Post livre #340
Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.
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Transformei minha casa em uma fortaleza de vigilância (em inglês), por Ian Bogost na The Atlantic:
Quando me mudei para uma nova casa ano passado, decidi testar essa hipótese. Já estava passando um monte de cabos de rede pelas paredes para os pontos de acesso Wi-Fi, daí aproveitei a oportunidade para passar tais cabos em absolutamente todos os lugares. Depois, coloquei um número absurdo de câmeras àquele cabeamento — 16, até onde contei —, transformando a minha casa em uma fortaleza de vigilância. (Conhecendo os problemas de privacidade e políticas de dados que surgem quando fornece-se vídeo às empresas de tecnologia via nuvem, armazeno todas as imagens localmente em um conjunto gigante de discos rígidos no meu porão; sou a única pessoa que podem acessá-los.)
Eis o que aprendi deste um ano de monitoramento doméstico extremo, 24 horas por dia, 7 dias por semana: nada acontece.
Nada.
Dica da Jacqueline Lafloufa. Obrigado!
Segundo reportagem da Forbes na última quinta-feira (20), a ByteDance teria planejado em ao menos duas ocasiões utilizar dados de geolocalização coletados pelo seu aplicativo TikTok para monitorar cidadãos estadunidenses. A reportagem não concluiu se a estratégia teria sido de fato utilizada, nem definiu o perfil dos usuários alvos desse tipo de iniciativa.
A falta de detalhes sobre o caso atraiu ceticismo por parte de especialistas em China e tecnologia, como neste fio do editor da DigiChina Graham Webster. O TikTok respondeu às acusações afirmando que a reportagem omitiu sua declaração de que não coleta os tipos de dados indicados pela reportagem.
A acusação da Forbes ocorre em um momento em que a empresa chinesa se aproxima de fechar acordo com a administração Biden. Essa decisão garantiria a segurança dos dados dos usuários estadunidenses e evitaria que a ByteDance precisasse vender suas operações locais.
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Desenvolvedores de aplicativos para iOS estão desde segunda (24) se lamentando dos novos anúncios da App Store. (Aparentemente, os anúncios não estão ativos no Brasil.)
Com a expansão, a Apple agora exibe anúncios nas páginas dos aplicativos. Pior: parece não haver filtro e há muitos anúncios de aplicativos de apostas, jogos caça-níqueis e outras atividades suspeitas, para dizer o mínimo.
É lamentável que uma empresa que lucra dezenas de bilhões de dólares por trimestre (US$ 19,4 bi no mais recente) se sujeite a isso, mas não surpreendente. Nesse arranjo, o que importa é crescer — não importa o quão grande você já seja.
Seria ótimo se esses desenvolvedores insatisfeitos se voltassem a plataformas abertas, em que uma empresa mesquinha não detenha a exclusividade na distribuição de aplicativos.
Alguns exemplos da choradeira nos links ao lado. Via @simonbs/Twitter, @marcoarment/Twitter, @cabel/Twitter, @TimothyBuckSF/Twitter (todos em inglês).
Atualização (27/10): Após a pressão, a Apple suspendeu “anúncios de aplicativos de apostas e outras categorias da App Store”. Não disse quais, nem por quanto tempo, porém. Via Macrumors (em inglês).
O Manual do Usuário tem um programa de assinaturas que ajuda a manter o projeto no ar. Em troca da ajuda financeira, os apoiadores/assinantes recebem alguns mimos. Hoje, eles ganham mais um: o clube de descontos.
Para a estreia, sete dez empresas muito legais se apresentaram para oferecer descontos e vantagens exclusivas aos assinantes do Manual. São elas (em ordem alfabética):
Junto às novas versões do iPadOS e macOS, a Apple atualizou várias diretrizes da App Store nesta segunda (24). Destaque para a que estende a “taxa Apple” (até 30%) às compras de impulsionamento em aplicativos de redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram.
No mesmo movimento, a Apple diminuiu consideravelmente o apelo dos NFTs no iOS (apps não podem vincular recursos e benefícios à venda de NFTs) e aumentou seu poder de controle, dando a si mesma o poder de rejeitar aplicativos que faturam/lucram com “eventos recentes” prejudiciais, como conflitos violentos e ataques terroristas (aplicativos de jornais entram nessa classificação?).
A partir do raciocínio de Neil Katz, dá para dizer que Apple é uma empresa “sui generis”: aumenta sobremaneira seu poder centralizador no momento em que a pressão por suas práticas momopolistas atinge o ápice e, ao mesmo tempo, consegue vender sua marca como premium mesmo vendendo várias dezenas de milhões de produtos todo trimestre. Via Apple, FOSS Patents, @neilkatz/Twitter (todos em inglês).
