A “stablecoin” TerraUSD (ou UST), que supostamente acompanhava o valor do dólar e estava condicionada à criptomoeda Luna, derreteu e não vale mais nada. Na quinta (12), por volta das 23h (horário de Brasília), a blockchain da UST parou de funcionar pela segunda vez em menos de 24 horas.

A ideia de uma stablecoin, ou moeda estável, é manter a paridade com o dólar. No caso da UST, isso era garantido por um “smart contract” na blockchain que ajustava automaticamente o valor da moeda de acordo com as negociações entre ela e a Luna, a outra moeda do mesmo grupo empresarial, Terraform Labs, fundado e controlado pelo sul-coreano Do Kwon. O valor da Luna flutuava, mas o da UST era sempre mantido em US$ 1.

A coisa saiu de controle dentro das regras da blockchain. Faltou combinar com os investidores. Resumidamente, acabou a confiança da maior parte deles, o que levou a UST a entrar em uma “espiral da morte”, um círculo vicioso financeiro que a transformou em pó digital. Matt Levine, colunista da Bloomberg, explica didaticamente (em inglês).

Na Coreia do Sul, Kwon pediu proteção da polícia depois que investidores frustrados com o prejuízo começaram a rondar sua casa.

Agora pela manhã (13), a Terraform Labs informou que a blockchain voltou a operar com algumas mudanças para tentar a UST.

Outras “stablecoins” sentiram o baque e também perderam a paridade com o dólar, à exceção das duas maiores, tether e USDC. Até quando? Ninguém sabe. Via @terra_money/Twitter (2), Bloomberg, Coindesk (todos em inglês); mt.co.kr (em coreano).

Elon Musk “suspendeu temporariamente” o acordo de compra do Twitter para, aparentemente, verificar a incidência de contas de spam/falsas na plataforma. No aviso, publicado no Twitter, Musk se referiu a uma notícia da Reuters de 2 de maio em que o Twitter afirma ter menos de 5% de contas de spam/robôs.

Apesar da manifestação de surpresa de Musk, analistas apontam que esse percentual já era conhecido do mercado e que Musk provavelmente o conhecia.

Há quem diga que o argumento das contas falsas pode estar sendo usado por Musk para melar o negócio ou conseguir um desconto no valor de US$44 bilhões que prometeu pagar pelo Twitter. Caso desista do negócio, ele teria que pagar uma multa de US$ 1 bilhão.

O efeito nas bolsas foi imediato. O papel do Twitter desabou quase 20% no pré-mercado (as negociações antes de o balcão da Nasdaq abrir).

Já as ações da Tesla, que vêm sofrendo com o próprio negócio envolvendo Musk e o Twitter somado à queda generalizada dos papéis de tecnologia nos EUA, subiam ~6%. Via @elonmusk/Twitter, Reuters (2), New York Times (todos em inglês).

Uma das poucas coisas enervantes no uso do Safari, navegador da Apple, é o comportamento padrão e impossível de alterar que ele tem ao lidar com links da App Store. Em vez de abrir a versão web, o Safari abre o aplicativo da App Store.

Descobri um pequeno aplicativo que quebra esse comportamento. Chama-se Stop The Mac App Store, é gratuito, funciona no Big Sur e no Monterey e foi criado por Jeff Johnson, da (ótima) extensão StopTheMadness. (Se você está no macOS Mojave ou Catalina, o StopTheNews tem essa funcionalidade.)

Jeff explica que se trata de um “aplicativo falso”, no sentido de que sua única função é enganar o Safari ao associar-se a links que, de outra forma, ficam associados à App Store.

Depois de instalado, não precisa fazer nada. Ele é carregado junto ao Safari. A partir daí, sempre que você clicar em um link da App Store, em vez de abrir o aplicativo da loja, o Safari exibirá um pop-up (não tem como remover isso, segundo o desenvolvedor). Clique em Cancelar e pronto, você continua no Safari, visita a versão web da App Store e o aplicativo dela continua ali, fechadinho. Via Jeff Johnson (em inglês).

O Android 13, oficializado pelo Google nesta quarta (10), será uma versão contida, sem grandes novidades, provavelmente para aparar as arestas que ficaram da anterior.

Entre essas poucas novidades está o suporte a aplicativos de terceiros nos ícones padronizados, uma opção que faz com que todos os ícones sigam o esquema de cores da interface “Material You”. Assim:

Foto de um celular com Android 13, usando um tela salmão, com todos os 12 ícones da tela inicial em formato redondo e com as mesmas cores de fundo e no contorno dos desenhos internos.
Imagem: Google/Divulgação.

