Pirataria costuma ser tratada na imprensa e em outros meios formais de um jeito meio maniqueísta e com muitas reservas. É importante superarmos esse… medo? Moralismo barato? para tratar do tema, porque a pirataria é importante e, para a indústria cultural, acaba servindo de termômetro para saber quando a parte “indústria” está sufocando a “cultural”.

O exemplo do streaming é um sintoma previsível e, ainda assim, interessante. Um estudo da Akamai constatou um aumento nas visitas a sites de pirataria em 2021. Foram 132 bilhões de visitas no ano, aumento de 16%, e a maior parte delas atrás de conteúdo audiovisual, ou seja, séries e filmes.

Não precisava de uma bola de cristal para antecipar que a fragmentação das plataformas de streaming levaria a um ressurgimento da pirataria.

Em outro contexto, a decisão da Nintendo de encerrar as lojas virtuais do Nintendo 3DS e do Wii U fará com que cerca de 1 mil jogos desapareçam do mercado. Restará à pirataria a missão de preservar tanta memória.

Apesar do clichê, a história por vezes se repete. Parte da produção cinematográfica da primeira metade do século XX, em especial de filmes mudos, foi perdida. (No Brasil também.) Na época, havia dificuldades técnicas e faltava visão para o valor da preservação desses materiais. Hoje, apenas a ganância de executivos justifica que tantos jogos tenham esse mesmo destino, mesmo que temporariamente — não é como se a Nintendo fosse incinerar todos esses jogos para abrir espaço em um servidor.

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Por algum motivo que ainda me foge à compreensão, tenho passado mais tempo no feed do LinkedIn. Notei, entre outras coisas, uma profusão de notícias do tipo “Primeiro [insira qualquer coisa] a chegar no metaverso”.

Dizer que a história se repete talvez seja reducionista, mas o paralelo com o Second Life é explícito demais para resistir a esse chavão. Muito bem, agora que seu restaurante, prefeitura, podcast ou qualquer coisa está no metaverso, o que acontece? Qual a vantagem? Ninguém sabia na época do Second Life e, aparentemente, continuamos sem saber.

O Facebook fez um show do Foo Fighters no metaversono último domingo, dia de Super Bowl nos Estados Unidos. A julgar pelos relatos, foi um desastre muito parecido com o show do NX Zero no Second Life, 15 anos atrás.

O metaverso, nos moldes em que o Facebook o está vendendo (e todo mundo, ou aqueles mais deslumbrados, comprando), é uma canoa furada. A gente já viu esse filme, digo, esse jogo.

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A Microsoft liberou a primeira grande atualização do Windows 11. O destaque, suporte a aplicativos Android, chega como uma prévia e restrito a usuários norte-americanos. Outras novidades incluem a restauração de recursos mundanos que existiam até o Windows 10, como o relógio da barra de tarefas presente em múltiplos monitores, previsão do tempo na mesma barra e um controle universal do microfone, e as novas versões do Bloco de notas e do Windows Media Player.

Uma estranheza é que a atualização não recebeu um nome ou apelido. É só… uma atualização do Windows 11. Difícil referenciá-la, pois.

Um dia depois, a Microsoft liberou as novidades da próxima grande atualização do Windows 11, com mais um caminhão de recursos que já existiam no próprio Windows ou em plataformas rivais, como pastas de aplicativos no menu Iniciar, gestos para manipular a área de trabalho e a função “Não perturbe”. O aplicativo renovado da vez é o Gerenciador de tarefas, agora com modo escuro e uma barra de comandos.

Esta atualização do Windows 11 está disponível em caráter de testes. Ainda não há previsão de quando a versão final será disponibilizada. Os links ao lado mostram as novidades das duas atualizações em fotos e vídeos. Via Microsoft (2) (em inglês).

O Twitter liberou a marcação de contas automatizadas, mantidas por robôs, para todos os usuários. Perfis que publicam de maneira autônoma que forem marcadas como tais exibirão um selo indicativo. A identificação é opcional e foca nos robôs benignos, aqueles que não tentam se passar por seres humanos para tumultuar o debate público.

O Twitter espera que o selo ajude os usuários a tomarem decisões melhores a respeito de quem seguir e, em consequência, aumentar a transparência e confiança da plataforma. Via @TwitterSafety/Twitter, Engadget (ambos em inglês).

A Uber lançou nesta quarta (16) uma atualização em seu app para permitir que os usuários passageiros vejam detalhes da sua nota no aplicativo. Na nova Central de Privacidade, é possível ver os volumes totais de avaliações — quantos motoristas te deram cinco, quatro, três, duas ou uma estrelas.

As avaliações não são atualizadas em tempo real, a fim de previnir que o usuário possa associar avaliações aos motoristas.

A Uber diz que o recurso está disponível no mundo inteiro, a todos os usuários. A Central de Privacidade fica nas configurações do aplicativo. (Aqui, ainda não apareceu.) Via Uber (em inglês).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parcerias com as principais plataformas digitais que atuam no Brasil para combater a desinformação nas eleições gerais de outubro: Facebook (e Instagram), Google (e YouTube), Kwai, TikTok, Twitter e WhatsApp.

A ausência notável no rol de plataformas foi o Telegram, que continua ignorando o TSE e outras autoridades brasileiras. Via justicaeleitoral/YouTube.

