Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

Sensibilidades anônimas e amenas têm valor porque a música de hoje — criada e selecionada por humanos ou máquinas — costuma ser usada para fazer as pessoas não sentirem nada em vez de sentirem algo. […] Essa música não é feita para ser ouvida; ela é usada para abafar todo o resto.

Homem branco, de óculos de grau, barba preta e cabelo comprido, preto e liso. Foto em preto e branco.Ian Bogost
The Atlantic

Ian reflete o pequeno sucesso do Velvet Sundown, uma banda feita por inteligência artificial que já se aproximava de 1 milhão de músicas executadas no Spotify. “Esta é uma audição musical de segunda ordem, na qual você experimenta a ideia de ouvir música. Que melhor banda para fornecer esse serviço do que uma que nem existe?”

Wallabag é boa alternativa aos órfãos do Omnivore e Pocket

A época não é das melhores para quem se habituou a usar serviços do tipo “para ler depois”. Em um intervalo de seis meses, Omnivore e Pocket, duas alternativas populares, foram encerrados.

Quem apoia o Manual tem acesso a uma instância do Wallabag, outra alternativa do tipo, de código aberto/livre. É um dos poucos serviços restritos a assinantes do PC do Manual, o nosso servidor de aplicações FOSS.

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Entrevista com Fernando Alves, da newsletter Futebol no fim do mundo

Nota do editor: Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no diretório de newsletters brasileiras. Leia as outras entrevistas.

Qual é a sua newsletter?

Futebol no fim do mundo.

Fale um pouco de você, Fernando.

Tenho 34 anos, nasci em São Bernardo do Campo (SP) e hoje moro no coração da capital. Eu sou um nerd do futebol. Além de jogar duas vezes por semana, perco umas boas horas da semana assistindo a jogos, não apenas do Brasil e das grandes ligas europeias, mas às vezes alguns campeonatos mais alternativos também. Fora das quatro linhas, o que eu faço não tem nada a ver com futebol: trabalho como analista de dados numa multinacional, apesar de ser formado em Publicidade.

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Links do dia

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

O site que bloqueou o Google: a visão de Rodrigo Ghedin sobre o mercado editorial e a IA, Não é Agência. Entrevista comigo em que falo de SEO, Google, IA e jornalismo digital.

Seu Roku tem menus e telas secretas — veja como acessá-los (em inglês), ZDNet. Nada muito útil, mas não deixa de ser interessante.

O novo app de câmera da Adobe está me fazendo repensar a fotografia com celulares (em inglês), The Verge. O app, chamado Indigo, vai na contramão das fotos super processadas dos celulares modernos. Por ora, apenas para iOS.

Prettier Email Headers. Cole um e-mail “bruto” e veja os cabeçalhos numa formatação bonitona. Usa inteligência artificial, segundo os desenvolvedores (em inglês).

Pathfinder. Este site exibe conexões entre dois assuntos. (Dica: arraste um sobre o outro e veja o que acontece.)

Robôs de IA estão inundando chamadas no Zoom à medida que funcionários humanos ignoram reuniões

O Washington Post reporta o incômodo que profissionais do colarinho branco estão tendo com a presença cada vez maior de robôs de IA tomadores de notas em videochamadas. Há casos em que há mais robôs que seres humanos nas reuniões.

Este talvez seja um resultado positivo da adoção caótica de inteligência artificial nas empresas. Quando todo mundo estiver mandando robôs para videochamadas e lendo resumos em texto das mesmas, talvez esse pessoal finalmente se dê conta de que todas aquelas reuniões poderiam, de fato, terem sido e-mails.

Links do dia

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Alterações ao preenchimento automático do Microsoft Authenticator. Eu nem sabia que esse app salvava senhas. Se essa notícia te afeta, leia com atenção esse documento de ajuda da Microsoft — o cronograma e o destino das suas senhas são meio complicados.

Visitas a sites originadas no ChatGPT estão crescendo, mas não o suficiente para compensar a queda em buscadores (em inglês), TechCrunch. Entre maio de 2024 e maio de 2025, o volume de pesquisas no Google sem acesso a sites externos (“zero click”) subiu de 56% para 69%.

