bem como o que pausa um vídeo quando quem o assiste olha para outra direção — infelizmente, esse só funciona no player nativo.
As opções, aliás, merecem um pente fino: várias configurações interessantes ou mal definidas por padrão se escondem ali. Exemplo? O teclado, que por padrão vem com o método swipe de escrita e a correção automática desativados.
Um grande phablet
Foto: Rodrigo Ghedin.
Como todo bom Android, três meses após ser lançado por aqui o Opimus G Pro, cujo preço sugerido é de R$ 2.099, já pode ser encontrado por menos de R$ 1.600 em lojas virtuais confiáveis. É um preço bem tentador para um aparelho que ainda é capaz de segurar o status de high-end, e que fica ainda mais interessante quando comparado ao seu concorrente direto, o Galaxy Note 3, cujo preço sugerido é de R$ 2.800. Ouch!
Existem poucos motivos para desgostar do Optimus G Pro, mas esses poucos podem ser insuportáveis. O tamanho é o primeiro e mais óbvio: nem todo mundo gosta de andar com um negócio tão grande e destacado no bolso. Colocá-lo no rosto para conversar (ah é, ele faz ligações também, e nada a reclamar nesse ponto) é quase cômico. Em contraponto aos vídeos de tirar o fôlego e joguinhos imersivos proporcionados pela sua bela e grande tela está o tamanho físico, que afugenta quem prefere tamanhos mais manuseáveis e dificulta o uso.
A outra baixa é a personalização do Android. É feia e esquisita, um choque para quem, como eu, está habituado ao sistema puro, como concebido pelo Google. Pelo menos não notei engasgadas ou travadas de qualquer espécie, algo que, no passado (e, dizem, com alguns modelos atuais de outras fabricantes) era um problema crônico derivado das skins de fabricantes. O Optimus G Pro é um foguete.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Apresentam-se como opções de phablets no mercado nacional o Optimus G Pro e o Galaxy Note 3. No custo-benefício, o modelo da LG é imbatível. Além do preço, em termos gerais ele é ótimo. Se phablets forem a sua praia, é um aparelho a se considerar bastante.
Sem alarde (não precisava mesmo), o Google finalmente oficializou o Nexus 5, novo smartphone que, como sempre acontece com o Android, traz de carona uma nova versão do sistema, funcionando como uma espécie de modelo de referência para a plataforma.
O Nexus 5 já era conhecido de todos. Ele vazou inteiro, das especificações ao visual. O aparelho é tudo o que se esperava, uma peça de hardware aparentemente sensacional. Combinado com o Android 4.4 KitKat, acho que é bem seguro dizer, mesmo sem ter tido a chance de colocar as mãos em um ainda, que o Nexus 5 se posiciona como o melhor Android à venda, brigando fácil com iPhone 5s pelo posto de melhor smartphone da atualidade.
A essa altura você já deve ter lido e visto muita coisa sobre Nexus 5 e Android 4.4 KitKat, então vamos embarcar naquela viagem já tradicional pelas entrelinhas e detalhes mais sutis.
Nexus 5
Foto: Google/Reprodução.
Mas antes, aquele passeio habitual pelas especificações do aparelho que, novamente, foi feito em parceria com a LG.
Por baixo da tela, aparece um Snapdragon 800, 2 GB de RAM, memória interna de 16 ou 32 GB (dobrando os valores oferecidos no Nexus 4), suporte a redes 4G LTE (inclusive as frequências brasileiras, na versão internacional), tela de 4,95 polegadas com resolução de 1920×1080 (resultando em uma densidade de 445 pixels por polegada) revestida com Gorilla Glass 3 e câmera traseira de 8 mega pixels com estabilização ótica de imagem. O acabamento mudou também: sai o vidro da parte de trás, entra o material do último Nexus 7, um tipo de plástico com textura suave. E desde já, ele está disponível nas cores branco e preto.
É uma senhora configuração, com o que há de mais moderno no mercado. Apesar do aumento da tela, fisicamente ele cresceu pouco: ficou 4 mm mais alto e 0,5 mm mais largo. A explicação é que a tela está mais “fina” graças à proporção 16:9 (contra a de 5:3, em decorrência dos botões virtuais fixos até o Android 4.3, vista no Nexus 4). Tela que, à parte as polegadas extras e resolução apurada, continua a mesma ótima do modelo anterior. Não sei ao certo tudo o que a LG quer dizer com True Full HD IPS Plus LCD, mas para mim essa combinação de letrinhas soa como “tela incrível”.
