Indetectável e impossível de bloquear, Fingerprint Canvas expõe o paradoxo privacidade vs. comodidade dos navegadores modernos

Uma nova técnica de identificação e criação de perfis online chamada Fingerprint Canvas foi descoberta por pesquisadores americanos e belgas. Ela foi desenvolvida pelo AddThis, um serviço que facilita a implantação de botões de redes sociais em sites, e detectada em 5% dos 100 mil sites mais populares segundo o ranking do Alexa (lista completa).

Esquema da técnica.A técnica consiste em desenhar uma frase oculta que contém todas as letras do alfabeto usando a tag <canvas> dos navegadores modernos. Como a “letra” varia de acordo com vários critérios (sistema, navegador, fontes instaladas e outros), cada máquina gera um desenho único (daí o nome, “impressão digital”). Ao cruzar esse dado com outros passa a ser possível identificar um usuário e, com base nisso tudo, formular os perfis de consumo de que empresas de publicidade tanto gostam. Não só: combinando a técnica com outras, é possível criar “evercookies”, mais resilientes e difíceis de detectar que os cookies tradicionais.

Segundo Rich Harris, CEO do AddThis, o desenvolvimento do Fingerprint Canvas é uma tentativa de substituir o cookie, o pequeno arquivo gerado por sites para guardar informações personalizadas do usuário e que, tão frequentemente quanto, ajuda empresas de publicidade a identificarem melhor os gostos do público a fim de direcionar melhor seus anúncios. Ele alega que os testes da nova técnica alcançaram apenas 13 milhões de sites, que os resultados não são utilizados para fins duvidosos àqueles que optarem por isso (ou seja, é opt-out) e que considera encerrar os esforços em breve porque o identificador não é único o bastante.

Embora a Fingerprint Canvas tenha se revelado um parâmetro falho para o fim a que se destina, o que mais assusta nessa técnica é a persistência e sua indetectabilidade. Como ela se aproveita de um recurso intrínseco aos navegadores modernos, a tag <canvas> do HTML, é difícil barrá-la. Seria o equivalente a impedir o seu navegador de exibir palavras em negrito para conter uma possível brecha de segurança.

No BoingBoing, Glenn Fleishman explica que essa e outras técnicas só são possíveis pela evolução dos navegadores. Se antes eles serviam como janelas burras que exibiam conteúdo limitado e totalmente processado no lado servidor, nos últimos anos com coisas como HTML5, Ajax e armazenamento local (IndexedDB, por exemplo), o navegador ganhou super poderes e passou a ter mais autonomia ao lidar com páginas web. E como dizia o tio Ben…

Mais sofisticação traz consigo um previsível preço relacionado à privacidade sobre a qual esse último paper [do Fingerprint Canvas] revela mais coisas. Quanto maior o poder e a flexibilidade de uma alternativa para que dados sejam armazenados ou criados no navegador, maior a probabilidade de que ela seja usada para isolar e identificar um navegador, se não um indivíduo. Quem desenvolve navegadores normalmente permanece neutro ou minimiza os impactos em privacidade de novos recursos que têm o potencial de empurrar informações aos navegadores ou identificá-los unicamente. Mesmo em casos onde não são, a tecnologia pode ser tão poderosa que pode ser subvertida para o rastreamento.

Para o pesquisador de segurança e privacidade Ashkan Soltani, trata-se uma corrida armamentista cujo ganhador são os anunciantes e o culpado por ela, a economia da Internet. “Existe um grande incentivo para ter certeza de que você está identificando (com cookies ou impressão digital) cada usuário individualmente a fim de se ter uma contagem precisa (e, consequentemente, um montante exato de dólares).”

Na ProPublica, que divulgou o paper que expõe a Fingerprint Canvas, Julia Angwin traz um pequeno roteiro ensinando como navegar anonimamente. As dicas denotam, em ressalvas como “pode ser lento” e “quebra vários sites”, como os avanços dos mecanismos de rastreamento estão intimamente ligados à tecnologia dos navegadores. Manter-se anônimo na web, hoje, é sinônimo de ter uma experiência de segunda classe. Troca-se, afinal, a privacidade pela comodidade.

Essencial Tech da Super Interessante

Estava passando o tempo em uma livraria no aeroporto de Cumbica, na última quarta-feira, quando encontrei esta revista:

Especial da Super Interessante.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Por que você a esta vendo aqui? Porque a convite do Pedro (obrigado!), colaborei neste especial da Super Interessante.

