O Substack lançou seu esperado aplicativo para leitura de newsletters, cumprindo promessa feita no final de 2020. É um erro — se não para o próprio Substack, certamente para a maioria das newsletters hospedadas lá, seus donos e leitores/inscritos.

Newsletters vivem no e-mail, um local onde as pessoas estão habituadas a ir e que lhes dá controle. É exatamente isso que as diferencia de outros locais como a web, redes sociais e aplicativos. O eterno “renascimento” das newsletters é, em parte, reflexo da ressaca de estímulos que esses outros locais, que dependem de engajamento, despejam em nós. O Substack mostra-se como mais um desses.

“O framework do Substack tem crescido com base no e-mail e na web, mas agora novas coisas são possíveis”, diz o anúncio. Soa como a uma ameaça.

Newsletters já têm um aplicativo. Chama-se “e-mail”.

Por ora, o aplicativo (do Substack) só está disponível para iOS. Android deve vir em seguida. Via Substack (em inglês).

Atualização (14h36): Por padrão, o aplicativo do Substack interrompe o envio de e-mails das newsletters. O Substack declarou guerra ao e-mail.

O Archive.org salvou os posts excluídos no fio em que Danielle Foré expõe a celeuma que ameaça o futuro do elementary OS. Embora tenham sido classificados como dispensáveis para compreender a situação da empresa, achei-os bastante elucidativos.

Danielle se ofereceu para comprar a metade de Cassidy James, o co-fundador que está saindo do dia a dia da operação, por US$ 26 mil. O valor surpreende — baixíssimo para uma operação desse porte. Cassidy, num primeiro momento, topou, mas depois voltou atrás, acionou seus advogados e exigiu um pagamento imediato de US$ 30 mil, outro de US$ 70 mil em até dez anos e 5% da empresa.

O impasse continua e o futuro do elementary OS segue incerto. Via Archive.org (em inglês).

Em 2021, a Receita Federal passou a exigir a declaração de criptomoedas, com o bitcoin, no imposto de renda. Neste ano, a exigência foi estendida a outros criptoativos, como NFTs e stablecoins. Os ganhos obtidos com a valorização desses criptoativos são sujeitos à tributação, num esquema parecido com o de ações, ou seja, ganhou auferido na venda dos ativos. Via Bloomberg Línea.

O prazo para a declaração do IR começou nesta segunda (7) e vai até 29 de abril. Os aplicativos podem ser baixados no site da Receita Federal.

Quando a Apple anunciou os primeiros Macs com seu próprio chip (M1), no final de 2020, todos ficaram impressionados com o desempenho. Nesta terça (8), conhecemos o quarto e último chip da família, o M1 Ultra, que consiste em dois M1 Max grudados e, segundo a Apple, oferece desempenho a par com os melhores chips X86 (Intel, AMD) e placas de vídeo dedicadas consumindo até 200 W menos energia.

O M1 Ultra está no novíssimo Mac Studio, o novo computador da marca — visualmente, lembra um Mac Mini “gordinho”. No evento, a Apple também apresentou o Studio Display, monitor de 27 polegadas com uma webcam e sistema de som decentes.

Para quem é o Mac Studio e o M1 Ultra? Para poucos. Seu desempenho só tem aplicação para usuários comuns em jogos, e dado que o suporte a jogos de alto desempenho no macOS é pífio, não tem lógica investir tanto dinheiro em um computador poderosíssimo para atividades mundanas, como acessar sites de notícias e redes sociais, fazer pequenas edições de imagens e… sei lá, declarar o imposto de renda. Para esses, o M1 original ainda sobra.

Os preços dão uma ideia do segmento a que os novos produtos da Apple se destinam. No Brasil, o Mac Studio com o M1 Ultra custa a partir de R$ 47 mil. (Existe uma versão com o M1 Max, de R$ 23 mil.) O Studio Display parte de R$ 18 mil.

Ah, e ainda não acabou. Como que num “teaser”, a empresa deixou no ar que ainda falta um Mac para ser atualizado com os novos chips próprios: o Mac Pro, supostamente o mais poderoso do portfólio da Apple. Via Apple (2).