Já estão disponíveis para download as versões estáveis do iPadOS 16.1 e do macOS 13 Ventura. O iOS 16.1 também foi liberado nesta segunda (24).
Abaixo, as listas de dispositivos compatíveis e links diretos para os comunicados à imprensa da Apple (por ora apenas em inglês) detalhando as novidades de cada sistema:
Uma nova ferramenta para burlar paywalls está disponível, o Leia Isso. Ele funciona e até lembra um tanto o finado Outline.
Há algumas semanas, troquei uns e-mails com o criador do Leia Isso, que prefere manter-se anônimo. “O que motivou a criação da ferramenta foi a vontade de ter um ambiente favorável à leitura”, explicou. “Sempre assinei feed [RSS] e newsletters para consumir conteúdo em razão da simplicidade na entrega do material. Pensei em levar essa experiência para leitura de artigos e notícias em geral.”
O funcionamento do Leia Isso é similar ao do Outline e 12ft Ladder, ou seja, ele recarrega a página indicada pelo usuário sem JavaScript, o que em muitos casos basta para derrubar paywalls porosos.
Por isso, o criador anônimo se diz tranquilo quanto a retaliações, “pois o robô não faz nada além de exibir o conteúdo que o próprio site divulga”. Ele lembra que publicações insatisfeitas podem bloquear o Leia Isso, o que seria “tecnicamente muito simples”. “A ideia não é infringir qualquer tipo de direito, apenas auxiliar de algum modo no aprimoramento da divulgação de informação pela internet brasileira”, defende-se.
Existem outras maneiras de burlar paywalls porosos de sites de notícias. Aqui no Manual tem um guia completo com quatro maneiras de burlá-los.
A entrada na Wikipédia não especifica o dia, a Lenovo comemorou em 5 de outubro, mas acho que ainda é válido comentar os 30 anos do ThinkPad, uma das marcas de computadores mais longevas disponíveis no mercado.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução que endurece o combate à desinformação nas eleições a dez dias do segundo turno. Na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, após um bom primeiro turno nesse sentido, o segundo tem sido um desastre.
São várias medidas que têm a intenção de acelerar a remoção de conteúdo que desinforma deliberadamente e frear canais e veículos que agem de má fé, como a Jovem Pan e canais bolsonaristas do YouTube.
Plataformas de vídeo — YouTube, Kwai e TikTok — têm sido as principais fontes de dores de cabeça.
Há quem diga que as novas regras chegaram tarde e me pergunto, sem desmerecer o trabalho que tem sido feito nem sua importância, se isso não é enxugar gelo. O ambiente está contaminado por uma força política mitomaníaca que, infelizmente, conseguiu enganar metade do país.
Para ler o que muda, sugiro as coberturas dos veículos ao lado. Via Folha de S.Paulo, Jota, Núcleo.
Em janeiro de 2021, o jovem Dylan Field, co-fundador do Figma, serviço de prototipagem de interfaces digitais, disse que “o nosso objetivo é ser o Figma, não a Adobe” em uma conversa em que alguns usuários, insatisfeitos com a Adobe, especulavam quanto tempo levaria para o Figma desbancar a dona do Photoshop.
Quase dois anos depois, em setembro de 2022, a Adobe comprou o Figma por US$ 20 bilhões e Dylan, no mesmo Twitter, pareceu animado com a notícia de que sua empresa acabara de se tornar a Adobe.
O ótimo Pocket Casts abriu o código dos seus aplicativos para Android e iOS — links ao lado para os repositórios no GitHub. O aplicativo foi comprado há alguns anos pela Automattic e é uma ótima opção para ouvir podcasts. Ele é gratuito e oferece um plano “Plus” com alguns recursos extras. Custa ~R$ 40/ano. Via Pocket Casts (em inglês).
Logo depois de os Estados Unidos publicarem restrições no segmento, a China foi listada formalmente como o principal desafio econômico para os EUA, segundo documento publicado pela Casa Branca na semana passada. De acordo com a Estratégia de Segurança Nacional do governo de Joe Biden, a China tem destaque sobretudo na concorrência econômica.
Mais do que isso, a nova política do governo Biden levou à demissão em série de funcionários estadunidenses que trabalhavam em empresas de semicondutores chinesas.
O impacto, explicado nesta edição do ChinaTalk, veio a partir de um documento, lançado na sexta-feira (7), que impõe uma série de sanções no setor, inclusive exigindo licenças para seus cidadãos trabalharem com essas tecnologias na China e exigindo inspeções em uma lista de fábricas selecionadas.
A Associação Chinesa da Indústria de Semicondutores (CSIA) respondeu às mudanças, criticando a decisão de transformar uma questão comercial em tema de segurança nacional. O discurso de Xi Jinping — sobre autossuficiência — parece estar em consonância com o perigo que a nova política oferece para a indústria chinesa, conforme comentou Jordan Schneider.
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