O mais impressionante é que o Nexus 5 ficou mais fino e mais leve que o Nexus 4. São 8,6 mm contra 9,1 mm de espessura, e 130 g contra 139 g de peso, respectivamente. E isso com um ligeiro incremento na bateria, que agora conta com 2300 mAh contra 2100 mAh da versão passada. Nessa brincadeira, o Google e a LG prometem mais tempo longe da tomada em stand by, porém menos falando ao telefone.
Outra coisa muito legal que aparece ali é a estabilização ótica de imagens, um mecanismo embutido na câmera que ajuda a dar firmeza na hora do disparo. Existem smartphones no mercado que contam com essa tecnologia, como os Lumias da Nokia com câmeras PureView e o One, da HTC, mas não é, ainda, uma característica padrão na indústria, o que torna surpreendente vê-la no Nexus 5. Embora a linha não seja exatamente sinônimo de baixo custo (mesmo com os preços irrisórios), ela não costuma lançar tendências. As vantagens são fotos melhores no escuro, menos incidência de imagens tremidas e HDR de verdade — que o Google chama de HDR+.
O Google não diz exatamente quais ou como são, mas entrega, nas novidades do Android 4.4 para desenvolvedores, a presença de novos sensores de baixo consumo energético para a coleta de movimentos — como aquele chip que integra o SoC customizado do Moto X e o chip M7, do iPhone 5s.
Duas novas APIs, TYPE_STEP_DETECTOR e TYPE_STEP_COUNTER, são capazes de identificar quando o usuário está andando, correndo ou subindo escadas, e guardar esses dados de maneira centralizada para distribui-los aos apps que os requisitarem. O Google diz estar trabalhando junto a fabricantes de chipsets para levar esses sensores a outros smartphones, o que significa que os atuais não devem se beneficiar da novidade.
Vem também do Moto X um Google Now mais presente. A ativação por voz está lá (“Ok Google”), mas não é persistente como no smartphone da Motorola. No Nexus 5, ela funciona com o aparelho desbloqueado. Outra opção é arrastar a tela inicial da esquerda para a direita. Vai funcionar também.
Além de incrementar o Google Now, o serviço passa a trabalhar com apps. São dez no lançamento, então quando você pesquisar por um restaurante, por exemplo, ele é capaz de trazer resultados do OpenTable. Com um clique, o usuário passa da busca do Google para o restaurante escolhido no app, onde pode fazer a reserva normalmente. A intenção é expandir essa integração para mais apps e, no futuro, fazer com que ela funcione mesmo com aqueles não instalados.
A cereja do pudim no Nexus 5 é o Android. Puro, sem modificações duvidosas, com o melhor que o Google oferece. Usar o sistema assim, como foi concebido, é uma experiência completamente diferente da de um Galaxy ou Optimus da vida. Bem melhor, se me permitem o comentário. O Moto X parece ser o primeiro aparelho fora da linha Nexus a levar essa abordagem ao grande público e, mais que isso, ele antecipou alguns recursos que só agora chegam ao Android limpo. Quais? Vejamos esses e mais algumas novidades, no momento, exclusivas do Nexus 5.
Android 4.4 KitKat: desempenho e design mais democráticos
Foto: Google/Reprodução.
A natureza “aberta” do Android é uma coisa intrigante. Muitas fabricantes adotam o sistema, sambam em cima dele, entregam soluções pioradas aos consumidores que xingam a mãe do Andy Rubin mesmo sem saber quem é esse cidadão. A vida segue, o Android evolui, muitos aparelhos morrem sem ver atualizações e acabam manchando a reputação do sistema.
Assim, aos trancos e barrancos, a plataforma evolui a passos (bem) largos. A virada aconteceu com o Ice Cream Sandwich, ou Android 4.0, que trouxe com muito atraso uma linguagem visual consistente e diretrizes de design na forma do tema Holo. O Android ficava, enfim, bonito.
Com o Android 4.1, veio o Project Butter para suavizar animações e aumentar a sensação de velocidade do sistema. Transições ficaram mais bonitas e aquela sensação de “travado”, pelo menos em equipamentos high-end (e, arrisco dizer, com Android puro), se foi. No Android 4.4 KitKat, o processo se intensifica com foco nos low-end.
