A Senacon, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, proibiu a Apple de vender iPhones no Brasil e aplicou uma multa de R$ 12 milhões à empresa devido à ausência do carregador de parede na caixa do celular.

No despacho (leia a íntegra) publicado no Diário Oficial da União nesta terça (6) e assinado pela diretora Laura Postal Tirelli, a Senacon alega que a Apple infringiu dispositivos do decreto nº 2.181/97, como a prática de venda casada e venda de produto incompleto.

Além de proibir a venda em território nacional, a Senacon também pediu a cassação das homologações junto à Anatel de todos os modelos de iPhone a partir do iPhone 12. Do despacho:

Vislumbra-se que, mesmo com aplicação das multas administrativas levadas a efeito pelos PROCONs do país, e das condenações judiciais aplicadas no território nacional, a Apple Computer Brasil não tomou nenhuma medida com vistas a minimizar o dano, permanecendo até a presente data vendendo aparelhos celulares sem carregadores. E como se vê da Nota de Repúdio anexada, avalizada por todos os Procons Estaduais e demais integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, a prática da representada de retirar os carregadores das embalagens dos smartphones comercializados é veementemente repudiada pelos órgãos e entidades de defesa do consumidor atuantes em território nacional.

Via Estadão.

Eu estou exercendo a minha liberdade de expressão e fazendo uso da minha propriedade privada.

— Gabriel Baggio Thomaz, o filósofo de Curitiba que registrou o domínio bolsonaro.com.br e o transformou em uma peça artístico-jornalística anti-bolsonarista.

Gênio. Via Veja.

O site não está entrando mais, deve ter sido derrubado. A Wayback Machine salvou cópias dele, porém.

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre, por Rogério Galindo e Flavia Barros, no Plural:

Depois da pandemia, toda grande cidade hoje tem milhares de pessoas trabalhando com entregas de mercadorias, não só para o Mercado Livre. As pessoas acostumaram a fazer encomendas via Internet e isso movimenta bilhões de reais. Só no primeiro ano da pandemia, o Mercado Livre registrou um espantoso crescimento de 185%. Hoje, com capacidade para entregar 2 milhões de pacotes por dia, a empresa, que tem sede na Argentina, se expande às pressas. A receita também explodiu: foram US$ 2,1 bilhões só no último trimestre de 2021.

Na ponta, isso significa uma só coisa: pressão para entregar tudo no prazo, ainda mais porque algumas compras oferecem ao consumidor a promessa de ter tudo em casa em poucas horas — às vezes no mesmo dia, às vezes no dia seguinte. O exército de entregadores não para de crescer — assim como o Uber no começo, hoje é para o serviço de entregas que correm muitos desempregados em busca de renda.

O WhatsApp/Meta acatou a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), feita no final de julho, e adiou o lançamento do recurso de Comunidades no Brasil para 2023.

A recomendação do MPF foi feita a fim de evitar que as Comunidades, que multiplicam o total de contatos alcançáveis em grupos no WhatsApp, contribuísse com manifestações violentas como as vistas no pós-eleições norte-americano, em 6 de janeiro de 2021.

Um porta-voz da Meta disse que “não temos a expectativa de lançar ‘Comunidades’ no Brasil antes de 2023”. Via G1, Folha de S.Paulo.

O CGI.br divulgou, na terça-feira (16), a edição 2021 da TIC Kids Online Brasil, que faz um raio-x do modo como crianças e adolescentes brasileiros (9 a 17 anos) usam a internet.

No comunicado à imprensa, o CGI.br destacou alguns achados:

  • 78% das crianças e adolescentes conectados têm perfil em pelo menos uma rede social.
  • Pela primeira vez o TikTok foi considerado na consulta — e 58% dos entrevistados disseram estar na rede da ByteDance.
  • O Instagram ainda lidera, mas a diferença é pequena: é usado por 62% dos entrevistados. Em 2018, o Instagram era usado por 45%.
  • Facebook está em queda livre: a posse de perfis caiu de 66% para 51%, e a relevância entre aqueles que estão na rede da Meta junto aos menores de idade despencou de 41% para 11%.
  • Por outro lado, o WhatsApp reina: 80% dos entrevistados conectados usam o aplicativo de mensagens da Meta, que lidera o ranking em todos os estratos sociais.

A pesquisa ouviu 2.651 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, entre outubro de 2021 e março de 2022.

