O meteoro bateu

Não tenho o hábito de acessar as estatísticas da audiência do Manual. Vez ou outra acesso o painel (que é público) para analisar algo específico, e foi numa dessas que reparei, quase por acaso, que a média de acesso dos textos recém-publicados caiu muito.

Não que isso surpreenda. Desde que o Google ativou aqueles resumos de IA no início das páginas com resultados da busca, geral viu os acessos a seus sites caírem. Achismo puro meu, acho também que chatbots de IA, como o ChatGPT, viraram uma chave no público e o acesso aos sites, à web, sofreu um baque por isso.

Faz uma década que repito que números e estatísticas não pautam o que eu faço. Sigo firme nesse princípio, mas mentiria se dissesse que constatar uma redução profunda na audiência do blog não me abalou. Se ninguém lê o que escrevo — ou pior, se apenas robôs “leem” —, o que estou fazendo aqui?

Passei alguns dias angustiado, refletindo sobre esta nova realidade. Sem sucesso. Estou aberto a conselhos e sugestões.

A única ideia saída dessa filosofada existencial foi explorar mais a newsletter. O envio da íntegra dos textões que publico no blog era “opt-in”, ou seja, enviados apenas a quem sinalizava querer recebê-los. A partir de agora, passa a ser “opt-out”, vão para todos, exceto quem sinalizar que *não* quer recebê-los.

Como fazer essa sinalização? No painel do inscrito, também acessível pelo link “Gerencie a sua inscrição” no rodapé de todas as mensagens. (Coloquei uns GIFs animados para destacá-lo melhor.)

Há pouco mais de dois anos, escrevi que via o meteoro metafórico do fim da web no céu. Parece que ele, enfim, bateu.

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

Deixe um comentário para Diego Silva Cancelar resposta

Por favor, leia as regras antes de comentar.

22 comentários

  1. Acompanho o Ghedin há anos também. Entro neste site praticamente todo dia. Ter assumido um posicionamento político mais explícito, em um cenário tão polarizado, pode ter contribuído para isso? Tenho a impressão de que o conteúdo acabou ficando mais restrito a um público que já compartilha dessa mesma visão...

  2. mais um pra estatística: acompanho o teu trabalho desde a época do meio bit e winajuda, e hoje voltei a usar feeds RSS - leio todos os posts pelo feed, mas raramente abro o site em si.

    com essa robotização da web num geral, acredito que espaços "restritos" e geridos por humanos reais, como esse blog, vão ter valor cada vez mais especial, possivelmente com uso cada vez maior de RSS.

    fazendo esse comentário só pra deixar a mensagem: o que tu faz é cada vez mais importante, então independente de eventuais correções de curso, por favor, continue!

  3. A web tá horrível, mas você ainda tem leitores fiéis, Rodrigo!

    Um abraço e parabéns pelo trabalho jornalístico bem feito.

  4. O MdU segue sendo um dos sites que acesso diariamente, mesmo assinando o RSS. Até mesmo como motor de busca (utilizem o bang !mdu em suas pesquisas no DuckDuckGo!).

    No meu caso, a IA impactou bastante. Não no sentido em que foi exposto (resumos e chatbots), pois não faço destas ferramentas. Mas sim na elevada quantidade de posts sobre o tema; seja no MdU, seja no Órbita. Acho que o assunto saturou, até mesmo em redes descentralizadas.

    Particularmente, tenho zero interesse em IA (desejo sucesso a quem gosta, precisa ou é obrigado a utilizá-la); formei minha opinião com posts pregressos somados à realidade material e sigo a vida: em regra, ignoro todo e qualquer post sobre o tema, independentemente de a abordagem ser positiva ou negativa.

    Também não clico em posts que abordam exclusivamente Windows e Mac. No caso do primeiro, larguei de mão mesmo; já o sistema da Apple, é por falta de acesso. Estou há mais de 3 anos usando apenas GNU/Linux, focando em aplicações FOSS. Com isso, evito soluções proprietárias para não quebrar a cara novamente. A exemplo daquelas que usei por mais de década: Evernote e OneDrive.

    Estou aberto a conselhos e sugestões.

    Faço coro ao comentário do klinsmann:

    tem muitas com curadorias de links mas as com opinião diminuíram

    Tenho notado isso tanto no MdU e o Órbita. Para mim, tão ou mais importante do que a indicação de algo legal é a opinião que o Ghedin e a galera tem a respeito.

    No mais, vida longa ao MdU!