Project Svelte
Batizado de Project Svelte, a intenção desse esforço é melhorar o desempenho do Android em smartphones com 512 MB de RAM. Isso, para os padrões atuais, é bem pouco. Como fazer essa mágica? Otimizando o uso da memória, um dos componentes mais caros da construção de um aparelho.
O Google refez algumas partes primárias do sistema para que ele se torne mais amigo da memória. De todas as novidades, a maioria técnica e que me foge completamente, duas chamam a atenção por serem compreensíveis e, no papel pelo menos, certeiras:
A nova API ActivityManager.isLowRamDevice() permite que desenvolvedores definam comportamentos distintos para o app de acordo com a quantidade de memória disponível. Com ela aplicada, um app será capaz de deixar de lado certos recursos em prol dos mais vitais, que aproveitarão toda a (escassa) memória disponível.
Proteção do sistema de memória contra apps gulosos. Na descrição do Google: “Quando vários serviços abrirem ao mesmo tempo — como quando a conectividade de rede muda –, o Android agora abrirá os serviços de forma seriada, em pequenos grupos, para evitar a demanda por picos de memória”. É como se antes o Android tentasse engolir um pão inteiro e, agora, ele cortasse esse pão em fatias e comesse uma de cada vez.
Tais mudanças devem impactar até mesmo dispositivos de ponta e, para dar o exemplo, todos os apps do Google (que não são poucos) foram atualizados para refletirem essas mudanças.
Sempre me fascina como alguns softwares são tão eficientes a ponto de rodarem bem em máquinas que, hoje, se arrastam por meramente existir. O IrfanView, do Windows, é talvez o melhor exemplo que eu conheço. Nos smartphones, o Moto X é outro bom caso de otimização, no caso do Android — mesmo com um SoC do ano passado e dual core, ele se sai bem contra modelos com especificações mais parrudas. Deve ser um desafio otimizar um sistema que será usado em centenas de dispositivos e servirá de base para milhões de aplicações, mas sempre dá para fazer.
O Google justifica esse esforço, em seu blog oficial, na busca pelo próximo bilhão de usuários de smartphones. É fácil encontrar smartphones que sofrem para rodar o Android em países subdesenvolvidos, e é nesses que o foco do Project Svelte está ajustado. Em vez de vir com o datado Gingerbread (2.3) ou um Jelly Bean (4.1-4.3) se arrastando, a promessa é de que o KitKat será a melhor opção mesmo para dispositivos básicos. É uma abordagem diferente da da Nokia, que aposta em uma linha básica e totalmente diferente das suas mid-range e high-end na busca pelo próximo bilhão.
Interface adaptável: os apps e o conteúdo brilham
Foto: Google/Reprodução.
O azul característico do tema Holo praticamente some no Android 4.4 KitKat. Diversos elementos dessa cor existentes até o Jelly Bean ficaram brancos e/ou agora usam variações de sombra para indicarem quaisquer coisas. A tela de bloqueio agora exibe álbuns de música em tela cheia quando algum player está em execução e, logo de cara, informa ao usuário que ele está diante de um sistema um bocado mais elegante.
Nos apps, agora cabe ao desenvolvedor/designer decidir o tom predominante nos pontos de interação da aplicação — ícones, caixas de seleção, barras de rolagem etc. Imagine, por exemplo, as seleções e toques no WhatsApp e no Hangouts ficando verdes; no Google Keep, amarelas; mais ou menos isso.
O Android respira melhor na versão 4.4. Expandindo a barra de navegação do Moto X, na nova versão do sistema ela e a de status, onde aparecem ícones de notificação e o relógio, são translúcidas. Gradientes sutis garantem a legibilidade e a interface parece mais leve com essa mudança.
Fotos: Google/Reprodução.
O problema dos botões da barra de navegação persistentes em apps que rodam em tela cheia foi resolvido. De duas formas, na realidade: uma em que um toque revela as barras, e outra, destinada a jogos, apps de leitura e outros que exigem toques constantes na tela, que é ativada ao deslizar o dedo a partir de uma borda da tela. O modo tela cheia imersiva resolve o problema crônico dos toques acidentais nos botões de navegação virtuais durante sessões de jogos e fazem com que apps em tela cheia não tenham que dividir a atenção do usuário com elementos da interface.
