Swarm, novo app do Foursquare, troca gamificação por mais encontros reais com seus amigos

Swarm, novo app do Foursquare.

No começo do mês o Foursquare prometeu algo ousado: dividir seu app em dois. O original seria destinado a recomendar locais e dar dicas de estabelecimentos, uma parte que bem depois do lançamento do app se tornou prioridade para os desenvolvedores. Outro, inédito, receberia o que tornou o Foursquare conhecido, os check-ins e encontros com amigos. Ontem o Swarm, nome desse novo app, foi lançado, e outra divisão pode ser observada — desta vez, na recepção do público.

O Swarm está disponível para Android e iPhone, e é um trabalho bem feito, como tudo que tem saído do Foursquare nos últimos anos. Rápido, bonito, bem resolvido, ele pega todo o sistema de interação em tempo real do antigo e faz uma espécie de otimização seguindo dois princípios: 1) diminuir a fricção no uso do app; e 2) propiciar mais encontros em carne e osso entre seus usuários.

O e-mail de boas vindas do Swarm resume bem o que o que dá para fazer com o app. São três ações:

  • Quer se encontrar com amigos? Abra o app e veja quem está por perto.
  • Quer compartilhar o que está fazendo? O check-in nunca foi tão rápido e divertido.
  • Teve uma ideia de algo legal para fazer? Mande uma mensagem rapidamente para todos os seus amigos próximos.

Basicamente, é isso. Vejamos agora, pois, os pormenores dessa experiência e, principalmente, do que ficou de fora dela.

Adeus, check-in

Seus amigos aparecem de acordo com a localização no Swarm.
Tela inicial.

A interface do Swarm se divide em quatro áreas. Na primeira, os amigos são listados de acordo com sua posição em relação ao smartphone. Há quatro raios, que vão de 150 metros até “a uma distância muito grande”, gente de outras cidades. De cara o Swarm dá uma visão geral de onde seus amigos estão, mesmo que eles não tenham feito check-in.

Nesse contexto, o check-in como conhecíamos no Foursquare se tornou secundário e, em certa medida, desnecessário. O app tem a tecnologia e os smartphones modernos, os recursos para que a localização dos usuários seja “adivinhada” com precisão. Na prática, não é preciso sequer tirar o smartphone do bolso para que seus amigos saibam onde você está; o app sabe e se atualiza, ininterruptamente, em tempo real. Ao The Verge, o CEO Dennis Crowley foi direto:

“Veja bem, a razão da empresa, essa coisa toda, nunca foi construir um botão de check-in incrível.”

O check-in é apenas mais um sinal entre os vários que formam e explicam a base de estabelecimentos (ou venues) do Foursquare. Na época, foi necessário ante a rudimentaridade dos smartphones e APIs dos sistemas móveis.

Nada impede que você toque no botão de check-in e faça-o manualmente no Swarm, como era no antigo Foursquare. Ele continua existindo e é uma boa para quando se deseja informar exatamente o local da festa.

Mas não precisa, de verdade.

Soa invasiva essa estratégia, mas calma. Um dos problemas do Foursquare é, paradoxalmente, uma das suas vantagens: há pouca gente usando o serviço. No Brasil, a estratégia da TIM com o TIM Beta deu uma força, ainda que a maior parte do povo que se cadastrou no Foursquare para ganhar pontos (ou seja lá o que se ganhava naquilo) não use o serviço regularmente e, pior, saia adicionando desconhecidos num ritmo alucinado e sem qualquer critério.

Como ativar e desativar o compartilhamento.
Este GIF ilustra bem.

De qualquer forma, essa restrição permite que se crie uma lista de amigos mais íntimos. Recusar um convite ou dar unfriend são atos menos solenes aqui, e nessa o perigo de ir a um bar e aquele cara que fazia bullying contigo na escola e te adicionou ano passado no Facebook aparecer do nada, diminui bastante. Lidar com essa multiplicidade de gente é um dos grandes desafios do Facebook que, aliás, recentemente liberou uma função parecida com o Swarm.

Além dessa vantagem (discutível, mas vá lá, ainda é uma vantagem), existe uma “chave geral” na barra do topo, o compartilhamento do bairro. Arrastando-a para a direita, ela fica laranja (ativada) ou cinza. É esse interruptor que denuncia sua posição. Se você estiver em um jantar a dois e não quiser ser importunado pelo seu amigo Stifler, basta desativar o Swarm e sua carinha sumirá do radar. Simples e eficiente.

Chamando os amigos para o rolê pelo Swarm

Das outras três áreas, duas são conhecidas: notificações e um listão em ordem cronológica inversa dos check-ins dos seus amigos. A terceira, chamada Planos pela vizinhança, é nova. E promissora.

Os planos do Swarm permitem organizar encontros rapidamente.
O plano de John.

Ainda bastante precária, ela permite chamar a galera para fazer alguma coisa. É como um evento no Facebook, só que descomplicado. Na verdade, descomplicado demais: a brincadeira consiste em deixar uma frase explicando o que e onde será o encontro. Isso dá margem para usos inusitados, do tipo “vou comprar sapato na loja ‘X’, alguém me ajuda?”, ou triviais, como “vamos no bar?”. Quem topar, clica em um botão confirmando o interesse e pode deixar um comentário. Tudo bem “aberto”, como se fosse uma obra de arte na visão do Umberto Eco.

O Swarm ainda é “8 ou 80” nessa questão das amizades. Não dá para criar um plano e segmentar os convidados, todo mundo fica sabendo de tudo. E… bem, a gente sabe que na vida não é assim, que temos diversos círculos de amizades e que sermos o laço que os une não significa que todo mundo se dará bem com todo mundo.

Modificar esse comportamento acrescentaria camadas extras de complexidade, e no momento isso parece ir contra os anseios do Foursquare, em especial contra o intuito de diminuir a fricção no uso do serviço. Talvez mude no futuro, mas só vislumbro essa movimentação se o Swarm cair no gosto do público mais mainstream. Será só assim, também, que a função de planos terá alguma utilidade. No papel, pelo menos, reforço: ela é bem promissora.

Cadê minhas medalhas? E minhas prefeituras?

Não é de hoje que o Foursquare busca se desvencilhar do check-in e, modo geral, do aspecto de gamificação. Aspecto que, para alguns, é a melhor parte da brincadeira. Medalhas, pontos, competição, prefeituras incentivam o uso do app nesse meio.

Tudo isso sumiu no Swarm*. A digestão dessa novidade depende de como você encara o Foursquare. Para mim, não faz muita falta; para Rafael Silva, 26 anos, colunista de tecnologia da Oi FM, sim:

“Eu não curti muito não [o fim da gamificação]. Queria mais badges e continuar no ranking de pontos e tal. Isso me motivava mais a dar check-in, ter uma disputa com meus amigos para ver quem ficava no topo. Agora não tem mais, perdeu parte da graça pra mim.”

* As prefeituras, na verdade, continuam existindo. A diferença é que agora elas não são centralizadas e cada círculo de amigos terá uma. Explicações mais detalhadas aqui.

Conversei com o Rafa, usuário bastante ativo do Foursquare há um bom tempo, sobre o novo app Swarm. Além da insatisfação com o fim dos badges e prefeituras, ele também citou o comportamento estranho do Foursquare, atualizado um dia antes para “receber” o Swarm. Ainda se faz check-in por lá, mas sua sua interface foi bastante simplificada. Pelas declarações dadas ao The Verge, é uma situação temporária enquanto o reformulado Foursquare, com foco em recomendações e dicas, não chega.

Ainda dá para fazer check-in e mencionar amigos no Swarm.
Check-in tradicional.

Meia década depois do seu laçamento, o conceito do check-in não vingou. Pior: passou de necessidade a um estorvo. Ele só é popular entre o pessoal da tecnologia e comunicação. Junto ao público menos aberto à premissa do app, parte majoritária, é uma dinâmica que soa quase anormal. “Por que você fica falando pra todo mundo onde está?”, e “Nem chegou e já vai fazer check-in!?” são comentários que ouço com frequência. Dá para entender a cara de interrogação que as pessoas fazem.

Para ser popular e fazer dinheiro com isso, um app ou serviço precisa demonstrar valor e ter uma base generosa de usuários. Na estratégia do Foursquare, é mais fácil alcançar esse estágio com recomendações de locais e dicas do que com um joguinho simples e pouco estimulante. Qualquer um que já recorreu ao serviço para encontrar um restaurante maneiro em uma cidade estranha, ou até mesmo onde mora, sabe que essa parte funciona muito bem.

Sendo assim, por que não focar nela? Para conseguir esse foco era preciso tirar o botão de check-in do centro da experiência do Foursquare — ele intimida, respinga em toda a experiência de uso e acrescenta complexidade à toa. Rachar o app em dois foi, portanto, a saída eleita — e uma das mais espertas. Felipe Cepriano, 23 anos, analista de software na IBM, usa o Foursquare desde 2009, acumula mais de 2200 check-ins e também acha que a divisão em dois apps é uma boa:

“Por um lado eu acho meio chato, precisar de dois apps pra fazer algo
que antes ficava em um só. Mas não vejo muito como implementariam
recursos novos, como os Planos, sem poluir a interface do Foursquare.
Separando o lado social do lado “discovery”, fica mais fácil. E tem
muita gente que gosta de conhecer lugares mas fica intimidada pela
interface do Foursquare: Uma conta nova mostra só uma timeline vazia,
e pouco fala de lugares novos pra descobrir.”

O Swarm aproveita muito bem o poder dos smartphones modernos para brincar com ideias de context awareness: em vez de puxar o smartphone do bolso, ele chama a nossa atenção quando é conveniente ou necessário. É a premissa básica de sistemas super especializados, como relógios inteligentes, mas que se adequa bem em equipamentos mais mundanos, mais estabelecidos, como nossos smartphones.

Pena que, como quase tudo que é social na Internet, o bom proveito do Swarm dependa da adoção pelos nossos amigos. É nessas horas que a lamúria do Fabio, abaixo, se estende a todos que, pelo mesmo motivo ou outro, quase sempre vê bolas de feno rolando na tela de notificações do Foursquare/Swarm:

[Review] Lumia 1320, um Windows Phone enorme com crise de identidade

Blocos dinâmicos do Windows Phone no Lumia 1320.

Qual o limite físico para um smartphone? A resposta a essa questão, hoje, pode estar ultrapassada na próxima geração de celulares espertos. Afinal, quem imaginaria alguns anos atrás que aparelhos com telas de 6 polegadas seriam não só aceitáveis, mas desejáveis? De olho nessa demanda, a Nokia anunciou não um, mas dois modelos grandalhões: o topo de linha Lumia 1520, e o intermediário Lumia 1320, que agora passa pela análise do Manual do Usuário.

Se a tela chama a atenção, em outros aspectos tão importantes quanto o Lumia 1320 não salta à vista. Ele é o ápice de uma tendência recente e disseminada, a de colocar configurações medianas atrás de telas enormes numa tentativa de levar o conforto e prazer visual de modelos caríssimos, como os da linha Galaxy Note, da Samsung, a bolsos menos privilegiados.

Recentemente vimos aqui, por exemplo, o Xperia C, smartphone da Sony com tela de 5 polegadas e configurações que não convencem. Mas e nesse caso do Lumia 1320, no que a mistura resulta? O Windows Phone pesa a favor ou contra no uso diário? Essas e outras perguntas, respondidas abaixo.

Cara de high end, tamanho de gente (muito) grande

O tamanho do Lumia 1320 intimida.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A linha Lumia, da Nokia, vai de modelos simples e baratos até os super avançados, com tecnologias inovadoras, algumas inigualadas, e que cobram um preço alto por isso. Apesar da flexibilidade em preço e qualidade, uma coisa não muda: a identidade visual dos smartphones.