A Apple anunciou a esperada atualização do iPhone SE nesta terça (8). A nova versão, terceira geração do modelo, mantém o corpo do antigo iPhone 8, mas traz o mesmo chip da linha iPhone 13 (A15 Bionic) e conectividade 5G. Além disso, o vidro da tela e das costas é outro, mais resistente (o mesmo usado no iPhone 13) e a bateria ganhou melhorias tangenciais que, combinadas à eficiência maior do A15, deverão aumentar a autonomia do aparelho. Há também uma nova opção de memória de armazenamento, com 512 GB.

O iPhone SE de terceira geração ficou mais caro nos Estados Unidos (a partir de US$ 399 para US$ 429, aumento de 7,5%) e no Brasil, onde o modelo base, com 64 GB de memória, custará R$ 4.199 — a versão anterior saía por R$ 3.699, ou seja, aumento de 13,5%. Ainda não há data de lançamento para o Brasil. Via Apple (em inglês) (2).

A Mozilla libera nesta terça (8) o Firefox 98. A nova versão não traz muitas novidades. O destaque é uma revisão no fluxo de downloads, que não exibe mais a janela perguntando se o usuário deseja baixar ou abrir o arquivo prestes a ser baixado. Agora, o Firefox baixa o arquivo automaticamente — como todos os outros navegadores modernos.

Mais importante que esta grande versão foi uma menor, lançada na última quinta-feira (5), que corrigia duas falhas graves do tipo “dia zero” (códigos CVE-2022-26485 e CVE-2022-26486) e que já estavam sendo exploradas em situações reais. As versões Firefox 97.0.2, Firefox ESR 91.6.1, Firefox para Android 97.3.0 e Focus 97.3.0 corrigem-nas e se o seu estiver configurado para receber novas versões automaticamente, já deve estar atualizado. Via OMG! Ubuntu! e Mozilla (ambos em inglês).

O site olav.ooo, uma piada macabra envolvendo a morte do charlatão bolsonarista Olavo de Carvalho e o joguinho de palavras Wordle/Termo, ainda hoje aparece em redes sociais. Ele não é, afinal, um joguinho inocente. Ao abrir o site, um minerador de criptomoedas dispara imediatamente. O alerta foi dado por Eduardo Henrique e confirmado pelo Manual do Usuário.

O olav.ooo carrega um script XMRig, uma solução de código aberto que usa o poder computacional dos dispositivos que acessam sites com seu código para minerar a criptomoeda Monero (XMR). Por padrão, bloqueadores de anúncios como 1Blocker e uBlock Origin não bloqueiam o script, nem as configurações mais rigorosas do Firefox e Safari.

Ao abrir o olav.ooo, o disparo no consumo de processamento é imediato:

Print do terminal com o htop aberto, filtrando processos do Firefox.
Repare no consumo de processamento pelo Firefox enquanto o site olav.ooo está aberto. Imagem: Manual do Usuário.

Ao bloquear o carregamento do script f.xmrminingproxy.com, a mineração não acontece.

O problema de acessar um site com um minerador de criptomoedas é que ele sobrecarrega o processador, deixando outras abas e aplicativos lentos e, no caso de dispositivos movidos à bateria, como celulares e notebooks, descarregando-a mais rapidamente.

As antenas da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, doadas por Elon Musk à Ucrânia são equivalentes a alvos gigantes pintados nas costas dos usuários, disseram especialistas à CNN norte-americana. O uso de satélites em áreas de guerra, em especial um estranho/novo na região, pode ser detectado pelos russos e servir de guia para bombardeios.

No Twitter, o próprio Musk reconheceu o “pequeno problema” criado pelo seu sistema de internet via satélite: “A probabilidade de [uma antena da Starlink] tornar-se um alvo é alta.” Via CNN (em inglês)

O Google Docs agora tem uma opção “sem páginas”, que troca a metáfora de páginas de papel físicas, tipo a do Microsoft Word, por uma tela em branco infinita.

Para ativá-la, clique no menu Arquivo, depois em Configuração da página e selecione a opção Sem páginas. Via Google (em inglês).

Essa novidade parece uma resposta a novos produtos de edição de texto, como o Notion, que rompem por completo com a metáfora de folhas de papel. A Microsoft também tem explorado esse caminho, mas com uma estratégia diferente: em vez de mexer no Word, lançou um produto novo, o Loop.

Acontece neste sábado (5) o Open Data Day, celebração anual dos dados abertos no mundo inteiro. “É uma oportunidade para mostrar os benefícios dos dados abertos e encorajar a adoção de políticas de dados abertos no governo, empresas e na sociedade civil”, diz o site oficial. No Brasil, o site oficial registra dez eventos.

