O DuckDuckGo anunciou um novo serviço gratuito de proteção a e-mails, chamado Email Protection (é, nada original). Ele gera um endereço @duck.com, gratuito, que encaminha mensagens ao seu endereço verdadeiro removendo rastreadores da mensagem, algo parecido com o comportamento do aplicativo Mail, da Apple, no iOS 15 e macOS 12 . Na solução do DuckDuckGo também é possível gerar “aliases”, ou seja, endereços alternativos para cada serviço/cadastro e, caso um deles passe a ser usado para spam, bloqueá-lo. Essa parte é igual ao Firefox Relay e ao vindouro Hide My Email do iCloud+, da Apple.

O Email Protection está em beta. Para candidatar-se ao serviço e, de quebra, reservar um endereço @duck.com, é preciso baixar o aplicativo do DuckDuckGo para Android ou iOS, abrir as configurações, ir em Beta Features, depois em Email Protection e, por fim, clicar em Join the Private Waitlist. Via DuckDuckGo (em inglês).

Post livre #278

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Neeraj Arora e Michael Donohue, ex-funcionários do WhatsApp pré e pós-aquisição pelo Facebook, lançaram um novo aplicativo, o HalloApp. (Em novembro de 2020, para ser exato, mas só agora estão aparecendo na imprensa.) Apresentado como “a primeira rede de relacionamentos reais”, é uma espécie de mistura entre WhatsApp e Instagram, mas sem os piores incentivos de ambos. Do blog deles:

Sem anúncios. Sem robôs. Sem curtidas. Sem trolls. Sem seguidores. Sem algoritmos. Sem influenciadores. Sem filtros de fotos. Sem “fadiga do feed”. Sem desinformação se espalhando como fogo em palha.

Os contatos são os da agenda do telefone (igual ao WhatsApp) e é possível criar conversas individuais, em grupos ou publicar fotos e textos para toda a lista de contatos. O visual é agradável, quase minimalista, com opções óbvias e limitadas. Só falta o português como opção de idioma, uma ausência notável dada a popularidade do WhatsApp e de redes sociais no Brasil.

Em junho, escrevi: “Lendo a parte em que o Instagram copia os stories do Snapchat, no livro da Sarah Frier, e o papel que as celebridades tiveram nesse episódio, pensei que seria legal um app de stories só para quem você tem na lista de contatos. Aí lembrei do WhatsApp. Os caras não dão uma brecha.” O HalloApp parece exatamente isso, e mais.

Já baixei e instalei. Pode não dar em nada? Sim, mas a proposta, pelo menos, é muito interessante. Tem para Android e iOS.

A Febraban, em cooperação técnica com o Banco Central, lançou nesta segunda (19) o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB). Na pesquisa para a construção do índice, feita com 5.220 maiores de idade de todas as regiões do país no final de 2020, a nota média dos brasileiros foi de 57 pontos (a escala vai de 0 a 100).

O site do I-SFB tem um formulário que, após preenchido, calcula sua nota e oferece “um diagnóstico individual para identificar vulnerabilidades e personalizar estratégias de educação financeira”. Acesse-o aqui.

Um consórcio de jornais revelou uma lista de 50 mil “pessoas de interesse” de 45 países que podem ter tido seus celulares hackeados pela ferramenta Pegasus, da empresa israelense NSO Group. Há anos o uso da ferramenta é conhecido; a investigação revela a escala da coisa. Via O Globo.

O NSO Group afirma ter 60 clientes em 40 países, mas se recusa a identificá-los, e diz que seus produtos são destinados exclusivamente ao combate ao terrorismo e ao crime organizado. Na lista obtida pelos jornais, porém, há jornalistas, ativistas e políticos. Em alguns países, a definição de terrorista deve ser mais abrangente, a ponto de incluir oposição e imprensa. Esta revelação explicita o perigo de se abrir exceções a sistemas de criptografia.

Em maio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que é vereador no Rio de Janeiro, articulou em Brasília, junto ao Ministério da Justiça, uma licitação para adquirir o Pegasus. O Uol, que revelou a negociata, ouviu de fontes que o filho do presidente tentava fortalecer uma “Abin paralela” dentro do governo, jogando para escanteio os órgãos de inteligência convencionais — o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a própria Abin. Via Uol.

