A Epic Games comprou o Bandcamp, um marketplace para músicos fundado em 2008 nos Estados Unidos. O valor da transação não foi divulgado. Segundo as empresas, o Bandcamp continuará operando como uma marca independente e manterá o co-fundador Ethan Diamond como CEO.

Epic e Bandcamp compartilham um inimigo em comum: Apple e Google. As duas empresas são críticas ferozes do modelo em vigor no iOS e Android, que cobra um pedágio de 30% em compras digitais realizadas em aplicativos de terceiros. (A Epic foi às últimas consequências na rixa com a Apple, o que lhe custou a presença de Fortnite no iOS.) A Epic promete ajudar o Bandcamp na expansão internacional e em novas iniciativas, como a produção de vinis e de um serviço de streaming.

No papel, é um negócio que faz sentido e que não significa muito para nós, brasileiros (o Bandcamp não opera oficialmente aqui), mas não deixa de ser triste ver um negócio independente, saudável e quase universalmente elogiado pelos usuários ser engolido por um titã da indústria. Quando foi a última vez que esse arranjo deu certo e a empresa menor, engolida, continuou “operando de forma independente” por muito tempo? É, também não me recordo. Via Variety, Bandcamp (ambos em inglês).

Prepare-se para perder (ainda) mais tempo no TikTok. A rede social de vídeos curtos liberou o envio de vídeos de até 10 minutos. É o segundo incremento no limite de tempo da plataforma — em julho de 2021 o teto subiu de 60 segundos para 3 minutos.

Em nota não relacionada, a Meta anunciou que encerrará agora em março o aplicativo próprio do IGTV, a investida do Instagram em vídeos longos que nunca colou. O alvo, em ambos os casos, é o YouTube. Será que o TikTok terá melhor sorte que o IGTV? Via @stokel/Twitter e Android Central (ambos em inglês), Instagram para Creators.

O Telegram finalmente deu sinal de vida às autoridades brasileiras. No sábado (27), atendeu a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes emitida na véspera, do Supremo Tribunal Federal (STF) e tirou do ar três canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira. Caso descumprisse a decisão, o Telegram seria multado em R$ 100 mil por dia e bloqueado no Brasil por pelo menos 48 horas.

Apesar do cumprimento, Allan continua ativo no Telegram graças a um “perfil reserva” com 22 mil seguidores. Por ele, vem compartilhando tutoriais de VPN para permitir o acesso aos canais — o bloqueio só está valendo para acessos a partir do Brasil. O uso de perfis reservas foi previsto pela decisão do ministro Alexandre, “comportamento que deve ser restringido”. Via Poder360 (2) (3) (4).

Facebook/Meta, Google, Mercado Livre e Twitter divulgaram, nesta quarta (24), uma carta aberta criticando o projeto de lei 2630/2020, o chamado PL das Fake News. No texto, as quatro empresas dizem que o PL deixou de tratar de fake news e que “passou a representar uma potencial ameaça para a Internet livre, democrática e aberta que conhecemos hoje”.

O PL das fake news deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, no que depender da vontade do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). No dia 15 de fevereiro, ele afirmou que o Plenário poderá votar o requerimento de urgência a qualquer momento. Via G1, Propmark, Câmara dos Deputados/YouTube.

Grandes empresas de mídia norte-americanas planejam desativar as versões AMP de seus sites, a plataforma de sites rápidos imposta pelo Google em 2015. O Washington Post já deu esse passo. Depois que o Google abriu o carrossel de destaques a páginas não-AMP e tornou-se público que a empresa sabotava páginas não-AMP para proteger seu negócio de anúncios, faltam motivos para justificar essa venda de alma ao Google. As empresas consultadas pela reportagem do Wall Street Journal esperam mais controle e melhorar as vendas de anúncios em seus sites. Via Wall Street Journal (em inglês).

A guerra na Ucrânia está afetando o Telegram. Pavel Durov, co-fundador e CEO, informou em seu canal russo que “o cluster europeu do Telegram está enfrentando uma carga sem precedentes”, o que pode gerar “interrupções intermitentes de curto prazo” para alguns usuários. Via @durov_russia/Telegram (em russo).

