O YouTube desmonetizou todos os canais da Jovem Pan nesta quarta (23) por iniciativa própria, ou seja, sem ser provocado pela Justiça. A’O Globo, a plataforma de vídeos do Google justificou a decisão afirmando que o programa “Os Pingos nos Is”:

Incorreu em repetidas violações das nossas políticas contra desinformação em eleições e nossas diretrizes de conteúdo adequado para publicidade, incluindo as relacionadas a questões polêmicas e eventos sensíveis, atos perigosos ou nocivos, além de outras políticas de monetização

Teria sido uma grande decisão se tomada meses, anos atrás, quando esse e outros canais já infringiam regras da plataforma e o YouTube/Google, em vez de punir a Jovem Pan, promovia os canais da emissora em seu algoritmo de recomendação. Via O Globo.

Mãe de criança ou assistente de CEO de startup de tecnologia?

por Justine Cotter

  1. Uma parte desproporcional do seu tempo é gasta limpando bagunça e levando comida a ele.
  2. Ele te chama gritando seu nome.
  3. Ele não para de falar de como vai construir um foguete e viajar para o espaço sideral.
  4. Ele usa um monte de palavras que soam totalmente inventadas.
  5. Quando você lhe diz que precisa de um dia de folga, ele ri na sua cara.
  6. Ele se recusa a calçar sapatos.
  7. Ele superestima suas próprias habilidades a todo momento.
  8. Ele oferece reflexões profundas não solicitadas de assuntos dos quais ele não sabe nada.
  9. Quando ele diz algo que não faz sentido, você sorri, acena com a cabeça e diz que ele é um gênio.
  10. Ele nunca paga impostos.
  11. Ele tem uma sala cheia de brinquedos a que ele se refere como seu “escritório”.
  12. Quase todo dia, ele senta em sua mesinha e finge estar digitando alguma coisa até cair no sono.
  13. Ele quer ser um unicórnio.

Resultado:

  • Mãe de criança: 1–13.
  • Assistente de CEO: 1–13.

Nota do editor: O texto abaixo é da Justine Cotter e foi publicado originalmente em inglês na McSweeney’s Internet Tendency, que gentilmente me autorizou a traduzi-lo e publicá-lo aqui.

Brasília recebe a partir desta quarta (23) uma mostra de filmes em realidade virtual. Quem avisa é o Filipe Gontijo, que ao lado de Henrique Siqueira assina a direção dos filmes. Eles trabalham com o formato há quase uma década — muito antes do ~metaverso surgir; entrevistei o Filipe para esta matéria, em 2016.

A mostra será no Museu Vivo da História Candanga, de 23 a 26 de novembro. Veja os filmes que serão exibidos nesta página.

A demissão em massa da Amazon, que atingiu ~10 mil funcionários, pesou bastante na divisão responsável pela Alexa e dispositivos relacionados.

O Business Insider obteve documentos internos da Amazon e falou com funcionários para entender os motivos. O principal é uma falha grotesca de estratégia. Os dispositivos compatíveis com a Alexa são vendidos a preço de custo com o intuito de gerar receita durante o uso. Acontece que os casos de uso limitados (a maioria usa a Alexa para definir timers e pedir a previsão do tempo) não geram receita.

Ainda segundo as fontes e documentos, a Alexa deve dar um prejuízo de US$ 10 bilhões à Amazon em 2022. A iniciativa, lançada em 2014, era um projeto queridinho do fundador e ex-CEO da empresa, Jeff Bezos, que deixou o cargo em 2021. Desde 2020, porém, Bezos já demonstrava desinteresse pela Alexa. Via Business Insider (em inglês).

Como quem não quer nada, em uma resposta no Twitter, Matt Mullenweg, CEO da Automattic, prometeu que o Tumblr ganhará suporte ao protocolo ActivityPub, o mesmo usado pelo Mastodon e que lhe garante descentralização e federação.

Isso é muito promissor. Embora seja uma rede social pequena para os padrões comerciais, o Tumblr é maior que qualquer instância e a Automattic, que comprou o que sobrou do Tumblr com um troco de pinga em 2021, tem grana, pessoal e expertise para aproveitar o momento.

O Tumblr pode se tornar a principal porta de entrada para quem deseja conhecer o fediverso, mas se frustrou com a experiência complicada de escolher (ou mesmo saber o que é) uma instância do Mastodon. Não há prazo para essa novidade ser implementada, mas Mullenweg disse que será “o quanto antes”. Via @photomatt/Twitter (em inglês).

Os banimentos perpétuos de Donald Trump, Jordan Peterson e Kanye West no Twitter foram revertidos por Elon Musk. Trump, o caso mais notório, como resultado de uma enquete feita por Musk na própria plataforma — a mesma que meses atrás ele acusava de estar repleta de robôs e perfis automatizados. A promessa de só tomar decisões de moderação depois de instituir um conselho? Quem se importa? O Twitter de Musk é uma grande e cara piada de mau gosto. Via @elonmusk/Twitter, Semafor (ambos em inglês).

A InfoMoney foi atrás de investidores que perderam tudo com a quebra da FTX, ex-segunda maior corretora de criptoativos do mundo.

Um engenheiro civil de Passo Fundo (RS) fez dois empréstimos bancários que somou às suas economias para investir no negócio. Perdeu R$ 700 mil. Longe de mim culpar a vítima, mas é difícil pensar em ideia pior que fazer um empréstimo junto ao banco (quiçá dois!) para investir num negócio extremamente volátil.

