Incentivos são vitais em um contexto onde todos têm o poder de se manifestar livremente, como em uma rede social. Por isso é tão óbvio o erro da última peripécia de Elon Musk no Twitter: restringir a recomendação algorítmica na aba “For You” a quem paga o Twitter Blue (R$ 42/mês).

Aqueles posts engraçados, espontâneos, de gente comum que vez ou outra explode e gera engajamento? Esqueça. A barreira (assinatura) só será ultrapassada por quem tem algo a ganhar ali (ou seja, a quem o investimento se justifica).

No mínimo, a aba “For You” virará um shopping. É provável que também atraia golpistas, oportunistas e exibicionistas. É quase unânime a opinião de que, ao contrário do que prevê Musk, o Twitter não virará “a única plataforma confiável”, mas sim um lixão radioativo ainda pior do que já é.

A quem Musk quer enganar quando afirma que essa é “a única maneira realista de combater a tomada por exércitos de robôs de IA” quando, na real, trata-se de um ato extremo para estimular vendas do Twitter Blue?

Esse rei, que sempre esteve nu, está agora esfregando sua genitália na cara de todo mundo. É preciso um grande esforço para não ver (ou fingir que não vê). Via @elonmusk/Twitter (em inglês).

O Apple Music Classical é um deleite. O novo aplicativo, disponibilizado na noite desta terça (27), é autoexplicativo em sua razão de existir: ele pega o(a) ouvinte pela mão e mostra as especificidades da música clássica, em especial a taxonomia própria do gênero, com divisões por compositor, gravações e até instrumentos.

Bônus: uma série em dez partes de uma espécie de podcast introdutório, “A história da música clássica” (infelizmente apenas em inglês).

É um aplicativo que eu não pagaria à parte, mas imperdível como extra sem custo na assinatura do Apple Music. E, acho eu, o Classical funciona quase como uma declaração do posicionamento do serviço da Apple como um de música, e somente de música — sem podcasts, sem audiolivros, uma antítese do que o Spotify está tentando se transformar custe o que custar. Via App Store.

A Apple liberou a versão final do iOS 16.4 nesta segunda (27).

Uma das novidades trazidas ao público brasileiro é o suporte ao 5G “puro” (ou 5G Standalone/5G SA, no termo técnico), em tese mais rápidas que o 5G mistureba disponível até então.

Atualizei um iPhone SE (2022) e… nada. A opção, segundo relatos diversos, deveria aparecer em Ajustes, Celular, Opções de Dados Celulares, Voz e Dados, mas — aqui pelo menos — continua tudo como era no iOS 16.3. Nem mesmo a mensagem de incompatibilidade do SIM card apareceu.

Talvez seja meu plano? Operadora? Ou a região onde estou? Ou esse modelo de iPhone não é compatível…? Via MacMagazine.

Atualização (28/3, às 9h30): Por qualquer motivo não informado, o 5G SA só está funcionando em celulares da linha iPhone 14. A apuração é do MacMagazine, feita junto a leitores. Nem queria mesmo…

Morreu na sexta (24), aos 94 anos, Gordon Moore, co-fundador da Intel e pai da “Lei de Moore”, que originalmente (em 1965) previu que o número de transistores em um circuito integrado dobraria a cada dois anos. A “lei” balizou o desenvolvimento da indústria de semicondutores por décadas e teve influência em outras áreas da tecnologia.

Desde 2000, Moore criou uma fundação filantrópica com sua esposa, Betty. Ele faleceu ao lado da família, em sua casa no Havaí. Via Intel (em inglês).

Nesta quinta (23), Shou Zi Chew, CEO do TikTok, foi escrutinado no Congresso norte-americanos por mais de cinco horas (íntegra).

Congressistas dos dois lados do espectro — democratas e republicanos —, unidos pelo temor de que o aplicativo chinês seja uma arma comunista ou qualquer delírio do tipo, pegaram pesado com Zi Chew.

No fim, foi uma perda de tempo, uma mistura de delírio com sinofobia, polvilhada por grosserias gratuitas. Ficou evidente a má-vontade dos congressistas, pouco interessados em elucidar suas dúvidas e avançar o debate, mais preocupados em bater forte no TikTok.

O destino do TikTok nos Estados Unidos, e consequentemente no mundo inteiro — visto que os dois canais de distribuição do aplicativo são da Apple e Google, duas empresas norte-americanas — segue em suspenso.

