Netflix procura alguém para assistir a filmes — e ser pago por isso

Bruno Capelas, no Estadão:

Se você é daqueles que já disse: “ah, que bom seria se meu trabalho fosse ver filmes e séries o dia todo”, preste atenção: a Netflix acaba de abrir uma vaga para quem quiser trabalhar justamente com isso, tendo apenas a tarefa de descrever objetivamente cada filme e episódio de série que for assistido.

A vaga é esta aqui e é restrita a ingleses e irlandeses. Parece um sonho, né? Talvez seja mesmo, mas de forma alguma é um emprego fácil.

As habilidades exigidas dos candidatos já dão uma ideia da dificuldade: é preciso ser especialista em conteúdo de cinema e TV, detalhista e organizado, e obcecado pelo acompanhamento de projetos. Diferencial apreciado: saber usar o Excel e ter experiência com CMSs.

Esse trabalho é a primeira linha do sistema de recomendação de conteúdo da Netflix, um monstro super otimizado que combina insights humanos com a trituração de dados feita por algoritmos. No começo do ano Alexis Madrigal desvendou os segredos e bateu um papo Todd Yellin, vice-presidente de produto da Netflix e criador desse sistema, neste belo texto na Atlantic.

Xperia C3: o “melhor smartphone para selfies do mundo”

Fosse pelas suas especificações medianas, o Xperia C3 seria apenas mais um. Ele ainda corre esse risco, porém uma característica distinta pode destacá-lo da multidão ou, no mínimo, torná-lo uma atração bizarra: uma câmera frontal supostamente decente e com flash para fazer selfies.

A câmera tem 5 mega pixels e uma lente do tipo grande-angular, com campo de visão de 80º, o que permite enquadramentos maiores. (A título comparativo, a do iPhone 5 tem 60º.) Há também um flash ao lado da câmera frontal, para viabilizar as selfies na balada e em outros lugares desprovidos de muita luz. O app da câmera traz funções que inserem adereços virtuais e outra, um tanto quanto creepy, para “maquiar” as pessoas nas fotos. Entenda no vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=YToio7g6hAw

A Sony foca em um nicho muito específico ao alardear o Xperia C3 como o “melhor smartphone para selfies do mundo”, mas deve ter público, certo? Espero que a qualidade do sensor e do pós-processamento seja melhor que a do Xperia C, que também tem um apelo relacionado a selfies (um assistente por voz para fazê-las com a câmera de trás), só que não entrega fotos muito bonitas.

Sai em agosto, primeiro na China, depois no resto do mundo, nas cores preta, branca e “menta” (ou verde-geladeira-da-década-de-1940).

App Health do iOS 8 conta passos sem depender de acessórios externos

O iOS 8 Beta 3 trouxe uma versão atualizada do app Health capaz de mensurar os passos do usuário sem depender de um acessório como pulseira ou relógio. Agora ele é capaz de extrair e apresentar esse tipo de dado do chip M7, dedicado a essa função, presente no iPhone 5s.

Com isso, ele se equipara ao Saúde e Bem Estar, do Windows Phone 8.1, que atua da mesma forma com smartphones Lumia que contêm o SensorCore — modelos 630, 635, 930 e 1520.

Estou testando o Xperia Z2 com uma SmartBand, a pulseira bacana que faz essa função de podômetro, monitora meu sono (sabe-se lá como) e permite controlar algumas funções rudimentares do smartphone através de toques em sua superfície. Além de esfregar meu sedentarismo na cara, ainda não encontrei outra função que não a estética para a SmartBand.

Escreverei mais sobre ela, e adianto a pergunta: o que você espera, ou gostaria que uma pulseira do tipo fizesse? E questiono, também: por acaso estou deixando alguma coisa incrível que esse negócio é capaz de fazer?

Samsung prevê queda em lucros

Brian X. Chen, no New York Times:

A Samsung, sediada na Coreia do Sul, publicou na terça uma prévia dos seus resultados fiscais que indica um luco de ₩ 7,2 trilhões, ou US$ 7,1 bilhões, para os três meses que se encerraram em junho.

Embora ainda seja uma quantia substancial de dinheiro, o lucro geral representa uma queda de 24% em relação ao mesmo período de um ano atrás. A prévia de lucros também não bate com as expectativas dos analistas de ₩ 8 bilhões.

