Comparativo antes e depois do emoji da seringa/injeção no iOS 14.5.
Antes e depois. Imagem: Emojipedia/Reprodução.

O iOS 14.5, que deve ser lançado logo mais (já está em testes), trará um novo conjunto de emojis e atualizações ao sistema móvel da Apple. O destaque fica por conta do novo visual do emoji da seringa/injeção: sai a seringa cheia de sangue, entra uma vazia. A Emojipedia argumenta que a mudança deve “tornar [o emoji] mais flexível para uma variedade maior de usos”, incluindo aquele que parece ter motivado a mudança — a vacinação contra a COVID-19. A história do emoji da seringa/injeção é longa e curiosa.

O iOS 14.5 incorpora novidades da especificação 13.1 do Emoji, do final de 2020. Há três novas carinhas amarelas, corações remendado e pegando fogo e melhorias na consistência de gêneros — agora é possível ter mulheres com barba, por exemplo. E, Apple sendo Apple, o emoji de headphones foi alterado e agora lembra os AirPods Max, o modelo de R$ 7 mil da marca. Via Emojipedia (em inglês).

Dois prints do Facebook em um iPhone, mostrando o pedido e o popup do App Tracking Transparency da Apple.
Imagem: Facebook/Divulgação.

O Facebook vai se antecipar e pedir aos usuários de iPhone que permitam que sejam rastreados em outros apps. O novo recurso, chamado App Tracking Transparency (ATT), estreou no iOS 14 e será obrigatório no iOS 14.5, que teve o primeiro beta foi liberado nesta segunda (1). Via CNBC (em inglês).

Na mensagem que o Facebook disparará aos usuários (acima), a empresa diz que o rastreamento a ajuda a fornecer anúncios mais personalizados e a apoiar pequenos negócios que dependem de anúncios para alcançarem seus clientes.

Apple e Facebook vêm se bicando não é de agora, mas o clima esquentou desde a introdução do ATT no iOS 14, em novembro de 2020, que obriga apps que queiram rastrear o comportamento do usuário em outros apps e em sites a obterem o consentimento expresso dele. A medida deve impactar diretamente o faturamento do Facebook, cujo principal negócio, o da publicidade, está calcado na coleta e processamento de grandes quantidades de dados dos usuários.

Semana passada, em um evento virtual organizado pela União Europeia, Tim Cook, CEO da Apple, teceu duras críticas direcionadas ao Facebook — sem mencionar o nome da empresa —, como a de que priorizar engajamento em detrimento da privacidade leva à violência e polarização. Via 9to5Mac (em inglês).

Uma pessoa de Piracicaba (SP) que comprou um iPhone novo foi à Justiça para obrigar a Apple a fornecer carregador de parede e fones de ouvido, acessórios ausentes das caixas dos novos iPhones desde o anúncio do iPhone 12. O pedido, porém, foi negado pelo juiz, que discordou da tese do cliente de que a Apple estaria forçando uma “venda casada”. O magistrado alegou que não cabe ao Estado interferir na política de preços da empresa, pois no Brasil vigora o capitalismo. Via Conjur.

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Alguém com mais capacidade fez uma análise ampla dos “rótulos nutricionais” dos apps mais populares da App Store. (Estou fascinado por este assunto.) Hugo Tunius usou um pouco de magia (leia-se: engenharia reversa) na API da App Store e conseguiu extrair dados estruturados das listas de apps mais populares, pagos e gratuitos, da versão britânica da loja.

Seus achados (em inglês) confirmam algumas suspeitas, como a de que apps gratuitos coletam mais dados pessoais que os pagos, mas não deixam de ser interessantes. Chama a atenção, por exemplo, que os apps do Facebook são os que mais coletam dados: as 12 primeiras posições são ocupadas por eles, todos coletando 128 (!) tipos de dados de 160 possíveis. O LinkedIn, da Microsoft, está em 13º, com 91 tipos de dados coletados. Só faltaram dados de jogos, área que Tunius ignorou na análise — talvez a única com potencial para superar o Facebook nesse aspecto.

