Parece uma cena de The Office: na última quinta (15), Susan Wojcicki, CEO do YouTube, foi agraciada com um prêmio de “liberdade de expressão” pelo Freedom Forum Institute. Até aí, tudo bem, mas tem um detalhe: o prêmio era patrocinado pelo YouTube. Via Newsweek (em inglês).

E tem mais: Esther Wojcicki faz parte do conselho do Freedom Fórum Institute. É a mãe da Susan.

Moxie Marlinspike, fundador do Signal e notório hacker, teve acesso aos softwares da Cellebrite, empresa israelense especializada em desbloquear celulares, incluindo iPhones — eles foram usados, por exemplo, para recuperar as conversas apagadas dos celulares da mãe e da empregada doméstica no caso do assassinato do menino Henry, no Rio, em março.

No relato, Moxie comenta que o software da Cellebrite está recheado de vulnerabilidades, e que uma delas, se explorada, é capaz de comprometer a integridade de todas as extrações, já feitas e futuras, a partir do software. Além disso, usa pedaços de código da Apple, provavelmente sem autorização. Em nota “totalmente não relacionada”, ele avisou que o Signal gerará arquivos periodicamente cuja função não tem a ver nem interfere no uso do app, mas que são bonitos, “e estética é importante em software”. Via Signal (em inglês).

A Apple anunciou um punhado de novos produtos nesta terça (20), vários deles já esperados graças à máquina de rumores que existe em torno da empresa. Vimos as AirTags, o único produto realmente novo, e atualizações do iMac, iPad Pro e Apple TV 4K. Alguns destaques no calor do momento, ou o que me chamou a atenção:

  • O chip M1 se espalhou pela linha de produtos: está no reformulado iMac e (surpresa!) no iPad Pro.
  • O iMac chega em sete cores. A versão prata/sem cor foi pouco citada e esteve ausente em várias fotos e tomadas dos vídeos de divulgação.
  • O iMac perdeu muitas portas. A versão de entrada só tem duas USB-C 4/Thunderbolt e a conexão Ethernet na fonte é opcional. (Isso não foi citado no evento, que focou na intermediária, que traz duas USB-C 3 extras.) É a “macbookização” dos desktops da Apple.
  • O iMac traz “a melhor webcam que já colocamos em um Mac”, segundo a Apple. Convenhamos, não era muito difícil.
  • Touch ID no teclado, que a exemplo dos outros acessórios, também ficou multicolorido.
  • O iPad Pro de 12,9 polegadas vem com a aguardada tela de Mini-LED. Isso, sim, é um avanço interessante.
  • O Apple TV 4K agora usa o chip A12 e ganhou um controle remoto reformulado, que traz de volta a clickwheel (sem vidro que quebra fácil) e joga o botão da Siri para a lateral, igual nos celulares.
  • Tudo muito dentro do esperado e, ainda assim, muito bacana, mas estamos falando de objetos para poucos, pois caríssimos. Uma AirTag, acessório para “localizar” objetos perdidos, custa R$ 369. O iPad Pro começa em R$ 10,8 mil. O iMac, perto dos R$ 20 mil. Veja os preços.

Terminou há pouco o primeiro comercial de 1h da Apple de 2021. Os produtos anunciados e seus respectivos preços no Brasil, coletados da Apple Store online, são os seguintes:

  • Novo iMac: a partir de R$ 17.599
  • Novo iPad Pro (11″): R$ 10.799
  • Novo iPad Pro (12,9″): R$ 14.799
  • Novo Apple TV 4K (32 GB): R$ 2.399
  • Novo Apple TV 4K (64 GB): R$ 2.599
  • AirTag: R$ 369
  • AirTags (kit com 4): R$ 1.249

No último dia 16, o YouTube atualizou sua política de informações médicas incorretas relacionadas à COVID-19 e passou a prever a exclusão de vídeos que defendam o chamado “tratamento precoce”. (Via Época.) O documento cita diretamente medicamentos populares, ainda que ineficazes e potencialmente danosos à saúde de infectados com a COVID-19, e exige que os usuários da plataforma não publiquem vídeos, entre outras coisas, que sejam:

  • Conteúdo que recomenda o uso de Ivermectina ou Hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19.
  • Afirmações de que Ivermectina ou Hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a COVID-19.

A nova política levou à primeira exclusão de um vídeo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o levantamento da Novelo: uma live de 14 de janeiro de 2021, em que Bolsonaro aparece junto ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e ambos desatam a propagar mentiras sobre o “tratamento precoce”.

Foi dia foi marcante: era o ápice da crise em Manaus (AM) e, finalmente, os grandes jornais adotaram o verbo “mentir” para se referir às mentiras letais que o presidente conta. Confira a checagem da Agência Lupa do vídeo agora indisponível.

O Chrome 90 traz um recurso que parece bem útil à primeira vista: links diretos para trechos específicos de uma página. Basta selecionar o trecho, clicar com o botão direito do mouse e clicar em “Copiar link para o destaque”. O recurso está sendo ativado no Android e computadores, e chegará ao iOS “em breve”. Via Google (em inglês).

O Facebook agora permite exportar posts e notas para o Blogger, Google Docs ou WordPress. Via Facebook.

Os desenvolvedores do WordPress estão debatendo como o software, que está por trás de 41% dos sites da web (incluindo este Manual do Usuário), tratará o FLoC como uma questão de segurança. (FLoC é o projeto do Google para continuar segmentando publicidade sem o auxílio de cookies. Falamos dele no último Guia Prático.) A proposta é que o WordPress saia de fábrica configurado para bloquear a atuação do FLoC. Se um administrador quiser alterar essa configuração, ele poderá. A configuração padrão, como sabemos, é o que importa. Via WordPress (em inglês).