Seja um Lumia 520, seja um 1520, é fácil identificá-los como membros de uma mesma família. Apesar dessa uniformidade, existem algumas rupturas estéticas entre esses celulares irmãos. O Lumia 1320 combina mais com modelos que não foram grandes destaques da Nokia, casos do Lumia 820, ou Lumia 620. Os cantos arredondados e a câmera simples no corpo são os maiores indicativos de que não temos aqui um “garoto propaganda” da Nokia, muito menos um que brilhe em configurações.

A crítica acima não significa, em absoluto, que o Lumia 1320 é feio. Ele é um smartphone sem invencionices que deve agradar a um público maior do que outros mais arrojados, como o Lumia 1020 e seu calombo traseiro. São poucos botões, os tradicionais/obrigatórios do Windows Phone, dois conectores, um para os fones de ouvido em cima, outro para o cabo microUSB embaixo, e os três botões táteis frontais do sistema da Microsoft. As câmeras são discretas, bem como os microfones e saídas de áudio. É um aparelho que exala sobriedade, e talvez em excesso: ele chega a flertar com a falta de inspiração.

Bordas arredondadas do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora prefira os modelos mais ousados, é impossível reunir críticas consistentes ao design do Lumia 1320 com uma exceção inescapável: seu tamanho. E olha que a Nokia ainda tentou, com alguns artifícios ergonômicos, mitigar esse “problema”: vistos isoladamente, alguns atributos físicos parecem exagerados, mas colocados em contexto (afinal, estamos falando de 6 polegadas de tela), a espessura de 9,8mm e o peso de 220g não transforma o aparelho em um trambolho. Pelo contrário, ele parece mais fino e mais leve do que os números nos levam a pensar.

O problema é que não há mágica ou engenharia que consiga tornar as outras medidas espaciais, 164,2mm de altura e 85,9mm de largura, confortáveis. É impossível manejar o Lumia 1320 com apenas uma mão e colocá-lo no bolso é, para dizer o mínimo, desconfortável. Ações triviais, como sentar-se em uma cadeira, entrar no carro e até mesmo andar não podem ser feitas sem que aquele volume no bolso não se faça sentir. O Lumia 1320 te lembra sempre da sua presença, ininterruptamente, e essa atenção obsessiva não é exatamente um ponto positivo. É incômoda.

Tela grande, especificações nem tanto

As configurações do Lumia 1320 estão longe de serem ruins. No período de testes, ele não demonstrou lentidão, ou me fez esperar muito por qualquer comando – salvo o irritante “Retomando…” ao voltar em apps, mas aí é coisa do Windows Phone já que ainda está para nascer hardware capaz de evitar esses pequenos atrasos na multitarefa. Ele é, para todos os efeitos, tão rápido quanto outros modelos topo de linha que vieram antes, como os Lumias 920, 925 e 1020.

Lá dentro, temos um SoC Snapdragon S4 com processador dual core rodando a 1,7 GHz, combinado com 1 GB de RAM e apenas 8 GB de memória interna – com generosos 7,28 GB de espaço para o usuário, é verdade. Se o Lumia 1320 sobra em desempenho, em outros aspectos, começando pelo espaço para armazenar apps, jogos, fotos, músicas e outros arquivos do usuário, ele poderia ser melhor.

Nesse caso específico, existe um slot para cartão microSD (até 64 GB), acessível ao remover a tampa traseira. É suficiente para aliviar a falta de espaço, mas não é o ideal. (Embora a tampa seja removível, a bateria não é. Essa configuração, que vem aparecendo com frequência na indústria, permitem armazenar cartões, como o SD e o SIM card, sem comprometer a estética, além de permitir a troca de capas, um ponto de personalização que, aparentemente, as pessoas gostam bastante.)

Lumia 1320 suspenso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A tela do Lumia 1320 chama a atenção pelo tamanho – ainda são raros e, portanto, impressionantes smartphones enormes. Além de grande, a tela é bem boa: responde bem aos toques, os ângulos de visão são bem amplos, a fidelidade de cores, acertada. Ela também é brilhante e conta com algumas tecnologias de melhoramento da Nokia, como a ClearBlack, que dá um reforço nos pretos, algo importante por se tratar de um painel IPS e não AMOLED, que leva vantagem na reprodução dessa cor.

Tudo muito bonito, tudo muito bom, com uma exceção: a resolução. O Lumia 1320 tem resolução HD – 1280×720. É uma resolução alta. Já disse, em outras oportunidades, que ela pode ser suficiente, mas desde que outra medida, o tamanho físico da tela, não seja tão grande quanto 6 polegadas. Feitas as contas, ficamos com 245 pixels por polegada, uma densidade que, para uma tela desse porte, se faz notar de um jeito negativo.

Comparativo entre Lumia 920 e Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Vista sozinha, a tela do Lumia 1320 dá sinais de que faltaram pixels. Não que ela seja ilegível, ou ruim de modo geral, mas textos menores não são tão definidos quanto em telas mais densas, e ícones e textos pequenos mostram serrilhados com os quais não estamos acostumados há pelo menos dois anos em dispositivos de ponta. Se colocada ao lado de uma tela mais densa, como a do Lumia 920/925 (mesma resolução, mas com 4,5 polegadas), as deficiências de uma tela tão grande com uma resolução intermediária ficam mais evidentes.

Mais uma vez esse modelo revela que é, afinal, um intermediário – longe de ser ruim, mas cheio de características que não chegam ao que existe de melhor hoje no mercado. A resolução menor traz um efeito colateral positivo, a economia de energia. Ele meio que se anula ante a tela enorme (iluminá-la deve consumir muita bateria), mas é aí que o tamanho físico do Lumia 1320 traz o trunfo definitivo para uma longa autonomia: ele permite acomodar uma bateria enorme, com 3400 mAh. É uma carga altíssima, suficiente para ficar um dia e meio, até dois de uso intensivo longe da tomada. Raras são as baterias que chegam a esse patamar, nesse ritmo de uso. A do Lumia 1320 é uma dessas poucas e merece elogios portanto.

A câmera indiferente do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Fechando o rol de configurações, a câmera também não chama empolga. Tem 5 mega pixels e nada que lembre a qualidade dos Lumias com tecnologia PureView. Espere dela o mantra para câmeras em celulares que, nos últimos anos, apenas modelos topo de linha têm conseguido ultrapassar: quebra o galho com bastante luz, vai se tornando cada vez mais inútil na medida em que a escuridão aumenta.

Alguns exemplos:

Pudim ao ar livre: bom (nos dois sentidos).
Esta foto ficou tão boa quanto o pudim — cortesia do Sol.
Sem luz natural, a câmera do Lumia 1320 decepciona.
À noite, o ruído fica bem aparente e é mais difícil focar.
O Lumia 1320 não resiste ao teste da foto com luz artificial.
Crop em 100%. Repare como há bastante ruído e perda de definição.

Para ver essas e outras fotos em resolução máxima, visite esta página.

O Lumia 1320 é um smartphone a procura de público

Detalhe na tela do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde que liguei o Lumia 1320 pela primeira vez, venho tentando entender a quem ele se destina. Smartphones grandes costumam trazer configurações de ponta, o que não é o caso. Modelos intermediários têm telas mais mundanas, de apelo maior. Novamente, não é o caso. Talvez o público que coloca tela gigante como prioridade seja relevante o bastante para levar a Nokia a construir algo como o Lumia 1320, um smartphone que tem cara de high end, mas não passa perto de ser um.

Apesar dessa crise de identidade, o fator preço pode pesar favoravelmente e tornar o Lumia 1320 um sucesso comercial. Seu sugerido é de R$ 1.399, o que coloca em uma disputa ingrata com smartphones Android superiores, como Nexus 5, Moto X, G2 e Galaxy S4. Mas em promoção, o Lumia 1320 já rompeu a barreira dos R$ 1.000. Aí, nesse patamar, as coisas ficam mais interessantes: é um valor condizente com o que ele oferece e, de quebra, o consumidor interessado ainda leva uma telona para casa – para o bem e para o mal, ainda é um grande diferencial nessa faixa de peço.

Links para comprar o Lumia 1320.

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Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

O Google quer transformar a URL em um botão — e isso não é ruim

Comportamento com URLs do Chrome Canary 36.

Uma das bases da web é a URL, ou URI, aquele endereço precedido por um http://www. que identifica páginas e permite a mágica do hiperlink. Nesses 25 anos já declararam a morte da web, vimos alguns navegadores dominarem as estatísticas de uso ao redor do mundo e a interface deles mudar radicalmente, da prosaica do Mosaic à minimalista do Chrome, hoje ditadora de regras. Ainda em estágio de experimentação, a provável próxima mexida do Google na forma como navegamos tem inflamado alguns ânimos mais puristas: querem simplificar a URL.

A proposta surgiu no canal Canary do Chrome, uma versão anterior à Alpha, geralmente cheia de bugs e desaconselhada a qualquer um que não tenha interesse em caçar problemas e relatá-los ao Google. Nela, é possível ocultar a URL. Como? Digite chrome://flags/#origin-chip-in-omnibox na barra de endereços e habilite a opção “Ativar o chip de origem na omnibox”.

“Ocultar” talvez seja um termo errado; o que essa opção faz é transformar o domínio em um botão e sumir com o que vem depois do TLD.

O caminho até o fim da URL

Screenshot do Safari Mobile com um post do Manual do Usuário aberto.
Safari no iOS 7.

Entre o público técnico a novidade caiu como uma bomba. Um dos desenvolvedores do Google que trabalham nela, Paul Irish, escreveu em um tópico do Hacker News que é contra a mudança. “Minha opinião pessoal é de que essa é uma mudança muito ruim e que vai contra os ideais do Chrome”. Em blogs, fóruns e no Twitter, vimos reações similares.

Acabar com a URL é, de certa forma, acabar com a web. Seria loucura até mesmo propor algo assim, por isso é importante esclarecer que o novo comportamento experimental do Chrome não visa exatamente exterminar os endereços dos sites, mas sim ocultar o que sobra para além do domínio. Esse continua sendo exibido e, com um clique, revela a URL completa — vide a montagem que abre este post.

De certa forma, é mais uma etapa do processo de humanização da URL, processo esse que já vem ocorrendo há alguns anos. Primeiro, os principais navegadores ocultaram o protocolo: você não vê mais http://, salvo quando é uma página criptografada. Depois, o Opera passou a remover parâmetros; em vez de exibir manualdousuario.net/?s=celular em uma busca aqui, por exemplo, ele só vai até a barra. Entre idas e vindas, esse comportamento voltou agora como padrão no recém-lançado Opera 21. No iOS 7, o Safari Mobile passou a exibir apenas o domínio no campo de endereços após carregar a página. O próximo passo, pois, é levar esse comportamento para os desktops, eliminando parâmetros e reforçando o que importa ao usuário: o domínio.

Como meros mortais (não) lidam com a URL

Imagem clássica de menino surfando na Internet.
Imagem: DA INTERWEBZ.

Você deve ter entendido bem o início deste post, mas mostre-o a alguém menos ligado a tecnologia, que não acompanha o Manual do Usuário ou outro site do gênero. Pergunte se termos como URL, TLD, domínio e aquele endereço esquisito significam alguma coisa. É bem provável que não.

Desde que Chrome e Firefox mudaram as barras de endereço para que elas atuassem também como campo de busca, um comportamento que antes era motivo de risadas se estabeleceu: as pessoas usam o Google como intermediário para os sites que visitam regularmente.