Em tempo: o Google, que parou de atualizar seus apps para iOS no dia 7 de dezembro, coincidentemente véspera da obrigatoriedade dos rótulos nutricionais, prometeu que os atualizará esta semana. Via TechCrunch (em inglês).

Um dos poucos acertos do Facebook no que diz respeito à privacidade foi ter implementado a criptografia de ponta a ponta como padrão e obrigatória no WhatsApp em 2016. O recurso é útil, mas não é uma panaceia a despeito do que a empresa diz em seus comunicados e ao responder críticas.

Os “rótulos nutricionais” para apps que a Apple implementou em suas lojas em dezembro evidenciam isso. Dos de mensagens mais populares, o WhatsApp é o que mais coleta meta dados — que revelam muito sem quebrar a criptografia, e que o Facebook usa para direcionar anúncios e refinar recomendações automáticas em outras propriedades, como a rede social Facebook e o Instagram.

Acesse a página do WhatsApp na App Store, role até o subtítulo “Privacidade do app” e toque no link “Ver detalhes”, à direita. Em contrapartida, veja quais dados e para quê iMessage (da própria Apple), Telegram e Signal (o melhor deles) coletam. A diferença é chocante. Via Forbes (em inglês).

Regra geral, é difícil tomar partido em briga de gigantes, mas em batalhas como a que ocorre entre Facebook e Apple, nem tanto. O iOS 14 trouxe um recurso de privacidade chamado App Tracking Transparency (ATT), que faz com que apps só possam rastrear a atividade do usuário em outros apps e sites com a anuência expressa dele. Por ora, é opcional (só vi um app se antecipar), mas em 2021 o ATT será obrigatório.

Isso afeta diretamente os negócios do Facebook, calcados na devassa da privacidade. (Outra novidade da Apple, as “tabelas nutricionais” de apps do iOS 14.3, revela o tanto de dados que os do Facebook coletam dos usuários.) Diz muito o fato de que transparência seja uma ameaça existencial ao negócio do Facebook. Oficialmente, o argumento é de que o ATT prejudica as pequenas empresas que usam sua plataforma para anunciar e fazerem negócios.

A Electronic Frontier Foundation publicou um ótimo artigo explicando as falhas do ataque do Facebook à Apple, que incluiu até anúncios de página inteira em jornais de papel.

Pequenos negócios são, se muito, reféns do Facebook, que mantém um oligopólio da publicidade digital com o Google, dita regras e valores, e viabiliza a existência de incontáveis intermediários estranhos que abocanham parte do dinheiro investido pelos pequenos e coleta mais dados dos usuários sem devolver qualquer vantagem aparente. Sem surpresa, o único prejudicado pelo ATT é, na real, o Facebook.

O iOS 14.3, lançado na última segunda (14), trouxe as listas de “informações nutricionais” dos apps na App Store. As listas de apps historicamente hostis à privacidade do usuário, como Facebook e Instagram, são quilométricas. O vídeo acima mostra as de alguns apps.

Trecho da documentação da Anatel indicando que o Galaxy S21 virá sem fones de ouvido e carregador de parede.
Imagem: Tecnoblog/Reprodução.

A documentação do Galaxy S21 submetida à Anatel revela que o celular, que deve ser anunciado em janeiro, virá sem carregador de parede e fones de ouvido na caixa, a exemplo dos iPhones. Desta vez, pelo menos, apenas uma página local da Samsung, a do Caribe, tirou sarro da situação. Anteriormente, comerciais globais da Samsung caçoaram do entalhe do iPhone X e do fim do conector de fones de ouvido de 3,5 mm, apenas para, meses depois, seguir a tendência e repetir ela mesma as decisões antes criticadas da Apple. Via Tecnoblog.

Confirmando muitos rumores, a Apple anunciou nesta terça (8) os AirPods Max, seus fones de ouvido “over the ear”. Lá fora, eles serão lançados dia 15 de dezembro por US$ 549. No Brasil ainda não há data prevista, mas o preço já aparece no site da Apple: R$ 6,9 mil.

A título comparativo, os fones WH-1000XM4, da Sony, considerado por muita gente os melhores da indústria, custa ~R$ 2,5 mil no Brasil — e, no momento, estão com desconto na loja oficial da Sony, saindo por R$ 2 mil.