Foto: Google/Reprodução.
Para fechar esse pacote de agrado ao que o usuário vê, um novo framework de transições promete animações ainda mais suaves e variadas, sem afetar o desempenho dos apps.
Outras novidades do Android 4.4
A lista de adições e mudanças no Android 4.4 é longa. Daria facilmente para chamá-lo 5.0 pela extensão dela. Abaixo, algumas outras interessantes:
Framework de impressão — para impressoras Wi-Fi e compatíveis com serviços como Google Cloud Print e HP ePrint.
Framework de acesso a serviços de armazenamento, o que deve facilitar o uso de serviços concorrentes do Google Drive, como Box.net e Dropbox, de forma padronizada em apps. O QuickOffice, do Google, será um dos primeiros a dar suporte a esse novo recurso.
Suporte a gravação de vídeos da tela. Os vídeos são salvos no formato MP4 e devem ser um adianto para quem precisa preparar aulas, fazer walkthroughs e outras atividades que dependam de gravar o que aparece na tela do smartphone ou tablet.
Discador inteligente que tenta identificar números comerciais quando o usuário disca para algum e vice-versa — buscar números de estabelecimentos a partir do discador, sem entrar diretamente no Google Maps.
O WebView do Android agora é baseado no Chromium. Traduzindo: páginas web emolduradas em um app antes usavam o motor do antigo navegador padrão do Android, baseado no WebKit, para serem renderizadas. Agora, quando um app abrir uma página web dentro de si, ele usará o mesmo motor do Chrome. Mais velocidade e compatibilidade com padrões web modernos.
O Hangouts virou o local padrão para mensagems SMS e MMS — aquele antigo, dedicado, já era. Recentemente o Google anunciou uma atualização que trouxe suporte a GIFs animados e compartilhamento de geolocalização ao app de bate-papo. Mais coisas devem estar a caminho.
Emojis, aqueles emoticons tunados, embutido no teclado virtual do Google.
Certificação Miracast possível — o Nexus 5 é o primeiro a ter a honraria.
Suporte nativo a dispositivos infravermelho, como controles remotos.
Close caption (legendas) nativas no sistema.
Melhorias no tratamento fino de áudio, novos recursos para NFC e Bluetooth e outras várias coisas.
O Nexus 5 é o primeiro aparelho a ter o Android 4.4 KitKat e já está à venda (esgotado, para ser exato) nos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, França, Alemanha, Espanha, Itália, Japão e Coreia do Sul (em breve, na Índia também). O preço, se levarmos em conta a memória interna, não subiu em relação ao Nexus 4: US$ 349 pelo modelo de 16 GB e US$ 399 pelo de 32 GB. Valores absurdamente baratos, já que são para aparelhos sem contrato e desbloqueados — nos mesmos termos, por exemplo, um iPhone 5s sai por US$ 650 e um Galaxy S 4, US$ 579 (todos valores nos EUA). Ele já foi homologado no Brasil e, esperamos, dessa vez não deve demorar muito a chegar.
O Google prometeu atualizar todos os seus tablets (os dois Nexus 7 e o Nexus 10) e o Nexus 4. O Galaxy Nexus ficou de fora, provavelmente pelo seu SoC antigo. As variantes Google Play Edition do Galaxy S 4 e do HTC One também serão agraciadas com a atualização. A Motorola se comprometeu a atualizar a linha Droid, nos EUA, e aqui no Brasil, os modelos D1 e D3 — promessa antiga, da época do lançamento.
Agora é esperar pelo KitKat e pelo Nexus 5 nacional, duas atualizações aparentemente tímidas, mas mantêm o Android e seu modelo de referência atualizados e na briga pelo posto de melhor solução móvel do mercado.
Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.
Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.
Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.
Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.
A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.
Vídeo
Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!
A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.
A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.
Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.
Mas essa tela aí…
Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.
Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.
Foto: Rodrigo Ghedin
Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.
Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G
Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.
Foto: Rodrigo Ghedin.
A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.
Confira uma galeria:
A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.
Software básico, mas competente
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.
É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.
A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).
Foto: Rodrigo Ghedin.
A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.
Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo
O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.
Foto: Rodrigo Ghedin.
É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.
A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.
Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.
Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.
O grande trunfo: bateria
Foto: Rodrigo Ghedin.
Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.
A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.
Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.
Barato sim, mas com dignidade
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.
Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.
Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.
O gadget que mais se vende e mais se usa, hoje, é o smartphone. Ele está quase sempre por perto, é rápido e fácil de manusear e nos últimos anos tomou para si o papel de protagonista da tecnologia de consumo. Redes sociais e apps em geral usa o smartphone como palco e nós, consumidores, o abraçamos sem muita cerimônia.
A evolução do smartphone é notável. Processadores ficam mais rápidos, telas ganham maior resolução, os aparelhos afinam e emagrecem a cada geração. O único contra, aparentemente, é ter que trocar de aparelho vez ou outra. Pela dinâmica do mercado de telefonia móvel norte-americano, em média a cada dois anos; idealmente para as fabricantes, todo ano ou até antes.
Como combater esse ritmo assustador de atualização que alguns acusam de obsolescência programada, outros de obsolescência percebida, e que muitos são incapazes de ou não querer seguir? Ainda é difícil responder a essa pergunta, e talvez seja o caso de investir no barateamento dos aparelhos para viabilizar essa passada frenética — se não pode com eles, junte-se a eles. Mas os smartphones modulares querem ser, pelo menos, uma alternativa.
Phonebloks, Project Ara e Modu
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
A Motorola Mobility, desde 2011 uma empresa Google, revelou o Project Ara, iniciativa que visa possibilitar a existência de smartphones modulares, ou seja, que usam blocos, ou módulos, para ditar suas especificações. Assim, um smartphone do tipo poderia ter o processador atualizado substituindo um bloco, ou ganhar um teclado com a inclusão de um desses, ou ainda ter sua autonomia estendida com um módulo de bateria mais robusto. É como se fosse um Lego de smartphones. As possibilidades são, nas palavras da Motorola, infinitas.
“O Project Ara está desenvolvendo uma plataforma de hardware gratuita e aberta para criar smartphones altamente modulares. Queremos fazer para o hardware o que a plataforma Android fez para o software: criar um ecossistema vibrante para desenvolvedores terceiros, diminuir as barreiras para aderir, aumentar o ritmo da inovação e diminuir substancialmente os prazos de desenvolvimento.
Nosso objetivo é estabelecer uma relação mais aberta, expressiva e contemplativa entre usuários, desenvolvedores e seus celulares. Dar a você o poder de decidir o que seu smartphone faz, o visual que ele tem, onde e do que ele foi feito, quanto custa e o tempo que você o manterá.”
Para tanto, a Motorola se aproximou de Dave Hakkens, idealizador do projeto Phonebloks. Apresentado recentemente, ele parte da mesma premissa: um smartphone composto por blocos que se encaixam e podem ser trocados/atualizados.
O Phonebloks chamou muito a atenção quando apareceu, mesmo sendo apenas uma ideia. Hakkens pede, no site da iniciativa, que os interessados assinem uma espécie de projeto de crowdfunding que, em vez de dinheiro, espalha a palavra. Conseguiu até o momento quase um milhão de interessados, atenção da mídia e, o mais importante, da Motorola — desde o início a ideia era fazer barulho para conseguir se aproximar de alguma fabricante grande.
Essa opção pode ter mais significado do que parece. Sendo uma empresa Google, testar maluquices, de email com 1 GB de espaço quando o concorrente mais generoso oferecia apenas 25 MB, a projetos megalomaníacos como carros autônomos, Internet em balões e balsas misteriosas que surgem no meio de um rio, é uma prática da casa. Experimentar possibilidades, especialmente as menos plausíveis, é algo que demanda dinheiro, coisa que o Google tem de sobra. Mesmo que a ideia de smartphones modulares não cole… por que não?
Há outra peça nesse quebra-cabeça que vale mencionar. Em 2007 a Modu, uma empresa israelense, já comercializada celulares modulares em seu país. Inundada em dívidas, ela fechou as portas em 2011 e nessa o Google arrematou o portfólio de patentes por US$ 4,9 milhões. No post da Motorola, Eremenko diz que o a empresa vinha trabalhando com essa ideia há mais de um ano antes de torná-la pública. Tudo acaba convergindo para o Project Ara.
Qual a viabilidade do Project Ara?
O Modu provou, lá atrás, que celulares modulares são possíveis. Era outro contexto, uma era pré-histórica à dos smartphones modernos. Hoje, isso funcionaria?
