Mark Zuckerberg deve estar feliz com a atuação desastrosa de Elon Musk à frente do Twitter. Musk roubou todas as atenções e baixou a barra do que pode ser considerado um bom trabalho em redes sociais.

Apesar disso, e mesmo que tardia, é bem-vinda a nova ferramenta que o Instagram liberou nesta quinta (15), o instagram.com/hacked, para ajudar quem teve sua conta invadida ou perdeu o acesso a ela. Se funciona, não sei dizer, mas o fato dela existir é um ótimo sinal. Via Instagram (em inglês).

Foi lançada nesta quinta (15), após dois anos de trabalho, a versão final do Xfce 4.18, ambiente gráfico para sistemas Linux e *BSD. Segundo os desenvolvedores, a traz “múltiplos novos recursos legais, um zilhão de correções de falhas e várias melhorias menores”.

O Xfce é um ambiente gráfico leve e que conserva uma estética e várias metáforas hoje clássicas, familiares, até, reminiscentes do Windows 95 e Gnome 2.

Um tour no site oficial, recheado de imagens, mostra as principais novidades do Xfce 4.18. Via Xfce (em inglês).

Não sou muito afeito ao jornalismo satírico (estilo Sensacionalista), mas às vezes ele consegue resumir uma situação esdrúxula de modo tão preciso que não tem como não dar uma risadinha.

Aconteceu agora pouco com este título da New Yorker (tradução livre): “Possível fraude de homem à frente de negócio baseado em dinheiro imaginário choca o mundo.”

O homem, no caso, é Sam Bankman-Fried (SBF), fundador e ex-CEO da FTX, que era, até novembro, a segunda maior corretora de criptomoedas do mundo e quebrou após uma avalanche de fraudes vir à tona.

Bankman-Fried foi preso nas Bahamas nesta terça (13), onde fica a sede da FTX, e deve ser extraditado para os Estados Unidos.

Em nota relacionada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está em um dilema: se lança já ou acumula mais provas para sua investida contra a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, com sede em Cingapura, por conivência com lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

A linha de defesa dos advogados da Binance, segundo a Reuters, é que a abertura dessa investigação criaria o caos no mercado de criptomoedas — o tal dinheiro imaginário a que a sátira da New Yorker se refere.

Algo me diz que o mundo está prestes a se chocar outra vez. Via New Yorker, CNBCReuters (todos em inglês).

Post livre #347

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

por Shūmiàn 书面

China vai à OMC contestar política de chips dos EUA depois de uma escalada na disputa pela indústria de semicondutores. De acordo com anúncio feito pelo Ministério do Comércio na segunda (12) em Pequim, “há um claro gesto de protecionismo” por parte dos EUA.

O apelo à OMC ocorre dois meses após Washington aprovar uma legislação que limita o acesso da China ao mercado de microchips, área em que a segunda maior economia global é bastante dependente do mercado externo.

Na esteira dessa decisão, a Reuters noticiou que a China prepara um pacote de US$ 143 bilhões para a indústria de chips como forma de enfrentar a ofensiva norte-americana. Além disso, Pequim pediu a Seul para que o governo vizinho se oponha à ação estadunidense no setor de semicondutores.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

A história do Revue, serviço de newsletters do Twitter, em três atos:

É em situações como essa que o poder/a soberania sobre os dados e a interoperabilidade do e-mail, bandeiras muito caras a este Manual do Usuário, se mostram mais relevantes: aos afetados, basta exportar a lista de inscritos e o acervo (nesta página) e migrar para outra ferramenta. Via Revue (em inglês).

A Apple lançou nesta terça (13) o iOS/iPadOS 16.2 e o macOS 13.1. O destaque da atualização é o novo aplicativo Freeform, uma folha em branco infinita com suporte a colaboração em tempo real. Parece interessante para se usar com a canetinha no iPad.

Nos Estados Unidos, as atualizações liberam a criptografia de ponta a ponta do iCloud. O recurso é opcional e vem desativado por padrão. No resto do mundo, o recurso só chega no início de 2023.

