Estilo de vida

O escritório em casa de Fabio Montarroios

Mesa de trabalho em escritório doméstico do Fabio Montarroios, com notebook, tela, celulares e acessórios em cima.

Durante a pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Fabio.


Trabalho no Instituto Moreira Salles, uma instituição sem fins lucrativos na área da cultura. Por conta do novo contexto em que vivemos, ela não está mais aberta ao público. Foi, na verdade, uma das primeiras coisas a vir a fechar no Rio de Janeiro, por determinação do governo, e depois em São Paulo e Poços de Caldas (MG) acompanharam. Reunião de pessoas passou a ser algo inadequado e, bem… estamos desde o início da semana passada fechados para o público que ia aos centros culturais para curtir as atrações e, claro, se encontrar.

Está sendo algo inédito para todos nós: a última vez que fechamos sem ser por conta de algum feriado ou grande evento (como a Parada LGBT em São Paulo, que toma toda Avenida Paulista), foi no velório da vereadora Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, ambos assassinados por milicianos no Rio de Janeiro há dois anos.

Livros recomendados pelo Manual do Usuárioo

Trabalho em esquema de home office com eventuais idas semanais ao escritório há uns bons anos, talvez uns dez já. Trabalhar de casa, portanto, para mim e para a minha esposa, que é advogada e se beneficia do judiciário que se informatizou, tem sido tranquilo, pois já era algo presente na nossa rotina. A quarentena compulsória até nos fez aprimorar as coisas por aqui: nos demos conta de que precisamos mesmo nos organizar mais não só para situações extremas como esta, mas também para a vida “normal”. (Uso aspas no normal por ser algo difícil de distinguir antes; agora então…) Mas uma coisa que noto e que se parece até um pouco com aquela já remota greve dos caminhoneiros: o silêncio aumentou. Ouço pássaros (muitos), o vento batendo nas folhas das árvores, latido de cães que estão bem distantes etc. Ainda há atividade humana, mas aqui também é rota de aviões e com a diminuição dos voos está tudo muito mais tranquilo. O horizonte também está mais visível sem aquela típica camada de poluição.

Meu trabalho consiste em gerenciar vários sites do IMS: no conteúdo, na parte administrativa dos CMSs e alguma coisa de infra. Trabalho numa equipe bem enxuta com mais seis pessoas. É bastante trabalho para todos, que se soma ao fato de também gerenciar as redes sociais da empresa. Não é sempre que é necessário ir ao IMS Paulista (moro em Guarulhos), mas sempre que há uma transmissão ao vivo pelo Instagram, sou eu quem está lá atrás do celular. E aqui, ante a tanto posicionamento patético de empresários, deixo registrado que o IMS tomou uma posição muito digna na crise perante seus colaboradores: antecipou o salário, o aumento do dissídio da categoria antes mesmo da assembleia entre sindicato dos trabalhadores e o patronal, os benefícios e o décimo terceiro de todos. Em momento algum sequer cogitou-se reduzir nossa renda ou interrompê-la durante a pausa. Há “empresários” e empresários e “gestores” e gestores. Não dá para generalizar.

Ah, também tenho um projeto pessoal chamado Saber Animal. Não que esteja sobrando muito tempo, mas agora consigo dar um pouco mais de atenção a ele. Essa também é uma parceria com a minha esposa!

Pois bem, já me alonguei demais, vou aos cacarecos sobre a mesa.