Expediente da revista.
Olha eu ali! Foto: Rodrigo Ghedin.

Fiquei bem contente — por ter colaborado e pelo resultado. Sou suspeito a falar, mas curti muito o material. Com dicas, recomendações diretas e dados interessantes, a revista trata de jogos, imagem, smartphones, apps etc, e termina com alguns exercícios de futurologia, mas aquela futurologia do bem, que analisa sinais contemporâneos para antecipar o que provavelmente será lugar comum amanhã.

Custa R$ 14 e já deve estar nas melhores bancas do país. Quem preferir a versão digital, tem no iba pelo mesmo preço.

Primeiras impressões do Lumia 630

Mais um dia, mais um smartphone desembarca aqui. Desta vez foi o Lumia 630, da Microsoft, o palco para a estreia no Windows Phone de dois recursos de muito apelo no segmento de entrada: suporte a dois SIM cards e TV digital.

Atualização: O review completo do Lumia 630 já está no ar.

Lumia 630.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Gostei: o tamanho é bem legal. Se encaixa bem na mão, no bolso e a espessura, embora não seja das mais finas, também fica dentro dos limites confortáveis para o manuseio. Ele tem um design bem simples, ainda mais do que a média dos Lumias — nada de botão dedicado a fotos, ou os táteis do sistema, que agora são virtuais. Ajuda na composição de um visual mais clean. Já vem com Windows Phone 8.1 instalado.

Não gostei: a unidade que recebi está bem gasta, com a tampa de trás suja (e ainda por cima é branca) e umas marcas na tela deixadas pelo adesivo de fábrica que a cobre. A primeira impressão da tela é ruim: além da resolução que não empolga, o brilho no médio está mais para baixo (e não há sensor de luminosidade) e a sensação do toque é ruim. Lembra muito aqueles smartphones abaixo de R$ 500 que testei ano passado.

O que mais: não sei se alguém esqueceu dele ou se não existe mesmo, mas diferente de outros smartphones com suporte a TV digital este Lumia 630 não tem aquela antena externa que vai no plug dos fones de ouvido. Pelo Twitter o Guilherme me avisou que a antena do Lumia 630 está embutida nos fones de ouvido. Vieram na caixa o carregador de parede, a bateria (solta) e os fones, que parecem extremamente básicos. A caixa, aliás, é bem diferente daquelas azuis padrão Nokia. Gostei da mudança, o novo desenho tem um ar mais moderno.

Nova caixa do Lumia 630.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O próximo review da fila é o do Xperia Z2 (o da SmartBand, que vem no pacote, saiu semana passada), depois vem o Moto E e, aí sim, Lumia 630. Se tiver alguma dúvida ou quiser sanar uma curiosidade sobre o Lumia 630, use os comentários abaixo.

A dupla dinâmica do Foursquare parte em uma missão de vida ou morte

Na última terça-feira, em São Paulo, notificações do Swarm apareceram com mais frequência na tela do meu smartphone. Muitos contatos moram na cidade e, estando nas redondezas, o app espertamente passou a exibir as atividades deles.

Havia (ainda há) dúvidas sobre o Swarm, o app exclusivo para check-ins do Foursquare. Apesar de promissor e cheio de oportunidades para se encontrar cara a cara com seus amigos (é isso o que importa, certo?), a remoção das medalhas, prefeituras e sistema de pontos foi um banho de água fria nos usuários mais assíduos.

Parece, porém, que para um público maior o racha do app principal foi positivo. No anúncio das futuras novidades do Swarm, o blog oficial informou que “tem sido intenso [o trabalho] para acompanhar o crescimento (o Foursquare não teve tantos usuários por alguns anos)”. Novos stickers e mudanças sutis no funcionamento do app estão nos planos para o futuro próximo, junto com o app oficial para Windows Phone.

O renovado Foursquare.
Imagem: Foursquare.

Quem também está na boca do forno é o renovado Foursquare. Com novo logo, visual reformulado e foco total na descoberta de lugares, o app tentará mais uma vez se livrar do estigma dos check-ins.

Para aqueles que viam o Foursquare apenas como um jogo e ignoravam todo o resto, vale a dica: dê uma olhada no banco de venues e nas dicas deixadas pelos usuários. É um conteúdo rico e mais organizado do que, por exemplo, o do Facebook — reparou como os locais do Instagram ficaram bagunçados recentemente? Migraram o banco de dados do Foursquare para o do Facebook.

