Capa do livro “Uma verdade incômoda” sobre uma mesa branca circular; ao fundo, chão de tacos de madeira.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Os historiadores do futuro terão trabalho para compreender a amalucada segunda metade dos anos 2010, da ascensão de líderes populistas à hegemonia das redes sociais no debate público, ou na degradação deste. Documentos como Uma verdade incômoda, de Cecilia Kang e Sheera Frenkel, serão essenciais. Já o é, neste caso.

O livro cobre o Facebook durante a era Trump, da campanha eleitoral em 2016 até a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, com algumas digressões para contextualizar a empresa e a trajetória dos seus dois principais executivos e protagonistas da história, Mark Zuckerberg (co-fundador e CEO) e Sheryl Sandberg (COO).

É uma história recente, ainda fresca na memória de muitos e que continua se desenrolando. Mesmo para quem a acompanha, o livro vale pelos bastidores reveladores a que as autoras tiveram acesso e pela montagem cronológica, muito bem feita. Não que faltem argumentos, e talvez até por isso, é chocante o quão insana a direção do Facebook se revela e como a prioridade ali dentro sempre foi lucro e poder, a despeito das ladainhas de porta-vozes e executivos quando em público.

Uma verdade incômoda saiu no Brasil pela Companhia das Letras. Meu agradecimento à editora pelo envio de uma cópia cortesia. Compre na Amazon, Magalu ou direto da editora1.

  1. Ao comprar por estes links, o Manual do Usuário recebe uma pequena comissão das lojas. O preço final para você não muda.

E quando mostrar a pobreza dá dinheiro?

por Shūmiàn 书面

Alguns jovens da minoria Yi, na zona rural da província de Sichuan, China, ganham até 40 mil yuan (cerca de R$ 34 mil) por mês ao mostrar a precariedade do lugar em que nasceram.

Os influencers locais vendem produtos típicos da região nas lives, ao mesmo tempo em que esperam comover consumidores dos grandes centros urbanos sobre suas condições de extrema pobreza, com as moradias precárias do vilarejo ao fundo e até mesmo usando roupas desgastadas.

Vistos por alguns como uma “espetacularização da pobreza”, os streamings são uma oportunidade fora da curva para muitos jovens que iriam abandonar os estudos e trabalhar em condições de extrema vulnerabilidade nas megalópoles do país. Mas, para algumas prefeituras locais, como a de Liangshan, toda essa exposição não condiz com os avanços que foram feitos e chega a contradizer a narrativa oficial do fim da pobreza extrema na China. Elas sugerem outro modelo de geração de renda por meios digitais, como já falamos por aqui. A reportagem é de Ji Guangxu para o Sixth Tone e vale um bom cafezinho.


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Quero que você informe imediatamente ao Spotify HOJE que quero todas as minhas músicas fora da plataforma. Eles podem ter [Joe] Rogan ou Young. Os dois, não.

— Neil Young, em carta enviada a seus agentes e gravadora.

A demanda do músico canadense é um protesto contra o podcast de Joe Rogan, um dos mais populares do mundo. Rogan é um notório negacionista da vacina contra a covid-19.

Em maio de 2020, Joe Rogan e o Spotify firmaram um acordo para tornar o podcast exclusivo da plataforma de streaming. O valor não foi divulgado, mas especula-se que tenha sido na casa dos US$ 100 milhões. Via Rolling Stone (em inglês).

Existe R$ 8 bilhões em contas de pessoas físicas e de empresas esquecidos em contas correntes e poupanças nos bancos brasileiros. O Banco Central criou uma ferramenta online para que você verifique se tem saldo a receber e, se sim, o receba via Pix. Para fazer a consulta, é preciso ter um cadastro no gov.br ou no Registrato do BC. Neste momento (8h50), o site inteiro do BC está lento ou inacessível. Via Folha de S.Paulo.