Mesa de trabalho em escritório doméstico do Fabio Montarroios, com notebook, tela, celulares e acessórios em cima.
Clique para ampliar. Foto: Fabio Montarroios/Arquivo pessoal.
  1. Notebook Dell 15 Gaming 7567. A máquina é boa. Um Core i7 com GPU dedicada, mas que, ainda assim, precisou de upgrade para render mais: troquei o HD por dois SSDs e aumentei a memória o máximo que pude. A tentativa de trocar o Wi-Fi ainda não deu certo. Só que ela apresentou, em março de 2019, um defeito. O botão liga/desliga não funciona mais. Por não ter mais o HD original da máquina, a Dell se recusou em me ajudar mesmo estando na garantia. Não me restou alternativa: processinho.
  2. Monitor Dell 24″ P2415Q. O melhor custo benefício para mim. Ele é bom para editar imagens e com uma baita densidade de pixels eu consigo achar todos os defeitos que antes ficavam invisíveis num monitor comum. Não custou muito à época da compra e tinha uma versão maior, mas meu espaço não é tão amplo, então, este encaixou bem.
  3. Mouse Logitech Mx Master 2S e mouse Logitech G700s. O G700s, que comprei há bom tempo, deu defeito e, apesar de ainda funcionar para jogos, não dava mais para trabalhar com ele. Acionei o suporte e a Logitech me mandou outro, da minha escolha. Ele também apresentou defeito depois de um tempo e eles me mandaram um outro. A Logitech me atendeu super bem e é exemplo para as demais (ouviu, senhor Dell?). A ergonomia dele é perfeita para mim: tenho tendinite e a depender do modelo do mouse, meu pulso dói imediatamente. Com esses não sinto dor, exceto se trabalhar em turnos muito longos.
  4. Teclado Corsair K55 RGB. Eu usava um teclado mecânico da Redragon, mas ele exigia muita atenção: era necessário com certa frequência tirar algumas teclas para limpar embaixo, por conta dos erros de digitação que ocorriam com a entrada de poeira ou pelo de gato (há dois aqui em casa). Esse da Corsair é um que meio que imita um teclado mecânico, mas ainda tem membrana. É bom de escrever nele, mas preferiria que ele fosse do tipo compacto, sem o teclado numérico, que é útil, mas pouco utilizado.
  5. iPhone 7. O aparelho é da firma. Uso-o para alimentar as redes sociais quando não é possível fazer isso pelo notebook. É um bom aparelho. Me mantém um pouco em contato com o iOS, mas a câmera é fraquinha e algumas coisas na Apple são meio “estranhas”. E não digo isso pelo hábito de usar Android, mas é porque, de fato, algumas coisas não parecem bem resolvidas. Depende de cada app, claro, mas… Não é tudo isso que dizem, não.
  6. Fone de ouvido Edifier W860NB. Preço ótimo para o que ele entrega. Em dias “normais” é preciso usar, vez ou outra, o cancelamento de ruído dele, que é muito bom mesmo. Quando ligado afeta pouco a música que você está ouvindo, mas ele é melhor, claro, com essa função desligada. Gosto da qualidade sonora dele e do fato dele ter aptX1. Em relação aos concorrentes bem mais caro ele não parece fazer feio segundo muitos reviews disponíveis por aí. Comprei no Aliexpress direto da loja oficial da Edifier, saiu mais barato que comprar aqui no Brasil, mas ainda assim não seria tão caro.
  7. Fone de ouvido Edifier TWS5. Esse é para usar na academia, mas ele também me serve bem quando o uso pra fazer a faxina aqui em casa. O som é ótimo, mas ele é um pouco grande e às vezes escapa da orelha (chegando a cair se faltar reflexo para pegá-lo no ar). O fato de não ter fios e ele também ter aptX me fizeram decidir por ele entre tantas opções agora disponíveis no mercado de fones. O preço, claro, também contou muito na decisão. Gosto da Edifier e do tipo de som que eles oferecem nos seus aparelhos. Tenho duas caixas de som deles na sala, ligadas na TV e elas são igualmente boas.
  8. Monitor de referência Presonus Eris 3.5″. Apesar de pequenas, a qualidade sonora delas é perfeita para mim. Não cabe muita coisa na minha mesa e eu gostaria de ter monitores mais próximos do neutro possível. É algo difícil de alcançar e há marcas talvez mais famosas, como a Yamaha, mas, novamente, pesou o custo benefício. Elas têm entrada de áudio em linha, o que proporciona maior qualidade sonora. Então, se a sua interface de áudio tem essa saída, tanto melhor. Elas estão sobre um suporte provisório. Teria sido melhor o modelo de 4,5″, mas eles além de mais caro, seriam um desperdício para um ambiente sem preparação acústica como o meu.
  9. Controle de Xbox One para PC. Apesar de ser sem fio, este não é daqueles que se conectam via Bluethooth, mas está valendo. Comprei há uns bons anos. Na época foi meio caro, porque era novidade, acho. Estão comigo até hoje e para a minha jogatina eventual servem perfeitamente.
  10. Kindle Paperwhite e um gibi. O leitor da Amazon é bom, mas acho que a bateria dura menos do que imaginava que duraria. Tenho que carregá-lo toda semana. Tinha em mente que faria isso uma ou duas vezes por mês. O gibi em baixo dele é a 19ª edição de Lobo Solitário, que gosto de comprar na banca de jornal mesmo, mas que agora… você sabe. Geralmente fica uma pilha de livros ali, mas aproveitei a semana passada pra tirá-la daqui e guardar tudo de volta na estante.
  11. Case de HD externo Orico. Quando comprei achei que ela funcionava com a função de RAID (dois HDs funcionando como se fossem um só), mas dancei. Então, ficou como um backup normal. Ela suporta dois HDs. Deixo filmes em um e arquivos no outro. Ela tem uma ventoinha barulhenta, então só deixo ligada quando está em uso.
  12. Plug com portas USB Orico para carga e hub USB 3.0 TP-Link. Um deles está escondido atrás do notebook e outro está no canto direito da foto (branco). Ambos funcionam bem e têm quatro portas.
  13. Maschine MK3 da Native Instruments. Esse aparelho é comumente visto nesses desktops cheios de aparelhos ligados à produção musical. Aqui ele está solitário, porque outros dois acessórios úteis ficam guardados na estante: dois controladores midi. Além de ter uma interface de áudio, ele permite criar músicas de todo tipo, não só aquelas eletrônicas. Eu ainda não o domino bem, mas ele é certamente um dos equipamentos mais bacanas para se fazer um som digitalmente. Dá para ligar instrumentos reais nele também, mas aí a coisa fica mais complicada e é mais proveitoso para quem entende do riscado, o que não é o meu caso. Comprei para um projeto específico: pesquisar por antigas músicas e dar uma roupagem nova a elas. Antes de trabalhar na área de internet do IMS, eu atuava no acervo de música deles, então tenho um bom repertório das antigas. Só que essa transposição criativa é algo bem mais difícil de fazer do que eu imaginava… Quem sabe um dia esse projeto não sai?
  14. Smartphone Samsung S9+. É um aparelho ultrapassado, mas que atende muito bem o que eu preciso fazer, pessoalmente e no trabalho. Consegui me ver livre do Instagram e do Facebook instalado nele, deixando apenas no iPhone da firma, mas ainda assim o uso bastante para trabalhar. A tela dele é realmente muto boa, apesar de grande. A bateria tem aguentado bem um dia inteiro e ele é muito bom para ouvir música e podcasts. Perfeito para ver vídeos também. A Samsung já pisou na bola comigo, deixando o meu antigo S6, que pifou por completo, sem atualizações. Com certeza me deixará na mão novamente…