Há outros recortes e consultas interessantes, como atividades online, distribuição por faixa de renda e região. Todos os dados, em diversos formatos, podem ser acessados nesta página. Via Cetic.br.

Mais de 90 pesquisadores brasileiros assinaram uma carta endereça ao candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da soberania digital. A carta critica a dependência do Brasil de soluções prontas estrangeiras fornecidas pela Big Tech e oferece uma lista de sugestões para reverter esse cenário. Via The Intercept Brasil.

Governo Federal nega acesso a peças de campanhas milionárias durante período eleitoral

por Bruno Fonseca

Selo de republicação da Agência Pública.Esta matéria foi produzida pela Agência Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil.

O Ministério das Comunicações está barrando o acesso a dados públicos e usando o período eleitoral como justificativa. Através da Lei de Acesso à Informação (LAI), a Agência Pública requisitou o acesso às peças produzidas nas campanhas “Governo Honesto, Trabalhador e Fraterno”. No início de agosto, revelamos que o governo pagou quase R$ 90 milhões neste ano para agências de publicidade realizarem as três campanhas.

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O que você precisa saber do 5G

Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa fazem um “perguntas e respostas” a respeito do 5G, a nova rede de internet ultra veloz que começa a chegar nas capitais brasileiras. Como saber se meu celular é compatível? Quando o 5G chega onde eu moro? O que isso vai mudar a minha vida? Algumas perguntas são fáceis e objetivas; outras suscitam debates acalorados.

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Grandes empresas, como Santander, Itaú e Via (das bandeiras Casas Bahia e Ponto), têm pedido a quebra do sigilo de geolocalização de ex-funcionários na Justiça do Trabalho em processos envolvendo horas extras.

Os pedidos são endereçados a empresas de telefonia, como a Telefônica (Vivo), e plataformas digitais, como o Google. (As duas são citadas na reportagem do Jota; a Vivo entregou, o Google entra com liminares para não ter que entregar.)

Embora os tribunais (segunda instância) estejam em sua maioria indeferindo os pedidos das empresas, levantamento do Jota mostra que o tema não está pacificado entre os juízes de primeira instância, com muitos autorizando a quebra do sigilo.

Especialistas contrários à prática ouvidos pela reportagem afirmam que ela é exagerada, que faz com que o funcionário crie provas contra si mesmo e que, no fundo, trata-se de uma violação à Constituição, que garante a privacidade das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, salvo nas hipóteses de investigação criminal ou instrução processual penal — o que não é o caso. Via Jota.

Um caso ocorrido em São Paulo revela limites naquela dica de segurança, popular nos últimos meses, que consiste em ter um segundo celular com aplicativos bancários e deixá-lo sempre em casa.

Um homem foi sequestrado e, ao descobrirem a tática do segundo celular, os sequestradores obrigaram-no a revelar a localização da casa e orientá-los, por videochamada, na busca pelo aparelho.

Esse homem foi o segundo sequestrado pela quadrilha em menos de 24 horas. O primeiro havia caído em uma emboscada após combinar um encontro com uma mulher via aplicativo de relacionamento: ele combinou de buscá-la em casa e, quando tocou o interfone, foi rendido e levado a um cativeiro. Via SPTV.

Arquivo: Roubo/furto de celulares para limpar contas bancárias: Como se proteger?

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência, por Fernanda Guimarães e Lucas Agrela no Estadão:

No mês passado, mais de 6 mil pessoas aguardavam o início do evento “Explosão de Vendas”, que seria conduzido no YouTube por Ricardo Nunes, 52 anos, o fundador da Máquina de Vendas, a dona da Ricardo Eletro, varejista que dribla hoje repetidos pedidos de falência. Com um público inflamado no chat da plataforma, o curso, de três dias em modelo híbrido, começou com Nunes dizendo que seu objetivo era passar o melhor de sua experiência em 30 anos para “construir a segunda maior empresa de varejo desse País”.

Segundo fontes, o novo negócio de cursos e mentoria vem garantindo um bom dinheiro ao empresário. Procurado em múltiplas ocasiões pela reportagem, o empresário não deu entrevista.

Com 182 mil seguidores no Instagram, rede social que também utiliza para vender seus cursos, Nunes foi denunciado, em junho, por suspeita de sonegação da ordem de R$ 86 milhões. O empresário também já foi alvo de denúncias de lavagem de dinheiro e chegou a ser preso. “Ele mora nos Jardins, leva uma vida luxuosa e fica postando fotos em avião particular. Enquanto isso, mente sobre o que fez na empresa. Se ele hoje é bilionário, tirou esse dinheiro de algum lugar”, diz outra fonte ligada à Ricardo Eletro.