Vídeos ao vivo no Substack: mais espertos, simples e fáceis de encontrar (em inglês). Lembra quando o Substack era uma plataforma de newsletters?

Nothing Headphone(1) (em inglês). Tem um desenho… diferente. Não sei se gosto ou não. Sai lá fora no dia 15/7, por US$ 299.

Anti-Subscription Catalogue (em inglês). Mais de cem softwares livres, gratuitos e/ou oferecidos em compra única, divididos em 16 categorias.

Carros bonitinhos 🚗⭐ (em inglês). Parece um site dos anos 1990, mas foi feito por agora, como se nota por alguns modelos de carros modernos.

Como as tecnologias de conexão nos separam

O subtítulo de Superbloom, livro mais recente do escritor estadunidense Nicholas Carr, pode surpreender quem nunca parou para questionar ou mesmo observar os meios de comunicação: “Como as tecnologias de conexão nos separam.”

Soa contraditório, não? Sim, mas faz sentido. Com o texto delicioso que lhe é característico — e que, vez ou outra, nos é oferecido em sua newsletter —, Carr repassa a história das tecnologias de comunicação sob uma nova perspectiva, uma em que, por causa do desenvolvimento focado em eliminar atritos e acelerar a velocidade da informação, deteriora o corpo social.

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Links do dia

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BC informa ataque hacker contra C&M Software, que interliga bancos aos seus sistemas e ao Pix, G1. Até as 15h40 desta quarta (2), não havia informação oficial do valor do prejuízo. Por aí, fala-se em até R$ 1 bilhão…

Campanhas centralizadas, suporte da IA e mais para empresas no WhatsApp (em inglês) / WhatsApp Calling é liberado para todas as empresas, Mobile Time.

Novos manuais do LibreOffice 25.2 (em inglês). Esse tipo de coisa me remete a apostilas, cartilhas e manuais que se esperava de softwares nos anos 1990–2000. De certa forma, combina com o visual… “clássico”, digamos assim, do LibreOffice. (Pena que os materiais em português estejam desatualizados.)

Glass3D generator. Um gerador de “fundo de vidro” em CSS, quaaaase igual ao Liquid Glass da Apple.

Bubbles! Um joguinho no navegador para estourar bolhas. Parece fácil, não?

The Thiings Collection. Uma coleção de… coisas, em belas ilustrações e com informações específicas. Dá para baixar as imagens e criar sua própria coleção de… coisas.

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Apresentando o “pay per crawl”: permitindo que os proprietários de conteúdo cobrem robôs de IA pelo acesso (em inglês). A proposta da Cloudflare para criar um mercado de massa para conteúdo na web que alimenta IAs. Parece interessante! Inscrevi-me para o beta. (A Cloudflare publicou um punhado de materiais relacionados ao tema neste 1º de julho, chamado pela empresa de “Dia da Independência do Conteúdo”. Hm… ok.)

Tumblr suspende integração com o fediverso e migração para WordPress (em inglês), Mashable. Em outubro de 2023 a prometida integração com o fediverso (ActivityPub) já parecia abandonada. Agora veio a confirmação oficial.

Microsoft Teams ganha um feed de notícias (em inglês). Deve ter alguém na Microsoft responsável por imaginar novas formas de tornar a experiência do Teams ainda mais desgraçada.

Nada é pior que abrir uma página em branco…, @HadasWeiss@mastodon.social. Ou assim era. Acho que esse tipo de coisa é mais eficiente que qualquer propaganda anti-IA para diminuir o uso do Microsoft Word.

Os 100 melhores filmes do século XXI (em inglês), The New York Times. O legal desta lista, construída por votos de +500 artistas hollywoodianos, é que você pode marcar a quais filmes já assistiu e, no final, compartilhar um pôster com seu resultado. (Aqui deu 57/100.)

Kimono Kids. Saiu o novo livro da Paula Gomes, que este Manual já teve a honra de publicar.

Vexilo. Um site/jogo de identificar bandeiras do mundo todo. Dica do Ageu no Órbita.

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Microsoft revela ferramenta de diagnóstico de doenças com IA, Folha de S.Paulo. Os médicos humanos “não tiveram permissão para acessar livros didáticos ou consultar colegas no teste, o que poderia ter aumentado sua taxa de sucesso”. Se preferir, leia o comunicado original da Microsoft (em inglês).