Em Curitiba (PR), esta edição será transmitida pelo YouTube a partir das 9h30 e tem inscrições gratuitas. Na pauta, debates sobre o gap de gênero no mercado de trabalho, qualidade do ar em Curitiba, uso de Inteligência Artificial e mapeamento colaborativo de desigualdades. Dica da Estelita Carazzai, que está na organização do ODD Curitiba e toca a ótima newsletter local O Expresso.

A Epic Games comprou o Bandcamp, um marketplace para músicos fundado em 2008 nos Estados Unidos. O valor da transação não foi divulgado. Segundo as empresas, o Bandcamp continuará operando como uma marca independente e manterá o co-fundador Ethan Diamond como CEO.

Epic e Bandcamp compartilham um inimigo em comum: Apple e Google. As duas empresas são críticas ferozes do modelo em vigor no iOS e Android, que cobra um pedágio de 30% em compras digitais realizadas em aplicativos de terceiros. (A Epic foi às últimas consequências na rixa com a Apple, o que lhe custou a presença de Fortnite no iOS.) A Epic promete ajudar o Bandcamp na expansão internacional e em novas iniciativas, como a produção de vinis e de um serviço de streaming.

No papel, é um negócio que faz sentido e que não significa muito para nós, brasileiros (o Bandcamp não opera oficialmente aqui), mas não deixa de ser triste ver um negócio independente, saudável e quase universalmente elogiado pelos usuários ser engolido por um titã da indústria. Quando foi a última vez que esse arranjo deu certo e a empresa menor, engolida, continuou “operando de forma independente” por muito tempo? É, também não me recordo. Via Variety, Bandcamp (ambos em inglês).

Prepare-se para perder (ainda) mais tempo no TikTok. A rede social de vídeos curtos liberou o envio de vídeos de até 10 minutos. É o segundo incremento no limite de tempo da plataforma — em julho de 2021 o teto subiu de 60 segundos para 3 minutos.

Em nota não relacionada, a Meta anunciou que encerrará agora em março o aplicativo próprio do IGTV, a investida do Instagram em vídeos longos que nunca colou. O alvo, em ambos os casos, é o YouTube. Será que o TikTok terá melhor sorte que o IGTV? Via @stokel/Twitter e Android Central (ambos em inglês), Instagram para Creators.

O Telegram finalmente deu sinal de vida às autoridades brasileiras. No sábado (27), atendeu a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes emitida na véspera, do Supremo Tribunal Federal (STF) e tirou do ar três canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira. Caso descumprisse a decisão, o Telegram seria multado em R$ 100 mil por dia e bloqueado no Brasil por pelo menos 48 horas.

Apesar do cumprimento, Allan continua ativo no Telegram graças a um “perfil reserva” com 22 mil seguidores. Por ele, vem compartilhando tutoriais de VPN para permitir o acesso aos canais — o bloqueio só está valendo para acessos a partir do Brasil. O uso de perfis reservas foi previsto pela decisão do ministro Alexandre, “comportamento que deve ser restringido”. Via Poder360 (2) (3) (4).

Facebook/Meta, Google, Mercado Livre e Twitter divulgaram, nesta quarta (24), uma carta aberta criticando o projeto de lei 2630/2020, o chamado PL das Fake News. No texto, as quatro empresas dizem que o PL deixou de tratar de fake news e que “passou a representar uma potencial ameaça para a Internet livre, democrática e aberta que conhecemos hoje”.

O PL das fake news deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, no que depender da vontade do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). No dia 15 de fevereiro, ele afirmou que o Plenário poderá votar o requerimento de urgência a qualquer momento. Via G1, Propmark, Câmara dos Deputados/YouTube.

Grandes empresas de mídia norte-americanas planejam desativar as versões AMP de seus sites, a plataforma de sites rápidos imposta pelo Google em 2015. O Washington Post já deu esse passo. Depois que o Google abriu o carrossel de destaques a páginas não-AMP e tornou-se público que a empresa sabotava páginas não-AMP para proteger seu negócio de anúncios, faltam motivos para justificar essa venda de alma ao Google. As empresas consultadas pela reportagem do Wall Street Journal esperam mais controle e melhorar as vendas de anúncios em seus sites. Via Wall Street Journal (em inglês).