    1. já o sistema da Apple, é por falta de acesso. Estou há mais de 3 anos usando apenas GNU/Linux, focando em aplicações FOSS.

      Pois é! Corro o risco de estar viajando aqui, mas acho que o conceito do MdU pede uma veia mais open source e Linux/Android, porém o Ghedin é claramente um aficionado pela Apple e isso parece afastar mais do que aproximar, até mesmo pela questão financeira, dado que a Apple é um ecossistema mais elitista, especialmente no Brasil.

      No mais, acredito que esse baque na audiência que o Ghedin tem sentido deve ser alinhado com a maioria dos sites mundo afora. Não só AI, mas as redes sociais também vêm centralizando a internet nessas grandes plataformas. Vejo até meus amigos geeks se rendendo a esse tipo de comodismo. E um tal de empresa comprando empresa (viram a Paramount comprando a Warner?) que não para mais, centralizando mais e mais rumo à distopia do Biff, em De Volta Para O Futuro 2. :(

      P.S.: comentando deslogado porque logado não está indo

      1. Acho que o apego do Rodrigo pela Apple é mais pela qualidade e longevidade dos equipamentos e principalmente pelo "Just works".

        Pessoalmente eu também evito produtos fechados. Estou usando Linux já faz mais de 10 anos sem muitos problemas.... Mas meu uso é basicamente web mesmo, não dependo do outos softwares fechados feitos para outras plataformas.

  5. Ghedin, você acha que existe a possibilidade de outros jornalistas e donos de blog chegando à mesma conclusão -- de que o modelo atual possa estar em xeque -- se juntarem para criar uma espécie de "hub" no qual todos ajudam uns aos outros? A ideia seria tentar ter um público em comum, que é o público que continua valorizando texto artesanal, feito por humanos e para humanos.

    Eu vejo você como um líder de uma resistência em língua portuguesa contra o modelo de internet que tentam nos enfiar goela abaixo. Neste momento, em que outros criadores de conteúdo feito por humanos também devem estar se perguntando sobre como será o futuro, de repente uma união proporcione o fortalecimento de uma resistência contra essa investida dessas máquinas de gerar textos pasteurizados.

    1. É isso que venho pensando há um bom tempo também. O jornalismo sempre dependeu de quem pudesse pagar pelos serviços de uma boa e bem acurada informação. Só que infelizmente o jornalismo vem sendo "sentado em cima" pelo marketing.

      Quando vejo o Intercept, Pública, Repórter Brasil, dentre outros - operando com doações e por si mesmos, me pergunto se uma espécie de "hub", "consórcio" ou "sindicato" mesmo poderia servir como salvaguarda de bons jornalistas - dos que sabem perguntar, sabem para quem perguntar e para quem vai servir a informação.

      Só tem um ponto também: os "influencers", dependendo, também acabaram contribuindo para que o jornalismo tivesse este problema.

      Explico: não tem só o "influencer midiático", mas também os "influencers de nicho" - no caso pessoas que tem conhecimento da área e usam as plataformas para servirem como se fossem jornalistas, trazendo informações e muitas vezes até "gerando uma reportagem". Só que dependendo do tipo do influencer, esta informação pode ter problemas sérios de vieses (ou seja, por mais que ele diga que não tem viés, a informação tem sim) e falhas de apuração.

      Só lembrando que um dos poucos jornalistas que questionou esta relação de informação foi justamente o Ghedin.

  6. Mas isso refletiu em inscritos na newsletter e apoiadores? Eu entro muito pouco no manual e tem bastante tempo que considero mais como newsletter do que como blog. Curiosamente tenho até entrado mais desde que comecei a usar o matcha pra cuidar dos rss, mas quando depende de mim, entro muito pouco, sempre pra procurar algo que eu já tinha visto antes ou alguma das sessões como mochilas e mesas (que estão muito escondidas). Mas acho que esses números são mais um sinal de que não tem gente "estranha" vindo do google do que leitores do manual. Só ver o número de comentários em um post de pouco tempo atrás. O lance é entender o que isso significa no longo prazo.

  7. Vendo os comentários dos colegas, parece que tem uma galera que acompanha por RSS (eu incluso) e acaba não sendo contabilizada nessa estatística.