Parece insanidade escrever “facebook” e clicar no primeiro resultado do Google. Racionalmente é difícil justificar, mas muita gente faz isso na prática. Quando não, digitam “face” e o autocompletar do navegador preenche o resto. É meio que consenso que pulamos de página em página e que cada uma tem um endereço único, mas mesmo quando são semânticos, como os do Manual do Usuário, é raro prestar atenção ao que elas dizem. Botões sociais e navegadores móveis diminuíram a necessidade de copiar e colar a URL na hora de compartilhá-la com os outros. De qualquer forma, para desenvolvedores, gente que produz conteúdo, todos aqueles a quem o acesso à URL é imprescindível, ela continua lá.

A proposta do Google meio que adapta a realidade ao navegador. Ela não altera o funcionamento da barra de endereços; ela continua igual à atual. O que muda é a apresentação. Afinal, o conceito de URLs, um dos mais antigos ainda vigentes na tecnologia de consumo, nunca foi muito amigável a despeito da sua importância vital, como colocou Allen Pike:

“Eu sei que as URLs são feias, difíceis de lembrar e um pesadelo para segurança.”

É óbvio que o Google quer, com isso, também incentivar ainda mais o uso do seu buscador, mas além de adequar seu software ao comportamento da maioria, há outros ganhos para os usuários na abordagem proposta. Ataques do tipo phishing que replicam páginas com URLs diferentes, por exemplo, sofreriam uma baixa considerável – menos gente inseriria dados em uma cópia do Itaú se, em vez de itau.com.br, aparecesse um endereço russo no botão de domínio do futuro Chrome.

Não se sabe ainda se essa mudança chegará ao canal estável do Chrome. Desde que foi lançado, o navegador do Google se destacou pelas mudanças drásticas e foi graças a elas que se estabeleceu, tirou a hegemonia do Internet Explorer e relegou o Firefox ao terceiro lugar na guerra dos navegadores.

Se acontecer de mudar, porém, não vejo motivos para desespero, protestos ou coisas do tipo. A tecnologia de consumo avança a passos largos e, normalmente, quem se apega muito a convenções fica para trás. Quem imaginaria, há dez anos, que a Microsoft seria coadjuvante no segmento de sistemas operacionais, que a Symantec desistiria dos antivírus e que o celular seria a plataforma número um de acesso à Internet entre os mais jovens? Tudo isso era passível de internação no manicômio. Mas aconteceu, e se tais guinadas nos ensinaram alguma coisa é de que dá para esperar qualquer coisa desse universo.

[Review] Xperia E1: um ano e recursos melhores fizeram bem ao smartphone básico da Sony

Review do Xperia E1.

A matemática nos smartphones de entrada é ingrata. Conciliar bom desempenho com preços baixos é um trabalho difícil e que raramente alcança o resultado desejado – vimos isso na prática com o teste de smartphones abaixo de R$ 500. Um deles, o Xperia E, amargou uma das últimas posições. Se o mesmo comparativo for feito com a safra 2014 de modelos baratos, porém, é bem provável que seu sucessor, o Xperia E1, se saia melhor. A Sony aprendeu a lição, melhorou pontos-chave no seu modelo mais simples e conseguiu chegar a um smartphone barato e bem honesto.

Além do preço, o marketing da Sony aposta muito em música para destacar o Xperia E1. Ele tem um alto-falante de 100 decibéis, os tratamentos de áudio de modelos superiores, como xLOUD e Clear Phase, e um botão físico no topo que abre o player de música Walkman mesmo quando o sistema está bloqueado.

Vídeo

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Do Xperia E para o Xperia E1, melhorias significativas

Cortina de notificações do Android no Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Era difícil encontrar pontos positivos no Xperia E, o antecessor do Xperia E1, lançado em 2013. A resolução da tela era baixíssima, o processador, fraco além do aceitável. Usá-lo, mesmo para as ações mais banais, era uma tarefa frequentemente irritante.

Nesse intervalo de um ano que separou as duas gerações do Android de entrada da Sony, a empresa tratou de sanar alguns dos pontos mais críticos. Eram muitos e, nessa, uma ou outra coisa evoluiu pouco ou permaneceu estagnada (casos da câmera e RAM, idênticas em ambos). As partes que mais fazem diferença no dia a dia, porém, receberam a atenção devida e o resultado disso é um smartphone que não chega a ser um deleite, mas que responde bem a maioria dos comandos do usuário.

Saiu o processador de um núcleo rodando a 1 GHz do Xperia E. Em seu lugar, temos um Snapdragon 200 com CPU dual core rodando a 1,2 GHz. Em conjunto com GPU, uma versão mais moderna da Adreno (302, contra a 200 do anterior), o processador principal dá conta de abrir apps, alternar entre eles e até rodar alguns jogos mais ou menos intensivos, como Subway Surfer, sem engasgos.

Se tivesse mais RAM, talvez o Xperia E1 entrasse naquela categoria de smartphones surpreendentes. Não é o caso, já que ele manteve os 512 MB da geração passada e, embora exista a promessa de atualização, saiu de fábrica com o Android 4.3 – a última versão, 4.4, alivia o uso de memória para permitir que smartphones com restrições nesse departamento rodem melhor. Não dá para prever como será seu comportamento após receber essa atualização, mas tomando por base o que ele já oferece, as expectativas são boas.

A falta de memória cobra seu preço, sem surpresa, onde ela é mais requisitada: navegação web e multitarefa. A câmera também sofre um pouco para abrir e se tornar usável; são alguns poucos segundos que podem ser demais para registrar um momento. Apesar desses problemas pontuais, no geral o desempenho do Xperia E1 é satisfatório para o que ele custa e em algumas situações, como ao digitar na tela sensível a toques, gera respostas melhores do que modelos superiores, como o Xperia C da própria Sony (esse, com um SoC MediaTek quad core de 1,2 GHz). Curiosamente, também em espaço interno o Xperia E1 fica na dianteira: ele traz os mesmos 4 GB de memória, mas disponibiliza 2 GB para o usuário, contra 1,2 GB no Xperia C.

O potente alto-falante do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outro ponto em que deixa o irmão mais velho citado acima para trás é a tela. É menor, sim, mas 4 polegadas é um tamanho legal. A resolução também é pouca coisa menor, 480×800; feitos os cálculos para determinar a densidade de pixels por polegada, o Xperia E1 se sai vitorioso com 233 contra 220 PPI. Nada que salte à vista, mas no fim a tela desse aqui é superior – por ser fisicamente menor, os pixels ficam mais unidos e menos distinguíveis.

É uma tela bacana. Não excepcional, mas longe de ser ruim. O que pode desapontar muita gente é aquele velho problema da linha Xperia com os ângulos de visão. O painel usado na construção da tela do Xperia E1 é de TFT, tecnologia que, nas mãos da Sony, gera ângulos bem limitados sob a pena da perda de contraste caso alguém decida encará-la de lado.

Por fim, a bateria. Ela cresceu um pouco, saindo dos 1530 para 1700 mAh. Na prática, dá para passar um dia de uso normal sem se preocupar com tomada, e sem recorrer ao modo Stamina, um comando nas configurações do sistema que desativa várias conexões e reduz a frequência do processador para economizar bateria. Em comparação ao parâmetro “um dia longe de casa” que uso nas análises subjetivas do Manual do Usuário, a bateria do Xperia E1 se mostrou um pouco acima da média.

Som na caixa!

Botão Walkman do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin

A menos que você esteja em casa sozinho ou com amigos que estão na mesma vibe, ouvir música no alto-falante do smartphone é, no mínimo, deselegante com as outras pessoas no recinto. É sempre bom ter isso em mente, mas com um Xperia E1, vale reforçar a mensagem: o áudio que sai da parte de trás do aparelho é alto, chega a 100 decibéis.

Player de áudio padrão nos smartphones da Sony.
Walkman.

Esse volume não é suficiente para animar uma festa, mas é capaz de se fazer ouvir. Com o xLOUD, uma tecnologia da Sony que dá um impulso nos graves das músicas, a sensação é de que o som é ainda mais alto. Fazer barulho é um dos chamarizes do Xperia E1, e algo tão incentivado que a Sony até incluiu um botão físico dedicado para abrir o player Walkman no topo do aparelho.

Não dá para discutir que o Xperia E1 toca música em uma altura considerável – praticamente a mesma do iPhone 5, cujo alto-falante é mesmo alto. Infelizmente, a qualidade não acompanha o volume mesmo em canções não muito elaboradas. Distorções são facilmente percebidas, há estouros recorrentes e na maioria das músicas ouvi-las em volume máximo é uma experiência desagradável.

A situação é análoga à recente onda de smartphones intermediários com tela gigante: não adianta nada trazer muitas polegadas se a resolução não acompanha. O que a princípio é uma vantagem acaba se tornando um estorvo, e as telas de Xperia E1 e Xperia C ilustram muito bem esse dilema. No áudio do Xperia E1, qual a vantagem de fazer barulho se não for com qualidade minimamente aceitável? Há quem goste, mas o apelo se perde totalmente entre aqueles que procuram um bom sistema de som móvel para curtir músicas, jogos e vídeos.

Acabamento – no hardware e no software

Botões físicos na lateral do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Existe uma corrente que vê nas 4 polegadas o ponto perfeito de equilíbrio entre tamanho de tela e ergonomia do smartphone. Mesmo sendo mais grosso, mais largo e mais baixo que os últimos iPhones, o Xperia E1 meio que reforça essa corrente: é um aparelho confortável de segurar e carregar no bolso, sem comprometer a área real que os apps têm para exibir seus conteúdos.

As bordas são destacadas, mas menos que em modelos superiores da linha Xperia. Na verdade, está dentro do aceitável. Ele poderia, isso sim, ser um pouco mais fino, embora o acabamento arredondado das laterais ajude a melhorar a empunhadura. Todo de plástico, o da tampa traseira e beiradas tem uma textura áspera que ajuda a dar firmeza, ainda que isso sacrifique a estética – parece um negócio mais barato do que é de fato.

O Xperia E1 pesa 120g, o que é pouco. Na mão, parece muito pouco. A sensação é de que está faltando alguma coisa, talvez a bateria, o que explicaria a leveza além do confortável. Dá para removê-la sem maiores problemas, bem como espetar um cartão microSD de até 32 GB retirada a tampa, mas esse peso é com ele ligado e, obviamente, a bateria lá dentro.

O desenho desse smartphone é bastante conservador, a disposição das teclas segue o padrão recente da Sony e não existem surpresas. A grade do alto-falante traseiro é destacada, ainda que o local de onde sai o som mesmo seja uma área retangular menor.

A única coisa que foge do lugar comum é a presença de não um, mas dois LEDs. O de notificações fica no topo superior esquerdo, é pequenino e discreto. Outro, na borda inferior frontal, é acionado quando algum app em tela cheia da Sony, como o Walkman e o visualizador de fotos, é aberto. Ele é bem mais legal, e é estranho a Sony não tê-lo adotado como LED principal. Talvez para economizar bateria?

Este LED não é o de notificações.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A abordagem pé no chão continua no software. A Xperia UI se faz presente mais uma vez e, como já disse em outras oportunidades aqui, apesar das falhas ela tem mais acertos do que erros.

Rolaram algumas adaptações para as limitações técnicas do Xperia E1, como a remoção dos apps flutuantes acessíveis a partir da tela de multitarefa, mas tudo o que se aplica levando em conta as restrições do hardware está disponível: os atalhos rápidos da cortina de notificações, os apps exclusivos para consumo/compra de conteúdo multimídia, temas, otimizações de áudio e (poucos) mini-apps da câmera.

