Ações individuais frente a problemas globais: uma abordagem mais afetuosa

A nossa dificuldade de pensar em grande escala nos coloca em enrascadas vez ou outra. Confrontados por problemas gigantescos, como a emergência climática ou o abuso de poder desmedido das grandes empresas, nosso primeiro impulso é corrigir hábitos. “Fazer a nossa parte.”

Nada tira o mérito dessas atitudes, mas elas implicam carregar um fardo insustentável para o indivíduo. Não é por aí que esses grandes problemas, nascidos não das ações e escolhas individuais de bilhões de pessoas, mas de políticas públicas, campanhas milionárias de marketing, práticas desleais, força bruta e outros eventos de grande escala, serão resolvidos.

Essa reflexão ensejou este texto e uma leve mudança de curso na postura minha e do Manual do Usuário.

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Nesta quinta (3), o Facebook/Meta protagonizou a maior desvalorização em um pregão da história dos Estados Unidos, na esteira da divulgação dos resultados financeiros de 2021 no dia anterior e as más notícias que vieram de carona. As ações da empresa derreteram 26%, fazendo US$ 251,3 bilhões evaporarem. O impacto foi tão forte que tirou Mark Zuckerberg da lista das dez pessoas mais ricas do mundo e Eduardo Saverin do trono de brasileiro mais rico, que volta a ser ocupado por Jorge Paulo Lemann. Via Bloomberg (em inglês), Uol Economia.

“Não curti” e aviso de ofensa: novas apostas do Twitter contra hostilidade

O Twitter pode ser, por vezes, um ambiente um tanto insalubre. Isso é público e notório e, na tentativa de mitigar o problema, a empresa avançou dois recursos que estavam em testes até então.

O primeiro deles é o “voto irrelevante”, tradução terrível para o botão de “dislike”, ou “não curti”. Ele aparece em respostas e ajuda a sinalizar aquelas que “não parecem relevantes para a conversa”, segundo o Twitter. Os votos são privados, nem mesmo o autor da resposta “não curtida” fica sabendo quem ou quantas pessoas votaram.

De acordo com o Twitter, as pessoas que tocavam no “voto irrelevante” no período de testes o fizeram por perceberem o conteúdo como ofensivo, irrelevante ou ambos. E elas disseram que notaram melhoras na qualidade das conversas após a inclusão do recurso que, agora, está sendo expandido para o mundo inteiro.

Outro recurso no mesmo sentido, que chega agora ao Brasil depois de testes no idioma inglês, é o alerta de conteúdo ofensivo.

Agora, quando um usuário escrever e tentar publicar um post com “linguagem potencialmente prejudicial”, um aviso sugerindo a revisão do texto poderá aparecer. Tipo aquela regrinha de autocontrole, de contar e respirar até dez antes de dizer algo.

Uma pesquisa do Twitter descobriu que esse aviso, embora pareça algo bobo, suscitou mudanças no texto ou fez o usuário desistir de publicar o post em 30% das vezes em que foi exibido. Via @TwitterSeguroBR/Twitter, @TwitterSafety/Twitter (em inglês).

O Google vai levar os tablets Android a sério pra valer?

por Cesar Cardoso

Desde o Ice Cream Sandwich, o Google não se importa muito com os tablets Android. Desde o fim do Nexus 7, o Google não se importa mesmo com os tablets Android e que o futuro seriam os tablets Chrome OS. No entanto, existem sinais, fortes sinais de que alguma coisa mudou dentro do Google em relação a tablets Android.

Não apenas pelo Entertainment Space, para os tablets usados como receptores de streaming, e o Kids Zone, para os tablets infantis, não apenas pelo Android 12L vindo aí — embora o 12L tenha como foco principal os dobráveis, muitos dos desafios dos dobráveis são exatamente os mesmos dos tablets —, mas também, e principalmente, por gente chegando.

Em algum momento do ano passado, beta 2 do Android 12L para o Lenovo P12 Pro.


