Quem liga se o iPhone 16 foi “feito para IA” e será caro?
Anunciado como “o primeiro iPhone feito do zero para inteligência artificial”, o recém-anunciado iPhone 16 tem mais similaridades que diferenças em relação a todos os modelos lançados desde o iPhone 12, de 2020. Isso inclui o preço.
O modelo base, com 128 GB de memória, chegará ao Brasil por R$ 7.799, aumento de 6,9% em relação ao preço do iPhone 15 de 2023 (R$ 7.299). É o segundo iPhone mais caro em valores nominais, atrás apenas dos R$ 7.999 do iPhone 12.
No intervalo de um ano entre os dois últimos modelos, o dólar valorizou 12,7% ante o real, e o acumulado de 12 meses da inflação no Brasil1, até agosto, 4,24%.
Nos Estados Unidos, que nos serve de preço-base para essas comparações, a Apple manteve o preço do iPhone 16 em US$ 829 (sem vínculo com operadoras).
Há 11 anos faço esse exercício de acompanhar a evolução do preço de lançamento do iPhone no Brasil. Sempre muito caro, o celular da Apple tornou-se ainda mais um item de luxo por aqui com o passar dos anos.
A inflação acumulada desde setembro de 2013, primeiro ano do nosso levantamento, foi de 87%. Já o preço do iPhone, 200,1% (de R$ 2.599 para R$ 7.799).
O dólar variou 201,7% no mesmo período (de R$ 1,85 para R$ 5,58). Esse alinhamento é mais acidente do que mérito da Apple Brasil na precificação da sua galinha dos ovos de ouro.
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Análises numéricas à parte, talvez o mais importante a se perguntar, a essa altura, é: quem se importa?
Os modelos do ano e os mais caros, da linha Pro, têm público cativo. A julgar pela escalada dos preços e a (aparente) estabilidade das vendas, é um público que não faz contas na hora de trocar celular ou não tem muito juízo com as próprias finanças.
Para todo o resto de consumidores que preferem iPhone, modelos de anos anteriores têm os preços descontados quando deixam de ser novidade.
Em 2024, o apelo do iPhone 15 e anteriores parece maior diante dos atrativos do iPhone 16. Mesmo levando em conta o histórico de atualizações discretas nos últimos anos, o da vez pareceu… insosso?
Fora as atualizações internas esperadas — chips mais rápidos —, o iPhone 16 ganhou dois “botões”: o “Action Button”, que era exclusivo da linha Pro na geração passada, e o novo “Camera Control”, que ressuscita em roupagem moderna um botão dedicado à fotografia que celulares Android tinham quando fotografar em modo paisagem ainda era algo popular.
O Camera Control se desdobrará em um atalho para a “Visual Intelligence”, o Google Lens da Apple.
Ah sim: “o primeiro iPhone feito do zero para inteligência artificial”. Quase me esqueço disso. A aposta de toda a indústria de tecnologia para alavancar vendas é a inteligência artificial. Com a Apple, não foi diferente.
A ironia fina é que o “iPhone de IA” chegará ao mercado sem recursos de inteligência artificial. Eles ficaram para atualizações posteriores do iOS 18. Isso para quem fala o inglês estadunidense. Em alguns outros países, só em 2025. No Brasil? Nem ideia.
A Apple sempre foi muito convincente no blablablá para vender iPhones. Neste ano, porém, achei que a Apple vendeu muita promessa e pouca substância. E vendeu caro.
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Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018), iPhone 11 (2019), iPhone 12 (2020), iPhone 13 (2021) e iPhone 15 (2023). Não teve post em 2017 porque estava fora do site e em 2022 porque acho que esqueci.
- O índice usado aqui é o IPCA, do IBGE. ↩
É a 1ª vez, em vários anos, que existe fila pra compra aqui no Japão. As operadoras estão com listas de espera. Não entendi o hype em cima desse modelo mais do mesmo com chatgpt embutido.
desculpa, gente, mas eu não consigo deixar de ler esse título sempre que abro a página inicial do site sem lembrar do clássico vídeo do carioca puto no alagamento
A melhor versão desse vídeo é a que tem a música do metrorio. Essa é maravilhosa!
vi uma vez alguém falando pra Apple fazer um ano o evento do iOS e outro do iPhone, pois aí sim teria (talvez) novidades relevantes, isso seria realmente interessante, mas sabemos que nunca vai acontecer.
O que mais me surpreende é não terem usado os 10 anos de Apple Watch pra lançar um novo modelo de verdade.
No fim, parece que a Apple tá vendendo geladeira e televisão, é tudo igual… quando quebrar o seu você compra outro.
O IPhone se tornou aquele canal do YouTube que postava um vídeo por semana com conteúdo produzido e tal, e passa a postar todo dia e vira sucata de canal de opinião.
Já não tem impacto, que talvez deveria ter, talvez uma versão SE ganhe mais relevância
Ñ se tem mais novidades nos lançamentos da Apple. Em se tratando de smartphones, as inovações agora vão mais para o lado do software.
Quanto aos preços, ñ imagino a quantidade que esse iPhone irá vender por aqui. Até porque, o celular da Apple virou sinônimo de status.
A IA do iPhone só vai ser boazinha porque não é a Maçã que produziu!!!
Para quem discorda é só comparar a Alexa e o Google Assistant. A Siri nasceu só para ser chacota dos rivais, e quem defende está preso no campo de realidade distorcida do reino “mágico” da Maçã.
A Microsoft também tá investindo muito em IA e prevejo que vai sobrar um botão inútil em nosso hardware futuramente…. Pior todo o gasto em processadores para isso, quando o usuário só quer um computador pra fazer as mesmas tarefas que não demandam IA
será o retorno do botão “Turbo” nos gabinetes de pc?
Principal novidade foi um botão dedicado pra câmera. Algo que já existiu até no tempo pré-smartphone.
Agora só porque a Apple trouxe de volta, todas as fabricantes Android vão dizer que já tinha isso desde “tempos imemoriais”, sendo que TODAS acabaram tirando.
E agora vai virar moda entre os jovens e começar o bullying contra usuário de iphone sem botão
Os mesmos que zuavam aqueles que usavam o modelo com “botão embaixo da tela”.
excelente resumo
Eu não vejo a hora dessa modinha de IA passar! Não aguento mais essa forçação de barra! Investiram pesado nessa panaceia e agora querem tirar o $$$$ a todo custo.
sim e pior que é uma onda do capital que ferra o planeta junto