Estilo de vida

O escritório em casa da designer de produto Ana Vidal

Poltrona e mesa de jantar com um notebook, mouse e caneca sobre ela.

Durante a pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria da Ana.


Meu nome é Ana, sou nascida no estado do Rio de Janeiro e já moro em São Paulo há um ano. Trabalho como product designer e esta não é a primeira vez que experiencio o home office como padrão de trabalho. Nesse mercado de tecnologia, não é incomum que pequenas startups ou um grupo de profissionais fora da matriz trabalhem em espaços compartilhados com outras empresas para compensar os gastos que um escritório nominal traz. Na época em que morava em Niterói, a maioria das empresas que trabalhei estavam no Rio de Janeiro, então eu precisava fazer uma pequena viagem todos os dias para estar presente nos escritórios.

A última empresa em que trabalhei no Rio era uma dessas pequenas startups que estavam confortáveis com o trabalho remoto. Ela ficava na Barra da Tijuca e seria muito dolorido fazer esse trajeto Niterói–Barra todos os dias, por isso o home office era perfeito para mim. Foi a primeira vez que experimentei esse modelo de trabalho e não foi fácil de me adaptar. Aos poucos montei em um canto do meu próprio quarto o que seria o escritório. Mantive os rituais clássicos de quem se prepara para sair para trabalhar, mas ao invés de ir para o ponto de ônibus, eu abria a janela do quarto e sentava na frente do computador. Esses rituais me ajudaram a organizar mentalmente quando estava trabalhando e quando não estava.

Lembro-me de sentir grande ansiedade por passar tanto tempo no mesmo ambiente durante a semana e percebi um aumento na minha necessidade de socialização. Costumava caminhar no calçadão da praia, sozinha, no final do dia; frequentava o cinema da UFF toda segunda a noite; e encontrava os amigos em algum bar às sextas. Aos poucos passei a frequentar mais o escritório, pois sentia falta de socializar com os amigos do trabalho, de conhecer aquelas pessoas fora das calls e das reuniões.

Gosto do modelo de home office, me reconheço nele, mas entendo hoje a necessidade de quebra da rotina, de quebra visual e de convívio pessoal. No trabalho, o home office me ajuda bastante a focar no que preciso e melhora o ritmo das minhas entregas. No pessoal, esse modelo tende a me deixar naturalmente distante e fria. Mais do que se adaptar ao home office acidental e repentino, estamos nos adaptando à solidão. As escapadas sociais remotas se misturam com o formato do trabalho remoto: as chamadas de vídeo, a imensidão de textos espalhados, a ansiedade em saber se está sendo incluído nas conversas. Estamos com uma visão limitada e reproduzida do que é real em pequenas janelas de pixels; o afastamento físico está sobrecarregando a aproximação íntima e pessoal. Além da falta que me faz estar com as pessoas que amo, mais falta me faz estar sozinha rodeada de estranhos onde não seja possível enxergar paredes.

Hoje, em quatro meses de quarentena, meu escritório reflete um estilo de vida que tenho adotado desde que saí de Niterói. Busco pelo minimalismo. É uma certa compreensão do que é essencial nos bens materiais que ocupam o meu dia a dia. Minha mesa de jantar também se identifica como estação de trabalho, investi em uma cadeira que fosse agradável ao olhos pois ficaria exposta nesse ambiente que é aberto para a sala e que fosse também funcional e ergonômica para o home office. Tenho um fone de ouvido P2 pois os novos MacBooks não tem entrada nativa para os novos fones da Apple, um Magic Mouse da geração anterior (movido a pilhas) que ainda funciona muito bem e um MacBook Pro alugado pela empresa. Para fechar meus itens essenciais do home office, uma xícara de café constantemente cheia e quente e uma rede na varanda pequena para encerrar o dia.

Mesa de jantar com um notebook, mouse e caneca sobre.
Foto: Arquivo pessoal.
Mesma mesa, mas de um ângulo mais afastado, mostrando a cadeira, uma planta e quadros na parede.
Foto: Arquivo pessoal.

Edição 20#26

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11 comentários

  1. Um alento ler algo assim nesta coluna. As especificações de equipamento dão lugar a um reflexão sensível sobre como a dinâmica de escritório em casa tem afetado muitos de nós. Obrigado.

  2. Excelente! Alias, o banco do outro lado da mesa serve para esticar a perna?

    Adorei o suporte de fone, vou tentar copiar tb.

    Abraços

  3. Simples e suficiente.
    Eu precisaria comprar uma cadeira mais adequada para o meu tamanho.
    Agora vale a pena para a empresa alugar um macbook pro?

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