Para OpenAI, risco existencial de inteligências artificiais é só na dos outros

Quando o governo decide regular um setor emergente, é sinal de que as coisas estão prestes a sair do controle — se já não saíram.

A União Europeia — a exemplo do Brasil — está debatendo uma lei para regular a inteligência artificial, chamada lá de AI Act.

Sam Altman, CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, fez um tour pelo continente em maio e, revelou nessa semana a revista Time, muito lobby para modificar o texto aprovado pelo Parlamento Europeu no último dia 14.

O lobby deu certo: as IAs gerativas generalistas, como o GPT-3/4 e o DALL-E 2, não são consideradas de “alto risco” pelo texto do AI Act, classificação que demandaria mais transparência, rastreabilidade e supervisão humana.

Como disse Timnit Gebru, Altman e seus pares, os cavaleiros do apocalipse, adoram alardear que a inteligência artificial representa um risco existencial à humanidade, mas só a dos outros — a IA deles, não. Via Time, @timnitGebru@dair-community.social (ambos em inglês).

O Reddit não confirmou quando questionado pelo The Verge, mas há indícios de que a empresa começou a destituir moderadores ainda engajados no “apagão” contra a cobrança da API. Algumas comunidades grandes em inglês, como r/TIHI, r/MildlyInteresting e r/interestingasfuck, que haviam alterado o status para “NSFW” (de conteúdo sexual), estão sem moderadores. Via r/ModCoord, The Verge (ambos em inglês).

A FTC abriu um processo contra a Amazon nesta quarta (21). O órgão, espécie de Cade dos Estados Unidos, acusa a Amazon de enganar consumidores a fim de forçá-los à assinatura do Prime e de dificultar seu cancelamento. Esse procedimento, segundo reportagem do site Insider, é conhecido dentro da Amazon como “Ilíada”, referência ao trabalho homérico exigido do consumidor que não quer mais o Prime. Via FTC (em inglês).

Comitê de Supervisão publica primeiro relatório comentando decisões de moderação do Manual

O primeiro relatório de transparência do Comitê de Supervisão do Manual do Usuário pode ser baixado clicando aqui (PDF).

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Uma comunidade é reflexo do cuidado que se tem com ela. Fomentar debates, estimular trocas saudáveis e combater abusos são tarefas indispensáveis em qualquer ambiente digital que reúna pessoas e se queira agradável.

Desde a sua concepção, o Manual do Usuário dedica tempo e esforço para cultivar um espaço nos comentários. É um trabalho perene e, no geral, tranquilo. Vez ou outra uma discussão mais acirrada ou o surgimento de “trolls” demandam a minha interferência, porém.

Em abril de 2023, algumas decisões minhas na moderação dos comentários geraram questionamentos legítimos de leitores. Relatei a situação aos assinantes e um deles sugeriu uma espécie de “comitê de supervisão”. Achei a ideia ótima.

Este relatório é o primeiro fruto daquela ideia. A cada dois meses, o comitê revisará as minhas decisões. Todo ano, um novo comitê será eleito entre os assinantes.

Moderar implica na tomada de decisões a todo momento, com um poder muito maior que os leitores regulares têm. Não quero que o Manual seja visto como o domínio de um ditador; isso afastaria vozes dissonantes e, no fim, empobreceria os nossos debates. O comitê é mais uma medida para evitar que tal situação se configure.

Agradeço à Cíntia Reinaux, ao Emanuel Henn e à Michele Strohschein por terem topado essa iniciativa e pelo excelente trabalho realizado.

O pacto anti-Meta

Não é mais segredo que a Meta prepara uma nova rede social para aproveitar o vácuo que Elon Musk criou após destruir, digo, assumir o Twitter.

O Projeto 92 — provável nome comercial Threads — já teve imagens vazadas e, ouviu-se da boca de um executivo da Meta, será compatível com o ActivityPub, o protocolo por trás do Mastodon e de outras aplicações do fediverso.

No último fim de semana, um burburinho insinuava que administradores de grandes servidores do Mastodon teriam se encontrado, em segredo, com representantes da Meta.

