Rodando “Doom” dentro de “Doom” e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Dez anos de Android 4.1 “Jelly Bean”

por Cesar Cardoso

Em 2012, a liderança do Android não estava consolidada. Apesar da queda dos fabricantes (Palm, Nokia “clássica”, Blackberry) e dos sistemas (PalmOS, Symbian, Windows Mobile) da primeira geração de smartphones, apesar do webOS ter sido vítima da crise da HP, havia um espaço enorme para um outro sistema operacional surgir e, aproveitando as fraquezas do Android de então, assumir a liderança de um mercado que, apesar de todo o esforço (e aí incluindo Apple), ainda era pequeno.

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O Google lançou a primeira versão estável do ChromeOS Flex nesta quinta (14). (Sim, agora “ChromeOS” se escreve assim, tudo junto.) O sistema é uma variante mais democrática do Chrome OS que vem equipado de fábrica. Ele pode ser instalado em centenas de computadores antigos (veja a lista) e promete dar vida nova aos já abandonados pelas fabricantes, como modelos de mais de uma década da Apple, por exemplo.

Embora seja quase igual, o ChromeOS Flex tem menos recursos que o Chrome OS que sai de fábrica nos Chromebooks. A principal ausência é o suporte a aplicativos Android. E, sempre bom lembrar, em qualquer caso é obrigatório o uso com uma conta Google logada, ou seja, todos os seus movimentos são monitorados e registrados pelo Google. Download aqui. Via Google (em inglês).

Prabhakar Raghavan, um vice-presidente sênior do Google, disse em um evento organizado pela revista Fortune que as novas gerações não recorrem de imediato ao Google para procurar um lugar para almoçar.

Em vez disso, cerca de 40% do grupo — jovens norte-americanos com idades entre 18 e 24 anos — abre o TikTok e o Instagram para encontrar restaurantes em vez do Google ou do Google Maps, como gente velha costuma fazer.

A notícia é um tanto surpreendente, mas aí penso em mim e, embora não seja mais jovem já faça algum tempo, me vejo replicando esse comportamento.

Quando quero saber o horário de funcionamento, cardápio ou dar uma olhada no ambiente de um restaurante, café ou coisa do tipo, com frequência acesso o Instagram antes do Google Maps, ou em detrimento do Google Maps.

O dado vem de uma pesquisa feita pelo próprio Google e ainda não divulgada publicamente. Por um lado, talvez gere preocupação em Mountain View; por outro, é algo bem-vindo como defesa contra quem acusa o Google de monopólio. Via TechCrunch (em inglês).

por Manual do Usuário

Nesta semana, o Manual do Usuário tem o patrocínio do Promobit, um aplicativo que te ajuda a encontrar as melhores ofertas na internet.

Todos os dias, a comunidade do Promobit publica mais de 700 ofertas de lojas virtuais confiáveis, cada uma delas verificada e validada por pessoas reais.

Acompanhe as ofertas pelo site, aplicativo móvel e canal no Telegram — tudo gratuito.

A startup que mudou o mundo — na marra

Toda startup sonha em mudar o mundo. Poucas conseguem. A Uber é uma delas. Como bem sabem os passageiros que usam o serviço, o caminho para o destino é importante. O da Uber, como confirmaram os “Uber files” revelados nesta segunda (11), foi bastante conturbado.

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Caiu o embargo aos reviews do novo MacBook Air com chip M2. Nada fora do esperado. Destaco estas impressões:

  • A ausência de ventoinha tem um impacto em processamento por longos períodos. Segundo Dave Lee, do canal Dave2D, aplicações que dependem de todos os componentes (CPU, GPU, disco) começam a apresentar degradação de desempenho após três minutos. De qualquer forma, não é o perfil de uso de quem recorre ao Air.
  • A exemplo do MacBook Pro com M2, a versão de entrada vem apenas com um chip de memória (256 GB) e isso reduz pela metade a velocidade do disco. “É um retrocesso decepcionante e significa que os únicos modelos que me sinto confortável em recomendar começam em US$ 1,5 mil”, escreveu Dan Seifert no The Verge.
  • A nova cor, azul meia-noite, é um ímã de impressões digitais, disseram… todos que tiveram contato com ela.

Apesar das ressalvas, todos recomendam enfaticamente o novo notebook da Apple. Via Dave2D/YouTube, The Verge (ambos em inglês).

Post livre #325

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Até poucas horas atrás, a única certeza do vindouro plano mais barato, sustentado por anúncios, da Netflix, é que ele estava sendo gestado. Agora, sabe-se que a parceira comercial nessa investida será a Microsoft.

Greg Peters, diretor de operações da Netflix, disse em comunicado que a parceria se traduz em “mais escolhas para os consumidores e uma experiência de marca premium, melhor que a da TV comum, para anunciantes”. Achei honesto ele especificar que a experiência será melhor para os anunciantes, ou seja, não será necessariamente melhor para os consumidores.