A maturidade da Xperia UI chama a atenção. Ainda não usei um Android da Sony por períodos muito longos (leia-se qualquer tempo acima de dois meses); comparando essas mexidas com as de outras empresas nos prazos relativamente apertados que tenho para avaliar smartphones, as da Sony se sobressaem positivamente. Não supera o Android purista da linha Nexus e dos últimos aparelhos da Motorola, mas se for para modificar, que seja assim: com adições pouco intrusivas e realmente úteis no dia a dia.

Câmera

A câmera do Xperia E1 é a mesma do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não preciso me alongar muito nesse ponto porque, como dito lá em cima, a câmera do Xperia E1 é a mesma do modelo anterior. Ela segue com foco fixo, resolução de 3,15 mega pixels e filmagem em WVGA (800×600). E, como é de se esperar em smartphones de entrada, cheia de ruídos e com definição baixíssimas. É o tipo de câmera que serve para flagrantes da vida, mas que lá na frente você se arrependerá de ter usado em momentos importantes.

Não dá para contar com o Xperia E1 na hora de fazer fotos, nem mesmo se forem apenas para redes sociais. A qualidade das imagens é baixa e nem uma pós-produção caprichada consegue amenizar as fraquezas dessa câmera. Como quase sempre imagens falam mais que palavras, e esse é um dos casos, alguns exemplos feitos com o Xperia E1 (no vídeo review, lá em cima, tem uma tomada em vídeo):

Falta definição.
A falta de definição é gritante nesta foto.
Exemplo de foto feita com o Xperia E1.
Cores um tanto lavadas.

Aqui tem uma galeria com essas e outras fotos em resolução natural.

Simples, honesto, direto

Xperia E1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Xperia E1 começou a ser vendido no Brasil em abril. Ele está disponível em três cores (preto, branco e roxo), e em três versões: uma simples, com apenas um SIM card; outra, a testada aqui no Manual do Usuário, com suporte a dois SIM cards; e uma terceira, com dois SIM cards e receptor para TV digital. Preços? R$ 449, R$ 549 e R$ 599, respectivamente.

Pelo que cobra e pelo que entrega, é um aparelho bem bom. Geralmente, a faixa abaixo dos R$ 500 é tomada por modelos que, se não decepcionam como um todo, sempre trazem um ou outro aspecto que beira o inaceitável. Com o Xperia E1, isso não rola. Poderia ter mais RAM, e a câmera poderia ser melhor, mas de qualquer forma ele supera as expectativas. Para quem está em busca de um smartphone quebra-galho barato ou quer ter um Android que não dê nos nervos, é uma boa recomendação.

Compre o Xperia E1.

Compre o Xperia E1

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (abril/2014)

Close no Nexus 5.

Sai mês, entra mês, as listas de melhores apps para Android, iOS e Windows Phone do Manual do Usuário continuam aparecendo. A intenção, como sempre reforço, é priorizar apenas apps que realmente importam, seja pelo fator novidade, seja pela utilidade.

Os apps estão listados em ordem alfabética, com os três sistemas misturados e, quando multiplataforma, links para todas as versões.


Boxcryptor

Ícone do Boxcryptor.Para Windows Phone, Android, iPhone.
O que é? App que criptografa arquivos antes de enviá-los a serviços de armazenamento na nuvem.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Windows Phone, Android, iPhone.

Box, Microsoft, Dropbox e Google garantem a privacidade dos arquivos salvos em suas nuvens, mas até que ponto dá para confiar nessas empresas? E quem garante que não haverá uma falha, uma brecha que acabe liberando dados dos usuários, inclusive os mais sensíveis? O Boxcryptor atua sobre essa incerteza: esse app criptografa seus arquivos antes de enviá-los para a nuvem.

Ele está disponível em várias plataformas e, em abril, chegou ao Windows Phone também. Existe um bug no download de arquivos com nomes especiais, cortesia da API do Box, mas no geral ele funciona a contento. Para quem quer segurança máxima da maneira mais prática, é uma boa pedida.

Screenshots do Boxcryptor.
Imagens do Boxcryptor.

Breeze

Ícone do Breeze.Para iPhone 5s.
O que é? App que conta os passos dados durante um dia.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Dos mesmos criadores do RunKeeper, o Breeze é exclusivo para o iPhone 5s por depender do M7, o chip dedicado a registrar os movimentos do usuário, presente nessa versão do smartphone da Apple.

O app faz a mesma coisa que aquelas pulseiras de exercícios (Fitbit, Jawbone Up, Nike Fuelband), mas sem precisar de nada extra — basta baixar o app, que é gratuito, e começar a andar. Ele incentiva bastante, talvez até demais já que vários reviews da App Store reclamam do excesso de notificações. Se você for do tipo que precisa de alguém enchendo o saco para se levantar e fazer exercícios, talvez isso seja um fator positivo.


Câmera do Google

Ícone da Câmera do Google.Para Android.
O que é? App de câmera nativo do Google.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Em mais passo no processo de desmembramento do Android, o Google reformulou o app de câmera nativo e o jogo no Google Play.

A interface ficou mais “flat” e mais acessível que na versão anterior. Agora, enfim, o viewfinder aparece na mesma proporção das fotos em si, permitindo enquadramentos precisos. De novidade mesmo, o Efeito foco, que embaça um dos planos da imagem depois que a foto é feita, via processamento de software. Os resultados, como demonstrei aqui, não são sempre fantásticos, mas quando dá certo, é bem incrível.

Screenshots da Câmera do Google.
Imagens da Câmera do Google.

Carousel

Ícone do Carousel.Para Android, iPhone.
O que é? Gerenciador de fotos armazenadas no Dropbox.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone.

O novo app do Dropbox é todo sobre fotos: ele faz o upload automático de imagens, recurso já bastante conhecido do app original, e exibe as fotos salvas no serviço em uma linha do tempo bem ligeira.

A apresentação é bonita, o app é muito rápido e toda a interface é baseada em gestos. É meio confuso entender o processo de exclusão de fotos (primeiro, você esconde as imagens, depois, as apaga nas configurações), mas fora isso é um belo app para gerenciar fotos, e uma boa pedida para botar ordem nos anos de fotografia digital bagunçados no seu HD — o único problema é subir esse monte de arquivos para o Dropbox.


Chrome Remote Desktop

Ícone do Chrome Remote Desktop.Para Android.
O que é? Permite controlar o computador remotamente via smartphone ou tablet.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Instale uma extensão no Chrome do computador (Windows ou OS X), este app no seu smartphone ou tablet Android e, após inserir o PIN corretamente, você poderá usar o PC através dos dispositivos móveis. Este app é a versão móvel de um recurso que o Google lançou há algum tempo entre computadores. Agora, na palma da mão, ele se mostra ainda mais útil.

A solução do Google não tem muitos recursos avançados, como transferência de arquivos, nem tutoriais explicando coisas que, embora pareçam básicas, dependem de alguma prática, como clicar. Mas o desempenho é satisfatório e deve quebrar o galho de quem esqueceu alguma informação no PC ou precisa executar ações remotamente.

Screenshots do Chrome Remote Desktop.
Imagens do Chrome Remote Desktop.

Fenix for Twitter

Ícone do Fenix for Twitter.Para Android.
O que é? Cliente para Twitter que respeita as diretrizes de design do sistema.
Preço? ~R$ 6,15
DOWNLOAD

O Android ainda não tem um cliente definitivo para Twitter, como é o Tweetbot no iOS, mas concorrentes promissores têm aparecido na plataforma. O Fenix é o último desses: com um visual simples e limpo, ele respeita as diretrizes visuais do Google para o Android, conta com layout especial para tablets e é aberto a muita personalização.

Além dos recursos básicos do Twitter, alguns extras, como silenciar usuários, palavras-chaves ou hashtags, estão presentes. Dá, também, para alterar o tema do app — são três opções: claro, escuro e totalmente preto. Apesar de novo, sobram elogios ao Fenix; mesmo pago ele merece uma olhada mais atenta por aqueles que usam bastante o Twitter ou não suportam o cliente oficial.

Screenshots do Fenix for Twitter.
Imagens do Fenix for Twitter.

Frontback

Ícone do Frontback.Para Android, iPhone.
O que é? App que tira fotos simultaneamente com selfies, usando as duas câmeras.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone

Selfies estão na moda, e o Frontback se aproveita disso para estender um pouco o conceito: com este app você tira duas fotos ao mesmo tempo, com as câmeras frontal e traseira, colando ambas em uma só. O Frontback saiu ano passado para iPhone e, agora, chega ao Android.

O app permite compartilhar as fotos feitas em outras redes sociais e foi bem adaptado ao Android — nada de reutilizar elementos do iOS. É um app com uma finalidade bem específica, mas que pode ser divertido dependendo do contexto.

Screenshots do Frontback.
Imagens do Frontback.

Google Docs e Google Sheets

Ícones do Google Docs e Google Sheets.Para Android, iPhone, iPad.
O que é? Apps para edição de textos e planilhas eletrônicas.
Preço? Gratuita.
DOWNLOAD Google Docs (Android, iPhone/iPad), Google Sheets (Android, iPhone/iPad)

Já era possível criar e editar documentos de texto e planilhas eletrônicas no Google Drive, sem falar no QuickOffice, que o Google comprou há alguns meses e liberou gratuitamente. Nada disso impediu a liberação de apps dedicados para essas funções, o Google Docs e Google Sheets (ou Documentos Google e Planilhas Google, como ficou a tradução no Brasil).

Os apps não trazem nada novo e, pelos últimos acontecimentos, parecem mais uma resposta à chegada do Office da Microsoft ao iPad. É uma questão puramente de percepção, já que, como dito, o Drive já fazia essas funções de forma praticamente idêntica à dos novos apps. Para quem usa e prefere só uma das aplicações, sem toda a estrutura do Drive, pode ser uma boa pedida.

Screenshots do Google Docs e Google Sheets.
Imagens do Google Docs e Google Sheets.

IFTTT

Ícone do IFTTT.Para Android e iPhone.
O que é? App de receitas para automatizar ações na Internet.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone.

O IFTTT leva um dos conectores lógicos mais legais, o “se isto então isto”, para as massas. Com ele, dá para programar ações condicionais, executadas quando um evento pré-determinado (o primeiro “isto”) ocorre. Exemplo simples? Mande um e-mail de aviso se for chover amanhã.

O app para Android chega algum tempo depois da versão para iPhone, mas com mais coisas graças à natureza menos fechada do sistema do Google. Tanto que, por ocasião da estreia do app, o IFTTT estreou seis novos canais exclusivos para Android. Dá para, por exemplo, manter o wallpaper do seu smartphone ou tablet atualizado com a última foto publicada no Instagram. As possibilidades são incontáveis, e o app é muito bem feito.

Screenshots do IFTTT.
Imagens do IFTTT.

Lingua.ly

Ícone do Lingua.ly.Para Android.
O que é? App de auxílio para aprender palavras em outro idioma.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Apps e sites para aprender novos idiomas existem aos montes, mas sempre há espaço para novas abordagens. O Lingua.ly, exclusivo para Android, com versão para iPhone prometida, traz uma dessas.

Aqui, você não tem lições ou programas pré-estabelecidos. A premissa do app é fornecer ferramentas para que os usuários criem seus próprios vocabulários, colhendo palavras de outros locais e da web — existe uma versão para o navegador e extensões de navegadores para fazer a ponte com o app móvel. Ao coletar uma palavra, você pode ver seu significado, associar imagens a ela, escrever frases para lembrar o contexto e ler artigos reais que trazem a palavra em questão.