Em paralelo, Microsoft (navegador Edge) e Apple (Safari), embora não tenham se manifestado explicitamente sobre o assunto, já deram sinais de que devem rejeitar o FLoC. Via Bleeping Computer (em inglês).

O Facebook copia tanto a concorrência que agora anuncia seus clones em grupos. Confirmando vários rumores, nesta segunda (19) a rede social anunciou, numa tacada só, um clone do Clubhouse (para grupos e figuras públicas), suporte a podcasts (em parceria com o Spotify) e mensagens curtas, tipo áudios do WhatsApp, mas na timeline, que chamou de “Soundbites”. Via Facebook (em inglês), CNBC (em inglês).

Charles “Chuck” Geschke, co-fundador da Adobe e um dos criadores do formato PDF, morreu aos 81 anos, vítima de um câncer. Na Adobe, foi diretor de operações e presidente; aposentou-se em 2000. Em 1992, foi vítima de um sequestro no estacionamento da empresa; quatro dias depois, foi resgatado pelo FBI. Natural de Cleveland, Ohio, Charles vivia com a família em Los Altos, Califórnia. Ele deixa a esposa, três filhos e sete netos. Na Wikipédia (em inglês). Via AP (em inglês), Folha de S.Paulo.

O Google, famoso por “matar” produtos e serviços sem cerimônia, anunciou que está “reformulando” o FeedBurner, um serviço que antes de ler esta notícia eu podia jurar que já tinha uma cova no cemitério do Google.

O FeedBurner, caso você não se recorde (e tudo bem se não), foi criado em 2004 e comprado pelo Google em 2007. Ele é uma central de utilidades para feeds RSS — gerava estatísticas de uso de um feed, que leitores recebessem novos posts por e-mail e permitia o encapsulamento de arquivos MP3, criando assim podcasts.

Em julho, o Google migrará o FeedBurner para “uma infraestrutura mais estável e moderna”, o que garantirá que ele continue funcionando, mas eliminará alguns recursos, como o envio de novos posts por e-mail. Via Google.

De curioso, abri a minha conta no FeedBurner. Um dos meus feeds lá, o mais antigo, com 15 anos (!), sempre aponta para o site onde estou escrevendo — atualmente, ele entrega os posts do Manual do Usuário. Surpreendi-me: quase 700 (!!!) endereços de e-mail marcados como “ativos”, registrados entre 2008 e 2012.

Novidades na investida em pagamentos com criptomoeda do Signal. Em um post no blog oficial, a fundação falou, falou e não disse muita coisa. Sobre as críticas, argumentou que a maioria não testou a solução e “está imaginando o pior”, e que não será um recurso obrigatório, mas sim opt-in, ou seja, “usa quem quiser”. Via Signal (em inglês).

Não é só o DuckDuckGo que bloqueará o FLoC, novo método de rastreamento de usuários do Google. Nos últimos dias, os navegadores Brave e Vivaldi (ambos baseados no Chromium) e as extensões AdGuard e uBlock Origin também já anunciaram que bloquearão o FLoC.

Por ora, o Google está testando o FLoC em um pequeno grupo de usuários (0,5%) em alguns países, Brasil entre eles. A Electronic Frontier Foundation (EFF) publicou um site que verifica se o FLoC está ativo no seu navegador. Clique aqui para conferir.

Não sabe o que é FLoC? Leia isto.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O site Quando vou ser vacinado?, criado por um grupo de voluntários que coleta e acompanha os dados do coronavírus no Brasil, viralizou. Ele se baseia no histórico recente do ritmo de vacinação de cada estado e na idade do usuário para fazer uma estimativa de quando chegará a sua vez de alguém de tomar a aguardada injeção no braço.

Algumas pessoas próximas comentaram comigo seus resultados, e também vi muita repercussão nas redes sociais. Quase sempre, o comentário veio em tom de desalento porque, para os mais jovens, os prazos estimados são de meses, chegando até a 2022. (Até para os não tão jovens; a minha estimativa, neste momento, é de 1 ano e 2 meses de espera.)

A vacinação segue a passos lentos no Brasil, mas há motivos para ser um pouquinho otimista. Conversei com o Renan Altendorf, um dos voluntários do projeto, para entender a lógica da ferramenta. Um detalhe que me chamou a atenção, por exemplo, é que ela se baseia em dados retroativos, dos últimos sete dias de vacinação em cada estado, ou seja, desconsidera futuras remessas de vacinas já contratadas pelo governo federal, como as 138 milhões de doses da Pfizer e da Jansen que devem chegar ao Brasil até dezembro. (Ou assim esperamos.)

Renan confirma essa lacuna: “A gente até queria levar em consideração o que irá chegar, mas tanto em março quanto em abril os cronogramas [de entrega das vacinas] não foram cumpridos pelo governo. Tem um déficit de 20 milhões de doses até momento. E, para piorar, o governo não irá mais divulgar cronogramas, então ficamos no escuro e estamos tentando coletar essas informações diretamente com os laboratórios.”

Ele prossegue: “A gente sempre coloca a fórmula e os dados que foram utilizadas no cálculo. Sabemos que não é a melhor previsão possível, mas estamos acompanhando sempre com os estados e municípios.”