Para explicar o rendimento abaixo do esperado, a Samsung culpa um monte de fatores: o fortalecimento do won (a moeda sul coreana); o desaquecimento das vendas de smartphones em mercados-chave, em especial a China onde o segundo trimestre costuma ser fraco; o ciclo de atualização mais lento dos tablets; investimentos pesados em marketing; e a competição acirrada de fabricantes emergentes orientais, como Lenovo e Xiaomi.

A volta dos que não foram, estrelando ICQ

Hoje compartilharam comigo um post do Olhar Digital que dizia que “o ICQ voltou”. Durante o dia, um punhado de sites reverberou a notícia, incluindo alguns grandes e que não tratam especificamente de tecnologia, como Veja, G1 e Galileu.

O Henrique, do ZTOP, mandou para mim o comunicado à imprensa que anunciou as versões para smartphones do ICQ no Brasil. O e-mail data de 21 de junho de 2012. No iOS, o ICQ existe desde fevereiro de 2009.

Por que, então, 31 sites (no mínimo) publicaram essa “nãotícia”? O leitor Vagner Abreu matou a charada:

https://twitter.com/VagnerLigeiro/status/486274963138437121

O Mail.ru, atual proprietário do ICQ, está disparando um e-mail convidando antigos usuários a darem uma olhada nos apps. Na chamada vem escrito “Say hello to new ICQ”, seguido de uma lista de destaques. Concordo que o conceito de “novo” possa ser relativo, mas convenhamos: não é o caso aqui.

O (não tão) novo ICQ.
Imagem: ICQ.

O “novo” ICQ, versão 5.0, foi lançado em abril. Ele trouxe o novo visual no iOS, suporte a grupos de bate-papo, vídeo chamadas, papéis de parede e outros recursos menores, todos os que as “nãotícias” de hoje deram como novidade. A única destacada por elas que realmente consta da última atualização, a 5.3 de 26 de junho, é a presença dos stickers, aqueles emoticons gigantes.

Dá até para imaginar os russos olhando, intrigados, para relatórios de audiência e tráfego mostrando um aumento explosivo no uso do ICQ no Brasil hoje. A palavra tem poder.

A maldição das pessoas inteligentes

Da startup que cobrava US$ 15 por US$ 10 em moedas para a lavanderia ao Facebook e seu experimento que fazia as pessoas se sentirem miseráveis “pela ciência”, não são poucos os exemplos de desconexão da realidade saídos do Vale do Silício. Por que falta tanta sensibilidade em quem faz os gadgets, apps e a Internet que o mundo inteiro usa e adora?

Uma das culpadas é a obsessão por números, pela lógica. Para que computadores consigam entender seres humanos, precisamos ser reduzidos a números. No processo de “conversão”, claro, muitas nuances, particularidades, poréns e outros aspectos mais específicos são reformatados, simplificados. Esse assunto é fascinante e o melhor texto que já li a respeito foi este, de David Auerbach.

Mas não é só isso, afinal por mais que números e o reducionismo que aplicam existam, eles não brotam da terra. Alguém os criam, alguém semelhante a nós. Pessoas.

Recentemente Avery Pennarun, um engenheiro do Google, descreveu o que considera esse outro culpado: o excesso de confiança e de sucesso de quem atua nessa indústria. O argumento parece ilógico e é justamente por isso que chama a atenção e tem sentido. Segundo Pennarun, pessoas racionalmente inteligentes, capazes de argumentar e provar todas as suas teorias, acabam perdendo o tato, ignorando a intuição. Provas lógicas de inteligência nem sempre encerram discussões ou são a solução para um problema.

Quadrilha rouba R$ 80 milhões em equipamentos da Samsung

A fábrica da Samsung em Campinas (SP) foi assaltada na madrugada desta segunda-feira (7), no Parque Imperador, às margens da Rodovia Dom Pedro I. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente 20 criminosos renderam funcionários e vigias, e usaram sete caminhões próprios para levar cerca de 40 mil peças, entre tablets, celulares e notebooks. A carga é avaliada em R$ 80 milhões, de acordo com os policiais responsáveis pela investigação. Ninguém ficou ferido.

(…)

Para a Polícia Civil, os criminosos tinham muitas informações sobre os procedimentos da empresa. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), e estiveram no local funcionários da Samsung, da empresa de segurança privada, além de representantes de uma seguradora. Imagens da multinacional, rodovias e da cidade são avaliadas em busca de pistas sobre suspeitos.

