Astrologia genética
Astrologia genética, por Natalia Pasternak n’O Globo (talvez tenha paywall):
E por que as aspas [em “terras ancestrais”]? Porque os testes não podem ser levados a sério. Não há como, empregando a metodologia dessas empresas, aferir com precisão a ancestralidade de alguém. 99,9% do nosso genoma é igual ao de qualquer outro ser humano. O que essas empresas fazem é pegar essa pequena fração de diferença, e comparar com bancos de dados. Usam-se regiões do genoma onde se sabe que existem variações de um indivíduo para outro, e essas regiões são comparadas a pedaços de DNA de de origem geográfica conhecida. Isso quer dizer que os bancos de dados contêm amostras de genomas “típicos” da Itália, ou da Espanha, etc. Mas como saber se as amostras de referência são mesmo típicas? Primeiro problema: o banco de dados é autorreportado, são os doadores que se declaram isso ou aquilo. Não há como checar se aquele 0,1% de DNA variável realmente representa o que se vê num país. Então, a interpretação de “DNA originário da Irlanda” é no máximo, uma aproximação: o que permite é dizer é que o DNA do cliente é parecido com o de irlandeses que contribuíram para aquele banco de dados específico.