O Twitter suspendeu diversos perfis de pesquisadores que compartilham imagens e vídeos das regiões de Donbas e Luhansk, na Ucrânia, ambas centrais na guerra que o presidente russo Vladimir Putin começou nesta quinta (24). Esse tipo de perfil é conhecido como OSINT (de “open source intelligence”) e acaba sendo útil a outros pesquisadores e jornalistas.

Em nota ao site The Verge, o Twitter afirmou que as suspensões decorreram de erro (sem especificar qual) e negou tratar-se de uma campanha coordenada de robôs russos, que teriam denunciado os perfis por violação aos termos de uso da rede disparando respostas automáticas do sistema de moderação. Esta hipótese aventada pelos prejudicados.

Apesar da justificativa oficial, o evento causou estranhamento — por pior que sejam as ferramentas automatizadas do Twitter, falhas do tipo, nessa escala, são incomuns.

No Brasil, o perfil do Sleeping Giants também foi suspenso por uma hora nesta quarta (23.fev), logo após o lançamento da #YouTubeApoiaFakeNews, campanha que bota mais pressão contra a postura permissiva do YouTube com conteúdo que viola seus termos de uso. Via The Verge, @tatikmd/Twitter.

Truth, a rede social de nome sugestivo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, foi lançada nesta segunda (21). Por ora, apenas a versão para iOS do aplicativo está disponível, e somente para usuários dos Estados Unidos.

Por lá, relatos apontam que o serviço não aguentou a demanda inicial, ainda que ela não pareça das maiores — a Folha de S.Paulo entrou na lista de espera atrás de ~110 mil pessoas. Para comparação, Trump chegou a ter 88,7 milhões de seguidores apenas no Twitter.

Quem conseguiu entrar se deparou com uma apresentação muito similar ao Twitter, rede social preferida de Trump, de onde foi expulso em janeiro de 2021. Não chega a ser surpresa — a Truth Social é feita com o código do Mastodon, uma espécie de Twitter descentralizado e de código aberto. Via Folha de S.Paulo, The Verge (em inglês).

Depois do desastre de comunicação interna que destruiu 1/3 da força de trabalho do Basecamp ano passado, agora um dos fundadores da empresa se diz convertido à necessidade de criptomoedas devido aos protestos antivacina de caminhoneiros protofascistas no Canadá. Via DHH/Hey World (em inglês).

Olha, a gente usa e eu gosto muito do Basecamp, mas parece que os fundadores estão se esforçando um bocado para viraram os véios da Havan da gringa. Dica do Vinícius Ribeiro no nosso grupo de apoiadores.

O governo federal tirou do ar toda a área de microdados do Inep, denuncia o Lagom Data, um estúdio de inteligência de dados. Em nota, o Inep afirmou que a remoção dos dados teria sido necessária para adequar a atuação do órgão à LGPD, a fim de “suprimir a possibilidade de identificação de pessoas” — entendimento equivocado da lei de proteção de dados pessoais, de acordo com especialistas.

A indisponibilidade dos microdados do Inep impede estudos e análises diversas com base no Censo Escolar. “Foi excluído todo o detalhamento que permitia analisar o quanto as disparidades socioeconômicas impactam na educação. Só o mais importante”, exemplificou o Lagom Data. Via @DataLagom/Twitter, Brasil de Fato.

Dos riscos de nuvens comerciais: o Google Drive estava sinalizando alguns arquivos .DS_Store como infração a direitos autorais. Esses arquivos são ocultos e gerados automaticamente pelo macOS para registrar definições do diretório onde estão. Imagine perder o acesso à conta Google por um não-problema como esse?

Ao Bleeping Computer, que reportou o problema, o Google informou que ele afetou um pequeno número de usuários e foi corrigido em janeiro, mas que alguns “casos isolados” ainda persistem e estão sendo atualizados. Via Bleeping Computer (em inglês).