Outros recursos dignos de menção é o modo karaokê para o Apple Music e a nova restrição ao AirDrop, que passa a funcionar de modo público em blocos de 10 minutos — depois disso, ele reverte para o modo limitado a contatos.

Mesmo que os novos recursos não lhe chamem a atenção, as atualizações são importantes devido à segurança: as listas de correções (iOS/iPadOS, macOS) são grandes e contêm falhas graves, que permitem a execução remota de código. watchOS e tvOS também foram atualizados. Via Apple (em inglês).

Quando a FTX quebrou, o domínio ftx.us foi redirecionado para uma página explicando o processo de falência. Ninguém reparou ou se importou com um detalhe: vários NFTs cunhados pela FTX confiavam em uma API hospedada naquele domínio, o que significa que ao removê-la dali, os NFTs sumiram.

Dá para ver o resultado na coleção de NFTs do festival Coachella (exemplo de um NFT que supostamente vale ~US$ 19,7 mil). Em vez das imagens, quadrados cinzas são exibidos. Se ao menos soubéssemos que isso poderia acontecer… Via Web3 is Going Great (em inglês).

Chegou a hora de sair do Twitter

Dava para prever que o Twitter de Elon Musk se tornaria um ambiente insalubre, mas surpreendeu a velocidade com que aquilo se deteriorou. Isso, somado às ideias desprezíveis, por vezes criminosas do novo dono, nos leva ao único desfecho possível: chegou a hora de pular do barco, de sair do Twitter.

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Um post curtinho apenas para registrar o novo visual do Manual do Usuário — sim, o segundo de 2022, este, espero, mais duradouro. Em breve sai um relato esmiuçando as novidades e decisões no Bastidores.

Enquanto isso, diga para mim: o que você achou?

mIRC ainda existe e está revogando licenças vitalícias dos usuários

Topei com uma história curiosa a respeito do mIRC. Isso trouxe tantas lembranças e, talvez mais surpreendente, a revelação de que o IRC vive, com uma comunidade ativa, e planos para modernizar-se.

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Grupo de juristas apresentou um substitutivo a três projetos de lei que visavam regulamentar a inteligência artificial no Brasil. O substitutivo tem 40 artigos e está incluído no relatório final da comissão (PDF), de 900 páginas, que fundamenta e detalha o processo de elaboração do texto. (Os artigos constam a partir da página 15.)

O relatório e o substitutivo foram entregues ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no último dia 6. Para tornar-se lei, precisa passar por todo o trâmite legislativo. Via Senado.

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O site Legendas TV, que disponibilizava gratuitamente legendas de filmes e séries feitas de modo independente, anunciou o fim das suas atividades. Na mensagem que aparece em seu site, diz que “com a queda de contribuições, aumento de custos, variação cambial e impossibilidade de trabalhar com publicidade devido à visão que o mundo tinha dessa comunidade, tornou-se cada vez mais difícil manter o Legendas.TV vivo”.

A fase ruim vem de longe. Em 2019, a equipe do Legendas TV ameaçou encerrar as atividades a menos que mais gente assinasse o plano VIP então oferecido. Na ocasião, afirmou ter em seu acervo 350 mil legendas de 50 mil títulos distintos.

A equipe disse ainda que está trabalhando para disponibilizar, nas próximas semanas, “[o] acervo de uma maneira simples mas ainda assim funcional”. Via Legendas TV.

Simulador hipnotizante de “pedra, papel, tesoura” e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Criptografia de ponta a ponta no iCloud vem aí — e é algo grande

Em agosto de 2021, a Apple anunciou um plano em que passaria a analisar fotos marcadas para serem enviadas ao iCloud em busca de imagens ilegais, de abusos sexuais contra crianças, nos dispositivos (iPhones, iPads e Macs) dos usuários.

A notícia caiu como uma bomba nos círculos que debatem a privacidade digital. Embora tivesse fim nobre, a iniciativa foi duramente criticada: naquela situação, o fim talvez justificasse a bisbilhotagem das fotos dos usuários, mas e quando esse fim fosse… menos nobre? E se um governo autoritário exigisse que a Apple identificasse manifestantes?

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