A suposta notícia virou uma bola de neve com centenas de administradores assinando um “pacto anti-Meta”: desde já, eles se comprometem a bloquear a nova rede social da Meta assim que ela for lançada.

Entendo essa postura. Se tem uma empresa nessa área que não é confiável, é a Meta. Há todos os motivos do mundo para desconfiar das suas intenções. Imaginar que Mark Zuckerberg ameace a existência do fediverso não é um delírio; é uma avaliação sensata de um risco real.

Só a escala com que a Meta é capaz de lidar, e que provavelmente terá no primeiro dia da sua nova rede (ela será derivada do Instagram, com +2 bilhões de usuários), já coloca em xeque a sobrevivência da maioria dos servidores no fediverso. Uma conexão abrupta com um par gigantesco pode sobrecarregar sistemas e nocauteá-los.

Lembremo-nos da migração em ondas do Twitter para o Mastodon, que, em uma escala muito menor, fez muito servidor suar para continuar de pé.

Por outro lado — e corro o risco de estar sendo ingênuo —, pesa o genuíno interesse em estabelecer contato com gente que apenas não se importa tanto a ponto de buscar alternativas às redes sociais comerciais e saber ou aprender o que é “Mastodon”, “ActivityPub” e “fediverso”.

Essa galera é maioria e continua no Instagram, no Facebook, no Twitter. A perspectiva de ficar onde estou e poder interagir, daqui, com mais gente, é empolgante.

Até onde sei, duas instâncias brasileiras, bantu.social e nuvem.lgbt, assinaram o pacto anti-Meta. O meu humilde servidor monousuário, não. Seguirei atento.

O WhatsApp ganhou uma tela chamada Controle/Verificação de Privacidade (dentro da aba Configurações, Privacidade) que apresenta as várias opções do tipo de outra maneira, organizadas por tópicos. Achei intuitiva, com rótulos e conjuntos que fazem mais sentido. Por que não é assim por padrão? Via WhatsApp.

Assinaturas pagas de Facebook e Instagram chegam ao Brasil

A Meta lançou no Brasil, nesta terça (20), sua assinatura paga para contas no Facebook e Instagram, a Meta Verified. Ela dá direito a um selo de verificação, proteção proativa contra contas fraudulentas e acesso a suporte humano.

A assinatura custa R$ 55 por mês em cada rede. O valor será mais em conta quando o serviço for disponibilizado na web — no momento, só é possível assinar, no Brasil, pelos aplicativos para Android e iOS.

Tem duas lacunas curiosas nesse anúncio:

  • Empresas não são cobertas pela novidade, ou seja, só pessoas físicas podem assinar. Os benefícios me parecem mais interessantes a empresas do que a pessoas físicas, exceto o grupo na mira da Meta — influenciadores e similares.
  • Contas verificadas à moda antiga não perderão o selo azul, mas a Meta não explica como convergirá todos os perfis em um modelo unificado. O comunicado à imprensa informa que “estamos aprimorando o significado de contas verificadas nos nossos aplicativos para que possamos expandir o acesso à verificação e mais pessoas possam confiar que as contas com as quais interagem são verdadeiras”.

Alguém animou em fazer a assinatura? Via Meta.

TripMode limita o consumo de dados no macOS

O aplicativo TripMode é daquelas coisas que deviam ser nativas no sistema operacional.

Ele funciona como uma espécie de firewall simplificado, bloqueando aplicativos e partes do sistema de se conectar à internet. Não por segurança, como é o caso dos firewalls nativos de sistemas como macOS e Windows. O TripMode ajuda a controlar o gasto da franquia de dados.

Usar o celular como hotspot é uma maravilha, mas, a depender das tarefas pendentes no sistema, pode consumir rapidinho giga bytes de tráfego. Com o TripMode ativado, é possível bloquear por padrão toda a comunicação do computador com a internet e ir liberando, caso a caso, apps e funcionalidades.

Precisei de algo assim dia desses e funcionou bem aqui. A licença custa ~R$ 85, e é possível usá-lo por sete dias gratuitamente — foi o que eu fiz.

Existe uma versão para Windows do TripMode, mas ela está abandonada.