  1. Tecnologia da Qualcomm que “garante que você receba a qualidade de som mais alta possível a partir do seu dispositivo de áudio Bluetooth”. Mais detalhes.

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14 comentários

  1. Olá a todos.

    Muito boa ideia transformar a seção de mochilas em home office, Ghedin. Vou seguir acompanhando.

    E bom conhecer o site do saberanimal.org. Achei as publicações do site bem interessantes com questões muito relevantes. Acabo não acompanhando muito os outros sites e as redes sociais sobre o tema porque acho o debate muito inflamado, com o uso de muitas fotos de animais em sofrimento, o que me deixa bem mal e me afasta da comunidade, mas espero acompanhar o seu site e conseguir entender melhor o assunto através dele. Sucesso para vcs!

  2. Dizem “que quem mais chora mais tem”. Não é a toa que você é RYCO! rsrs

    Pensei em comprar um controle do Xbox one, mas é caro. Infelizmente não tenho alternativa, já que o do 360 nem tem mais bateria original e só aquelas paralelas.

    Eu tenho uma caixa de Som para PC R19U da Edifier que mesmo não sendo bem alto o som não “estoura”. Realmente é muito bom.
    Também tenho um fone da Edifier o K550 que apesar de ser pequeno, se comparado ao meu antigo headset da multilaser Warrior que deu problema num lado, tem um bom som e microfone.

    Mesmo tendo inúmeros apps de anotações multiplataformas, nada substitui um caderno ou lousa.

    Já cogitou comprar aquelas impressoras ecotank? Parece que a médio e longo prazo é muito mais econômica do que comprar cartuchos de 50 reais ou mais.

    1. Não falei da lousa, mas na verdade não gostamos muito delas. Tem uma tb acima da mesa da minha esposa… Acho q talvez a gente se desfaça delas se um dia viermos a instalar um armário ali – que está fazendo falta. Cadernos nós usamos até que bastante. Também acho que eles não substituem os apps. E eu gosto de escrever à mão tb. Com eles, pelo menos, tenho certeza q jamais serão xeretados por uma empresa qualquer! Cara, esse controle na época que comprei achei bem caro… nem devia ter comprado. Hoje eles custam menos… Mas ele é muito bom. Está comigo desde 2016. Tento ser cuidadoso com as coisas pra elas durarem bastante. É uma mania de velhinho que tenho desde a infância.

      1. Essa mania de ser cuidadoso com as coisas para eles durarem bastante também é um costume que meu, sou assim desde criança, quando passei a trabalhar e comprar com meu próprio dinheiro, me tornei mais cuidadoso ainda, kkk!!!