Microsoft pressiona funcionários a usarem mais ferramentas internas de IA (em inglês), Business Insider. Por outro lado, este comunicado vazado pinta um cenário bem ruim às supostas vantagens da IA que a Microsoft está tentando empurrar às outras empresas. Se fossem tão boas, precisaria pressionar a galera a usá-las…?

Emissões do Google aumentam em 51% à medida que a demanda de eletricidade da IA atrapalha os esforços para se tornarem verdes (em inglês), The Guardian.

DEVONthink 4.0 “Copernicus” (em inglês). Nova grande versão, com suporte a LLMs (IA) e versionamento automático das notas. Somente para macOS.

Seis anos de Gemini (em inglês). O protocolo, no caso, não a IA do Google.

Novo Ensō, primeiro beta público (em inglês). Um editor de texto sem edição, que fez algum barulho na internet anos atrás.

zenta. “Mindfullness” sem sair do terminal.

Mascotes do fediverso em papel (em inglês). Imprima recorte, dobre e cole.

Fadiga de notificações, ou seria de jornalismo?

O Guardian pescou um dado interessante (dentre os muitos interessantes) da edição 2025 do Digital News Report, talvez a maior pesquisa sobre a imprensa do mundo, produzida anualmente pelo Instituto Reuters:

Análise do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo descobriu que 79% das pessoas pesquisadas sobre o assunto ao redor do mundo disseram que não recebem atualmente nenhum alerta [notificação] de notícias durante uma semana comum. Mais importante, 43% daquelas que não recebiam alertas disseram que os haviam desativado deliberadamente. Elas reclamaram de receber muitos alertas ou de não achá-los úteis, de acordo com a pesquisa, que abrangeu 28 países.

Houve uma época, ali por volta de 2014, em que as notificações do celular eram encaradas como “área VIP”, local de disputa pela atenção das pessoas, àquela altura já saturadas pelo volume de informações do digital.

Sem surpresa, a área de notificações também acabou saturada e descartada como mais um lixão digital. Suspeito que muita gente nem ligue para o que tem ali, acumulando dezenas, centenas de notificações não lidas, ignoradas.

O enfoque óbvio da pesquisa do Instituto Reuters, o jornalismo, me fez lembrar de um textinho ótimo do Ricardo Fiegenbaum, pesquisador do objETHOS, da UFSC. Um texto nada acadêmico (no melhor sentido), em que ele pensa alto o lugar do jornalismo hoje:

É nesse terreno minado, paradoxal, complexo e incerto que adentro quando penso o jornalismo. E cada questão que se apresenta neste cenário – lógicas, ideológicas, pragmáticas, tecnológicas, discursivas, etc. — leva-me sempre à pergunta fundamental: do que estamos falando quando falamos de jornalismo?

É uma boa pergunta.

Suspeito que a fadiga transcende as notificações e que boa parte do que se entende por “jornalismo”, hoje, escapa a uma das definições mais nobres do ofício, uma que o Ricardo menciona: atender às necessidades de informação das sociedades.

Do arquivo: em 2022, à luz da edição daquele ano do Digital News Report, me perguntava — ecoando Caetano — quem é que lê tanta notícia.

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Leia a tese do STF sobre a responsabilização das redes sociais, CartaCapital. Na quinta (26), o STF reconheceu a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet e definiu diretrizes que ampliam o chamado dever de cuidado das big techs na prevenção e na remoção de publicações que violem direitos fundamentais.

Meta vence Kadrey, treinamento de IA foi “fair use” — o que isso significa (em inglês), Pivot to AI. Outra derrota para autores de livros nos EUA.

Promessas de neutralidade de carbono das big techs estão cada vez mais fora da realidade, diz estudo, Uol.

Uber e Loggi anunciam serviço integrado para entregas nacionais. Por ora, em testes em Campinas (SP) e Curitiba (PR).

Disney+ sobe preços das assinaturas e também do Membro Extra, Guia Disney+ Brasil.

Um celular (que não é um celular) para te ajudar a parar de usar o celular (em inglês), Wired. Projeto sazonal de usar um objeto físico como paliativo para o vício em celular.