Procurei por alternativas, encontrei só outros para macOS: Radio Silence (~R$ 42) e LuLu (gratuito). Se alguém souber de aplicativos do tipo para Linux e Windows, sou todo ouvidos.

Com toda a comoção em torno do Reddit na última semana, as alternativas abertas no fediverso, Lemmy e Kbin, alcançaram 73 mil usuários ativos nesta segunda (19).

É bastante para esses projetos — os desenvolvedores do Lemmy estão sobrecarregados, bem como diversos servidores com o sistema —, mas algo muito distante de fazer cócegas no Reddit, com seus quase 500 milhões de usuários. Algumas comunidades têm feito um esforço para migrarem, mas talvez o grande lance do Reddit seja o fato de que “todo mundo” já está lá.

Contra o Lemmy/Kbin pesa também o fato de serem ainda mais complicados de usar que o Mastodon.

O Snapchat tem um chatbot parecido com o ChatGPT, o My AI. De diferente, tem a apresentação — ele usa um avatar de pessoa. O My AI usa o mesmo modelo de linguagem do ChatGPT.

A Snap, dona do Snapchat, disse à Bloomberg que 150 milhões de pessoas conversam com o My AI e que já trocaram 10 bilhões de mensagens. Todo esse material está sendo analisado para personalizar anúncios, e parte da publicidade será inserida no próprio My AI, como se fosse parte da conversa.

O Snapchat avisa, antes de iniciar uma conversa com o My AI, que o conteúdo ali poderá ser usado para esses fins. De qualquer forma, vale o lembrete: chatbots não são nossos amigos, são só mais uma troca faustiana que topamos fazer com a big tech. Via Bloomberg [$$$] (em inglês).

Chegou o deskmat do Manual do Usuário

A Kumori e o Manual do Usuário se uniram para lançar um deskmat com as nossas marcas.

Feito em feltro de lã merino, o deskmat tem uma cor sóbria, que combina com tudo, e, no detalhe, os logos do Manual e da Kumori. Ele mede 90×40 cm, tem a base emborrachada e uma costura bem discreta nas extremidades.

Já estou usando o meu e é uma delícia. A lã merino é aconchegante e o mouse desliza suave por sobre ela.

A tiragem limitada (são só 50, digo, 49 unidades) do deskmat do Manual do Usuário está à venda na loja virtual da Kumori e, em breve, na Amazon e no Mercado Livre.

Para quem assina o Manual, a Kumori oferece 10% de desconto em toda a loja — o que inclui o nosso deskmat. Assinante, veja seu e-mail para pegar o cupom.

Algumas fotos:

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A implosão do Reddit

Apenas seis meses separaram o surgimento do Orkut e do Reddit em meados dos anos 2000, duas redes sociais focadas em comunidades.

O Orkut definhou, mas o Reddit, apesar de uma história tortuosa, chegou a 2023 forte o bastante para arriscar uma abertura de capital prevista para o segundo semestre.

Na tentativa de espremer uns centavos aqui e fechar umas goteiras ali a fim de tornar o negócio mais atraente a investidores do varejo, o Reddit pode estar pondo tudo a perder.

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Minha lição do Twitter e de Elon no Twitter é que [ele] está reafirmando que podemos construir um negócio muito bom neste espaço em nossa escala.

— Steve Huffman, CEO do Reddit.

E, de repente, tudo faz sentido. Via NBC News (em inglês).

Ainda que o Reddit saia da atual crise, a postura da direção da empresa deve deixar marcas. Steve Huffman, CEO, continua dando declarações afrontosas, como alegar que a API nunca foi pensada para aplicativos de terceiros e ameaçar destituir moderadores das comunidades que sustentam o protesto/apagão. Em outra frente, o Reddit aparentemente está revertendo exclusões de conteúdo feitas por usuários insatisfeitos.

Este bom artigo da Electronic Frontier Foundation explica como o Reddit, que cresceu e se sustenta com trabalho voluntário e boa vontade de moderadores e desenvolvedores externos, está queimando essas pontes. Como confiar numa plataforma que se revelou tão hostil com seus próprios usuário? Via The Verge, NBC News e r/ModCoord (todos em inglês).