A partir de 1º de janeiro de 2021, a Apple reduzirá pela metade — de 30% para 15% — a taxa cobrada na venda de apps e compras dentro de apps publicados na App Store àqueles que faturaram até US$ 1 milhão em 2020. O programa é “opt-in”, ou seja, quem for elegível precisará sinalizar interesse nele, e valerá também desenvolvedores recém-chegados à App Store.

É um evidente resultado da pressão que a Apple vem tomando de empresas como Spotify, MatchGroup (do Tinder), Epic (do Fortnite) e Basecamp, que reclamam da taxa de 30% cobrada pela Apple e de algumas políticas da App Store. A nova taxa reduzida ajuda na defesa da Apple e beneficia muitos desenvolvedores (provavelmente a maioria deles), e só a elas — às grandonas, que se posicionam mais firmemente, continua tudo igual. Tim Sweeney, fundador e CEO da Epic, disse que a Apple tenta, com essa estratégia, causar divisão entre os desenvolvedores. Em nota, o Spotify afirmou o óbvio: que a novidade não altera em nada as rusgas da empresa com a Apple e a App Store. Via Apple, Variety (em inglês).

O embargo caiu e várias publicações soltaram suas análises dos novos computadores da Apple com o chip M1, também da Apple. A primeira impressão é ótima: desempenho superior ou equivalente ao do dos chips topos de linha da Intel e AMD e baixo consumo energético (leia-se: maior duração da bateria e, mesmo nos modelos com ventoinha, silêncio).

Para quem quer números e tabelas, indico a análise do Mac mini feita pelo Anandtech. Para tarefas mais mundanas com ênfase no (não) barulho das ventoinhas, este vídeo dos novos MacBook Air e Pro do Wall Street Journal. Ambos em inglês.

Vários leitores me indicaram este post do pesquisador Jeffrey Paul em que ele cita o OCSP, um protocolo usado pelo sistema de segurança do macOS chamado Gatekeeper que se comunica periodicamente com servidores da Apple. Para Jeffrey, o uso do OCSP representa uma falha grave de privacidade porque os envios não são criptografados e revelam quais apps cada usuário executa em seu computador.

O OCSP atua no macOS desde a versão Mojave, de 2017, e, como o nome indica (é uma sigla para Online Certificate Status Protocol), serve para verificar se um app que o usuário deseja rodar usa certificados válidos. A Apple pode e sempre revoga certificados usados por apps comprometidos, vírus e outras ameaças, impedindo-os de serem executados e causarem danos ao computador. O OCSP é, pois, um recurso de segurança que não havia chamado a atenção (ver aqui e aqui). Chamou agora por dois motivos:

  1. Na noite da última quinta (12), os servidores da Apple que fazem a verificação do OCSP ficaram muito lentos, talvez por sobrecarga. O macOS tem uma condicional para ignorar a verificação caso esses servidores estejam inacessíveis, mas como eles estavam acessíveis, só que muito lentos, o sistema manteve a verificação, que — você adivinhou — ficou bem lenta, a ponto de prejudicar o uso do computador.
  2. No macOS Big Sur, lançado no mesmo dia, o serviço responsável pelo OCSP e alguns outros relacionados a aplicativos da própria Apple foram “escondidos” do usuário, de modo que apps de monitoramento do tráfego/firewalls, como o Little Snitch, não conseguem mais barrar esses contatos periódicos que o macOS faz com servidores da Apple.

Emprestando um termo batido de 2020 para descrever a situação, esse é o “novo normal” dos sistemas operacionais comerciais. A Microsoft encheu o Windows 10 de telemetria, sistemas móveis se comunicam o tempo todo com servidores centrais mesmo quando não estão em uso (o Android mais que o iOS) e o macOS não é exceção. E, que pesem a desconfiança e o risco à privacidade provocados por algo como o OCSP, ele tem uma função importante e útil, como a Apple descreve em sua documentação.