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O NSO Group, empresa israelense de ciberespionagem, entrou no noticiário há alguns meses devido ao Pegasus, sua super ferramenta de hackeamento de celulares. Apesar dos holofotes, ela não é a única do tipo. Pequenas startups norte-americanas também têm se dedicado à guerra virtual, e uma delas, a Boldend, que tem entre seus clientes o governo dos Estados Undidos, chamou a atenção recentemente por um conflito de interesses envolvendo um famoso investidor.

A reportagem do New York Times descobriu que a Boldend, fundada em 2017 em San Diego, Califórnia, conseguiu desenvolver uma ferramenta capaz de hackear o WhatsApp. A brecha foi fechada pelo Facebook/Meta em janeiro de 2021, antes que pudesse ser explorada em situações reais, segundo uma apresentação da Raytheon, outra empresa do setor, a que o jornal teve acesso.

O mais curioso é que nessa apresentação da Ratheon foi revelado também que, entre os investidores da Boldend, está o Founders Fund, fundo de investimento de risco do bilionário Peter Thiel, ex-PayPal, fundador da Palantir e conselheiro e um dos primeiros investidores do Facebook/Meta, dono do… WhatsApp. Estima-se que o Founders Fund tenha colocado US$10 milhões na Boldend.

A próxima reunião do conselho do Facebook/Meta será animada. Via New York Times, Forbes (ambos em inglês).

Post livre #303

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

“O /e/OS é o único sistema operacional que não envia dados para o Google”: Uma conversa com Gaël Duval, da e Foundation

Em janeiro, Aaron Gordon, redator da Vice, reclamou que seu celular, um Pixel 3 do Google, não teria mais atualizações da fabricante e, por isso, precisaria ser descartado. “O Google está me forçando a jogar fora um celular em perfeito estado”, escreveu.

O francês Gaël Duval repercutiu prontamente o artigo de Aaron. “A boa notícia agora: você pode instalar o /e/OS no seu celular”, escreveu em seu perfil no Twitter. “Com estes benefícios: 1) sustentabilidade; 2) você não envia mais dados ao Google.” Para finalizar, usou as hashtags #mydataisMYdata (meus dados são MEUS dados) e #privacy (privacidade).

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Na conferência com investidores do Facebook/Meta, nesta quarta (2), o CFO Dave Wehner deu outro dado interessante: a empresa prevê que a Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) do iOS da Apple, um recurso que dá ao usuário o poder de decidir compartilhar dados ou não com aplicativos, terá um impacto de US$ 10 bilhões em 2022.

É esse o custo da sua, da minha, da nossa privacidade: de bilhões de dólares. Até agora, pagávamos esse pato sozinhos. Não mais. Via CNBC (em inglês).

Pela primeira vez na história, a base de usuários do Facebook/Meta encolheu. O número de usuários ativos diários, a principal métrica de crescimento da empresa, caiu de 1,93 bilhão para 1,929 bilhão. Pouca coisa, mas… é alguma coisa. A desaceleração seria reflexo de rivais mais populares entre os jovens, como o TikTok. Não à toa, o Instagram foi reposicionado para fazer frente ao app chinês.

A notícia foi dada no balanço do quarto trimestre fiscal de 2021, nesta quarta (2). Na mesma ocasião, os executivos da empresa afirmaram que a previsão para o próximo trimestre é faturar entre US$ 27 e 29 bilhões, abaixo da expectativa do mercado, de 30%.

As más notícias levaram as ações da Meta a dar um mergulho e desvalorizarem ~20% no aftermarket, evaporando cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado. Via CNBC, The Verge (ambos em inglês).

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita, por Ethel Rudnitzki, Laís Martins, Débora Ely e João Barbosa, no Aos Fatos:

Um documento interno de funcionários do Facebook, atual Meta, de março de 2021, recomendava a derrubada ou a redução do alcance da rede de extrema-direita Ordem Dourada do Brasil, mas, cerca de um ano depois, ela continua ativa na plataforma. Segundo o relatório, a rede é composta por perfis, páginas e grupos que atuam de forma coordenada para disseminar conteúdos que a empresa via como desinformativos e antidemocráticos.