    1. Sim, eu sou uma que dificilmente acesso o site por isso! Vejo que existe um pessoal voltando a usar RSS 🙂

  8. opa... acompanho os feeds (blog, podcast), bsky, telegram, etc. e, eventualmente, entro aqui para interagir com essa audiência caríssima do MdU 🖖🏿☕️

  9. Vivemos tempos em que todos somos servidos o que gostar, o que olhar e o que valorizar. Eu sempre reclamo da forma como comunicamos nosso dia a dia para os outros, "consumo" se tornou a unico verbo que nós usamos para falar de arte, cultura e opnião; E a forma como definimos quem somos, pelo que fazemos, acabo por nos definir. Então agora eles desenvolveram o ultraprocessado do pensamento, em que mastigar é opcinal bem como se engrandecer por esse "consumo". Deglutidores e devoradores de conteudo.

    Eu tenho vivido tranquilamente mas só quando não penso em como a web se tornou hostil para com todos nós.

    1. PS: Eu acompanho as postagens por RSS em parte para centralizar meus habitos em um lugar que não esta predando minha atenção. Uma pena que acaba por não contabilizar pro teu lado :c

  10. Oi Ghedin! Apenas com a intenção de colaborar com sua pesquisa dos motivos, vou dizer os meus motivos pelos quais venho acessando menos o manual. Não se trata de IA, resumo da página do google, etc, nada disso. O Manual ainda é um dos meus 3 sites de consulta diária em tecnologia (junto com o TB e o Macmagazine). O que acontece é que sou um saudosista do antigo manual, aquele com podcast semanal da época do Higa, da Emily, e da última fase com a co-host (que esqueci o nome). Além disso, entendo que o tempo das notícias gira diferente aqui no manual, mas vez ou outra entro para buscar alguma opinião sobre assuntos do momento e não encontro nenhum. Enfim, continuo entrando aqui diariamente para ver o que rola, mas confesso que pouca coisa tem me atraído. Talvez eu não seja mais o público.. pode ser.. De qualquer modo espero ter ajudado com os meus motivos.

    Um abraço!

    1. Obrigado pelo comentário, Kleverson. Essa é outra hipótese que me ocorreu também, a de que o que escrevo não esteja mais ecoando junto à audiência. Se for esse o problema, é um bom problema! Porque aí tem como corrigir, voltar aos trilhos, e só depende de mim.

    2. Concordo com o Kleverson, depois do Órbita, deu uma caída na quantidade de publicações, tem muitas com curadorias de links mas as com opinião diminuíram. Outro ponto é que - salvo engano - você removeu o site das buscas do Google, não foi? será que isso não prejudicou? muitas vezes eu jogo um termo + manual do usuário no navegador e ele me retorna uma pesquisa do Google e quase nunca consigo encontrar.

    3. Estou na mesma. Não sou tão antigo. Conheci o site pelos podcasts na pandemia em 2020.

      Mas os assuntos tratados aqui recentemente não tem mais atraído tanto meu interesse.

      Não sei dizer se os assuntos e abordagens mudaram tanto ou se estão meio saturados na minha percepção. Mas não me parece mais tão interessante.

    4. Também sou um leitor que visito o site todos os dias, e igualmente sinto falta da abordagem de mais assuntos, e que tais assuntos sejam abordados com mais opinião, ao invés de simples exposição da notícia.

      Por outro lado, creio que não precise, sempre, ser algum "assunto do momento"; o que mais me atrai nas leituras do blog são os artigos em que o Ghedin trata de temas "desapercebidos" ao longo de nossa vida, como este: https://manualdousuario.net/barulho-plugue-protetor-ouvidos/, por exemplo.

      Também acredito que determinados assuntos tendem a saturar. P. ex., com o perdão do reducionismo, já entendemos que o Ghedin não gosta de IA; eu também não gosto e não uso, mas chega um ponto em que a opinião sobre tal assunto se torna repetitiva. Talvez seja o caso de dar menos atenção para o tema.

      Enfim, penso que o blog ficaria mais atrativo com um combo: notícias simples, links interessantes do dia, mas com um artigo mais elaborado "aqui e ali" tratando de temas interessantes, especialmente se não for sobre IA, rsrs.

  11. Eu sempre acompanho as postagens no blog via RSS. Dúvida: elas contabilizam nas suas estatísticas?

    1. Por não contabilizar que geralmente eu uso o RSS apenas como aviso de novidade, mas leio no site.

      Principalmente pela questão estética do autor, gosto de ver como o espaço de escrita/leitura é imaginado por quem escreve. Até porque sei que a gente gasta tempo fazendo essas escolhas.

      Mas sobre como resolver, realmente não sei, até porquê testes em mídias sociais ja foram feitas aqui e também não surtiram efeito.