Criaram um utilitário, o ACVM, que permite rodar o Windows 10 para ARM em uma máquina virtual nos novos Macs com chip M1. O resultado impressiona: mesmo rodando o sistema da Microsoft virtualizado, o chip da Apple se sai melhor que o Surface Pro X, notebook da Microsoft com chip ARM (Snapdragon 8cx, da Qualcomm). No Geekbench, um bechmark sintético, o M1 com Windows 10 virtualizado foi 91% mais rápido no teste de um núcleo e 60,5% mais rápido no teste com vários núcleos. Via Martin Nobel/YouTube (em inglês).

O Procon-SP irá exigir que a Apple entregue o carregador de parede que deixou de vir na caixa do iPhone aos compradores que pedirem por ele. A mudança, que alcança todos os modelos à venda, segundo a Apple foi feita em prol do meio ambiente.

O Procon-SP argumenta que o carregador é peça essencial para o uso do produto e que a Apple não demonstrou os alegados ganhos ambientais que justificariam a remoção do acessório, não informou adequadamente os clientes dessa alteração e não respondeu se o uso de um carregador de terceiro pelo cliente poderá ser usado como argumento de recusa para eventuais reparos. O Procon-SP também cobra um plano de reciclagem/logística reversa da Apple para acessórios e aparelhos antigos, o que traria ganhos ao meio-ambiente. Essa novela ainda vai longe. Via Procon-SP.

A grande discussão (rolando no nosso grupo do Telegram, aliás) é se cabe ao Procon-SP/Estado interferir nessa discussão. O que você acha?

Chegou a vez da Apple escolher os melhores apps de 2020 em suas plataformas. Escolhas estranhas, para dizer o mínimo.

  • Para iPhone, Wakeout!, um app que ajuda o usuário a se movimentar ao longo do dia, com exercícios simples e fáceis, do tipo que dá para fazer em qualquer lugar. Chama a atenção a nota baixa (2,8) na App Store. Lendo os comentários, a bronca dos usuários é pelo fato do app ser “gratuito”, mas só funcionar mediante a assinatura de R$ 47,90/mês.
  • Para iPad, Zoom. Ok, faz sentido, foi um app super influente em 2020, mas, como lembrou Nilay Patel, estranho o melhor app do ano para iPad não suportar recursos nativos do iPadOS, como redimensionamento e multitarefa.
  • Para macOS, Fantastical. Este é uma unanimidade, sempre com recursos de ponta e aquela atenção aos detalhes que se espera dos melhores aplicativos. Na última grande versão, migrou do modelo de pagamento único para assinatura, o que decepcionou alguns usuários.

A lista ainda tem os melhores jogos e algumas categorias extras. Via App Store/Apple.

Três prints mostrando o popup pedindo autorização para rastreamento no Chess Time e, nas duas outras, a nova tela de Rastreamento nas opções de privacidade do iOS 14.
Clique para ampliar.

O iOS 14 trouxe um novo recurso de privacidade chamado App Tracking Transparency (ATT). Ele exige que os desenvolvedores de aplicativos peçam autorização ao usuário para rastreá-lo em outros apps e sites. O ATT foi lançado junto ao iOS 14, em outubro, e a princípio seria obrigatório, mas graças à choradeira de empresas como o Facebook, a Apple adiou a obrigatoriedade do seu uso para o início de 2021.

O não obrigatoriedade não impede que os donos de apps já peçam a autorização dos usuários para rastreá-los. Deparei-me com o primeiro pedido do tipo neste domingo (22), no app Chess Time, da Haptic Apps. Ainda não tinha lido a tradução em português da mensagem. Ela diz:

“[App]” deseja permissão para rastrear você entre apps e sites de propriedade de outras empresas.

A mensagem menor, em texto sem negrito, aparentemente é de responsabilidade do desenvolvedor. A do Chess Time explica que o rastreamento ajudará a personalizar anúncios.

Após o primeiro pedido, uma nova área aparece dentro de Privacidade, nos Ajustes.