A Autoridade Holandesa para Consumidores e Mercados (ACM, na sigla em inglês) rejeitou a proposta da Apple para viabilizar meios de pagamento alternativos para aplicativos de namoro disponibilizados na App Store do país. “A Apple fracassou em cumprir os requisitos em vários pontos”, diz o comunicado. A ACM multou a Apple em € 5 milhões e continuará multando a empresa semanalmente até o teto de € 50 milhões — ou ela se adequar à decisão. Via ACM (em inglês).

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a Speedbird Aero a realizar entregas comerciais com drones no país. A empresa é parceira do iFood e as duas já haviam realizado testes com a tecnologia em Campinas (SP) e entre Aracaju e Barra dos Coqueiros (SE). A autorização prevê entregas de até 2,5 kg num raio de 3 km. Com a autorização, o iFood quer expandir o programa. Via Anac, Folha de S.Paulo.

Avança na União Europeia um projeto de lei que cria regras diversas para plataformas online, o chamado Digital Services Act (DSA) – não confundir com o Digital Markets Act (DMA), lei-irmão do DSA, que foca no aspecto competitivo do mercado de tecnologia. Na quinta-feira (20), o Parlamento Europeu por ampla maioria — 530 votos contra 78 contrários, e 80 abstenções.

Entre outras coisas, a principal mudança que o DSA traz é o banimento da publicidade direcionada com base em dados sensíveis, como religião, inclinação política, orientação sexual e raça/etnia. No caso de menores de idade, o banimento da personalização é total.

Agora o projeto de lei segue para o Conselho da UE, que conta com representantes dos 27 países do bloco. As conversas entre Conselho e Parlamento começam em 31 de janeiro. E a previsão é que, correndo tudo bem, o DSA passe a valer em 2023.

Do outro lado do Atlântico, na terça (18.jan), congressistas democratas dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei que visa banir o que eles chamam de “publicidade de vigilância”, em linha com o que a proibição pleiteada pelos europeus, batizado Banning Surveillance Advertising Act. Via Politico, The Verge (ambos em inglês).

Alphabet (Google), Amazon e Microsoft abriram a carteira em 2021 para comprar outras empresas. Segundo levantamento da Dealogic, as empresas bateram recorde de aquisições no período. Foram 22 compras pela Alphabet, 29 pela Amazon e 55 pela Microsoft. De duas, uma: elas se anteciparam a uma postura mais rígida da FTC (o Cade dos Estados Unidos) contra aquisições ou estão desdenhando do poder da agência. Via CNBC (em inglês).

Parado no tempo, Tumblr vira destino da nova geração desiludida com outras redes sociais

No final da década de 2000, o Tumblr desfrutava de um status similar ao que o TikTok tem hoje (ainda que numa escala exponencialmente menor): era o destino virtual descolado onde os jovens se encontravam.

O Tumblr deu o azar de ser comprado pelo Yahoo por US$ 1,1 bilhão em 2013, empresa que era uma espécie de abatedouro de serviços digitais promissores (Flickr e Delicious foram outros obliterados após serem adquiridos). Lá, caiu no ostracismo e perdeu um dos seus trunfos, a permissividade com conteúdo pornográfico leve, numa tentativa frustrada de atrair anunciantes e aquiescer ao moralismo da Apple na App Store.

Após idas e vindas, o Tumblr acabou no colo da Automattic, o braço comercial dos criadores do WordPress. Foi comprado em agosto de 2019 por menos de US$ 3 milhões, uma desvalorização 99,7% em relação ao valor pago pelo Yahoo seis anos antes.

Curiosamente, o fato de o Tumblr ter “parado no tempo” o torna atraente hoje, segundo esta matéria de Kyle Chayka na New Yorker. De acordo com Jeff D’Onofrio, CEO do Tumblr, 48% dos usuários ativos e 61% dos novos usuários são da faixa etária que os norte-americanos classificam como geração Z, ou seja, gente jovem, o filé mignon da publicidade. O que os atrai, aparentemente, são linhas do tempo cronológicas e livres do conteúdo incendiário e opressivo “good vibes” que domina as outras mais populares.