O novo app é todo sobre esse eterno “lado B” da antiga experiência do Foursquare. Agora que não precisa mais abrigar toda a mecânica de check-ins e dividir as atenções, ele se dedicará a fornecer informações úteis, relevantes e, em conjunto com o Swarm, atualizadas: em tempo real, baseado no uso desse, o Foursquare poderá indicar quais locais ao redor estão bombando, criando um mapa vivo e vibrante do mundo. É uma combinação de fatores interessante e sem igual na indústria hoje.

É mais fácil alguém estar em busca de um restaurante bacana do que de jogar na cara dos amigos que foi a mais lugares, daí o interesse do Foursquare em promover seu lado Yelp, de transformar o “lado B” em hit. Além do público em potencial ser maior, paga-se bem por boa informação. A Microsoft despejou US$ 15 milhões para botar as mãos nas venues do Foursquare e, recentemente, os maiores usuários/parceiros do Foursquare, que somam menos de 1% do total, passaram a ser cobrados por esse acesso.

Casos de serviços que não estouram para o mainstream e, a despeito disso, continuam operando por tanto tempo não são muito comuns. O Foursquare surgiu no começo de 2009; no universo de apps e startups, cinco anos é uma era. A sorte é que ninguém, incluindo Facebook e Google (que tenta mais uma vez atropelá-lo), ainda conseguiu quebrar o código da geolocalização. A dupla Swarm + app principal renovado é a aposta mais alta já feita pelo Foursquare. Se não for agora, talvez não fosse para ser.

Oi é multada pelo Navegador, da Phorm. Antes tarde do que nunca?

A parceria da operadora Oi com a empresa Phorm, que tem sede em Londres, para utilização de uma ferramenta de identificação de preferência dos usuários na internet para fins publicitários está levantando dúvidas nos órgãos federais que avaliam ou monitoram o assunto. O tema está sob análise tanto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto do Ministério da Justiça […]

O parágrafo acima é de uma notícia de 2010, mas somente nesta semana a Oi foi multada em R$ 3,5 milhões por ferir os princípios da boa fé e transparência na oferta do Navegador, uma tecnologia da inglesa Phorm que monitora os hábitos de navegação do usuário de banda larga para construir perfis de consumo e vendê-los a empresas de publicidade.

A parceria entre Oi e Phorm terminou em março do ano passado. A Oi disse que recorrerá da multa.

Como as empresas de tecnologia se saíram no último trimestre fiscal (2Q2014)

Diversas empresas de tecnologia com capital aberto estão divulgando seus relatórios trimestrais nesta semana. Esses documentos públicos são uma exigência da Bolsa e trazem, resumidamente, números: vendas, faturamento e lucro (ou prejuízo).

Por que você está lendo isso aqui? O site não virou um Manual do Investidor, nem mudou de foco. Esses relatórios, porém, servem ao mesmo tempo de indicativos para o futuro das empresas e termômetro para suas ações mais recentes. Tomemos a BlackBerry como exemplo. As mudanças radicais em comando, estratégia e abertura se devem ao mau desempenho dos seus papéis. Como empresa de capital aberto, agradar aos investidores e manter seu valor de mercado em alta passa a ser uma meta importantíssima, talvez a mais importante.

Abaixo, um resumo das que já divulgaram seus números e seus destaques relativos ao segundo trimestre (terceiro, para a Apple) do ano fiscal1 de 2014. (mais…)

O Lumia 530 empurra o Windows Phone ainda mais para baixo na tabela de preços

https://www.youtube.com/watch?v=T663YbyHzDY

A Microsoft anunciou o Lumia 530 mirando no segmento low-end. Na Europa, ele custará € 85, o que lhe dá o título de Windows Phone mais barato já lançado pela Nokia/Microsoft. (Para colocar em perspectiva, o Lumia 520 foi lançado por € 139.) Apesar da numeração dos modelos, não se engane: o sucessor do Lumia 520 é o Lumia 630, lançado no final de maio.

O Lumia 520 é (justificadamente) um sucesso de vendas. Responde por 1/3 dos Windows Phone vendidos pela Nokia/Microsoft e abriu os olhos da Microsoft para o segmento de entrada. Com a absorção da Nokia e o fim das linhas mais baratas com S40 e Android AOSP (leia-se Nokia X), a missão de conquistar o consumidor que chega agora ao mundo dos smartphones recai toda no Windows Phone.

O Lumia 630 (review em breve) traz várias melhorias e similaridades em relação ao Lumia 520. Já o Lumia 530 é um downgrade: com exceção do processador, algumas configurações são iguais e várias, inferiores.