Quando o Phonebloks foi anunciado, a empolgação com a ideia dividiu espaço com o ceticismo. Não é difícil, mesmo para leigos, enxergar as dificuldades de uma empreitada do gênero. Smartphones são peças minúsculas, com uma engenharia de alto nível e baixo índice de reparabilidade. Modular esse cenário é um desafio e tanto.
John Brownlee desconstruiu as promessas do Phoneblok ponto a ponto, inclusive a de um futuro mais verde para os smartphones. No Reddit, uma legião de interessados também escrutinou a iniciativa. Há desafios de várias ordens, alguns envolvendo a compreensão e a colaboração de muita gente (empresas) com objetivos diversos. O Google, por mais poderoso que seja, conseguiria materializar uma meta tão ambiciosa dozinho? Não sei, embora seja exatamente o que eles estejam fazendo com o Glass. No caso do Project Ara, a situação é mais delicada porque a ideia é que fabricantes terceiros ofereçam módulos especializados. Como convencê-los a fazer isso?
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
Calma que a coisa complica. O (teoricamente) maior problema de smartphones modulares é que eles nadam na direção contrária à da evolução desse tipo de aparelho. Ao longo dos últimos anos os smartphones encolheram, ficaram mais finos, mais leves, com projetos de engenharia bem particulares e mais difíceis de serem reparados. Não é apenas para trocarmos de aparelho todo ano que essas medidas foram adotadas pela indústria, mas também para viabilizar smartphones fantásticos que pesem menos de 130 g e tenham a espessura de um lápis. Tudo está intimamente ligado e cada espaço dentro da carcaça é bem pensado e usado da melhor forma possível. Um dos preços pagos por um eventual smartphone modular seria abrir mão desses avanços, pelo menos inicialmente.
E tem outro fator: o desperdício. O Phoneblok usa a bandeira verde, do e-waste, ou lixo eletrônico, a seu favor. Mas imagine o tanto de módulos que serão descartados caso essa ideia pegue? Seja pela mera atualização, seja por módulos falhos que acabem descartados, o volume de lixo derivado dos módulos não dá sinais, pensando de uma forma lógica, de que esse problema será amenizado. E esse tira-e-põe constante não deve ser positivo do ponto de vista da durabilidade — quanto mais partes móveis, mais suscetível um gadget é a quebras.
Brownlee, da matéria da Fast.Co citada acima, condensa seu pessimismo acerca do Phoneblok em um parágrafo:
“De maneira simples, os Phonebloks são o oposto do que aparentam ser. Os Phonebloks fazem um apelo ao nosso amor por organização e simplicidade, mas na verdade são notoriamente mais complexos. Os Phonebloks nos dizem que smartphones podem custar menos, mas fazem cada componente dentro deles custar mais. Os Phonebloks dizem que podemos atualizar nossos smartphones sem desperdícios, mas fazem ser significativamente mais provável ter que jogar nossos smartphones fora porque eles quebraram. E assim por diante.”
Imagem: Phonebloks/Reprodução.
Não vou cravar aqui que o Project Ara ficará só na teoria. Pode ser que, mesmo contra todas as adversidades, e essas não são poucas, o projeto dê certo, ora. Mas uma mudança tão profunda demandaria mexer em bastante coisa já estabelecida nesse segmento, de contratos com operadoras à forma com as fabricantes lucram com hardware. E em um momento em que software está virando brinde, diminuir as margens de lucro do hardware parece arriscado — mas um passo que o Google, que lucra tão e somente com serviços e publicidade, pode se dar ao luxo de dar.
Falar em software, aliás, traz à tona outro problema: otimização e compatibilidade. O Android é “aberto”, qualquer um pode usá-lo, mas cada smartphone exige modificações no sistema para que ele o execute bem. É por isso que quando uma nova versão do Android sai, não dá para pegá-la e instalar imediatamente em qualquer smartphone. A fabricante (ou hobbistas) precisa adaptar o sistema para cada modelo específico. Imagine um que possa ter infinitas configurações. Quem dará suporte a essa multiplicidade de cenários?
Há espaço, ainda que pequeno
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
Mesmo que esses entraves permaneçam quando (e se) o Project Ara se materializar, ainda há espaço para um smartphone modular. Não o imagino nos bolsos de muita gente, muito menos vendendo o que um Galaxy S ou iPhone vendem hoje, mas para públicos bem específicos algo assim seria bem interessante.