O estado norte-americano do Texas ajuizou uma ação contra o Facebook/Meta pedindo uma indenização na casa das “centenas de bilhões de dólares”, segundo uma fonte do Wall Street Journal, pela coleta e uso de dados de biometria facial de fotos postadas pelos usuários na rede social Facebook – essa era uma prática vigente na plataforma entre 2010 e novembro de 2021.

O caso lembra outro, uma ação civil pública movida pelo mesmo motivo no estado de Illinois. Em fevereiro de 2021, o Facebook/Meta concordou em pagar US$ 650 milhões para encerrar o caso.

Em novembro de 2021, o Facebook/Meta encerrou o programa de reconhecimento facial do Facebook, citando incertezas quanto aos efeitos negativos da tecnologia e insegurança jurídica, ou ausência de regulação. Via Wall Street Journal (em inglês).

O Instagram embolou o meio-campo nos stories: agora é possível curtir as fotos e vídeos que se apagam em 24h. “Mas isso já não existia?”, você pode se perguntar. Mais ou menos. Havia (e ainda há) as reações, que aparecem como uma mensagem. A nova curtida, um coraçãozinho ao lado do botão de enviar mensagem, não aparece na conversa privada com esse contato, são privadas (outros usuários não a vêem) e não possui contadores. Um coração ao lado do contato que curtiu seu story fica visível na lista de visualizações. Confuso? Via @instagram/Twitter (em inglês).

O Google anunciou nesta terça (15) o Chrome OS Flex, uma versão do Chrome OS que pode ser instalada em qualquer PC ou Mac. O objetivo do Google é dar sobrevida a computadores antigos, que não conseguem ou rodam mal as versões mais recentes do Windows e do macOS.

Há algumas diferenças entre o Chrome OS “normal”, que vem pré-instalado em notebooks homologados pelo Google, e o novo sabor Flex. A principal é a ausência, no segundo, do suporte a aplicativos Android. Esta página traz mais detalhes.

O Chrome OS Flex parece fruto direto da aquisição da Neverware pelo Google em 2020. A empresa distribuía o Cloudready, um Chrome OS instalável em qualquer computador, criado a partir do projeto de código aberto do Chrome OS.

O Chrome OS Flex já pode ser baixado aqui, mas é um “early access”, ou seja, versão sujeita a falhas. O Google espera lançar uma versão estável nos próximos meses. Via Ars Technica, Google Cloud (ambos em inglês).

O Telegram bloqueou 64 canais na Alemanha acusados de espalhar desinformação a respeito da pandemia de covid-19, teorias da conspiração e extremismo de direita, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung.

A exemplo do Brasil, a Alemanha vinha tentando, sem sucesso, estabelecer contato com o Telegram. E, como aqui, lá também rolaram ameaças de bloquear o aplicativo em todo o país devido à ausência de interlocução com autoridades locais. Até então, o Telegram só respondia às autoridades norte-americanas. Via Deutsche Welle (2) (em inglês).

O Banco Central (BC) colocou no ar a nova versão do site para consulta do dinheiro esquecido em bancos — cerca de R$ 8 bilhões. (A primeira não aguentou a demanda.) Agora, é preciso ter uma conta gov.br (a modalidade por registrato foi descartada) e há agendas específicas para o resgate. Via Valor Investe.

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) abriu uma investigação contra a Serasa e a SuperSim para apurar uma prática que beira o surrealismo: concessão de crédito com o celular como garantia — se o cliente ficar inadimplente, o celular é bloqueado e passa a fazer apenas chamadas de emergência.

A SuperSim, que trabalha com a modalidade, oferece empréstimos de até R$ 2,5 mil. Para tomá-lo, é preciso ter um celular Android (provavelmente porque o iOS não permite esse tipo de interferência por um aplicativo) e instalar o “super aplicativo” dela. O celular não exclui a análise de crédito e os juros mensais são pesados, entre 12,5% e 17.5%.

“Perderam a noção do bom senso”, resumiu o professor de Direito do Consumidor Ricardo Morishita. Via O Globo. Dica do leitor Rafael Avelino.

A Mozilla anunciou uma parceria com o Facebook/Meta “em uma nova proposta que objetiva ativar a mensuração de conversão — ou atribuição — para a publicidade chamada Atribuição Privada Interoperável” (IPA, na sigla em inglês).

A tarefa é quase paradoxal: resolver o problema da atribuição, ou seja, de conectar campanhas publicitárias à conversões (compras) preservando a privacidade. Mas o que mais causou estranheza foi a união entre Mozilla, empresa/fundação que costuma se posicionar em prol da privacidade dos usuários, e Facebook/Meta, uma das empresas que mais violam e abusam da privacidade das pessoas em geral, até mesmo de não usuários. Complicado. Via Mozilla (em inglês).

Nesta quinta (10), o Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional 115/2022, que coloca a proteção de dados pessoais no rol de direitos e garantias fundamentais do povo brasileiro, e fixa também a competência privativa da União para legislar sobre proteção e o tratamento de dados pessoais. Via Coalizão Direitos na Rede.

O LinkedIn está testando um botão que eliminará conteúdo de política do feed, promete a rede social. A informação foi divulgada por Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, em entrevista para o Wall Street Journal.

Roslansky disse que o algoritmo da rede é capaz de distinguir conteúdo político graças à “equipe editorial, classificadores semânticos e pelo que a comunidade nos diz querer ou não”. Ele acrescentou que se os testes mostrarem que o recurso ajuda as pessoas a fazerem o que têm que fazer no LinkedIn, a opção, por ora restrita, será expandida a todos os usuários. Via Wall Street Journal (em inglês).