As chances de recuperar o prejuízo são baixas, como explica o advogado consultado na matéria. Primeiro porque há peixes mais graúdos na fila — a FTX deve US$ 3,1 bilhões aos 50 maiores credores.

Segundo porque a FTX era uma bagunça. John J. Ray III, CEO que assumiu o lugar do fundador Sam Bankman-Fried, classificou a situação da empresa como “sem precedentes”. A fala tem maior peso vindo de quem vem — Ray III esteve à frente da reconstrução de outra empresa envolvida em um mega-escândalo de fraude, o da Enron no início dos anos 2000. Via InfoMoney, Bloomberg, Coindesk (os dois últimos em inglês).

A tradicional blusa feia de Natal da Microsoft e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O que já se sabe da Koo, rede social indiana aonde usuários do Twitter estão indo

O caos crescente no Twitter e a dificuldade em ingressar no Mastodon estão levando as pessoas a procurarem por alternativas. Nesta sexta (18), um movimento de migração para a rede social Koo (é… pois é) surgiu forte no Twitter.

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Elon Musk deu um ultimato aos funcionários que sobraram no Twitter: comprometa-se com jornadas extenuantes de trabalho ou caiam fora. Mais gente que o esperado optou por cair fora.

O Twitter está na UTI e seus sistemas podem quebrar a qualquer momento, em grande parte porque falta gente para manter as coisas funcionando.

Musk é tão tóxico que, por comparação, conseguiu a proeza de fazer Mark Zuckerberg/Meta e a Amazon ganharem confete por demitirem dezenas de milhares de pessoas de forma ~humanizada — leia-se com o mínimo de dignidade. (Foram 11 mil demissões na Meta e 10 mil na Amazon.) Via The Verge (2) (em inglês).

O Evernote, aplicativo de anotações pioneiro, foi vendido por valor não divulgado à Bending Spoons, empresa italiana especializada em aplicativos móveis.

No comunicado oficial, Ian Small, CEO do Evernote, diz que com a venda, o Evernote “aproveitará a comprovada experiência e as amplas tecnologias proprietárias” da Bending Spoons para melhorar o aplicativo — que, não faz muito tempo, em 2020, passou por uma reformulação profunda em todas as plataformas, adotando o framework Electron.

Um “case” de pioneirismo que não se converteu em domínio, o Evernote parecia inescapável em algum momento do início dos anos 2010, com seus aplicativos onipresentes e, até então, funcionais.

A startup levantou US$ 290 milhões entre 2007 e 2014 e, em algum momento depois disso, meio que se perdeu: funcionalidades básicas passaram a falhar, aplicativos diversos foram lançados e até produtos físicos, como cadernos Moleskine e meias (!), passaram a ser vendidos com a marca Evernote.

Em paralelo, algumas decisões de negócio, em especial a imposição de limitações rígidas ao plano gratuito (sincronia apenas entre dois dispositivos) somada a um forte aumento dos planos pagos e uma tentativa desastrosa de atualizar a política de privacidade em 2016, afugentaram muitos usuários. Via Evernote (em inglês).

Post livre #343

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Não é fácil manter uma operação editorial de pé. Duas más notícias vindas de fora:

  1. O Protocol, site derivado do Politico que cobria tecnologia, fechou as portas após três anos de operação deixando 60 pessoas sem emprego.
  2. O Buzzfeed, que por algum tempo deu as cartas do setor ao surfar o algoritmo do Facebook com compilações de memes, está numa espiral decadente desde que abriu capital via SPAC em 2021. Os números são ruins: prejuízo de US$ 27 milhões no último trimestre, queda de 32% no tempo gasto na página pelos leitores e uma queda brutal no engajamento no Facebook, de 91,2%, entre 2018 e 2021 — e este ano deve ser ainda pior.

Via Protocol, CNN e The Verge (todos em inglês).

⭐️ Sh*ft Festival volta ao presencial — e leitores do Manual têm 30% de desconto

por Manual do Usuário

No mundo pós-pandemia e cada vez mais conectado, como podemos nos manter criativos, inovadores e mentalmente saudáveis? Novas tendências de lazer e trabalho, do metaverso à semana de quatro dias, vieram para ficar?

Temas que estão diante de nós no dia a dia, mas que muitas vezes não paramos para pensar e questionar, estão no centro dos debates que o festival de inovação e criatividade Sh*ft Festival vai compartilhar no dia 3 de dezembro, no Ágora Tech Park, em Joinville (SC), com a presença de especialistas, profissionais e influenciadores de destaque.

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A ideia de que livros digitais (e-books) “não desgastam” e, por isso, teriam uma vida útil maior que a do livro de papel é… bem, uma espécie de falácia. Quem diz é o pessoal do Internet Archive, que sabe uma coisa ou outra de preservação digital:

Nossos livros de papel têm durado centenas de anos em nossas estantes e ainda são legíveis. Sem manutenção ativa, teremos sorte se nossos livros digitais durarem uma década.

A constante evolução dos meios digitais, somada à sanha capitalista das editoras, tornam o trabalho de preservação bastante difícil. O Internet Archive pede que esse trabalho seja reconhecido e que sejam dadas as devidas condições para instituições interessadas consigam desempenhá-lo. Via Internet Archive (em inglês).