Entusiastas que querem ter o SoC mais rápido, a melhor câmera e a bateria mais duradoura, por exemplo. Desenvolvedores que poderiam usar a modularidade para testarem seus apps em uma gama de configurações mais ampla a um custo menor. Nada capaz de estancar a sangria de dinheiro da Motorola, mas áreas válidas.
A Motorola promete um kit de desenvolvimento modular (MDK) para o fim do ano e garantiu descontos e smartphones modulares gratuitos para os colaboradores mais ativos do projeto — se você se interessou, pode fazer um pré-cadastro aqui. Os primeiros modelos, em alpha, são esperados para daqui a alguns meses. Meta ambiciosa, prazo ainda mais.
Nos EUA, o Moto X pode ser personalizado durante a compra. Antes de ser anunciado, muita gente sonhava com um sistema de configuração pleno, que permitisse escolher SoC, memória, câmera, características internas e vitais de um smartphone. Não foi o caso. O Moto Maker, sistema que permite a personalização do Moto X, fica restrito ao visual do aparelho, com várias cores e mimos que podem ser escolhidos; suas especificações técnicas são inalteráveis. O Project Ara parece o passo adiante, o que aquele pessoal mais progressista esperava já estar disponível com o Moto X.
Um smartphone modular seria uma ruptura com o padrão atual da indústria. Os smartphones tradicionais estão cada vez mais fechados; se antes dava para trocar a bateria e inserir um cartão SD para ter mais espaço, hoje esses itens são exceção no segmento high-end. Até mesmo outras categorias de gadgets tradicionalmente reparáveis, como notebooks, estão se fechando. Um Ultrabook que se preze tem a carcaça selada, impedindo a troca da bateria, do disco de armazenamento e da RAM.
O Project Ara foi anunciado nessa semana, ainda é cedo para dizer se estamos vendo o nascer do futuro ou apenas um devaneio do Google. No que você aposta?
Semana passada a Samsung lançou o Galaxy Round, smartphone que a empresa clama ser o primeiro com tela flexível do mundo. Após anos trabalhando com protótipos flexíveis, esta tecnologia, materializada em um painel Full HD de 5,7” e tecnologia Super AMOLED, finalmente apareceu em um produto comercial.
Ao contrário da ideia que temos de um smartphone com tela flexível, o Galaxy Round não é dobrável. A tela é levemente curvada para dentro (côncava) a partir das laterais, o suficiente para ser notada e habilitar alguns truques que combinam a forma atípica do aparelho com sensores de movimento e orientação — na prática, provavelmente mais recursos “humanos” que acabam sendo deixados de lado pelos usuários. Enrolar, amassar, guardar o smartphone de qualquer jeito no bolso? Ainda não.
Não por culpa da tela, aparentemente. Ela em si pode ser dobrada, como a Samsung demonstrou na CES desse ano ao falar do conceito Youm (a partir do qual, provavelmente, a tela do Galaxy Round vem):
Mas um smartphone não é feito só de tela, existem outras centenas de componentes e para que todo o conjunto seja dobrável, eles também precisam ser. Algum dia teremos coisas como o Morph, conceito da Nokia de 2008? Talvez. A LG já conseguiu flexibilizar baterias, por exemplo. São alguns passos rumo a uma direção comum.
As vantagens de se ter uma tela flexível
Foto: Samsung Tomorrow.
Se o smartphone não dobra, quais as vantagens que um painel flexível em um smartphone rígido traz? Elas existem e embora talvez não sirvam como justificativa para ser o chamariz de um produto totalmente novo, o Galaxy Round, em edição limitada, cara e restrita à Coreia, tem lá sua razão de ser: ele antecipa um possível cenário comum amanhã.
Michael G. Helander, membro de uma equipe da Universidade de Toronto que recentemente anunciou a descoberta de um processo mais eficiente para a fabricação de telas OLED flexíveis, disse ao PhoneArena que espera, se tudo correr bem, que essa tecnologia se torne regra em 3~5 anos.