“Gamers ajudam a alimentar máquina de desinformação”, diz professor

por Matheus Santino

Selo de republicação da Agência Pública.Esta matéria foi produzida pela Agência Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil.

Jogos de aventura, de futebol ou de guerra? Independentemente do estilo favorito, alguns grupos de jogadores estão servindo como megafone de intolerância e perseguição. É o que diz Ivan Mussa, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e autor do artigo “Ódio ao jogo: cripto-fascismo e comunicação anti-lúdica na cultura dos videogames”, que investiga o uso de jogos para propagar o discurso da extrema direita.

Em conversa com a Agência Pública, Mussa explica como o fenômeno chegou no Brasil e aproximou a comunidade gamer ao bolsonarismo, transformando o grupo em um de seus principais aliados nas eleições de 2018.

Leia os principais trechos da entrevista:

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A Folha de S.Paulo contatou seis empresas responsáveis pelas maiores plataformas sociais no país: Meta (do trio Facebook, Instagram e WhatsApp), TikTok, Telegram, Twitter, Kwai e YouTube.

O jornal paulista queria saber detalhes dos preparativos para o período eleitoral. Entre outras perguntas, qual o tamanho da equipe de moderação que fala português do Brasil e investimentos feitos em pessoal na moderação e nos sistemas automatizados.

Telegram não respondeu. As demais tangenciaram e, embora tenham dado retorno, não responderam as perguntas diretamente.

Apenas o Twitter confirmou, ainda que de forma vaga, que durante as eleições dedica “mais esforços desses e de outros times, que incluem brasileiros, para monitorar as conversas”. Via Folha de S.Paulo.

E-commerce é o novo banco

E-commerce é o novo banco, por Hugo Cilo na IstoÉ Dinheiro:

O executivo Tulio Oliveira, que comanda a fintech Mercado Pago, braço financeiro do maior site de classificados da América Latina, o Mercado Livre, vive uma espécie de crise de identidade profissional. Uma boa crise. À frente de um negócio que responde por 48% das receitas globais de US$ 2,6 bilhões da companhia no segundo trimestre, ele já não sabe se pilota um banco que tem um marketplace ou um marketplace que tem um banco. […]

O processo de bancarização do varejo ou de “varejização” dos bancos — a ordem dos fatores, neste caso, definitivamente não altera o produto — é um fenômeno que ultrapassa as fronteiras do Melicidade, sede do Mercado Livre, em Osasco (SP). Outras gigantes do e-commerce, como OLX, Magazine Luiza e Via (antiga Via Varejo, dona de Casas Bahia, Ponto e Extra.com.br) estão surfando na crista da onda dos serviços financeiros. A Lojas Renner tem a Realize, a Via tem o banQi, o Magazine Luiza tem o Magalu Pay, entre muitos outros. “O objetivo é garantir a inclusão financeira, criando conexão entre as lojas, o e-commerce e o marketplace”, disse André Calabró, CEO do banQi.

Após turistar no Apple Park, o ministro Fabio Faria e o presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, fizeram uma reunião no “metaverso” com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Constrangimentos à parte (cada passo do passeio do ministro pela Califórnia, basicamente), chamou-me a atenção o logo estampado nos óculos de realidade virtual usados pelo trio: Dual 360, uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar.

A Dual 360, sem surpresa, é uma empresa de realidade virtual. Em seu site, cujo domínio está registrado em nome de Alan Augusto Morais, ela destaca “treinamentos corporativos” em duas áreas: simulações de vendas e atendimento, e de segurança. Há também uma menção à plataforma Seniors, que oferece soluções em realidade virtual a idosos.

A empresa dona da marca Dual 360, Folk Promoções Ltda, foi registrada em 2018, usa o CNPJ 17.325.293/0002-60 e está sediada na Bela Vista, em São Paulo.

Por que “a primeira reunião de um presidente da República no metaverso” teve a marca de uma empresa privada estampada? Isso, infelizmente, uma pesquisa rápida como a que eu fiz não é capaz de responder.

Na chamada, Bolsonaro voltou a acenar aos jovens e às mulheres, duas demografias que mais o rejeitam nas pesquisas eleitorais, e a espalhar mentiras, como a de que o Brasil está na vanguarda do 5G — outros países já têm a tecnologia há dois anos. Via @fabiofaria/Twitter.