Do Gizmodo:

O R7 diz que eles então renderam os funcionários e pediram para tirar a bateria dos celulares – assim ninguém chamaria a polícia.

Se fosse uma fábrica da Apple…

Regras da Anatel que beneficiam consumidor entram em vigor amanhã

Parte da Resolução nª 632 da Anatel, publicada em março, começa a valer amanhã (8/7). As novas regras valem para telefonia (fixa e móvel), Internet e TV por assinatura. Elas ampliam os direitos do consumidor e estabelecem prazos e condutas bem interessantes. O site da Anatel destaca as principais:

  • Cancelamento automático sem precisar falar com um atendente do SAC no prazo máximo de 48 horas.
  • Obrigação da operadora em retornar a ligação caso ela caia.
  • Validade mínima de 30 dias para créditos de celulares pré-pago independentemente do valor.
  • Promoções válidas para todos, sem distinção entre clientes novos e antigos.

Nunca entendi a preferência em agradar quem não é cliente em detrimento de quem confia e paga pelo seu serviço.

  • Transparência nas ofertas.

Esse último tópico, como explica a notícia d’O Globo, exigirá mudanças operacionais por parte das operadoras para que a documentação dos planos seja entregue de forma completa.

Via Tecnoblog.

Anatel publica norma para reduzir custo de ligações entre operadoras distintas

Da Anatel:

Quanto às reduções esperadas, até 2019 a VU-M deverá reduzir-se em mais de 90%, quando atingirá um valor médio em torno de R$ 0,02 (dois centavos de real). Hoje o valor médio de VU-M está em torno de R$ 0,23 (vinte e três centavos de real). Esta redução de preços de interconexão deverá se refletir nos preços dos serviços de telefonia ofertados pelas empresas ao consumidor, pois haverá aumento da competição no setor. Também são esperadas reduções significativas nas tarifas fixas (TUs) e valores de EILD.

As reduções nos valores de interconexão deverão impactar, também, os preços das chamadas fixo-móvel, que deverão reduzir-se substancialmente.

A orientação a custos dos valores e tarifas de interconexão é importante, ainda, para diminuir o chamado “efeito clube”. Com valores de interconexão altos, as chamadas para outras operadoras acabam se tornando caras. Assim, parentes ou amigos precisam ter o chip de uma mesma operadora para aproveitar os preços reduzidos de chamadas on-net.

Com a medida, espera-se que os preços off-net (para telefones fora da operadora de origem) se tornem mais próximos dos preços on-net. Assim, o consumidor não precisará de vários aparelhos celulares ou vários chips em um mesmo celular para realizar chamadas para outras operadoras a preços mais próximos às chamadas on-net.

A nova norma publicada pela Anatel deve tornar apps como o Operadora DDD, que acabei de citar, desnecessários. O “efeito clube” ao qual a agência se refere guia o mercado de telefonia móvel no país. É graças a ele que por aqui se proliferam celulares dual SIM e que algumas operadoras mantêm suas posições — mesmo com infraestrutura pior em dada região, há resistência entre as pessoas em mudar e, nessa, acabar pagando caro para manter contato com amigos e parentes.

A única coisa complicada é o prazo de cinco anos para que a redução se complete. Talvez em 2019 não estejamos mais tão preocupados em falar ao telefone, ou então, mais provável, que a Internet móvel vire uma uma via acessível ao VoIP. Para SMS o WhatsApp já faz esse papel.

App atualizado: Operadora DDD

Das coisas que sinto falta no iOS, o Operadora DDD é uma delas. Esse app para Android faz todo o trabalho sujo de manter atualizado ou modificar números em tempo real de acordo com a sua operadora, uma forma de aproveitar os descontos que elas dão para ligações entre seus próprios clientes e evitar pagar fortunas quando se liga para os das concorrentes.

A nova versão do Operadora DDD ganhou um visual mais refinado e conta agora com um modelo de assinatura. Custa US$ 1 por ano e dá direito aos seguintes recursos:

  • Inserção do nome da operadora do contato em seu número na tela de discagem.
  • Restauração de backup.
  • Histórico de alteração de operadora de todos os contatos.

A versão gratuita continua funcional e deve ser suficiente. Pelo custo-benefício, porém, vale a pena assinar ainda que apenas para apoiar o ótimo trabalho do Denis Souza.