Mailbox

Ícone do Mailbox.Para Android, iPhone, iPad.
O que é? Cliente de e-mail com foco em produtividade.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone e iPad

Outro ex-exclusivo do iOS, o Mailbox é um cliente de e-mail que ajuda os usuários a chegarem à mítica inbox zero. Como? Com um leque de ações para dar cabo das mensagens tão logo elas cheguem — se não respondendo/apagando/arquivando, adiando a mensagem para um momento posterior –, tudo por gestos simples e rápidos.

Apesar de alguns detalhes que lembram muito a versão para iOS, essa primeira versão é bem competente, e traz novidades, como um mecanismo que aprende seus padrões de uso para automatizar algumas coisas. Além de gratuito, ao instalá-lo você ganha 1 GB de espaço no Dropbox.

Screenshots do Mailbox.
Imagens do Mailbox.

Movie Moments

Ícone do Vídeo Moments.Para Windows Phone 8.1, Windows.
O que é? Editor de vídeos simples, com suporte a frases e música de fundo.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Windows Phone 8.1, Windows.

Esse só funciona no Windows Phone 8.1, já que se aproveita das novas APIs de vídeo dessa versão do sistema. Desenvolvido pela Microsoft, e com versão para Windows 8/RT, é um editor simples de vídeos.

Existe uma limitação de tempo, os vídeos têm no máximo 60 segundos. Após fazer os recortes desejados no seu, é possível incluir legendas e textos estilizados e, depois, música — o app vem com alguns clipes de áudio, mas dá para importar sons da sua coletânea de músicas. Terminou? Mande para o OneDrive ou compartilhe no Facebook.

Screenshots do Video Moments.
Imagens do Video Moments.

Opera Coast

Ícone do Opera Coast.Para iPhone.
O que é? Navegador web com interface minimalista baseada em gestos.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Lançado ano passado para iPad, o Opera Coast, a versão do conhecido navegador reimaginada para dispositivos móveis chega agora para o iPhone.

O Opera Coast deixa para trás várias convenções de navegadores web, muitas delas migradas do desktop para dispositivos móveis. Não existe barra de endereços, a tela está sempre cheia e os controles de navegação são gestuais. Parece complicado, e existe mesmo uma pequena curva de aprendizado no começo, mas com a prática vem muita agilidade e mais área real para apreciar os sites que você gosta.


Reading List

Ícone do Reading List.Para Windows Phone 8.1.
O que é? Bookmarks para textos encontrados na web.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Outro só para Windows Phone 8.1, e que também faz dobradinha com um app homônimo no Windows 8/RT. O Reading Lists, ou Lista de Leitura, parece muito com o Pocket e Instapaper, mas ele não faz cache para leitura offline, nem salva o texto em uma formatação mais legível. É, na prática, apenas um sistema de bookmarks mais visual e, agora, sincronizado.

Screenshots do Reading List.
Imagens do Reading List.

Scanbot

Ícone do Scanbot.Para Android, iPhone.
O que é? App que tira fotos de documentos e recibos com qualidade superior.
Preço? ~R$ 2,50
DOWNLOAD Android, iPhone.

Sim, você pode abrir o app da câmera e tirar uma foto do boleto, recibo ou documento. O que o Scanbot promete, porém, é maior qualidade: além da alta resolução (200 dpi), ele tem recursos para diminuir borrados, delinear textos e melhorar a legibilidade das letrinhas em qualquer documento de texto.

Depois de tirada a foto, um processo que consiste em posicionar a câmera sobre a folha (não é preciso tocar em botão algum), o Scanbot ainda pode enviá-la para serviços de armazenamento na nuvem, como Google Drive, Dropbox e Evernote, automaticamente. Para quem trabalha com muito papel e está na luta pela digitalização, parece uma boa ponte entre os dois universos.

Screenshots Scanbot.
Imagens do Scanbot.

Tilesparency e Transparency Tiles

Ícones do Tilesparency e Transparency Tiles.Para Windows Phone 8.1.
O que é? Apps para criar blocos transparentes para a tela inicial.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Tilesparency, Transparency Tiles.

O Windows Phone 8.1 permite incluir imagens de fundo na tela inicial, só que em vez delas ficarem no fundo, aparecem dentro dos blocos. Esses dois novos apps permitem brincar com o efeito e dar mais liberdade na hora de compôr o layout dessa tela. (Para funcionarem, obviamente, é preciso estar com o Windows Phone 8.1 e ter uma imagem de fundo definida.)

O Tilesparency permite criar blocos vazios, transparentes, para mostrar melhor a imagem. Não só: também dá para criar blocos com pequenas ações pré-definidas. O app é gratuito, mas permite compras in-app, para remover anúncios e garantir futuras atualizações. Já o Transparency Tiles traz atalhos para diversos apps populares, como Facebook, apps do Xbox, os do Rudy Huyn e outros vários — a lista é grande! Tenha em mente, porém, que os blocos criados por ele não são dinâmicos.

Screenshots do Tilesparency e Transparency Tiles.
Imagens do Tilesparency e Transparency Tiles.

Union

Ícone do Union.Para iPhone, iPad.
O que é? App de edição de fotos que mistura duas em uma só, com efeitos artísticos.
Preço? US$ 1,99
DOWNLOAD

Apps para editar fotos não faltam no iOS, mas o Union se destaca pela facilidade com que alcança montagens baseadas em sobreposições belíssimas, muito parecidas com as da abertura de True Detective. É tudo bem fácil e poderoso, já que bastam alguns toques para se chegar ao resultado desejado.

Após carregar a imagem de fundo e a frontal, as ferramentas permitem isolar o objeto em primeiro plano e realizar outros ajustes finos. Finalizado o trabalho, dá para exportá-lo em outros apps, preservando a resolução máxima.

Screenshots do Union.
Imagens do Union.

19 apps! Para mais, visite as listas de janeiro, fevereiro e março, e as dos melhores apps de 2013 para iPhone, Android e Windows Phone.

Foto do topo: Kārlis Dambrāns/Flickr.

Para mudar sua imagem, Foursquare eliminará check-ins e lançará um novo app, o Swarm

Desde que surgiu para o mundo na SXSW de 2009 em Austin, EUA, o Foursquare busca ser mais do que uma curiosidade usada por círculos restritos mais ligados à tecnologia. Até hoje, não conseguiu. A última novidade do serviço para decolar junto ao público mainstream é, até agora, a mais radical também: dividir o app em dois.

Por que eles queriam nossos check-ins?

Ícone do Foursquare.
Imagem: Foursquare.

Dennis Crowley, CEO do Foursquare, vem tentando sem sucesso mudar a imagem do serviço que comanda. Muita gente o vê como um “jogo” de check-ins e medalhas, uma reminiscência das primeiras versões que há algum tempo deixou de ser prioridade. O Foursquare dos últimos meses, quiçá anos, é um app para descobrir novos lugares legais, um concorrente do Yelp. Ou pelo menos é isso o que ele quer ser.

Em 2009 o check-in e seus incentivos eram necessários pela (falta de) tecnologia. Os smartphones de 2014 são mais robustos, sabem sempre onde nós estamos, têm baterias mais duradouras. Foi graças a essa evolução que o Foursquare, após colher mais de 5 bilhões de check-ins, deixou de precisar tão desesperadamente deles. Com o projeto Pilgrim, consegue saber onde seus usuários estão sem que eles sequer abram o app e recomendar lugares legais e onde seus amigos estão no momento.

“Todas as coisas que fizéramos no Foursquare até esse ponto, como check-ins e tips, todas essas coisas foram projetadas para nos levar a esse ponto onde nós temos a quantidade certa de sinais e nos sentimos confiantes para mandar a mensagem certa a você no momento exato.”

Essa evolução explicada por Crowley, que culminou com as notificações proativas, não foram suficientes para mudar o estigma do Foursquare. Para a maioria, ele ainda só serve para fazer check-in nos lugares. Em breve, ele sequer fará isso.

Foursquare e Swarm

Swarm, o novo app do Foursquare.
Imagem: Foursquare.

O novo Foursquare não terá a função de check-in. O app oferecerá apenas recomendações de lugares legais, um buscador local baseado em critérios mais objetivos e colaborativos em contraponto aos longos reviews individuais do Yelp, declarado maior concorrente, e outros do gênero. Ao The Verge, que publicou uma longa reportagem sobre a nova configuração do Foursquare, Noah Weiss, vice-presidente de gerenciamento de produtos do Foursquare, disse:

“Não queremos que você leia longas avaliações [de lugares]. Não queremos longas avaliações. O que temos são milhões de pessoas nos dizendo dezenas de milhões de vezes o que tem nesse lugar? Qual o clima desse ambiente? Como podemos mostrar isso a você de uma forma decidida de modo que você possa ver passando os olhos?”

Weiss também revelou que em apenas 5% das sessões com o app do Foursquare as pessoas desempenham as duas funções do app – fazer check-in e consultar recomendações. Tudo isso culminou na divisão. Em breve, a função de check-in para saber onde seus amigos estão no momento será de um novo app, o Swarm.

O Swarm não é só um pedaço separado do Foursquare e empacotado em uma nova embalagem. O app cria um “mapa de calor” dos seus amigos de acordo com o raio de distância onde eles se encontram: primeiro os da vizinhança, depois os da mesma cidade e por fim o resto. Ele informa a sua localização em tempo real, mais ou menos como o recém-anunciado Friends Nearby, do Facebook, mas ainda permite o check-in, caso alguém queira ser mais preciso na hora de informar aos amigos onde está. Crowley acredita que a sua oferta se sobrepõe à do Facebook por ser um app dedicado e por não ter todos os seus “amigos” na rede de contatos, um problema que se torna cada vez mais crítico para o Facebook. E ainda tem a falta de confiança no Facebook — muita gente torce o nariz para o site e evita ao máximo ceder informações a ele, especialmente a localização contínua em tempo real.

Pelos vídeos, o Swarm parece ser um app bem feito e estende a função agora eliminada do app principal, o check-in para saber onde seus amigos estão no momento. O Foursquare, uma máquina de recomendar bons lugares. Seus algoritmos são bem espertos, o processamento dos sinais para atribuir notas e recomendações é muito bom e ele, quando usado para esse fim de exploração, funciona. No papel, a divisão em dois apps faz sentido. A maior dificuldade, porém, não é técnica, mas de comunicação. E se nem mesmo uma medida tão extrema quanto essa não funcionar, é difícil imaginar o que pode ser feito para mudar a imagem do Foursquare.

Os novos apps serão lançados em breve. Interessados no Swarm podem deixar um e-mail no site oficial para serem avisados quando ele estiver disponível.

Facebook f8: controle aos usuários, poder aos desenvolvedores

Conferência f8, do Facebook.
Foto: Facebook.

Após dois anos de hiato, a f8, conferência para desenvolvedores do Facebook, voltou a acontecer ontem, em San Francisco, EUA. No evento deste ano, os anúncios tiveram um objetivo: tornar a plataforma hegemônica em dispositivos móveis.

O Facebook dividiu as novidades em três áreas: estabilidade para desenvolvedores, prioridade para pessoas e serviços e ferramentas multiplataforma. Existem mudanças positivas para usuários finais, mas quem mais se beneficiará com o caminhão de anúncios serão aqueles que criam apps, serviços e soluções baseados no Facebook.

Olhando de fora, falando como não desenvolvedor, a sensação é de que a plataforma está madura. Só isso viabiliza a promessa, do Facebook, em garantir suporte mínimo de dois anos para produtos básicos a desenvolvedores através do versionamento da plataforma. São aspectos bem técnicos que, indiretamente, tornam a experiência dos usuários mais confiável – apps quebrarão menos e se comportarão como o esperado com mais frequência.