O gênio ter saído da lâmpada não significa que virou um vale-tudo, ou seja, o Gatekeeper, sistema de segurança em que o OCSP está implementado, pode ser mais transparente. Uma atualização datada desta segunda (16) na referida documentação da Apple trouxe mudanças. De imediato, a Apple parará de registrar os endereços IP e apagará todos os que já foram coletados. Em 2021, mais mudanças serão implementadas:

  • Um novo protocolo criptografado para verificações de certificados de desenvolvedores revogados;
  • Proteções mais robustas contra falhas de servidor; e
  • Uma nova opção aos usuários para desativar essas proteções de segurança.

A Apple, como no “bateria-gate” do iPhone, poderia muito bem ter se antecipado e evitado o desgaste. Ao fim, porém, as propostas de mudanças descritas acima soam a um bom equilíbrio.

Atualização (14h30): Pequenas mudanças na redação indicando que o OCSP é um protocolo aberto, não exclusiva da Apple, e parte do sistema Gatekeeper, que roda no macOS. Agradecimento ao leitor Douglas Caetano pelo toque!

De longe, o iPhone mais caro já vendido no Brasil

Reza a lenda que a calmaria precede a tormenta. Essa declaração se encaixa bem com o que aconteceu com o preço do iPhone no Brasil: após uma atípica queda em 2019, o iPhone 12 chega ao país este ano custando muito caro.

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Mac mini, MacBook Air e MacBook Pro de 13,3 polegadas são os primeiros computadores da Apple com o M1, chip ARM desenvolvido internamente e que substitui os x86 da Intel. Praticamente não há mudanças externas ou visuais, mas a interna promete saltos de desempenho e eficiência energética raramente vistos na indústria — segundo a Apple, em comparação com os chips Intel usados até então, o M1 tem CPU até 3,5x mais rápida, GPU até 6x mais rápida, machine learning até 15x mais rápido e autonomia da bateria até 2x maior. Via Apple.

Outros detalhes:

  • O MacBook Air com chip M1 é “fanless”, ou seja, sem ventoinhas e, portanto, completamente silencioso.
  • Lá fora, os novos computadores com chip M1 chegam semana que vem. No Brasil, ainda não há previsão, mas já sabemos os preços: MacBook Air começa em R$ 13 mil, Mac mini em R$ 8,7 mil e MacBook Pro de 13,3″ em R$ 17,3 mil.
  • O macOS Big Sur será disponibilizado nesta quinta-feira (12).

A partir das 15h (horário de Brasília), a Apple deve apresentar seu primeiro computador com chip ARM, desenvolvido por ela mesma, no lugar dos tradicionais x86 da Intel.

A Apple divulgou, nesta sexta (6), os preços sugeridos da linha iPhone 12 no Brasil:

  • iPhone 12 Mini (64 GB): R$ 7 mil.
  • iPhone 12 (64 GB): R$ 8 mil.
  • iPhone 12 Pro (128 GB): R$ 10 mil.
  • iPhone 12 Pro Max (128 GB): R$ 11 mil.

Os preços acima são das versões “de entrada”, com menos memória. Os modelos simples ainda contam com versões de 128 e 256 GB, e os Pro, de 256 e 512 GB. O iPhone 12 Pro Max de 512 GB custa R$ 14 mil. Comprando qualquer um deles à vista, a Apple concede 10% de desconto. Via MacMagazine.

Ninja, mãozinha italiana, esquilo, órgãos realistas… são só alguns dos novos emojis do iOS 14.2, liberado há pouco pela Apple. Como nem só de emojis é feito uma atualização de sistema, ela ainda traz novos papéis de parede, melhorias diversas na integração com o HomePod, um novo botão do Shazam para a Central de Controle e as correções de falhas habituais. Via The Verge (em inglês).

Em tempo: a linha iPhone 12 será lançada no Brasil no dia 20 de novembro. Via Apple.

