Não desative o Bluetooth, nem mate apps.

Desativar o Bluetooth não faz a bateria do seu smartphone durar mais


8/9/14 às 9h46

Sabe aquele velho ditado, “tudo que é demais, faz mal”? Aplica-se a smartphones também. Vejo amigos e conhecidos que, por excesso de zelo, acabam piorando a situação dos seus aparelhos ou vivendo de efeito placebo, graças a práticas que em algum ponto do passado podem até ter feito sentido, mas que hoje são inúteis ou até prejudiciais.

Caso em tela: Bluetooth. É raro vê-lo ativo por aí, ainda que mantê-lo desativado não aumente signifativamente a duração da bateria do smartphone. O mesmo se aplica a GPS, Wi-Fi, NFC etc.

Se você não consegue passar um dia longe da tomada, é pouco provável que desativar esses recursos vá mudar tal cenário. O fato de estarem ativos não significa que estão consumindo quantidades obscenas de recursos; o que gasta bateria, mesmo, é o uso que os apps fazem deles. No Android (e no futuro iOS 8), existe uma área nas configurações que “dedura” os apps gastões. Esses devem ser combatidos. Se achar que a bateria está esvaziando mais rápido que o normal, uma olhada ali pode revelar surpresas e solucionar o problema.

Voltando ao Bluetooth, mantê-lo ativo sem ter algum acessório ou app que faça uso da conexão não causa tanto impacto na autonomia do aparelho. Em outras palavras: não justifica desativá-lo, a menos que por outros motivos (privacidade, ou por não usá-lo jamais). O mesmo vale para o GPS, caso que é ainda mais explícito: quando o sistema faz uso dele, um ícone surge na barra do topo. Quando esse ícone não está lá, mesmo ativo o GPS não está consumindo a preciosa carga da bateria. Ele fica em stand by, pronto para entrar em ação se assim for exigido. O que as pessoas costumam fazer manualmente o próprio sistema já dá conta, sozinho. Não precisa esquentar a cabeça com isso.

E mesmo que não fosse o caso, são esses recursos, entre alguns outros, que tornam o smartphone… “smart”. Desative GPS, Bluetooth, conexão de dados e sincronia, e parabéns, você passa a andar com um dumbphone no bolso, uma espécie de frankenstein que faz ligações e manda SMS, igual a celulares baratinhos, mas que roda jogos. Pior: caso perca ou tenha seu smartphone roubado/furtado, ferramentas de localização e gerenciamento remoto, como o Buscar Meu iPhone, não funcionarão corretamente com esses recursos desabilitados.

Outra mania inútil e potencialmente prejudicial: tirar os apps da memória. Abrir a multitarefa do iOS, Android ou Windows Phone e remover os apps, um a um, não ajuda em nada a melhorar o desempenho ou estender a duração da bateria.

Esses sistemas gerenciam automaticamente a memória, então quando está em falta, eles mesmos tiram os apps dali para dar espaço a novos. Ao mantê-los na memória, o retorno aos apps de uso recorrente é mais rápido e exige menos do hardware — economizando bateria.

É como ter uma estante de ferramentas (apps) e uma mesa (RAM) para usá-las. Sempre que você remove os apps da mesa, o equivalente na nossa analogia seria levá-las de volta à estante. Faz sentido se, em seguida, usaremos a mesma ferramenta de novo? Não é mais eficiente deixá-las na mesa enquanto não falta espaço para eventuais novas ferramentas?

TL;DR, não desative Bluetooth, conexões de dados e GPS do seu dispositivo móvel. Não mate apps da memória. Nada disso resulta em ganhos notáveis de autonomia e, em última instância, pioram a experiência de uso do seu smartphone.

Terceiro e quarto parágrafos atualizados às 15h para elucidar a questão do consumo de energia derivado da ativação dos recursos mencionados.

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