Dica do leitor Nelson Silva Souza. Valeu!

Autorizações simplificadas do Google Play representam um risco

O Google implementou uma mudança na política de permissões dos apps baixados na Play Store. Não é algo novo (faz pelo menos um mês que li sobre), mas o assunto continua rendendo e sem solução.

A mudança reflete na tela de permissões que um app exibe antes de ser instalado. É mais estética do que útil, já que esconde o detalhamento de cada grupo de permissões por padrão e exige o toque em cada um deles para que seja expandido. Veja o antes e depois:

Permissões dos apps na Play Store.
À esquerda, como era antes. À direita, o novo sistema.

Outra novidade é que agora os apps podem criar permissões próprias. Elas aparecem sempre no final da lista em uma categoria chamada “Outras”. O app do Twitter, por exemplo, traz o “solicitar acesso a sua conta do Twitter”.

Uma última que pegou carona nessa maquiada é a que tem as implicações mais sérias. O Google divide as permissões em grupos e, dentro deles, estipula outras granulares. Antes, quando um app era atualizado e passava a precisar de novas permissões dentro de um grupo já garantido precisava ser reaprovado pelo usuário. Agora, é oito ou oitenta: após conceder permissão a um app ele poderá ser atualizado com novas “sub-permissões” dentro dos grupos já liberados sem que o usuário sequer fique sabendo.

O exemplo prático de Chris Hoffman é bem claro:

(…) um app que queira ler mensagens SMS recebidas precisa da permissão “Ler mensagens SMS”. Quando você for instalá-lo na Play Store, ele pedirá a permissão do grupo “SMS”.

Instale o app e você estará dando acesso a todas as permissões relacionadas a SMS. O app pode, agora, ser atualizado automaticamente e ganhar a capacidade de mandar mensagens SMS sem pedir a você.

Existem outros cenários tão ruins quanto, e esse específico das mensagens SMS (e a análoga a ligações) é facilmente explorável por scammers que disponibilizam jogos e apps fraudulentos para lucrarem com ligações na surdina, encaminhamento de chamadas e mensagens SMS, tudo às custas da vítima.

Até agora, um mês depois dos primeiros sites denunciarem esse problema, o Google não se pronunciou. O sistema de permissões dos apps no Android nunca foi exemplo de implementação e, como se não bastasse, piorou.

Visão geral do ART (Android RunTime)

O Android L marca a “virada na chave” do ART, ou Android RunTime, uma nova rotina que muda a forma com que o sistema manipula apps. Ela entra no lugar da máquina virtual Dalvik, geralmente apontada como a culpada pelos pequenos engasgos no Android.

A forma com que esse sistema lida com a execução de apps é única entre os modernos e, até agora, fonte de alguns inconvenientes — a maioria contornada de modo notável pelo Google. Só que tudo tem limite e em vez de continuar remendando a Dalvik, o ART surgiu como uma fundação sólida e escalável para o futuro do Android.

No AnandTech, Andrei Frumusanu faz um passeio completo e compreensível para leigos das vantagens do ART em relação à Dalvik. Alguns pontos chamam a atenção:

A grande mudança de paradigma que o ART traz é que em vez de ser baseado em um computador Just-In-Time (JIT) [“na hora”, em tradução livre], ele agora compila aplicativos Ahead-of-Time (AOT) [“antes da hora”]. De ter que compilar de bytecode para código nativo cada vez que você roda um app, para ter que compilá-lo apenas uma vez, e toda execução daquele ponto em diante é feita a partir do código nativo compilado existente.

Claro, essas traduções nativas dos apps tomam espaço, e essa nova metodologia é algo que é possível hoje apenas devido ao vasto aumento do espaço para armazenamento disponível nos dispositivos atuais, uma grande mudança dos primeiros gadgets com Android.

Se já era ruim lidar com smartphones de 4 GB (ou menos) de memória interna, agora mais ainda. Talvez isso sirva de última gota d’água para as fabricantes colocarem no mínimo 8 GB em seus aparelhos.

Frumusanu passa por outros ganhos mais complexos e termina essa primeira parte da matéria comentando o outro contra além do espaço extra necessário: mais demora na primeira execução de um app. Com os aperfeiçoamentos futuros no ART espera-se que esse tempo chegue aos níveis da Dalvik, ou até melhores.