Aos não iniciados, o Tumblr é uma espécie de blog misturado com rede social. Tem uma face pública com visual de blog, mas permite que os usuários sigam uns aos outros, curtam e repostem o conteúdo, tudo isso por um painel/feed que tem cara de rede social. A dinâmica de postagem é mais livre que em lugares como o Twitter — o Tumblr oferece seis formatos de posts, por exemplo. O serviço é gratuito.

Assine o Paramount+ sem gastar um centavo

O mercado está inundado de serviços de streaming. São tantos que assinar todos se tornou inviável à maioria de nós. Agora, se um pago sair “de graça”… por que não?

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Um sistema operacional feito do zero que lembra o Chrome de 2008 e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O Banco Central (BC) comunicou nesta sexta (21) o vazamento de 160,1 mil chaves Pix sob responsabilidade da Acesso Soluções de Pagamento. Os dados vazados são de natureza cadastral, “que não permitem movimentação de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras”, segundo o BC. Os afetados serão avisados exclusivamente pelo aplicativo ou internet banking da instituição de relacionamento. Via Banco Central, O Globo.

 

Microsoft e Activision Blizzard: Consequências e risco antitruste no negócio de US$ 68,7 bilhões

Em novembro de 2021, à luz do enorme escândalo envolvendo denúncias de assédio sexual e misoginia na Activision Blizzard, o presidente da área de games da Microsoft, Phil Spencer, disse à Bloomberg que a empresa estava “avaliando todos os aspectos da nossa parceria com a Activision Blizzard e fazendo ajustes proativos contínuos”.

Corta para janeiro de 2022, ou dois meses depois, para o que parece ser o ajuste definitivo: nesta terça (18), a Microsoft anunciou a compra da Activision Blizzard, ainda imersa em escândalos, por US$ 68,7 bilhões a serem pagos em dinheiro.

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O dia que a EFF elogiou uma ação do Google

por Cesar Cardoso

Não é zueira, não, é sério: 14 de janeiro de 2022, o dia que a Electronic Frontier Foundation (EFF) elogiou uma ação do Google. Motivo? O Android 12 permite desligar completamente o acesso a redes 2G.

A EFF tem feito campanha pelo desligamento das veneráveis redes GSM porque é um padrão de 1991, e em 1991 ninguém estava preocupado com coisas como torres falsas pra roubar informações dos usuários ou atacantes colocando sniffers na rede pra capturar informação de incautos (ou, sei lá, alvos).

Além disso, como notou o Xataka, ao desligar o suporte a 2G, ganha-se um pouco de bateria, já que o telefone não tentará se conectar a estas redes — e, dependendo do país, você poupa o telefone de procurar por redes que não existem.

O problema, como se sabe, é que nada que não dependa do Play Services é fácil no mundo Android. Se você tem um Pixel, tudo bem, mas se tem de outro OEM depende do OEM achar uma boa ideia colocar o botão de desligamento e, claro, em países onde as operadoras ainda vendem telefones bloqueados, a operadora tem que querer colocar o botão.

Bom, eu acho que… er… já não tem lá os padrões LTE pra M2M e IoT? Então, vamos usá-los e dar um enterro digno ao GSM clássico.


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Nesta quinta (20), o Twitter liberou suporte a NFTs como imagens de exibição aos assinantes pagantes do Twitter Blue – o produto digital da rede social que dá mais recursos aos assinantes. Por ora, só no iOS. Horas depois, o Financial Times reportou que o Facebook estuda abraçar NFTs também.

Neymar, o jogador de futebol, foi um dos primeiros a adotar um NFT como imagem de exibição no Twitter. Escolheu um dos dois desenhos de macacos, recém-comprados por quase R$ 6 milhões.

Não por coincidência, também na quinta o Financial Times publicou um rumor de que o Facebook/Meta está trabalhando para suportar NFTs nas suas duas redes, Facebook e Instagram. Fontes do jornal disseram que estão nos planos suporte a imagens de exibição, como ocorre no Twitter, e talvez a criação de um marketplace para a compra e venda de NFTs.

Não sabe o que é NFT? Esta imagem resume, este textão explica em profundidade.

Via @TwitterBlue/Twitter, Financial Times (ambos em inglês).