A Samsung mudou a postura do programa de resgate de adaptadores para novos celulares. Agora, o programa tem caráter permanente, e não mais promocional. Isso significa que os compradores dos produtos elegíveis poderão solicitar o acessório mesmo meses ou anos após o lançamento — antes, havia uma janela promocional. O pedido deve ser feito até 30 dias após a emissão da nota fiscal, porém, como especifica o regulamento:

3.1. Período de Aquisição do Produto: de 01 de janeiro de 2022 até vida final do produto.

3.2. Período para Resgate do Produto: em até 30 (trinta) dias a partir da emissão da Nota Fiscal do Produto.

O carregador fornecido é de 25W e os produtos elegíveis são:

  • Galaxy S21 FE 5G (SKU: SM-G990EZ);
  • Galaxy S21 5G (SKU: SM-G991BZ);
  • Galaxy S21+ 5G (SKU: SM-G996BZ);
  • Galaxy S21 Ultra 5G (SKU: SM-G998BZ);
  • Galaxy Z FOLD3 5G (SKU: SM-F926BZ);
  • Galaxy Z FLIP3 5G (SKU: SM-F711BZ);
  • Galaxy S22 Ultra (SKU: SM-S901E);
  • Galaxy S22+ (SKU: SM-S906E);
  • Galaxy S22 (SKU: SM-S908E). Via TechTudo.

O que é pior que moderar posts e comentários no Facebook? Aparentemente, moderar o metaverso do Facebook/Meta, o Horizon Worlds (pense em um Facebook, só que com avatares 3D feios, flutuantes e sem pernas, tipo Garparzinho).

O Horizon Worlds propicia a criação de “comunidades” para usuários dos headsets de realidade virtual da Meta Quest (novo nome da Oculus). Para orientar novatos e conter abusos na área comum, o Facebook/Meta emprega os community guides, ou moderadores do Horizon Worlds.

Sem surpresa, os community guides têm sido alvos de pegadinhas e abusos, e sofrem com usuários mais estridentes, como crianças que ficam gritando sem parar. Segundo apurou a Vice, canais no YouTube e no TikTok organizam e reúnem vídeos mostrando o sofrimento dessas pobres almas aprisionadas no ambiente virtual do Facebook. Vários vídeos no link ao lado. Via Vice (em inglês).

O youtuber Bruno “Monark” Aiub teve seus dois canais, Flow Podcast e Monark, desmonetizados pelo YouTube — em outras palavras, eles não podem mais gerar receita a partir dos anúncios veiculados pela plataforma.

Em nota à imprensa, o YouTube informou que suas políticas proíbem “comportamento ofensivo que coloque em risco a segurança e o bem-estar da comunidade do YouTube” e que ao fazer apologia ao nazismo em uma transmissão no Flow Podcast, Monark as infringiu.

“A violação dessas políticas pode fazer com que o canal seja suspenso do Programa de Parcerias do YouTube e, consequentemente, ser desmonetizado”, disse o YouTube em nota.

Monark ainda pode subir vídeos na plataforma, mas não pode gerar receita a partir deles. Tentativas de burlar a restrição criando novos canais ou usando canais de terceiros violam os termos de uso do YouTube e podem sujeitá-lo à perda definitiva da sua conta.

O YouTube disse, ainda, que usuários suspensos do programa de monetização podem solicitar nova inclusão e que esses pedidos serão “analisados pela plataforma”.

Em 2019, o WhatsApp conseguiu uma importante vitória no Brasil: a resolução 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu disparos em massa de cunho político em aplicativos de mensagens. Agora, o WhatsApp quer estender essa proibição legal a todos os segmentos.

O Jota listou uma série de ações movidas pelo WhatsApp na Justiça brasileira contra empresas que oferecem o serviço, e em várias delas obteve liminares favoráveis. A acusação do WhatsApp é de que essas empresas fazem uso indevido da sua marca e violam seus termos de uso, que proíbem disparos em massa.

Apesar dos bons resultados na via judicial, o WhatsApp quer tornar lei tal proibição. O tema consta no polêmico PL das fake news, mas, por ora, cobre apenas o uso político de ferramentas de disparo em massa. Via Jota.