A construção de uma tela AMOLED sensível a toques convencional, como explica sucintamente Jason Inofuentes no Ars Technica, consiste na aplicação de um substrato químico em uma fina camada de vidro recoberta por outra camada de componentes eletrônicos que controlam a tela disposta acima dela. A diferença da nova tela flexível da Samsung é que ela troca aquela primeira camada de vidro por uma de plástico. A imagem abaixo, do Samsung Geeks, detalha melhor:
Os benefícios, pensando bem, são óbvios. O plástico não estilhaça como o vidro em situações extremas — quebras, batidas, impactos de qualquer gênero. Ele é, também, mais fino e mais leve, e esses milímetros economizado podem ser utilizados para aumentar a autonomia das baterias ou viabilizar a fabricação de smartphones ainda mais finos.
Existem alguns receios em relação ao uso do plástico, em especial a blindagem contra umidade. O vidro desempenha esse papel sem problemas, o plástico, ainda tem que provar sua eficiência. Se não, o que seria uma das suas grandes vantagens, a durabilidade, se perde perante o suor das mãos ou a umidade relativa do ar mesmo.
Outro problema em potencial seria a visibilidade e falta de brilho. Segundo Helander, o pesquisador citado acima, essas desvantagens do AMOLED se devem mais à contenção de gastos do que a limitações da tecnologia. Ele acredita que o rápido desenvolvimento e o barateamento dos custos devem viabilizar telas flexíveis de AMOLED tão brilhantes e nítidas quanto as convencionais nos próximos anos. Nada a temer aqui, então, a menos que você esteja louco para pegar um Galaxy Round logo de cara. Enfim, as desvantagens de ser um early adopter.
O que o Galaxy Round faz de legal?
O Galaxy Round é praticamente um Galaxy Note 3 com a tela curva. Ele preserva até mesmo a tampa de trás com textura que imita couro e os arremates nas bordas, detalhe de gosto pra lá de duvidoso.
Ser similar ao Note 3 significa que o Galaxy Round tem configurações respeitáveis: SoC Snapdragon 800 quad core rodando a 2,3 GHz, 3 GB de RAM, 32 GB de espaço interno, câmera de 13 mega pixels, tudo isso em um corpo mais fino que o do Note 3 (7,9 mm de espessura, contra 8,3 mm) e mais leve (154 g contra 168 g).
Por dentro, as diferenças para o Note 3 são sutis. As mais notáveis são a ausência da S Pen, a stylus marca registrada da linha, e a bateria, que no Note 3 é maior (3200 contra 2800 mAh do Round).
O formato da tela permitiu à Samsung incluir uma série de recursos novos. O Roll Effect mostra a hora e notificações quando, com o smartphone em uma superfície plana, o usuário apoia o dedo em uma das partes suspensas, fazendo-o se inclinar.
O mesmo gesto permite avançar ou retroceder músicas se alguma estiver tocando (Bounce UX), e navegar por fotos na galeria caso a mesma esteja aberta (Side Mirror). Nada particularmente útil — nas três situações os métodos convencionais parecem mais práticos.
O formato ainda levanta algumas dúvidas ergonômicas. Como ele ficará na orelha? E na hora de colocá-lo no bolso, o formato arredondado será um aliado, seguindo a curvatura da coxa, ou um empecilho? Perguntas que, até que alguém (que não seja da Samsung) ponha as mãos em uma unidade e faça os devidos testes, seguirão sem respostas.
O futuro será repleto de telas flexíveis e, quem sabe, smartphones dobráveis
O Galaxy Round parece, afinal, um produto feito para que a Samsung possa dizer que foi pioneira — o preço, equivalente a US$ 1.013 na Coreia do Sul, não deve ajudá-lo muito a ser um sucesso comercial, e se nem o Note 3 está vendendo bem por lá, não dá para esperar muito do Round mesmo…
A concorrência, leia-se LG, está no encalço: na mesma semana a empresa anunciou a produção em massa da sua tela flexível. Ela é mais grossa e pesada que a da Samsung (0,44 mm contra 0,12 mm e 7,2 g contra 5,2 g), respectivamente, embora seja 0,3 polegada maior e tenha a curvatura em outro sentido, vertical (imagens vazadas mostram renderizações de um suposto LG G Flex usando a tela). Espere vê-la em breve nas especificações de algum novo smartphone.
As vantagens das telas flexíveis não são de tirar o fôlego, mas a tecnologia tem trunfos suficientes para justificar os investimentos em P&D que há anos são feitos para desenvolvê-la. Todo mundo que já derrubou um celular e viu, com peso no coração, a tela quebrada, sabe do que estou falando.