O site oficial segue dizendo que o Apple One chega “ainda este ano”, mas o pacote de serviços da Apple já pode ser assinado no Brasil. Para isso, abra a App Store, toque na imagem do seu avatar (canto superior direito) e, em seguida, em Assinaturas. Por aqui, dois planos estão disponíveis:

  • Individual, com Apple Music, Apple TV+, Apple Arcade e 50 GB de iCloud por R$ 26,50/mês; e
  • Família, com os mesmos recursos, mas 200 GB de iCloud e a possibilidade de compartilhá-los com outras cinco pessoas, por R$ 37,90/mês.

Alphabet (Google), Amazon, Apple e Facebook divulgaram nesta quinta (29) seus balanços fiscais referentes ao terceiro trimestre fiscal (quarto, no caso da Apple) de 2020. Todas tiveram crescimento expressivo:

  • Alphabet faturou US$ 46,17 bilhões (aumento de 14% em relação ao ano anterior), com US$ 11,25 bilhões de lucro.
  • Amazon faturou US$ 96,15 bilhões (+37%), com US$ 6,3 bilhões de lucro.
  • Apple faturou US$ 64,7 bilhões (+1,1%), com US$ 12,7 bilhões de lucro.
  • Facebook faturou US$ 21,47 bilhões (+22%), com US$ 7,85 bilhões de lucro.

O Procon-SP enviou questionamentos à Apple sobre a retirada do carregador de parede da caixa dos novos iPhones e deu 72 horas para a empresa responder. A notinha no site oficial é bem curta e não detalha qual regra a Apple estaria infringindo. Via Procon-SP.

Nos próximos dias, um app de US$ 0,99 passará a custar R$ 4,90 na App Store brasileira (antes, R$ 3,90); um de US$ 1,99, para R$ 10,90 (antes, R$ 7,90); e assim por diante (veja a tabela completa). É o segundo reajuste desde que a loja virtual da Apple passou a vender em real, e um pesado: em média, os preços aumentarão cerca de 40–50%. Via MacMagazine.

Como as multibilionárias empresas de tecnologia usam seu poder para influenciar jornalistas, blogueiros e youtubers

Em 2005, críticos culturais de revistas e jornais brasileiros receberam um iPod Shuffle da assessoria de imprensa da Maria Rita contendo as faixas do segundo álbum da cantora. A história acabou saindo em uma nota não assinada da revista Veja. Virou um escândalo. Luís Antônio Giron, da revista Época, sentiu-se na obrigação de se defender da acusação, implícita na revista concorrente, de que o mimo de R$ 5901 o teria corrompido e a seus colegas. O escândalo do mensalão no governo Lula havia estourado poucos meses antes, daí que o caso do iPod acabou batizado e conhecido no meio como o “mensalinho da Maria Rita”.

Em 2020, iPod é pouco perto das benesses que empresas de tecnologia multibilionárias oferecem a jornalistas, blogueiros e youtubers, gerando relações de poder que, em última análise, comprometem a confiança na cobertura que a imprensa faz dessas mesmas empresas.

Por quase dois meses, o Manual do Usuário conversou com 11 jornalistas (de veículos tradicionais e independentes) e youtubers, no Brasil e nos Estados Unidos, para entender como empresas como Samsung, Apple e Asus usam seu poderio econômico para tentar ganhar a boa vontade da imprensa.

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Vários modelos de iPhone, incluindo os novos da linha iPhone 12, lado a lado em escala real.
Imagem: MacRumors/Reprodução.

O iPhone 12 Mini fica entre os antigos iPhone 5/5S/SE e 6/6S/7/8/SE (2ª geração). Fica a torcida para que as fabricantes Android sigam o exemplo e voltem a lançar celulares que — nas palavras da própria Apple — cabem na palma da mão. Via MacRumors.

Pelo meio ambiente

No dia em que a Apple apresentou o iPhone 12, falou-se mais de um “não produto” que dos novos celulares. Especificamente, da remoção do carregador de parede e dos fones de ouvido das caixas dos novos modelos e dos antigos que continuam à venda (SE, XR e 11).

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