O Lumia 530 mantém a limitada RAM de 512 MB e a câmera de 5 mega pixels, e essa, para piorar, perdeu a capacidade de gravar vídeos em alta definição e o foco variável. Outra baixa notável é a memória interna, que de 8 GB no 520, caiu para 4 GB. Tudo bem, existe o slot de para cartão SD, o problema é que gastar mais para expandir uma memória limitadíssima vai contra a motivação de quem compra um smartphone de entrada, que é gastar menos. Ele também é mais grosso e pesado que o Lumia 520, e perdeu o painel IPS da tela.

Os Lumia 530 e 630 parecem variantes de projetos multiplataforma, como notou Paul Thurrott. Eles têm botões virtuais e carecem do (físico) dedicado à câmera, característica marcante e, até então, onipresente nos Windows Phone da Nokia. Talvez a ideia da Nokia, antes de ser vendida e de focar totalmente num sistema só, fosse compartilhar esse projeto entre as linhas Lumia e X. Isso, claro, além de custo: é seguro presumir que o valor alcançado pelo Lumia 530 só foi possível economizando aqui e ali, em detalhes que isoladamente são quase inexplicáveis.

No Brasil o Lumia 530 sai ainda neste trimestre, apenas nas cores preta e branca — lá fora existem também as opções laranja e verde. A Microsoft do Brasil ainda não revelou o preço. Ano passado o Lumia 520 foi lançado, inicialmente, por R$ 599, então é de se esperar que o novo aparelho chegue por menos que isso.

Tela, câmera e estilo são os pontos fortes do G3, smartphone topo de linha da LG agora no Brasil

Ontem (22) a LG anunciou a chegada do G3 no Brasil, seu novo smartphone topo de linha. A empresa ressaltou o poder e a simplicidade do aparelho para tentar ganhar o consumidor premium (leia-se com mais de R$ 2.000 para gastar em um celular) e aproveitou para exibir, também, o relógio inteligente G Watch e a nova família de tablets G Pad. Tudo isso na companhia da atriz Cleo Pires numa vibe bem estranha e mais um punhado de gente da imprensa em São Paulo. (mais…)

Perguntas sobre a (não) redução de US$ 300 para US$ 150 na cota de importação em viagens por via terrestre

Vários erros nessa história da diminuição da cota de isenção em produtos importados por via terrestre, fluvial ou lacustre de US$ 300 para US$ 150, não? Acompanhe a linha do tempo comigo — e corrija-me se eu escrever alguma bobagem.

A notícia do Zero Hora, de ontem, informou que um funcionário da Receita Federal em Santana do Livramento disse que turistas se surpreenderam com medida, que já estaria valendo. Ela se embasa na Portaria nª 307, publicada no Diário Oficial da União. Mas hoje, Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita Federal, disse ao G1 que o valor antigo é o que está valendo e assim continuará por até um ano, já que a mesmo publicada no Diário da União, a redução ainda precisa de regulamentação da Receita.

A redução se deve a outra novidade da Portaria 307, que estabelece uma cota extra, de US$ 300, para lojas francas (os free shops comuns em aeroportos internacionais) que serão implantadas em “cidades gêmeas”. O problema é que nem toda cidade de fronteira tem uma gêmea no país vizinho. Como ficam esses casos? A Receita não sabe. Segundo Barreto, “não sabemos como vamos fazer. Porque tem uma regulamentação própria do Mercosul que regula tudo isso. Neste período, a gente espera amadurecer”. As cidades elegíveis ainda precisam de lei municipal para autorizar esse tipo de comércio.

Outra coisa é a discrepância com as regras para quem viaja de avião. A cota, para quem compra no free shop no retorno ao país, também é cumulativa e igual à das compras feitas fora — ou seja, US$ 500 + US$ 500. Segundo a portaria, para viagens internacionais terrestres essa soma ficará US$ 150 + US$ 300. Por que a diferença?

[Review] SmartBand SWR10, a pulseira da Sony que quer saber tudo da sua vida

Enquanto LG, Motorola e Samsung se aventuram com relógios com Android Wear que ainda precisam provar terem cérebros competentes, a Sony apresentou um gadget vestível mais prosaico, uma pulseira que conta passos. A SmartBand SWR10 não faz muito, mas promete fazer bem o que se propõe. Consegue na prática? É o que descobriremos. (mais…)

O Salvar do Facebook pode melhorar os links que você vê na timeline

Salve para ler/ver/ir depois.
Imagem: Facebook.