Facebook fomenta possível tentativa de golpe no Brasil similar à dos EUA, diz pesquisa

Em relatório publicado nesta quarta (2), a Avaaz e o Real Facebook Oversight Board (não confundir com o Comitê de Supervisão do Facebook, o oficial) alertaram que “o Brasil corre risco crescente um ‘evento como o de 6 de janeiro [de 2021] fomentado no Facebook”, em referência à tentativa de golpe de extremistas norte-americanos seguidores do ex-presidente Donald Trump.

As duas organizações criaram um “índice de insurreição”, composto por cinco critérios, que mensura a temperatura no Facebook de ações e omissões que conspiram a favor de eventos conspiratórios. No Brasil, destaque do relatório, três dos cinco critérios estão em nível crítico:

  • Priorização de fontes de imprensa com boa reputação na entrega de conteúdo noticioso;
  • Respostas rápidas e enfáticas de checadores de fatos para alegações feitas por candidatos; e
  • Medidas de mitigação para limitar o espalhamento de conteúdos que ensejem risco significativo de agressões offline em escala.

O principal problema do Facebook no Brasil, segundo o relatório (em inglês), tem nome, sobrenome e partido: Jair Bolsonaro (PL). O texto lista diversas mentiras e atitudes antidemocráticas praticadas pelo presidente no ambiente digital. “Bolsonaro e seus aliados estão usando o Facebook e outras plataformas de redes sociais para espalhar essas mentiras perigosas”, detalha.

Segundo a Avaaz, a omissão do Facebook já propiciou 10 bilhões de visualizações de conteúdos falsos no Brasil. Via Real Facebook Oversight Board/Medium (em inglês).

O LibreOffice 7.3 continua o trabalho da Document Foundation de aperfeiçoar a compatibilidade da suíte com os formatos do Microsoft Office e facilitar a migração de usuários. Desta vez, temos melhorias no monitoramento de alterações em textos e tabelas, no desempenho ao abrir arquivos *.docx e *.xlsx/*.xlsm grandes e/ou complexos e em filtros de exportação. Via Document Foundation (em inglês).

O YouTube limitou recursos do canal do Tribunal de Contas da União (TCU) na plataforma. Com isso, o TCU ficou impedido de realizar “lives” (transmissões ao vivo), o que ocasionou um enorme transtorno: as sessões precisam ser públicas, segundo a Constituição, e durante a pandemia o TCU tem confiado apenas no YouTube para cumprir a exigência constitucional. Sessões em andamento foram suspensas e as agendadas, canceladas até que o problema seja resolvido.

Segundo o YouTube, o canal do TCU tem dois “strikes” (infrações) por exibir conteúdos de terceiros, o que levou à restrição das lives. A empresa informou ainda que está em contato com o TCU para resolver o problema. Enquanto isso, o TCU vai adotar emergencialmente a plataforma Teams, da Microsoft. Via Convergência Digital, Núcleo.

Até agora, o HalloApp (Hallo o quê?) vinha replicando recursos popularizados pelos rivais mais famosos. Não mais: seu novo recurso, os posts em áudio, tem um quê de novidade. Ele lembra as mensagens de áudio do WhatsApp (que o HalloApp também tem), mas os posts são publicados no feed.

(A bem da verdade, o Twitter fez uns testes um tempo atrás com posts de áudio no iOS. Não parece ter feito muito sucesso.)

“É um recurso que não vemos em outros aplicativos de redes sociais ou plataformas de mensagens”, explica o co-fundador Neeraj Arora, “e o motivo é porque a voz é uma expressão íntima, algo que normalmente só nos sentimos à vontade de compartilhar com nossos amigos mais próximos e familiares.” Via HalloApp (em inglês).

Em defesa da web monótona

Em defesa da web monótona (em inglês), no blog do Bastian Rieck:

Acho que sites monótonos como o meu são possíveis para mais pessoas. É menos resultado do número esperado de visitantes, mas sim resultado do seu propósito. Se seu site tem um propósito bem definido, talvez a tecnologia monótona possa ser uma boa para você. Um excelente exemplo do que eu tenho em mente é o lichess.org. O site tem um único propósito: fazê-lo jogar xadrez com outras pessoas. Isso adere à filosofia Unix de “faça uma coisa bem”.