Poder e privacidade nas mãos do usuário

À audiência da f8, composta por cerca de 1500 desenvolvedores, Zuckerberg disse que “algumas pessoas têm medo de clicar no botão azul. Se estiver usando um app em que não confia totalmente ou teme que possa fazer spam para seus amigos, você não dará a ele um monte de permissões”. Para diminuir a rejeição do botão azul, nada mais que o botão de login do Facebook, ele foi repensado.

Agora, as permissões dos apps poderão ser ajustadas individualmente. No modelo ainda vigente, o acesso a um app é questão de “tudo ou nada”, o que gera situações desconfortáveis como a proliferação automática de perfis de homens no Lulu via permissões de amigas que usavam o app.

No novo sistema, dá para editar as permissões. Elas são granulares. Se já existisse na época do Lulu, seria possível entrar, ver e atribuir notas aos homens sem comprometer seus amigos; bastaria desativar o compartilhamento da lista de amigos na hora de fazer login, a saída que na época cogitei por aqui mas que se mostrava impossível. As únicas informações obrigatórias continuarão sendo as que já são atualmente – nome, faixa etária, sexo, foto de perfil e outros detalhes técnicos. Todas as demais ficam a critério do usuário compartilhar ou não com o app.

Dá para definir o que não compartilhar com os apps.
Imagem: Facebook.

Novos apps precisarão ser aprovados pelo Facebook em um processo que, segundo a documentação, levará de 7 a 14 dias úteis. Eles deverão, ainda, prever todos os cenários onde um tipo de permissão não é concedido pelo usuário. Essa postura, bastante legal, é similar à da Apple com o iOS.

Outro temor generalizado, o de apps que publicam na linha do tempo e mandam mensagens para contatos sem que o dono do perfil fique sabendo, também recebeu atenção. Agora, o login do Facebook traz uma tela à parte que destaca bastante esse comportamento, incluindo um seletor para que o usuário decida com quem permite que o app compartilhe conteúdo.

O Facebook incentiva bastante os desenvolvedores a exigirem o mínimo possível de permissões. O site diz que apps que pedem mais de quatro permissões veem uma queda abrupta no número de logins completados.

Login anônimo: teste apps sem revelar seus dados.
Imagem: Facebook.

Se parasse aí, já estaria de bom tamanho. Mas tem mais. Apps que usam o login do Facebook poderão oferecer, agora, um modo anônimo. É como se o usuário fizesse login no app normalmente, só que por essa via ele não compartilha nada com o app, podendo usá-lo como se tivesse fornecido as informações pedidas pela via tradicional sem o risco de que façam mal uso dos seus dados. Uma degustação sem compromisso. Depois, quando e se estiver confortável com a aplicação, ele pode conceder devidas permissões para ter uma experiência mais rica.

Embora existam ganhos reais em privacidade, é preciso ainda confiar no Facebook – ele sempre sabe quais apps você usa. Na prática isso garante o uso dos apps, em modo anônimo, em vários dispositivos sem que seja preciso refazer o login a cada sessão.

Não é só por benevolência e por acreditar na privacidade que o Facebook trouxe essas mudanças bem-vindas ao seu sistema de login – todas em testes com parceiros, com previsão de disponibilidade geral para os próximos meses. Por trás das boas intenções está o interesse em incentivar as pessoas a usarem mais apps de terceiros através do Facebook, deixá-los mais confortáveis e confiantes em logar com o Facebook em vez de fornecer e-email e senha ou, pior, usar a solução do Google. Dessa forma, o Facebook garante os dados das nossas vidas que são, no fim do dia, o alimento básico que faz a rede social crescer.

A cola que une a Internet móvel

E teve mais coisas. Algumas, isoladamente, são promissoras. Juntas, todas elas representam uma investida digna de nota.

A maior delas parece ser o App Links. Não ficou muito claro, pelo menos na página que apresenta o serviço, como ele funcionará na prática, mas a ideia geral é que essa solução unifique e viabilize a inclusão de links profundos entre apps, inclusive multiplataforma, da mesma forma que serviços se linkam facilmente na web.

Ainda vimos o botão Curtir nativo para iOS, um novo formato para conteúdos de apps compartilhados através do Facebook Messenger, o envio instantâneo de apps logados na web para um dispositivo móvel e a Audience Network, a rede de anúncios do Facebook para terceiros, apps e sites, um ataque direto ao Google e seu AdSense. No último relatório divulgado a investidores, o Facebook revelou que 59% de todo o faturamento com publicidade veio de dispositivos móveis. A expansão dos anúncios para terceiros deve elevar ainda mais essa porcentagem.

Em texto publicado na Quartz, Leo Mirani disse acreditar, com argumentos de sobra, que o Facebook está posicionado para ser na Internet móvel o que o Google é na web, ou seja, a cola que mantém tudo funcionando. Para a estratégia da empresa, não é imprescindível que todo mundo use o app (ou os apps) do Facebook se, ao usar outros, as pessoas continuem interagindo com o Facebook. Com login, curtir, compartilhamento, links profundos, anúncios e uma nuvem para desenvolvedores (que, por sinal, ficou mais barata e ganhou funções offline), esse cenário se desenha com contornos fortes.

Sua vez, Google.

O som da concentração: Músicas e barulhos podem torná-lo mais produtivo?

Moça na rua com headphones.

Em fábricas e escritórios não é exatamente raro nos depararmos com trabalhadores que, além do uniforme e acessórios necessários para o desempenho de suas funções, contam com um adereço extra: fones de ouvido. A música, companheira de festas, romances, do dia a dia, também se faz presente no ambiente de trabalho. Mas até que ponto ela é útil, e quando começa a atrapalhar?

Na Quartz, Adam Pasick escreveu um texto intitulado “O guia completo para ouvir música no trabalho”. Amparado por estudos científicos, em especial este de 1972, as conclusões a que ele chegou variam de acordo com a função desempenhada. Músicas agitadas, por exemplo, podem dar um impulso em produtividade àqueles que cumprem jornadas mais mecânicas, realizando tarefas repetitivas que, embora demandem foco, não pedem muito da nossa capacidade cognitiva.

Já em atividades contrárias, ou seja, aquelas que exigem mais cérebro do que músculos, músicas agitadas ou com letras atrapalham. Ao ouvir uma música, qualquer que seja, ela demanda parte da cota finita de atenção de que nosso cérebro dispõe:

“Não se engane: ouvir música significa que você está em modo multitarefa. Quaisquer recursos cognitivos usados pelo seu cérebro — para entender uma letra, processar emoções desencadeadas por uma música ou lembrar onde você estava quando a ouviu pela primeira vez — ficarão indisponíveis para ajudá-lo no trabalho.”

A melhor música para trabalhos cognitivos

Últimos álbuns que ouvi, via Last.fm.
Colagem via Last.fm Collage Generator.

Para alguns, como eu, o ideal é deixar todo o cérebro a postos para o que estiver fazendo. Dou o meu melhor no silêncio, e isso vale para além das músicas — os sons ambiente também devem ser preferencialmente mínimos. O mesmo se aplica a leituras, e quanto mais complexo o assunto, mais o silêncio é bem-vindo.

Infelizmente, nem sempre o silêncio proporciona a animação para uma tarefa que exija muito da minha capacidade cognitiva. É aí que entram as sugestões da Quartz: atentando a alguns detalhes, é possível obter os benefícios musicais dos trabalhadores “braçais” em atividades mais… digamos… paradas.

Na hora de montar sua playlist para essa finalidade, as principais dicas são:

  • Ouça apenas músicas instrumentais. O cérebro tem áreas dedicadas para várias funções e, na hora de escrever ou pensar em palavras (ler, inclusive), o ideal é concentrar todos os recursos que temos para esse fim na atividade em curso. Músicas com letras, nesse contexto, apenas atrapalham. Exceção à regra: letras em idiomas que você não conhece são permitidas.
  • Prefira músicas que tenham um ritmo bem marcado e constante. Nosso cérebro está sempre tentando adivinhar o que vem a seguir. Ao ouvir uma música muito elaborada, com mudanças brutas, picos intervalados e arranjos diversos, parte da nossa concentração, ainda que inconscientemente, se dedica à tentativa de “decifrá-la”.

Os melhores gêneros, segundo aquele post, são jazz, música clássica, e minimalista. Trilhas sonoras de filmes e jogos também são, em geral, recomendadas. Ao final, há uma playlist com indicações do autor. Se quiser arriscar, ela está no Rdio e Spotify.

Sai a música, entram os barulhos. Mudam os resultados?

GIF de um ventilador de teto.
GIF: Ventilador Online.

Minha qualidade de vida melhorou significativamente quando descobri o ruído branco. No contexto em que o abordo aqui, refiro-me a barulhos do ambiente capazes de anular outros indesejados.

Na física, engenharia e matemática o termo tem significado diverso, mais complexo, como muitos comentaristas apontam nesta matéria da Scientific American. O uso dele, aqui, diverge do científico, mas para fins didáticos se aplica. Pense, pois, no barulho da TV fora do ar, ou no que o ventilador faz quando ler “ruído branco” nesta matéria.

Por ter o sono leve, barulhos externos, como vizinhos conversando, música no bar da esquina e outros atrapalham meu sono. Ao ligar o ventilador contra a parede, o barulho das pás se sobrepõe aos demais e sua constância rapidamente é assimilada pelos meus ouvidos. Resultado: uma noite bem dormida.

O mesmo benefício se aplica ao trabalho? Aqui o terreno se torna mais acidentado. Existem estudos que suportam os dois lados, mas analisando-os melhor, como fez o pessoal deste tópico no StackExchange, as conclusões mais uma vez variam. Resumindo:

“O ruído branco melhora o desempenho na medida em que mascara ruídos que geram agitação ou que tiram o foco da tarefa em curso sem causar agitação por si mesmo. Falando de forma prática, se você estiver em um ambiente silencioso, o ruído branco provavelmente não terá um efeito positivo na sua concentração. Se estiver em um lugar mais ou menos ruidoso, ele provavelmente terá um efeito positivo. Entretanto, em um ambiente muito barulhento ele não terá efeito algum ou, se sim, um negativo.”

(A resposta mais votada do tópico mencionado acima traz diversas referências científicas embasando a conclusão do autor.)

Novamente me usando de exemplo, comigo o ruído branco para produção nunca funcionou bem. O silêncio é preferível e, quando tenho tarefas menos cognitivas, como lançar gastos no controle financeiro ou lavar a louça, geralmente coloco uma música qualquer para tocar.

Fachada de uma Starbucks em Londres.
Foto: Style Raw/Flickr.

O que eu testei e, em certa medida, gostei, foi de “simuladores” de sons ambiente. O Coffitivity é um app/site que reproduz o burburinho típico de locais como cafeterias e bibliotecas de universidade. Os criadores defendem a ideia com um estudo científico recente que diz provar que esses ruídos, dentro de níveis aceitáveis, dão um impulso na concentração. A parte do “dentro de níveis aceitáveis” tem um papel importante aí — em torno de 70 decibéis.

Ok, já sabemos que barulheira não ajuda, mas por que o outro extremo, o silêncio, é ruim? Em entrevista ao New York Times, o professor assistente Ravi Mehta, da Universidade de Illinois, que liderou o estudo que embasa o Coffitivity, explica que o silêncio absoluto leva a níveis altos de concentração, e que isso atrapalha o pensamento abstrato:

“É por isso que quando você está muito focado em um problema e não consegue resolvê-lo, deixa-o de lado por algum tempo e, quando volta, encontra a solução. [O ruído moderado] ajuda a pensar fora da caixa.”