O Facebook anunciou hoje a função salvar. É como o Pocket, ou o Instapaper, mas fechado na rede social, com separadores para cada tipo de conteúdo (links, locais, filmes) e lembretes. Para Android, iOS e web, com liberação gradual — aqui já aparece o botão “Salvar” em eventos; o link para acessar os itens salvos, não.

Embora prefira soluções agnósticas, como o já citado Pocket (que uso), a exposição que qualquer coisa que o Facebook faz em seu serviço principal pode apresentar esse conceito, até hoje meio de nicho, a um público enorme. O que pesa contra é a posição do botão de salvamento: na seta do canto superior direito, bem escondida.

Além de ser um adianto na curadoria de links e indicações que pulam na timeline, há dois desdobramentos que podem ser interessantes e só possíveis dentro do Facebook.

Primeiro, avisos contextuais. O anúncio diz que esporadicamente os apps e o site web lembrarão o usuário dos itens salvos. Se os lembretes se aproveitarem da mobilidade dos apps móveis e utilizarem dados como localização e horário, pode acabar sendo um diferencial e tanto. Imagine salvar um restaurante indicado por um amigo e, num dia qualquer, passando perto dele dentro do horário de funcionamento, o app emitir uma notificação? Do ponto de vista técnico não é impossível, tanto que outros apps, como o Google Keep, já fazem isso.

https://twitter.com/alexismadrigal/status/491268614297620481

A outra é a alimentação do algoritmo. O Pocket faz algo assim, colocando rótulos em posts populares e/ou de qualidade. Novamente, a exposição maciça do Facebook pode fazer com que bons posts emerjam do lamaçal de conteúdo raso que é publicado por lá, sendo mais um sinal (e um poderoso) no rankeamento gerado pelo algoritmo da timeline. Se o Facebook quer mesmo ser o nosso jornal, dar preferência às melhores histórias, não necessariamente as mais populares, é imprescindível.

Resta ver se o recurso será usado já que para fazer diferença, é necessário que haja uma grande base servindo dados brutos para a otimização do algoritmo.

Buscador do Baidu estreia no Brasil

Saulo Pereira Guimarães, na Exame:

Uma cerimônia realizada hoje em Brasília marcou o lançamento da versão brasileira do Baidu, serviço de buscas mais usado na China.

No evento, estiveram presentes a presidente Dilma Rousseff, o presidente chinês Xi Jinping e Robin Li, chefe executivo do Baidu – entre outros.

“Nossa entrada no mercado brasileiro servirá para torná-lo mais competitivo, impulsionando a inovação local e proporcionando mais e melhores opções para os brasileiros”, afirmou na cerimônia Johnson Hu, diretor de negócios internacionais do Baidu.

A versão localizada está em br.baidu.com. Estranhamente, baidu.com não redireciona automaticamente para o site brasileiro. Ele é limpo e bem direto, filtra resultados por imagens e vídeos, e traz um mecanismo que tenta adivinhar os termos enquanto são escritos e outro que parece uma espécie de ranking de notícias mais populares do momento. Do lado esquerdo flutuam links para o Postbar, uma espécie de fórum online sobre temas segmentados. Não fiz testes suficientes para ter uma noção da qualidade do algoritmo que retorna os resultados.

O buscador do Baidu é o maior produto da empresa chinesa. Líder na China, responde por 70% das pesquisas online feitas em seu país natal. Apesar de só agora trazer seu carro-chefe ao Brasil, a empresa Baidu atua por aqui há mais tempo.

Ano passado lançou diversos produtos, como antivírus, “otimizador” de PCs, o navegador Spark e um diretório de sites, o Hao123. A promoção deles tem sido agressiva, com publieditoriais em vários sites e a inclusão deles em instaladores de outros apps, tática no mínimo questionável e que até hoje rende críticas e comentários irritados de usuários afetados.

O lapso entre esses apps intrusivos e o buscador localizado talvez tenha uma razão de ser, como sugeriu o Emerson nesta nota do Tecnoblog no final do ano passado:

No evento [do início das operações no Brasil], a empresa justificou a aposta nestes aplicativos e a gratuidade de todos eles dizendo que, na fase inicial, a ideia é utilizá-los para conhecer melhor os hábitos dos usuários brasileiros. Exatamente como? Não disseram, mas dá para imaginar…

O lançamento em Brasília e com a presença dos presidentes do Brasil e da China me soa meio atípico. Ele faz parte dos esforços da China em difundir suas empresas de tecnologia no ocidente e em países orientais com fortes laços com esse lado do mundo. Em março, por exemplo, o presidente Xi Jinping fez visita à Coreia do Sul acompanhado dos CEOs do Baidu, Alibaba, Huawei e o chairman do Banco da China a fim de estreitar os lados em áreas como comércio, finanças, meio ambiente e assuntos diplomáticos.