O trabalho nessa frente, ainda segundo Greg, está bem no começo, mas rumores dão conta de que o plano mais barato da Netflix deve chegar ainda em 2022. Via Netflix, Microsoft (em inglês).

Atualização (14/7, 8h35): O texto original se referia ao vindouro novo plano da Netflix como “gratuito”. A Netflix não confirmou a gratuidade do plano; em vez disso, refere-se a ele como “mais barato”.

Recado do leitor Ricardo Pinheiro:

A RetroRio é o encontro de colecionadores de computadores clássicos do Rio de Janeiro. Vamos ter micros dos anos 1970, 1980 e 1990, expostos pelos colecionadores. O encontro vai ser no dia 6 de agosto (sábado), das 10 às 18 horas. O endereço é Rua Garcia Redondo, 103, no Cachambi, a entrada é gratuita e não temos fins lucrativos. A página do evento é essa aqui: https://bit.ly/retrorio2022 — inclusive tem fotos dos encontros presenciais, de 2012 a 2019.

[Elon] Musk aparentemente acredita que é livre para mudar de ideia, detonar a empresa, bagunçar suas operações, destruir valor dos acionistas e sair impune.

— Advogados do Twitter.

O argumento do Twitter na Justiça nos Estados Unidos para obrigar Elon Musk a cumprir sua palavra e comprar a empresa por US$ 44 bilhões é pesada.

A empresa afirma que não há base para a alegação de Musk de que o acordo foi violado, o que lhe daria uma saída do negócio que, a essa altura, está evidente ele não quer mais. Via Reuters, Bloomberg (ambos em inglês).

Uma vantagem de ler publicações de negócios é que elas ajudam a limpar o “marketês” de anúncios de empresas e mostrar o que está por trás de certos movimentos.

O Nubank, por exemplo, anunciou um novo modelo de poupança, baseado em “caixinhas”, e mudou as regras da remuneração do dinheiro parado na conta. “Tudo para você ser protagonista da sua vida financeira”, diz o anúncio no blog oficial.

O Brazil Journal explica, porém, que as novas regras de rendimento — agora o dinheiro só começa a render diariamente após o 30º dia do depósito — é uma operação para diminuir os custos de “funding” da fintech. De lá:

O BTG estima que uma redução de 10 pontos percentuais no valor que o Nu gasta com a remuneração diária dos depósitos poderia gerar um ganho antes de impostos de US$ 250 milhões, ou 15% do lucro bruto estimado para o Nu este ano.

Já as “caixinhas” é uma forma do Nubank conhecer melhor o cliente e, de quebra, expô-lo a outros produtos de investimento disponíveis. O tipo de aplicação é oferecido de acordo com o prazo para resgate manifestado pelo cliente.

Um dado que chama a atenção: “O analista [Pedro Leduc, do Itaú BBA] estima que entre 40% e 50% dos depósitos a prazo do Nubank sejam resgatados em menos de 30 dias.” O resgate antes de 30 dias já era uma má ideia antes da mudança das regras devido à incidência de IOF. Via Nubank, Brazil Journal.

A 99, braço brasileiro da chinesa DiDi Chuxing, fechou uma parceria para colocar 300 carros elétricos da também chinesa BYD nas ruas de São Paulo. O modelo escolhido, D1, tem preço sugerido de R$ 270 mil, mas será oferecido aos motoristas na modalidade aluguel, via Aliança pela Mobilidade Sustentável, um grupo de empresas que se juntou em abril para promover a eletrificação da frota brasileira.

O chamariz, ao motorista, é um custo de manutenção até 80% menor que o de carros convencionais, com motores a combustão.

A 99 tem 750 mil motoristas ativos mensais no Brasil que atendem mais de 20 milhões de usuários. Via Folha de S.Paulo.

Depois de 11 anos à frente do Medium como CEO, o fundador Evan “Ev” Williams deixará o cargo. Em um comunicado publicado no Medium, ele disse que pretende passar os próximos meses ou anos criando uma holding/laboratório de pesquisas para “aprender tanto quanto possível coisas de que não sei muito a respeito”.

Uma dica, talvez, é aprender a não ferrar com editores e blogueiros que confiam o destino das suas publicações a uma startup de conteúdo, como o Medium fez com o The Awl e The Hairpin em 2018.

Tony Stubblebine, CEO do Coach.me e colaborador de longa data de Ev, assume o cargo de CEO do Medium. Via Ev Williams/Medium, New York Times (ambos em inglês).

Quando aquilo [a Uber] se revelou não ser o caso — que, na real, nós vendemos às pessoas uma mentira —, como você pode ter a consciência limpa se você não se levantar e se responsabilizar pela sua contribuição a como as pessoas estão sendo tratadas hoje?

— Mark MacGann, ex-lobista da Uber e delator dos “Uber files”.

Um dia depois de revelar os “Uber files”, o The Guardian trouxe uma entrevista com o responsável por vazar os 124 mil documentos que embasaram a reportagem original — e que, certamente, fará emergir outras revelações em breve. Via The Guardian (em inglês).