Beleza é algo subjetivo, e não é no que gostaria de focar aqui. O que me chama a atenção é a usabilidade, ou falta dela. Ícones assim, idênticos, não são mais “difíceis de usar”?

A gente já havia perdido o contorno/formato dos ícones graças à influência do iOS.

No macOS da Apple, que sempre teve ícones em formatos variados, a versão Big Sur, de 2020, impôs (ou passou a recomendar) que eles adotassem o mesmo formato quadrado com bordas arredondadas do iOS.

Gosto é subjetivo, repito, mas compare um antes (Catalina) e depois (Monterey):

Duas fileiras de ícones na Dock do macOS, a de cima do Catalina, com ícones de formatos variados, a de baixo do Monterey, com todos os ícones quadrados.
Imagem: Apple/Divulgação.

Talvez o Google tenha ido longe demais?

O Airbnb anunciou nesta quarta (11) uma reformulação do seu aplicativo — segundo Brian Chesky, CEO da empresa, “a maior mudança no Airbnb em uma década”.

O novo leiaute foi feito em parceria com a LoveFrom, o estúdio de design de Jony Ive, ex-Apple. Há três principais mudanças:

  • Busca de estadias baseada em categorias.
  • Estadias Combinadas, sugestões de duas estadias para períodos mais longos de viagem.
  • AirCover, um pacote de proteção contra imprevistos gratuito.

Via Airbnb, The Verge (ambos em inglês).

O grupo bolsonarista no Telegram “Super Grupo B-38 Oficial”, que conta com 67 mil membros, foi temporariamente suspenso pela plataforma. Ao tentar acessá-lo, uma mensagem é exibida informando que conteúdos ilegais estão sendo removidos pelos moderadores e que, depois disso, ele será reaberto.

O Núcleo, que monitora canais de extrema-direita no Telegram, nota que o aplicativo não informa a natureza da ilegalidade do conteúdo do “B-38 Oficial”, mas que, dias antes da suspensão, circulavam mensagens questionando a urna eletrônica brasileira e incitando os membros a pegarem em armas e atentarem contra políticos da oposição. Via Núcleo.

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, enviou um e-mail no domingo (8) a todos os funcionários para avisar que vai a empresa vai reduzir gastos com marketing e incentivos (adeus, cupons) e limitar as contratações, que agora passam a ser encaradas como privilégios. “Seremos ainda mais rigorosos com cortes de custos em todas as áreas”, escreveu.

As empresas de tecnologia têm sofrido nas bolsas norte-americanas. O receio de que a era de dinheiro barato chegou ao fim tem afastado os investidores do setor, o que se traduz em quedas generalizada.

Segundo a CNBC, a Nasdaq bateu cinco semanas consecutivas de baixas, algo que não acontecia desde 2012. Nesta segunda (9), as maiores empresas de tecnologia perderam, juntas, mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Só a Apple, a maior delas, desvalorizou US$ 220 bilhões.

A Uber não passa incólume por essa “mudança sísmica”, como definiu Dara. Embora os números da empresa já tenham voltado ao patamar pré-pandemia, ela ainda sangra dinheiro e também sofre com a debandada dos investidores. Em 2022, os papéis da Uber acumulam uma desvalorização de mais de 40%. Via CNBC (2) (em inglês).

Em julho de 2023, a longeva série de jogos de futebol da EA ganhará um novo nome: EA Sports FC.

O acordo com a FIFA, que licenciava seu nome à EA há cerca de 30 anos, chegou ao fim. A FIFA queria receber mais royalties da EA (no mínimo o dobro dos US$ 150 milhões anuais que recebia, segundo o New York Times) e ter o direito de licenciar a marca para outras editoras. A EA, sem surpresa, não concordou.

A EA parece sair melhor dessa separação amigável. Ela leva toda a tecnologia e décadas de refinamento no motor do jogo, 150 milhões de jogadores e 300 acordos de licenciamento com times, ligas e confederações, ou seja, as principais perdas da EA são o nome FIFA e a marca oficial da Copa do Mundo. Via EA, New York Times (ambos em inglês).

A Apple decretou o fim do iPod nesta terça (10). Em um comunicado à imprensa, a empresa disse que o iPod Touch de 7ª geração será vendido enquanto durarem os estoques. Depois disso, só restará “o espírito do iPod” nos demais produtos da empresa, o eufemismo poético que Greg Joswiak, VP de marketing global da Apple, usou para se referir ao fim da linha.

O iPod foi importante no renascimento da Apple no início dos anos 2000, porém acabou eclipsado pelo iPhone, lançado em 2007 — o celular foi apresentado como um “3-em-1” que unia telefone, navegador web e o iPod em um dispositivo.