Enquanto Zi Chew apanhava no Congresso, Pequim bateu o pé: o governo chinês disse que se oporá fortemente a uma venda forçada do TikTok e que um movimento do tipo “prejudicaria seriamente a confiança de investidores do mundo inteiro, incluindo da China”, nos Estados Unidos. Via Washington Post (em inglês).

O atentado golpista de 8 de janeiro deu fôlego novo à ideia de regular as redes sociais no Brasil.

A reação imediata do governo Lula foi apresentar uma medida provisória (MP) que obrigasse as empresas do setor a removerem conteúdo golpista de redes sociais por iniciativa própria.

Hoje, não funciona assim. Embora as empresas possam remover conteúdo ilegal, isso é uma discricionariedade. O artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), de 2014, determina que elas só são obrigadas a agir por ordem judicial.

(mais…)

A OpenAI abriu o ChatGPT para plugins. Os vários exemplos são bem impressionantes. É como se o chatbot tivesse ganho a sua “loja de aplicativos”.

Destaque para o plugin Browsing, da própria OpenAI. Com ele, o ChatGPT aprende a pesquisar a web e resolve uma das suas principais limitações: o corte seco em sua base de conhecimento em 2021. Até então, ele não conseguia “conversar” a respeito de nada que tivesse acontecido nos últimos anos. Agora, o chatbot “dá um Google” (não no Google; você entendeu) e extrai informações de sites.

A princípio, os plugins serão limitados a desenvolvedores e alguns usuários pagantes do ChatGPT. Acesse a página ao lado para ver as (impressionantes) demonstrações. Via OpenAI (em inglês).

O fim iminente dos cookies de terceiros, ferramenta amplamente usada pela indústria para rastrear usuários entre sites, chega num momento conveniente, quando eles já não são mais necessários.

Existem soluções melhores de “fingerprinting”, jargão do meio que significa, literalmente, “impressão digital”: empresas digitais conseguem detectar que você é você entre vários sites analisando uma série de características da sua conexão, computador e navegador.

O Fingerprint Pro oferece esse serviço. Ele tem uma demonstração gratuita bem interessante: clique no botão View Live Demo, e o site gerará um identificador único.

Tente, agora, limpar os dados do seu navegador e abrir o site novamente ou fazê-lo pelo modo “anônimo”. É bem provável que o Fingerprint Pro mostre o mesmo identificador, ou seja, saiba que você é você.

Mesmo em navegadores focados em privacidade, como Safari e Firefox, o Fingerprint Pro consegue fazer o rastreamento. Ele só falha no Tor e no Firefox com uma configuração obscura ativada (privacy.resistFingerprinting). Via Bitestring’s Blog (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Pela quarta vez, o governo chinês vetou a participação de representantes da Wikimedia Foundation como observadores das reuniões do Comitê Permanente de Direitos Autorais e Direitos Conexos da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, integrante do sistema das Nações Unidas.

Segundo os representantes chineses, a Wikimedia usa a Wikipedia e seus outros projetos para disseminar desinformação. A fundação anunciou que deve se candidatar à participação novamente na assembleia geral de julho deste ano, uma vez que, pelas regras do comitê, desde 2022 não é necessário que haja unanimidade para esse tipo de decisão.

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O Gnome 44 “Kuala Lampur” foi lançado nesta quarta (22).

A nova versão de um dos principais ambientes gráficos para Linux traz diversas melhorias — nada muito drástico, todas bem-vindas.

Alguns destaques são recursos que, estranhamente, o Gnome não oferecia até então ou já teve e removeu, como a visualização por miniaturas no “file picker” e expansão do conteúdo de diretórios na visualização em lista, no Arquivos/Nautilus.

Para ver as mudanças, dê uma olhada no vídeo de divulgação e na página da versão no site do Gnome.

Fedora 38 e Ubuntu 23.04, ambos previstos para abril, deverão já trazer o Gnome 44. Via Fundação Gnome (em inglês).

O Google abriu o Bard, seu rival do ChatGPT, em caráter experimental. Por ora, apenas em inglês, com fila de espera e limitado a residentes dos Estados Unidos e Reino Unido.

