Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

A maldição das pessoas inteligentes

Da startup que cobrava US$ 15 por US$ 10 em moedas para a lavanderia ao Facebook e seu experimento que fazia as pessoas se sentirem miseráveis “pela ciência”, não são poucos os exemplos de desconexão da realidade saídos do Vale do Silício. Por que falta tanta sensibilidade em quem faz os gadgets, apps e a Internet que o mundo inteiro usa e adora?

Uma das culpadas é a obsessão por números, pela lógica. Para que computadores consigam entender seres humanos, precisamos ser reduzidos a números. No processo de “conversão”, claro, muitas nuances, particularidades, poréns e outros aspectos mais específicos são reformatados, simplificados. Esse assunto é fascinante e o melhor texto que já li a respeito foi este, de David Auerbach.

Mas não é só isso, afinal por mais que números e o reducionismo que aplicam existam, eles não brotam da terra. Alguém os criam, alguém semelhante a nós. Pessoas.

Recentemente Avery Pennarun, um engenheiro do Google, descreveu o que considera esse outro culpado: o excesso de confiança e de sucesso de quem atua nessa indústria. O argumento parece ilógico e é justamente por isso que chama a atenção e tem sentido. Segundo Pennarun, pessoas racionalmente inteligentes, capazes de argumentar e provar todas as suas teorias, acabam perdendo o tato, ignorando a intuição. Provas lógicas de inteligência nem sempre encerram discussões ou são a solução para um problema.

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3 comentários

  1. A objetividade de exatas é boa porque não deixa espaço para leigos falarem bobagem, o completo oposto de humanas. Não tem muita margem para opiniões pessoais e subjetividade.

    Que pessoa não tem opinião sobre Economia sem ter estudado nada sobre o assunto? Fora que a falta de racionalidade é algo constante, vide opiniões extremadas sobre política ou mesmo sobre tecnologia pessoal de pessoas com conhecimento sobre esses temas.

    Acredito que você lembra como as discussões sobre hardware de PC eram muito mais simples do que sobre smartphones e eco-sistemas, antes era muito mais para exatas a discussão. Era fácil explicar porque X era melhor que Y.

  2. Eu fiquei impressionado com a pouca importância que deram para a questão ética da pesquisa, nenhum conselho de ética permitiria um experimento dessa escala sem ninguém ser avisado sobre. Algumas pessoas podem relevar a importância desse tipo de coisa, mas uma empresa desse porte agir dessa forma é complicado. Infelizmente, é a cara do Facebook esse tipo de atitude.

    Eu achei interessante o Google estar contratando filósofos para questões éticas. Parece-me uma atitude mais madura, entender que há certas questões que não estão na alçada de programadores (por melhores que sejam).

    É uma discussão longa a questão de humanas do ponto de vista do pessoal de exatas, espero que esses casos levantem essa discussão.

    1. Imagino que o pessoal de exatas tenha a mesma dificuldade que nós de humanas temos quando nos deparamos com uma equação complexa. A diferença é que como os números têm respostas binárias, processos replicáveis e analisáveis objetivamente, a ignorância da galera de humanas é mais perceptível. Ou “quantificável”, para ficarmos no contexto.

      Essa abertura que você cita por parte do Google é realmente bem-vinda, e outras empresas estão se ligando — o Snapchat contratou o Nathan Jugerson, por exemplo. A complementaridade dos dois campos tem o potencial de trazer benefícios a todos os envolvidos: empresa, funcionários e usuários.

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