  3. Impressionante a quantidade de formas para ouvir música, mal tenho um fone na mesa.

    Observação aleatória: além do prédio ser lindo e as exposições ótimas, gostaria de ter aquelas jaquetas que vocês funcionários do IMS usam.

  4. Licença para comentar?

    Eu não sou muito bom em manutenção de notebooks (por ser impaciente, temo sempre quebrar travas, por isso é um trabalho que geralmente recuso), mas noto que algumas séries de notebooks são chatas de lidar.

    Esse seu caso do botão liga-desliga não funcionar mais e você ter que mover um processo me faz pensar o porque de não haver uma forma mais fácil de ter resolvido isso. Geralmente são botões simples, o chato é abrir um notebook e ter toda a paciência para desmontar, separar peças e parafusos, ir até onde está o provável defeito e sana-lo. Provavelmente com a troca do botão, seja por um igual, ou até mesmo algum diferente que possa ser mais durável.

    Outro ponto é o plástico que faz a “interface” entre o botão em si e o que aciona o botão (a tampa). geralmente muitos destes quebram com facilidade, restando ter que tirar a tampa e ou apertar diretamente o botão, ou caso mais profundo, usar algum palito ou outra coisa não metálica para acionar.

    1. Ah cara… a Dell tinha q ter arrumado… com certeza é algo simples, pra eles, então, nem se fala. Pisaram feio na bola comigo, tanto q tive q arranjar outro equipamento pra pode ter um pra sair com ele de casa e já foi de outra marca (um Asus). É uma economia tão tosca q eles fazem, q vai ser bem prior pra eles agora (assim espero)… Tem até um manual da Dell de como troca esse botão. Barbada! Mas, não… tem q atormentar. Uma lástima…

      1. Tenho um receio de que no processo aleguem que você poderia ter resolvido o problema. Que eu saiba, a Dell divulga quase todos os manuais de serviço de forma aberta aos usuários. Então isso pode contar como ponto a favor da empresa. Pense sobre.

        1. É que estava na garantia e eles não quiseram arrumar e mesmo passando a garantia também não quiseram mexer na máquina. Eles realmente divulgam como desmontar máquina toda, mas não é algo q vc deve fazer enqto está na garantia. Acho q aí já não ajudaria muito, Ligeiro. Tem muitas armadilhas nessa burocracia toda deles, infelizmente.

          1. Entendi. Bem, de fato o direito do consumidor no Brasil, dependendo de como é feito o caso, é até bem respondido. Espero que tu ganhe o processo.

            Se não arrumou ainda o botão e passar o tempo do processo, posso depois procurar lhe ajudar a achar algum técnico de confiança em notebooks (spoiler: é difícil – nem eu acho e preciso achar alguém de extrema confiança).

      2. Eu trabalhei na Dell, no suporte interno deles mas trabalhei hahahaha

        O protocolo é sempre trocar o equipamento inteiro quando tem problemas e está na garantia – e assim é feito para clientes corporativos, que não sei se é o seu caso – e arrumar o aparelho com problema pra vender como “refurbished” depois (principalmente em leilões).

        Algum gestor pisou na bola feio com você e depois não quis dar o braço a torcer e pagou pra ver. Mete processo nesses FDP que me demitiram por ter depressão. Arranca tudo o que der deles.

        1. Já estão sendo e agora é mais merecido ainda o processinho. Torço para q o juiz leia tudo que minha esposa escreveu com atenção. Ela caprichou! O adv da Dell foi muito sacana, colocou coisas ali q não tem nada a ver com o caso e se atrapalhou todo. Por ter tido q comprar outro notebook justamente por não poder tirar esse de casa – ele não desliga, só fica em modo suspenso até o fim da bateria -, com certeza vai sair bem mais caro pra eles. É muito vacilo…

          O suporte deles não é ruim e o cara q me atendeu estava me dando razão, mas ao consultar o supervisor ele disse q não rolaria. Mesmo sem relação com o HD eles não quiseram fazer nada… Foi decepcionante. Depois ainda esperei passar a garantia e estava até disposto a pagar pelo reparo e nem assim eles quiseram me atender.

          1. Depois que o gestor fez cagada ele não iria atender jamais, dependendo a ID do seu aparelho já tava “marcada” no sistema de pós-venda deles. Nenhum outro gestor iria pegar o problema pra si, com certeza.

            Os funcionários – colegas – eram ótimas pessoas na Dell. O problema era a gestão, principalmente RH. Parece que por lá só se chega ao cargo de gestor sendo imbecil, traiçoeiro e desonesto.

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