O iPod Touch de 7ª geração foi anunciado em 2019, quatro anos depois da sexta geração. Já chegou defasado, com o chip A10 Bionic, o mesmo do iPhone 7 de três anos antes. Era uma relíquia que, à exceção de alguns poucos aficionados, não fará falta.

A esses, a loja brasileira da Apple ainda tem estoque de iPod Touch. Os preços começam em R$ 1,6 mil para o modelo de 32 GB. Via Apple (em inglês).

Com algum atraso, o Fedora 36 chegou nesta terça (10). A nova versão da distribuição Linux traz o Gnome 42 em toda a sua glória, pacotes atualizados e, segundo o comunicado oficial, correções de alguns bugs importantes introduzidos nas duas versões anteriores.

“O Fedora Workstation foca no desktop e, em particular, é direcionado a usuários que só querem uma experiência de sistema operacional Linux que ‘apenas funcione’”, escreveu Matthew Miller, líder do projeto Fedora.

Baixe o Fedora 36 aqui. Para quem usa a versão 35 ou um beta da 36, há instruções (em inglês) de como atualizar para a mais recente. Via Fedora Magazine (em inglês).

O KDE Connect, solução para integrar celulares a computadores rodando Linux com o ambiente gráfico KDE Plasma (ou Gnome, usando a extensão GSConnect), ganhou sua primeira versão oficial para iOS.

Devido a limitações impostas pela Apple, o KDE Connect do iOS é menos capaz que seu par para Android. Ainda assim, ele faz bastante coisa:

  • Área de transferência compartilhada: copiar e colar entre os seus dispositivos.
  • Envie arquivos e URLs para o computador a partir de qualquer aplicativo.
  • Touchpad virtual: use a tela do celular como touchpad do computador.
  • Apresentação remota: controle um pontinho de destaque no seu computador movimentando o celular de um lado para o outro.
  • Comandos à distância: execute comandos no seu computador a partir do celular.

Toda a comunicação entre celular e computador é criptografada de ponta a ponta. O aplicativo, por ora, está disponível apenas em inglês. Via OMG! Ubuntu (em inglês).

O novo aplicativo para iOS do desenvolvedor Simon Støvring, Runestone, é um editor de texto puro leve, rápido, com suporte a destaque de sintaxe e alguns extras bem legais.

“É como um Editor de Texto [do macOS] colorido e personalizável”, diz a descrição do site. É isso mesmo, e é maravilhoso. Já substituiu o Pretext aqui.

O código do Runestone é aberto e o aplicativo, “freemium”, ou seja, gratuito e com algumas opções atrás de um pagamento único, de R$ 54,90. Via MacStories (em inglês).

Embora “qualidade” seja uma métrica bastante subjetiva, algumas alterações anunciadas pelo LinkedIn para combater tal tipo de conteúdo parecem promissoras. Posts do tipo “curta se isso, dê coraçãozinho se aquilo” são chatos mesmo, comentários de contatos em eventos da carreira de não contatos são irrelevantes e a possibilidade de identificar se o desinteresse é em quem postou ou no assunto abordado, uma distinção importante. Via LinkedIn (em inglês).

Nova versão do Tails, distribuição Linux feita para não deixar rastros — você instala o sistema em um pen drive ou coisa parecida e pode usá-lo em qualquer computador sem alterar nada no computador ou no pen drive.

O Tails 5.0 é a primeira versão baseada no Debian 11 “Bullseye”. Traz, como esperado, pacotes atualizados, e incorpora o Kleopatra, uma interface gráfica para o GnuPG. O Tails é gratuito. Via Tails (em inglês).

NFTs chegaram ao Instagram. A rede social da Meta começou a testar o compartilhamento dos famigerados tokens não-fungíveis com alguns criadores norte-americanos.

Em um vídeo, Mosseri explicou que usuários poderão exibir NFTs que criaram ou compraram no Instagram — no feed, nos stories e nas mensagens. Essa é, segundo ele, uma maneira de ajudar uma parte dos “criadores” da plataforma a ganharem a vida fazendo o que amam.

O anúncio do Instagram acontece poucos dias após uma reportagem do Wall Street Journal apontar uma queda expressiva no volume de negócios envolvendo NFTs.

Entre setembro de 2021, quando a febre dos NFTs atingiu seu pico, e a semana que compreendeu o fim de abril e início de maio, o volume de transações despencou 92%, de 225 mil por dia para 19 mil. O número de carteiras com NFTs ativas também caiu drasticamente, 88%, das 119 mil em novembro para 14 mil agora.

Na linha fina, o Wall Street Journal questiona se estamos presenciando o início do fim dos NFTs. Será que o Instagram consegue reverter essa tendência? Via @mosseri/Twitter, Wall Street Journal (ambos em inglês).