Devem existir motivos para essa restrição geográfica, provavelmente de cunho jurídico, mas é frustrante para o resto do mundo. Mais ainda porque, hoje, ChatGPT e Bing Chat estão disponíveis para qualquer um, em qualquer lugar do mundo, falando português do Brasil, até mesmo “mineirês” (eu vi, haha).

No comunicado oficial, executivos do Google dizem que o Bard “será expandido a mais países e idiomas” sem especificar prazos. Esperarmos sentados.

Em nota mais ou menos relacionada, a Microsoft embutiu o DALL-E, gerador de imagens da OpenAI, no Bing Chat. Via Google, Microsoft (ambos em inglês).

Quando falamos de atualizações de segurança para sistemas operacionais modernos, em geral falamos de correções preventivas ou para falhas ainda não exploradas.

O pacote de março do Android do Google, porém, foge à regra.

A mais grave (CVE-2023-21036) é uma que atinge os celulares Pixel e permite recuperar as imagens originais de prints (“screenshots”, imagens da tela) alterados pela ferramenta nativa de edição do Android (“Markup”).

Ela afeta todos os Pixel 3 em diante, o que significa que todos os prints com informações sensíveis ocultadas pela ferramenta nativa do sistema nos últimos cinco anos estão vulneráveis.

Na prática, o Android dos celulares Pixel estava compartilhando a imagem original, editada, mas contendo o histórico de edição. Esse histórico pode ser recuperado, e é aí que mora o perigo.

Por mais que a falha tenha sido corrigida, as imagens que estão por aí não se beneficiam dessa correção.

O site acropalypse é uma prova de conceito que demonstra como a falha age. (Esta imagem do criador da ferramenta, Simon Aarons, é uma boa explicação.)

No mesmo pacote, o Google revelou uma falha (CVE-2023-24033) em modems Exynos, da Samsung, que (teoricamente) permite que atacantes tomem o controle do celular fazendo uma ligação telefônica especial.

Ainda não se sabe se essa falha pode ser explorada no mundo real. Na dúvida, a recomendação é para desativar os recursos de ligação via Wi-Fi e 4G (VoLTE) até que as correções sejam liberadas.

Problema: aparentemente, alguns celulares em certas operadoras impedem a desativação do recurso, como demonstrou este usuário do Reddit.

Via Pixel Envy, @ItsSimonTime/Twitter, ArsTechnica (todos em inglês).

por Shūmiàn 书面

Se a proteção de dados ficou em segundo plano — mas não deixou de ser uma preocupação — em muitos lugares durante a pandemia, ela agora é argumento para que dados pessoais sobre covid-19 sejam apagados.

Isso vem sendo feito pela cidade de Wuxi, na província de Jiangsu, como mostra o Sixth Tone. De acordo com o centro de megadados da cidade, um bilhão de dados pessoais foram deletados, além dos 40 aplicativos ligados ao controle de medidas da covid-19.

Wuxi, contudo, não está sozinha. A Caixin disse que essa limpeza de dados também foi feita por Guangdong. Relatos recentes, como contamos aqui, dão conta de o quanto o governo vem fazendo para deixar o passado pandêmico para trás.

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A Federal Trade Commission (FTC), espécie de Cade dos Estados Unidos, multou a Epic Games em US$ 245 milhões por enganar consumidores a fim de fazê-los gastar mais.

O comunicado da FTC diz que a Epic Games, dona do video game Fortnite, “usou ‘dark patterns’ para enganar jogadores a realizarem compras indesejadas e permitir que crianças gastassem sem autorização ou qualquer envolvimento dos pais”.

“Dark patterns” são decisões de projeto que estimulam e enganam, de modo subliminar, a comportamentos desejados pela empresa que as desenvolve.

A Epic Games, vale dizer, é a principal antagonista da Apple na longa disputa para derrubar o monopólio da App Store na distribuição de aplicativos para o iOS.

Uma demanda justa, mas que leva a pensar se, caso a Epic Games ganhe, seria bom negócio instalar uma loja de aplicativos da dona do Fortnite no celular… Via FTC (em inglês).

A Anatel colocou no ar uma página que ajuda os consumidores a saberem se estão comprando aparelhos de IPTV não homologados (“gatonet”).

Segundo a agência, o consumidor deve verificar se o equipamento possui a marca da Anatel e se o número do Certificado de Homologação (listado na nova página) corresponde ao modelo do produto. Via Anatel.