A Automattic, empresa por trás do WordPress.com, anunciou a compra do Pocket Casts, um popular aplicativo de podcasts multiplataforma. Embora o anúncio fale em integrações entre os dois serviços, esta aquisição entra no rol das que não parecem fazer muito sentido, mas que aliviam usuários que gostam de pequenas joias independentes que, de fora, pareciam sem alternativas para continuarem funcionando. Antes do Pocket Casts, deficitário e posto à venda em janeiro deste ano, a Automattic já havia comprado Tumblr, Simplenote e Day One. Via Automattic (em inglês).

Achados e perdidos #25

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Após anos de estudo, acredito que criptomoedas são uma tecnologia inerentemente de direita, hiper-capitalista, construída principalmente para ampliar a riqueza de seus proponentes através de uma combinação de evasão fiscal, relaxamento da supervisão regulatória e escassez imposta artificialmente.

— Jackson Palmer, cofundador da Dogecoin.

No Twitter, Jackson escreveu uma respostas aos constantes questionamentos a respeito do seu retorno ao mundo das criptomoedas. “Um ‘não’ do fundo do coração”, escreveu antes de detalhar os motivos.

Os super apps da América Latina

No processo de educar o consumidor à lógica dos aplicativos de celular, a Apple, nos primórdios do iPhone, lançou um slogan que colou nas nossas cabeças: “existe um app para isso”. Quase 15 anos depois, para algumas empresas um simples app não consegue mais dar conta do que ela deseja oferecer aos usuários. No lugar deles, temos agora os super apps.

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Uma alternativa ao YouTube

Em dezembro de 2020, quando pensava o próximo ano do Manual do Usuário, decidi que faria vídeos. É um formato popular, acessível e, imaginava, com potencial para alcançar um público maior, que talvez não conheceria o meu trabalho de outra forma. No meio do caminho, porém, havia um obstáculo: o YouTube.

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Post livre #277

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

O Facebook compartilhou detalhes de como funcionará o uso do WhatsApp com múltiplos dispositivos (até quatro) independentes do celular. Segundo a empresa, a funcionalidade, muito requisitada pelos usuários, já está em teste público com um grupo restrito deles.

O post é técnico, mas legível para não-programadores. E, evidentemente, simplifica explicações de processos que, na prática, devem ser super complexos. Em linhas gerais, se antes o celular atuava como único ponto de contato capaz da criptografia de ponta a ponta (o que explicava a dependência dele no uso do WhatsApp Desktop/Web e as constantes falhas de comunicação), no novo modelo cada dispositivo confiável tem sua própria chave e está vinculado aos demais. Para o usuário, porém, a única diferença no uso é que, ao cadastrar um dispositivo confiável/independente do celular apontando a câmera para um código QR, o aplicativo do celular exigirá uma autenticação biométrica. Via Facebook (em inglês).

O Facebook também liberou um “whitepaper” (PDF, em inglês) com explicações mais detalhadas do novo modelo de criptografia para múltiplos dispositivos.

O Magazine Luiza anunciou, na manhã desta quinta (15), a aquisição do e-commerce de informática/games Kabum. O valor do negócio é de R$ 3,5 bilhões, incluindo o pagamento à vista de R$ 1 bilhão em dinheiro e transferências pontuais de ações ordinárias até 2024. Via Magazine Luiza (PDF).

Do fato relevante:

Depois da conclusão da aquisição, o Magalu e KaBuM! poderão aproveitar uma série de oportunidades: (i) os produtos do KaBuM! serão oferecidos no SuperApp do Magalu; (ii) os clientes do KaBuM! poderão contar com todos os benefícios da multicanalidade, incluindo a entrega mais rápida do Brasil; (iii) diversos produtos do Magalu, como smartphones e TVs, complementarão o sortimento do KaBuM!; e (iv) produtos financeiros do Magalu, como cartão de crédito e seguros, também serão oferecidos aos clientes do KaBuM!.

Em 2020, impulsionadas pela pandemia, as vendas do KaBuM! mais que dobraram, crescendo 128% em relação a 2019. Nos primeiros 5 meses de 2021, o KaBuM! continuou evoluindo de forma acelerada, com 62% de crescimento comparado ao mesmo período de 2020. Nos últimos 12 meses, o KaBuM! superou a marca de 3,4 bilhões de reais em receita bruta. No mesmo período, com um modelo de negócio altamente eficiente, a KaBuM! obteve lucro líquido de 312 milhões de reais.

Na data desta publicação, eu tinha ações do Magazine Luiza (MGLU3).