O Baidu é mais um buscador que tenta derrubar a hegemonia do Google, que é especialmente alta no Brasil — diversos indicadores dão mais de 90% do mercado nacional ao serviço americano. E à luz das revelações de espionagem de Edward Snowden, feitas ano passado, o fato de ter sua sede em outro país que não os EUA parece um bônus interessante ao governo, mesmo ciente do histórico de interferências e censura do Partido Comunista da China na Internet do país.

Kindle Unlimited, a Netflix dos livros, não resolve o maior problema do leitor moderno: a falta de tempo

Esqueça a pirataria por um momento. Considerando apenas o mercado formal, endossado por produtoras, estúdios, editoras, todos os envolvidos no caminho que a obra faz do autor até o consumidor, hoje é possível ouvir, assistir e ler quantidades absurdas de conteúdo gastando menos de R$ 50 por mês.

É uma conta fascinante. Com a entrada da Amazon na onda dos “Netflix de [insira aqui um mercado de consumo]”, as três frentes se fecham. Não que o Kindle Unlimited seja pioneiro; Oyster e Scribd oferecem planos similares há mais tempo. Juntas, porém, elas não têm o peso da Amazon, que nos EUA domina 65% do mercado editorial. Daí a repercussão do anúncio. (mais…)

Independente e a caminho do Android e iOS, o futuro do MixRadio é incerto

Tela inicial do MixRadio.
Imagem: Microsoft.

Como parte do seu plano de reestruturação, a Microsoft se desfará do MixRadio, um app de streaming de música herdado da Nokia.

Ao Guardian, Jyrki Rosenberg, responsável pelo MixRadio, disse que ele se tornará independente, continuará vindo pré-instalado nos Lumias e, talvez o mais importante, deve ganhar versões para Android e iOS.

Embora faça streaming de música, o MixRadio diverge um pouco das ofertas de Spotify, Rdio, Deezer e Xbox Music. Ele não tem música sob demanda, é num esquema mais parecido com rádio — ou, se você estiver familiarizado, com o Pandora. Sempre que testo algum Windows Phone acabo usando-o, e é bem legal por ser “frictionless”: você abre, indica um artista e ele monta a playlist baseada nisso e nas curtidas suas nas músicas. Mais simples, impossível.

No Brasil o MixRadio só está disponível na versão gratuita. Em alguns dos 31 países onde existe, os usuários podem pagar uns trocados por mês (£ 3,99 no Reino Unido) e obter vantagens como cache de playlists para ouvir offline e pular músicas sem limites (na versão grátis o limite é de cinco por hora).

Embora a chegada ao Android e iOS abra possibilidades, o MixRadio terá dificuldades em se manter sem uma gigante por trás. Players muito maiores não têm vida fácil — o Spotify, maior do gênero, já perdeu US$ 200 milhões desde que foi lançado.

Os trunfos do MixRadio são a presença forte no Windows Phone e a facilidade de uso: dispensa cadastro, não exige pagamento, é só abrir e dar o play. Se isso, mais a chegada a outras plataformas mais populares, serão suficiente para ganhar relevância comendo pelas beiradas, ninguém sabe. O futuro do MixRadio é tão incerto quando era o da Nokia pós-aquisição pela Microsoft.

Kindle Unlimited no Brasil

Os rumores se confirmaram e a Amazon lançou hoje, nos EUA, o Kindle Unlimited, serviço de assinatura mensal similar à Netflix — por US$ 9,99, o assinante tem direito a baixar e ler todo o acervo de e-books. Tipo uma biblioteca, só que com livros digitais e paga.

Perguntei à assessoria da Amazon no Brasil se esse programa virá para cá. A resposta?

“A Amazon não comenta planos futuros.”

Àqueles que não têm dificuldade com o inglês e se interessaram no Kindle Unlimited, a boa notícia é que ele funciona em terras brasileiras. Para tanto, é preciso migrar sua conta para os EUA e usar um endereço americano (o cartão atrelado não precisa ser um emitido nos EUA). A Amazon oferece 30 dias de degustação gratuita para novos assinantes.