Yo, Drop e Ping lutam pela área VIP do seu smartphone: as notificações

Nunca cogitei criar um app do Manual do Usuário ou de qualquer outro blog. A web, acessada pelo navegador móvel, é suficiente para tudo. Ou quase tudo. Apenas um recurso a que apps têm acesso eu sinto falta: notificação.

O fluxo de posts daqui é tranquilo. Quando muito, publico três, quatro num dia. Alguns blogs, menos ainda. Seria legal poder avisar ao leitor mais interessado quando um post vai ao ar, na mesma hora, direto na parte mais privilegiada de um dispositivo móvel.

E… bem, o Yo, por mais risível que fosse a sua proposta inicial, supre essa lacuna — e o melhor, sem que eu precise me preocupar em desenvolver um app e atuar na sua manutenção. Ele parecia uma piada, mas alguns viram ali potencial. Em atualização posterior, o Yo ganhou a capacidade de carregar links junto ao característico “yo!” Aproveitei-me disso para subir o desejado sistema de notificação de posts em tempo real.

Se você quiser receber os posts do Manual do Usuário na hora em que são publicados, basta mandar um Yo para “manualdousuario” (sem aspas). Funciona e, hoje, 38 leitores já estão cadastrados nesse sistema.

Levando o Yo a sério

O logo do Yo é tão simples quanto o app.
Imagem: Yo.

Christopher Mims, no Wall Street Journal, disse que o Yo pode ser maior que o Twitter:

Eis por que o Yo é importante: ele oferece a qualquer pessoa, negócio ou serviço web acesso direto à área de notificações do seu smartphone. Toda vez que verificamos nossos smartphones, são esses os alertas que vemos na tela de bloqueio e eles também interrompem qualquer coisa que estejamos fazendo. Os alertas, ou notificações push, são a propriedade mais valiosa em todo o universo da mídia, considerando a frequência com que um típico dono de smartphone encara seu aparelho.

Sim, existe um punhado de outros apps que também têm acesso às notificações. Até mesmo mensagens de texto, um mecanismo que precede os smartphones e é bem acessível. Eu poderia desenvolver um mecanismo que enviasse, por SMS, os novos posts do blog, por exemplo. Só que um framework como o Yo oferece algumas vantagens:

  1. É mais fácil de configurar e manter.
  2. Não gera gastos — SMS ainda é pago e isso é um entrave a muita gente.
  3. Não pede qualquer informação do usuário — SMS exigiria eu saber, no mínimo, o seu número.

O Yo, ou qualquer outro sistema similar, tem para a área de notificações a mesma importância que o PayPal tem para seu cartão de crédito: é uma blindagem para informações privadas. O Yo, especificamente, traz várias limitações que podem impedi-lo de se tornar um padrão. Mais gente percebeu isso e espera, com produtos superiores, entrar forte nessa briga pela área VIP dos smartphones, as notificações.

O ataque dos clones melhorados

Quando Flappy Bird estourou, as lojas de apps foram inundadas com variações e clones descarados do joguinho de Dong Nguyen. O objetivo desses plagiadores era fazer uma grana rápida e fácil pegando carona no sucesso inesperado de um jogo simples e fácil de copiar.

O Yo ganhou clones também, mas aqui a motivação é outra. Eles querem desenvolver a ideia rascunhada pelo original. A simplicidade somada à cobertura intensiva (e jocosa) da mídia colocaram o Yo em uma situação delicada: pouca gente o leva a sério. Ele virou uma piada e parece difícil, a essa altura, acabar com o estigma de que é só um “app para mandar yo”. É mais ou menos o dilema que o Foursquare lidou por anos. A função dele não era fazer check-in, era recomendar lugares legais, mas poucos entendiam isso.

Canal +THEVERGE no Drop.
Imagem: Drop.

Então, na esteira do Yo, esses clones tentam se apresentar como a solução de fato para acessar a área de notificações dos smartphones. Dois chamam a atenção.

O Ping é dos mesmos criadores do Secret, embora não tenha relação alguma com esse. Criado em uma hackathon, ele preza pela simplicidade e ainda não oferece a criação de canais pelo público, apenas nos pré-instalados nele próprio.

Outro é o Drop. Esse já nasceu com suporte a canais criados por usuários, consegue carregar texto e link nas notificações, conta com uma seleção respeitável deles e tem uma API aberta. No ProductHunt, uma espécie de vitrine para startups promissoras, se destacou.

Em comum, os dois dispensam qualquer tipo de cadastro e apelam para interfaces simples. No uso, depois de tudo configurado e os canais escolhidos, eles nem precisam de interface, já que toda a interação se dá na tela de notificações.

Yo, Drop, Ping… Não sei qual se estabelecerá como o canal de acesso padrão à área de notificações, mas me parece plausível acreditar que isso é importante.

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7 comentários

  1. Pingback: cat 4 brother
  2. Seria o caso de experimentarmos algo diferente em relação a “entrega” de informações de blogs e sites de notícias? Existem notícias que precisam de tempo para serem apuradas e processadas/refletidas (matérias/artigos). Já outras são mais pontuais e rápidas, ainda que acontecimentos possam gerar reflexões eles podem possuir valor quando entregues “na hora”. Queremos estar informados, por dentro e/ou até reagir a tempo quando algo gera uma possível “corrida”. Enquanto todas essas “notícias” podem “ir” para um “RSS reader”, as notícias do segundo tipo poderiam ir como notificação. A curadoria desses últimos seria algo muito delicado. Talvez fosse melhor se baseado em tags (#ios, #android, #desconto, etc). Em tempo, parece que o fantástico Pushbullet acrescentou funcionalidades de notificação baseada em canal também.

    1. Utilizo o Pushbullet com o IFTTT para diferenciar esse tipo de conteúdo (notícia-feed e notícia “instantânea”). Sei que o IFTTT tem um aplicativo, mas o espelhamento de notificações do pushbullet para outros dispositivos é um dealbreaker pra mim.

      Contudo, com essa recente adição de canais ao PushBullet, que permite a criação de canais personalizados, além de já possuir alguns pré-configurados, vou pesquisar se há possibilidade de eliminar o intermediário (IFTTT).

  3. Ainda prefiro o velho e bom RSS, apesar de estar entrando em extinção indevidamente. Nada melhor que chegar em casa e abrir o Feedly.

  4. Bom, alguns sites de poucas publicações, como o seu, o ztop, e um sobre walking dead aparecem no meu google now

    1. E nesse caso, o dono do blog nem precisa se preocupar em configurar nada nem os usuários precisam se cadastrar em algum app.
      O Google Now sabe que tu está interessado no site e manda essas notificações. Realmente interessante.

      1. Isso é bem legal mesmo, mas tem dois problemas:

        1) O Google Now não dá controle ao usuário para acrescentar sites. A menos que esteja deixando escapar alguma coisa, só consigo tirar blogs de lá, mas acrescentar, não. A única forma de inclui-los é visitando reiteradamente e contar com a sorte — os critérios, se é que existe algum além do histórico da web, são obscuros.

        2) Não rola notificação por padrão. Acessar o conteúdo não é o caso de uso que o Yo e os outros apps querem consertar. O objetivo é colocar esse conteúdo na frente, sem depender de qualquer ação do usuário. No Google Now eu preciso chamá-lo, arrastando o botão home para cima, para ver os posts mais recentes. Ah, e também não é em tempo real.

        Acrescenta, claro, mas não substitui.

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