Ele também faz uma ressalva: o barulhinho de fundo ajuda principalmente em tarefas criativas. Outras que demandam concentração absoluta, como a revisão de textos ou trabalhos envolvendo números, são melhores executadas no silêncio.

O que for melhor para você

São muitas variáveis a serem consideradas na hora de escolher a companhia auditiva para o trabalho: o tipo de função desempenhada, algumas predisposições pessoais, o humor do momento. Talvez fosse o caso de experimentar e ver o que te faz melhor, mas é difícil mensurar os resultados objetivamente. Neste paper de 1989, por exemplo, foi constatado que às vezes a gente se engana e aprecia a música no trabalho mesmo quando ela diminui a produtividade.

Uma mistura, em consonância com a variação de humor e natureza do trabalho, aponta para uma boa saída. Identificar os momentos onde um tipo de música ou barulho afeta positivamente nosso ânimo é o tipo de conhecimento que, mesmo sem perceber, pode acabar nos ajudando a trabalhar melhor. O problema é que, mesmo querendo, é bem difícil perceber quando e que tipo de som nos é benéfico. Argumentos pró e contra todo tipo de música existem aos montes (vários aí em cima, inclusive).

Como você usa a música, ou não, para fazer seu trabalho melhor?

Foto do topo: kev-shine/Flickr.

A inauguração da LG Mobile Store em Maringá, interior do Paraná

Fachada da LG Mobile Store de Maringá.

Foi inaugurada ontem em Maringá, interior do Paraná (e cidade onde moro), a primeira loja exclusiva da LG. Para ser mais exato, a primeira brand store de uma gigante da mobilidade por aqui. Por esse motivo, cruzei a cidade e fui conferir de perto o evento.

A LG Mobile Store de Maringá, a segunda do estado, fica no Shopping Catuaí, em uma das saídas da cidade. O espaço não é dos maiores, mas suficiente para acomodar estandes com smartphones, tablets e notebooks, o mix de produtos da loja.

Cheguei com antecedência, precavido. Mas a inauguração atrasou bastante… Nesse meio tempo o contador regressivo na porta deu uma surra nas promotoras do evento cada vez que elas tentavam adiar o horário. Vencida a demora, a fita vermelha simbólica foi cortada e as pessoas, ainda desconfiadas, começaram a chegar, entrando de mansinho, mexendo em um celular aqui, um tablet ali…

https://twitter.com/ghedin/status/459092526629416960

Dá para entender esse estranhamento. O conceito da loja, de expôr os aparelhos em bancadas ao alcance das mãos da clientela, é raro na região, onde ainda reina a cultura das vitrines (bem) trancadas. Conversando com João Fagundes, gerente de trade marketing da LG, ele ressaltou essa característica mais receptiva quando perguntei quais as expectativas para a loja recém-inaugurada:

“A expectativa é a melhor possível. A gente quer trazer para o consumidor de Maringá experiência, degustação… Hoje o produto mais vendido no Brasil é smartphone, (…) um produto que traz e-mail, Internet, acesso a todas as redes sociais, conveniência, qualidade de vida, te traz entretenimento… Então aqui você fecha uma venda segura: tem um vendedor especializado, paciência na hora de escolher o produto que mais se adequa [ao seu perfil]. Esse é o propósito da loja, e a venda será a consequência do bom serviço.”

João também revelou os planos de expansão para a cadeia de brand stores da LG. A de Maringá foi a 12ª inaugurada no Brasil, e a meta é chegar ao final de 2014 com quase 100 espalhadas pelo país. No Paraná, os esforços agora se voltam para Curitiba e, depois, outras cidades de médio porte, como Ponta Grossa.

O interior na rota dos lançamentos

A primeira compra, honra do Luan.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Com exceção de alguns problemas técnicos, especialmente o atraso na abertura da loja e uns tropeços ao faturar a primeira compra, honra do leitor Luan Eduardo Bondan que levou uma capinha para seu Nexus 5, a recepção foi tranquila.

Havia um batalhão de pessoas vestidas com o uniforme da LG, a maioria parte de um reforço aos quatro funcionários fixos que trabalharão no local. Não havia restrições para mexer nos equipamentos, todos ligados e conectados, e alguns smartphones ainda eram espelhados em TVs, via Miracast, para mostrar melhor aos clientes os recursos disponíveis. O ator Diego Cristo foi trazido para o evento e tirou fotos com os fãs, que podiam levá-las impressas para casa.

O que mais me animou, porém, foi a promessa de vermos os futuros lançamentos da marca chegando aqui ao mesmo tempo ou até antes que em centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Cláudia, gerente da unidade, garantiu que isso acontecerá, começando já com o G2 Mini, anunciado ontem e que deve estar na loja em breve.

Ter esse contato antecipado com novos produtos foi o que levou o Luan, citado ali em cima, a prestigiar a inauguração. Ele também espera que a presença de uma brand store diminua o hiato entre lançamentos nacionais e a chegada deles ao interior:

“Aparelhos como esses últimos, o G Flex, por exemplo, G2 Mini, essas coisas, demoram para chegar nas lojas de operadoras. Acho que aqui pode ser que cheguem antes.”

Diego Cristo tira fotos com fãs no interior da LG Mobile Store, em Maringá-PR.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Maringá, com pouco mais de 380 mil habitantes, não chega a ser uma cidade pequena. A loja da LG é a primeira brand store do tipo a abrir por aqui, mas não deve ser a última. Em outros países a Samsung, concorrente doméstica da LG e extremamente agressiva em marketing, está indo mais fundo ainda no conceito. Na Índia, por exemplo, está abrindo lojas em milhares de cidades com menos de 100 mil habitantes. São geografias e estratégias diferentes, mas um indicativo de que, com as devidas adaptações, o mesmo pode ocorrer no Brasil.

Os smartphones da LG Mobile Store

G Flex, o smartphone com tela flexível da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando a loja abriu, pude enfim ver de perto o G Flex, curiosíssimo smartphone com tela flexível e plástico traseiro regenerativo. Devo receber uma unidade de testes logo e, na sequência, claro, publicar um review.

Outro que me chamou muito a atenção foi o L40, o único membro da linha LIII da LG, anunciada no Mobile World Congress em fevereiro. O que mais me interessa ali é ver se na prática a dieta a que o Google submeteu o Android na sua última atualização traz benefícios: ele vem com Android 4.4 de fábrica movido por apenas 512 MB de RAM.

LG40: Android 4.4 com 512 MB de RAM.
Foto: Rodrigo Ghedin.

E em meio ao burburinho dos clientes e a música alta do DJ apavorando dentro da loja (essa ideia foi meio ruim), entreouvi algumas coisas sobre o vindouro G3, novo topo de linha da LG. Aparentemente os rumores são verdadeiros: ele terá mesmo bordas frontais finíssimas, tela com resolução 2K e um redesign nos botões traseiros, a curiosa posição adotada no G2 que será mantida na nova geração. Características a serem conferidas.

Como o Flogão virou um reduto online de fãs de caminhão

Caminhões estacionados à noite.

Em meados dos anos 2000, quando câmeras digitais compactas ainda eram maioria e estávamos limitados às 12 fotos que o Orkut permitia enviar, a fotografia digital encontrava nos fotologs o caminho mais fácil para chegar à Internet.

Era uma época mais ingênua, com fotos mais granuladas e resoluções menores. O local onde a maioria que gostava de tirar e publicar fotos era o Fotolog.net, mas outros, como Vibeflog e Flogão, corriam por fora e conquistavam adeptos. Além da publicidade, esses serviços ofereciam planos pagos com vantagens, como maior número de comentários, personalização e música de fundo. Eram, pois, modelos sustentáveis, mas que não resistiram ao atropelo de redes sociais maiores, como o próprio Orkut, depois que relaxou o limite de fotos, e o Facebook, que terminou o que a rede social do Google havia começado e praticamente monopolizou a publicação online de fotos de nós mesmos e de amigos.

Hoje os flogs só são lembrados em duas situações. Quando não em sessões nostálgicas de quem viveu seu auge, é por jornalistas que encontram pérolas arqueológicas de astros recém-saídos da adolescência — Ganso e Leandro Damião, para ficarmos só no esporte, que o digam. Mas os flogs não são só isso. Sem muita invencionice, parados no tempo, eles seguiram em frente, e um desses serviços, o Flogão, acabou evoluindo para algo meio difícil de entender: virou o ponto de encontro de jovens que idolatram caminhões.

Flogão dos caminhões

Descobri esse “pivot” do Flogão durante a gravação do Radiolink, um projeto de extensão do curso de Comunicação e Multimeios da UEM. Um dos temas daquele programa foi flogs, e em meio a muitas histórias do passado despontou essa curiosa roupagem moderna do Flogão: ele foi invadido por caminhões, que aparecem no bloco dos VIPs (contas pagas), entre os flogões mais populares, são os mais comentados… A página inicial do Flogão de 2014 está dominada por caminhões.

Intrigado, resolvi investigar como o Flogão passou de selfies e fotos de gente para veículos de grande porte.

Clube dos adoradores de caminhões

Caminhões.
Foto: Conexão 277.

Para entender essa mudança tão grande no público-alvo, inicialmente procurei os responsáveis por ela: os flogueiros, como eles se chamam.

Logo de cara, Luiz, 15 anos, de Cascavel-PR, revelou o mistério: a maioria dos flogueiros é formada por filhos de caminhoneiros, jovens que, como ele, adoram a profissão, ainda não têm idade para dirigir e curtem muito um “caminhão mais arrumado, com frente rebaixada, traseira levantada, um tanque bem polido… sabe? Caminhão levado no capricho”.

Luiz mantém, com dois amigos, o Conexão 277, um Flogão VIP (pago). Além do tema pouco usual, a escolha do Flogão com tantas outras opções gratuitas disponíveis, como Instagram, Flickr e Facebook, era outra dúvida grande. Sendo um membro mais recente dessa onda de flogueiros de caminhões, Luiz apenas seguiu o fluxo. “[Escolhi o Flogão] porque já nas antigas existiam Flogões de caminhões”. Ele começou em 2012, mas diz que em 2008 já havia Flogões do gênero. Estar entre seus pares é uma vantagem importante para ele, pois facilita encontrar e ser encontrado por outros jovens que curtem caminhões.

As estatísticas do Flogão são importantes.
Imagem: Conexão 277.

Apesar da opção pelo Flogão, ele reclama um pouco do descaso. Vez ou outra o sistema “buga” e bagunça as estatísticas, ou rejeita fotos. Outra crítica recai em Flogões que, aproveitando-se desses bugs, trapaceiam e inflam artificialmente as estatísticas. Não existe sistema perfeito.

A arte de tirar fotos de caminhões

Danillo Araújo, 17, de Luziânia-GO, é outro apaixonado por caminhões que mantém um Flogão, o Elite Goiana. Ele também entrou nessa recentemente, no final de 2012, e assim como o Luiz escolheu o Flogão pelo público que já estava lá: “Acho que não teria tanto público nesses sites [Flickr, Instagram], já que 80% do Flogão é destinado a caminhões. Ele se tornou muito conhecido, então quem quer ver fotos [de caminhão], vai diretamente aos Flogões”.

Os dois contaram como é o processo de tirar fotos. Em ambos os casos, os meninos vão a um posto de combustível e ficam esperando pelos caminhões mais bacanas (“aqueles que têm acessórios e andam sempre limpos”, conta Danillo). Tiram fotos e, quase sempre, recebem um retorno dos caminhoneiros.

Foto do Flogão Elite Goiana.
Foto: Elite Goiana.