Wiki Radio. Sons aleatórios enviados à Wikimedia, em uma interface inspirada no TikTok.

Mondrian in Motion. Um gerador bonitão de gráficos que lembram o estilo do pintor holandês Piet Mondrian.

MMOndrian. Esta é uma versão “multijogador”.

Bemte.li. Felipe Moreno, da Casatrês, editora que publica os zines do Manual, está à frente desta iniciativa, com mais dois amigos, que quer ser uma plataforma brasileira de newsletters — ou “niusleters”, como eles escrevem. Ainda em construção.

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Creative Commons apresenta CC signals, um framework para um ecossistema aberto de IA (em inglês), TechCrunch. O Creative Commons quer repetir, na era da IA, o bom resultado do modelo de licenciamento que deu norte à “web 2.0”. Ainda é um trabalho incipiente.

O PNG voltou (em inglês), ProgramMax. Mais de 20 anos depois, saiu uma nova especificação do *.png.

Mais da metade dos créditos de carbono da Amazônia está “contaminada” pela mineração, InfoAmazonia. Os créditos, usados também por grandes empresas de tecnologia para compensar emissões, são gerados em áreas sobrepostas a concessões minerarias.

Testando a atualização beta dos AirPods 4 e a qualidade de gravação aprimorada para notas por voz (em inglês), MacStories. Ouça os exemplos. A melhoria na qualidade dos microfones dos AirPods (que sempre foi ruim) é notável.

A Rede Social 2 é confirmado com Aaron Sorkin dirigindo, Omelete. O que não falta é matéria-prima para esta sequência.

Proton: Cuide da sua caixa de entrada com a visualização de newsletters (em inglês). Um filtro cheio de opções para newsletters e e-mails transacionais. Mais útil que qualquer coisa com “IA” envolvendo e-mail…

Canta. Aplicativo de Android para remover pacotes/apps, até aqueles que, por padrão, não podem ser removidos. É tipo o Universal Android Debloater, só que dispensando o computador.

Figurinhas do Mastodon para Signal. Que bonitinhas! 🐘

Is it really FOSS? (em inglês). Um site que esmiuça projetos de software livre e informa se é FOSS mesmo ou não.

No-HTML Club (em inglês). Acho que não dá para ser mais ~minimalista que isto em um navegador web.

Você vai usar o Gemini no Android porque sim

O Google enviou um e-mail a donos de celulares Android avisando que o Gemini “poderá ajudá-lo a usar o Telefone, Mensagens, WhatsApp e Utilitários no seu celular, independentemente da Atividade nos apps do Gemini estar ativada ou desativada em sua conta”. A alteração está agendada para 7 de julho.

O aviso gerou confusão até em publicações especializadas em Android. — 9to5Google, Android Police, Android Authority. Mesmo depois dos esclarecimentos, incluindo um comunicado do próprio Google, a coisa toda segue… confusa.

Pelo que entendi, se a Atividade nos apps do Gemini estiver desativada, o Gemini continuará disponível e tendo acesso aos apps mencionados, incluindo o WhatsApp e telefone. A diferença é que as interações com a IA não ficarão registradas no histórico e serão armazenadas pelo Google por até 72 horas, com a garantia de que não serão usadas para treinar IAs nem revisadas por humanos.

(Em outras palavras, deixar o histórico ativado submete as interações ao treinamento da IA e a revisões por outros humanos.)

Quem não quiser mesmo o Gemini se intrometendo em ligações, mensagens, WhatsApp e configurações do sistema, precisa desativar as integrações com cada app dentro do aplicativo do Gemini. Que parece ser outra coisa, diferente da Atividade nos apps do Gemini. Presumo seja este app.

As referidas publicações especializadas, após atualizarem suas histórias para “desfazer a confusão”, concluíram que o saldo da mudança é positivo para a privacidade das pessoas. Não estou muito certo disso. Confusões desse tipo, que soam propositais e tentam escondem os botões “nucleares” (que desativam a função oferecida), costumam ser derrotas à privacidade. E nem entro no mérito se o Gemini fuçando nas minhas mensagens é algo bom ou ruim.

Ou talvez eu ainda não entendi direito.

Link relacionado (acho?): a extensa central de privacidade dos apps do Gemini.