A segunda página é toda dedicada a comparar os coletores de lixo da Dalvik com o do ART. “Coletor de lixo” é um recurso que libera do desenvolvedor a tarefa de endereçar memória e limpá-la quando o app termina de usá-la. Com exemplos práticos, a superioridade do ART é mostrada: ele perde menos tempo, gasta menos memória e é mais eficiente nesse trabalho.

Ainda há alguns comentários sobre a arquitetura 64 bits e diferenças na implementação do Google em relação ao iOS, mas o importante está quase no final:

Isso também significa que o Android está finalmente apto a competir com o iOS em termos de fluidez e desempenho de apps, uma grande vitória para o consumidor.

Amém.

Um mês com o celular mais desejado de 2004

Ashley Feinberg, no Gizmodo:

Em julho de 2004, a Motorola lançou o RAZR V3, um dos celulares mais icônicos de todos os tempos. Exatamente 10 anos depois, deixei meu iPhone de lado para experimentar o mundo onde apps não existem e o T9 reina. Talvez eu tenha feito pela nostalgia. Talvez porque eu me odeie um pouquinho. De qualquer forma, uma coisa é certa: usar o melhor celular de 2004 em 2014 é um inferno.

Dependendo do referencial 2004 não parece estar tão longe. Pela maioria deles, não é mesmo. Mas na tecnologia…

Chamou-me a atenção o tópico sobre as senhas. Apps como o 1Password conseguem aquela união rara entre segurança e comodidade, mas acho que não me sentiria confortável em terceirizar o acesso de todas as minhas contas a qualquer lugar fora da minha cabeça.

Nos EUA, streaming e vinil sobem, arquivos digitais e CDs descem

David Bakula, vice-presidente sênior da Nielsen:

“Com a transmissão sob demanda passando 70 bilhões de músicas nos primeiros seis meses de 2014, o streaming continua a ser uma parte significativa da indústria da música. O crescimento anual de 42% do streaming e o aumento de 40% dos vinis em relação ao recorde do ano passado mostram que o interesse em comprar e consumir música continuam altos, com dois segmentos bem distintos da indústria expandindo substancialmente.”

O relatório da Nielsen contempla as vendas de todas os formatos de música nos EUA dentro do primeiro semestre de 2014. No todo, o mercado encolheu 3,3%, porcentagem baixa e que somada aos números superlativos acima, mostram que embora a forma de se ouvir música esteja mudando, o interesse por ela segue estável.

CDs tiveram uma queda de 19,6% em relação ao mesmo período de 2013. Combinadas, as vendas de álbuns e faixas digitais (no modelo da iTunes Store) caíram 12%. Os 42% de aumento no consumo via streaming contemplam áudio e vídeo; sozinho, o de áudio teve um salto de 50,1% em um ano.

A fotografia virou uma forma universal de conversação

Benedict Evans:

A fotografia virou uma forma universal de conversação, em vez da cristalização de um momento especial ou uma parte do conteúdo editorial profissional.

Antes de chegar a essa conclusão ele apresenta alguns números gigantescos sobre a fotografia digital — ele estima que em 2014 compartilharemos mais de um trilhão de fotos. Fotografamos mais do que podemos (e queremos); isso muda a função da fotografia. O registro visual vira palavra, como conclui Evans.

Esse novo paradigma não exclui o antigo, claro. A convivência entre os dois é perfeitamente possível, só que traz novos problemas a serem resolvidos. Sem dificuldade, dá para pensar em dois: a qualidade das imagens e a organização.

Sistemas que se propõem a colocar ordem de forma automatizada às toneladas de fotos que tiramos, como o Carousel, ThisLife ou Google+ devem ganhar mais atenção na medida em que as pessoas passarem a se dar conta da fragilidade desse material digital. Em paralelo, temos ainda as revelações, que resistem e têm aquela aura de materialidade que fascina mesmo quem nasceu digital.

Na hora de transformar bits em celulose, o outro problema surge: a qualidade. É situação recorrente, em eventos importantes e no dia a dia, vermos smartphones onde antes apareciam câmeras. A convergência e o preço explicam, mas não resolvem a qualidade média dessas imagens. Mesmo smartphones intermediários de qualidade ainda derrapam nesse setor e trazem câmeras que mesmo perto de modelos dedicados de entrada passam vergonha. Se a captação é ruim, não há milagre de pós-produção que melhore o resultado — e raramente existe qualquer tipo de pós-produção.