A prática é nacional, então vários motoristas já sacaram os flogueiros e mantêm uma relação amistosa com eles, param para conversar, se interessam e querem saber mais sobre o assunto. Uns poucos torcem o nariz e ficam até bravos com o pessoal dos Flogões, mas a maioria dos menos amistosos são apenas precavidos. Perguntam para que são as fotos, desconfiam das respostas que recebem… Uns acabam convencidos das boas intenções dos flogueiros, mas sempre tem aquele que acha ruim, independentemente das explicações, ter o seu caminhão fotografado por adolescentes.

Vez ou outra a polícia interfere. Meio sem entender, apenas mandam os meninos para casa. Luiz conta de uma situação em Toledo, cidade próxima a Cascavel, também no Paraná. Um grupo de flogueiros menores de idade foi abordado pela polícia, que os mandou para casa sob a ameaça de, em caso de reincidência, serem encaminhados ao conselho tutelar.

Parece exagero, mas uns poucos flogueiros tornam o receio válido. Luiz conta que costuma ficar com seus amigos na sombra de alguma árvore, esperando os caminhões passar e sempre tirando fotos fora da pista, em locais seguros. Nem todos têm essa prudência: “tem piá que não, que faz por merecer, se joga no meio da pista pra tirar foto, deita no chão… bobeira, sabe? Outros se jogam no meio da pista e balançam as mãos para os motoristas darem ‘quebras de asa’, sabe?”

Não, não sei. O que é quebra de asa?

O perigo da quebra de asa — e da superficialidade da mídia

Ano passado o Fantástico, da Rede Globo, veiculou uma matéria que alertava sobre a “quebra de asa”, manobra em que o motorista joga a carroceria do caminhão para o lado, fazendo uma espécie de zigue-zague na pista. Pouco tempo depois a RPC, afiliada paranaense da Rede Globo, exibiu outra reportagem mostrando (mas não identificando) flogueiros que pedem aos motoristas para que façam a manobra a fim de tirarem fotos.

A matéria não foi muito longe e ignorou completamente a motivação dos que ficam na beira das rodovias pedindo pela perigosa manobra. Eles existem, mas são, segundo Luiz e Danillo, exceções que mancham a reputação dos flogueiros. Luiz me disse:

“Na maioria das vez os próprios flogueiros pedem para eles fazerem isso. Nós não achamos legal; além de danificar o caminhão, [a quebra de asa] oferece grandes riscos. (…) É revoltante. Por causa de alguns bestas, todos os outros ficam mal vistos.”

O YouTube está repleto de vídeos de quebra de asa, vários feitos por flogueiros, alguns assustadores, como este. Infelizmente, uma prática sadia e que valoriza o caminhoneiro, profissional muitas vezes esquecido ou ignorado, é deixada em segundo plano por causa de uns poucos inconsequentes que extrapolam a segurança e buscam esse tipo de emoção pra lá de questionável.

Um dos rapazes que procurei para conversar, aliás, cancelou a entrevista temendo represálias no trabalho. Por e-mail, disse que “os ‘flogueiros’, como somos chamados, estão sendo vistos de uma forma negativa conforme esta passando na televisão, sendo que nem todos ficam no acostamento se arriscando para conseguir filmar uma quebrada de asa”. Afinal, é mais fácil ser sensacionalista.

E o Flogão?

O gato-mascote do Flogão.
Imagem: Flogão.

Pelo que apurei dessas conversas, o Flogão virou o que é hoje meio que por acaso, pelo comportamento de manada dos flogueiros mais novos. Alguém começou a subir fotos de caminhões lá atrás e depois dele, outros seguiram o exemplo.

O abandono do serviço é evidente. Além dos problemas técnicos relatados pelo Luiz, o layout não muda há anos e as estatísticas de visitação dos flogões mais populares dão uma pequena dimensão do quão baixo é o alcance obtido hoje.

Tentei conversar com alguns profissionais que estavam no Flogão entre 2007 e 2008, sem sucesso. O máximo que descobri foi uma negociação, posteriormente revertida, que levou o Flogão ao Power.com, uma startup brasileira que tinha por objetivo concentrar diversas redes sociais em uma interface centralizada. O Power.com chegou a aparecer no TechCrunch e fez barulho na época. Um ano depois, em 2009, arranjou briga com o Facebook acerca da portabilidade de dados e, em 2011, fechou as portas. No tempo em que esteve lá, houve uma profunda reformulação no código do Flogão e tentativas fracassadas de expandi-lo.

Desde que voltou a ser independente, o Flogão não viu melhorias em seu sistema ou na oferta de recursos. Entrar no site em 2014 é como voltar ao passado, com a diferença de que no lugar de pessoas existem caminhões adornando os endereços mais badalados.

Da mesma forma que o Flickr passou de um jogo online para uma rede social de fotos e que o Twitter absorveu replies e retuítes, recursos que surgiram organicamente entre os usuários do serviço, o Flogão passou por uma mudança que veio de fora para dentro, um acidente de percurso que talvez seja o único responsável por mantê-lo no ar até hoje.

Com Facebook, WhatsApp e Instagram processando bilhões de fotos diariamente, sobra pouco espaço para redes estagnadas e notoriamente menos dinâmicas, como os fotologs de dez anos atrás. O nicho caminhoneiro criou um ambiente diferente de qualquer coisa na Internet, um lugar fascinante, escondido nas ruínas do que era, há pouco tempo, um lugar bem popular na Internet.

Foto do topo: Pavel P./Flickr.

Câmera do Google: pequenos acertos e o novo Efeito foco

O novo app Câmera do Google em um Nexus 4.

Nessa semana o Google deu mais um passe no desmonte que vem fazendo do Android. Não entenda isso como algo negativo; ao remover apps e funções do sistema e permitir a atualização “por fora”, via Google Play ou Google Play Services, os efeitos negativos da fragmentação da plataforma são mitigados. Desta vez foi a câmera que passou a ser distribuída e atualizável pela loja de apps oficial.

A Câmera do Google funciona em qualquer Android rodando a última versão do sistema (4.4 “KitKat”). O app mantém a pegada minimalista do que acompanha o sistema, mas traz mudanças estéticas, simplificações e um modo de disparo totalmente novo, o Efeito foco, que tenta reproduzir o que a Lytro faz nativamente: brincar com a profundidade de campo após tirar a foto. Voltarei a isso depois.

Interface da câmera mais simples e com boas novidades

A nova interface da Câmera do Google.
Câmera do Google.

A interface foi simplificada e, no geral, ficou melhor. O Google finalmente adequou o viewfinder à proporção da foto. Antes, o usuário via uma imagem em 16:9 mesmo quando a foto saía em 4:3, um detalhe que, aos incautos, prejudicava todo o cuidado com a composição. A saída agora bate com a da foto e o espaço que sobra, à direita, transformou-se em um grande disparador — a foto é feita ao tocar em qualquer ponto daquela área, não só no ícone. No viewfinder, um toque ajusta o foco para a área selecionada.

Alguns controles, como troca de câmera, flash e HDR, ficam ocultos em um pequeno ícone no canto superior direito. E foi uma grande felicidade reparar que agora dá para colocar uma grade 3×3 no viewfinder!

Os modos de disparo ficam ocultos na borda à esquerda, e são trazidos à tona com um deslizar de dedo, mais ou menos como na câmera do Moto X. Toda vez que a câmera é aberta eles aparecem ali antes de sumirem, detalhe importante para evitar que caiam no esquecimento junto a usuários menos ligados. Do outro lado, ficam as últimas fotos feitas.

São os mesmos modos de sempre, mais o novo Efeito foco. Cada botão ganhou uma cor própria e um visual bastante “flat” que se estende por todo o app. O atalho para as configurações gerais fica oculto, só é revelado ao puxar os modos de disparo. É a engrenagem à direita. As opções são bem limitadas, mas valem uma visita para aumentar a resolução de tudo — os modos Efeito foco e Photosphere não vêm configurados na resolução máxima; a do Photosphere, aliás, agora subiu para 50 mega pixels contra 8 da versão antiga.

Efeito foco, ou a Lytro fazendo escola

Começou com a Lytro. Depois, foi a vez da Nokia trazer o recurso para as câmeras PureView atavés do Refocus. A nova leva de Androids, encabeçada por Galaxy S5 e HTC One (M8), também entrou na dança; no caso do modelo da HTC, o UFocus, nome do recurso, se utiliza de uma câmera auxiliar para calcular o espaço tridimensional e refinar os resultados.

Desfocar o fundo de uma fotografia é uma coisa legal e muito procurada. Em alguns grupos de smartphones no Facebook, o efeito bokeh é febre — as pessoas procuram por apps que façam isso e ficam fascinadas com os resultados práticos de uma grande profundidade de campo mesmo quando eles são absurdamente ruins, caso de quase todos esses apps de pós-edição. Agora, qualquer um com o Android 4.4 terá essa opção embutida no app da câmera. Mas é uma opção viável?

Sendo uma câmera específica para esse fim, a Lytro oferece os melhores resultados e tem um mecanismo fechado e otimizado para tanto, composto por conjunto de lentes extras dedicado a capturar mais luz de todas as direções possíveis. No caso da Nokia, a técnica é mais rudimentar, mas alcança resultados bem competentes: o app tira uma sucessão de fotos com diferentes pontos focais ao mesmo tempo em que cria um “mapa de profundidade” da cena, juntando tudo depois em uma imagem que é manipulável no app e externamente — dá para brincar no site oficial e incorporar essas fotos dinâmicas em qualquer página web. Abaixo, uma que fiz com o Lumia 920:

A técnica adotada pelo Google é similar, mas exige um movimento extra para ajudar os algoritmos responsáveis pela mágica do foco posterior. Ao fazer uma foto no Efeito foco, é preciso “levantar” a câmera; um tutorial na tela ensina o que e quando fazer. Além disso, diferentemente da solução da Nokia, na do Google dá para, além de alterar a área focada, mudar a intensidade do desfoque no restante da imagem. A desvantagem é que tudo isso só fica disponível para quem tirou a foto, e no próprio aparelho. Ao compartilhá-la em outro local, ela vai como um JPG comum.

O Efeito foco não é perfeito, mas diverte.
Efeito foco em ação.

Neste post, Carlos Hernández, engenheiro de software do Google, explica em termos mais técnicos como isso funciona:

“O Efeito foco substitui a necessidade de um grande sistema ótico com algoritmos que simulam lentes e abertura grandes. Em vez de capturar uma só imagem, você movimento a câmera para cima a fim de capturar um conjunto completo de quadros. A partir dessas fotos, o Efeito foco usa algoritmos de visão computacional para criar um modelo 3D do mundo, estimando a profundidade (distância) de cada ponto na cena.”

Após tirar uma foto nesse modo, a galeria exibe um botão extra de edição que permite mudar o desfoque simplesmente mexendo em uma barra.

É uma implementação engenhosa, mas nem sempre funcional. Em vários casos o desfoque invade o objeto em primeiro plano e vice-versa, ou então não consegue delinear corretamente o que deve estar em evidência. E tem o problema da resolução, já que a qualidade máxima (e que torna a captura mais lenta) só alcança 2048×1536.

Quebra o galho, mas não faz frente a uma boa câmera com lentes bem abertas, ou mesmo ao trabalho que a Nokia fez com o Refocus. Embora mais limitado, o efeito nas câmeras PureView é, na média, mais natural. Às vezes, dependendo da situação, o Efeito foco da Câmera do Google gera algumas aberrações, como essas cebolinhas:

Um caso em que o Efeito foco não funcionou direito.
Foto: Rodrigo Ghedin

Em condições ideais, porém, dá para alcançar resultados magníficos, como esse da laranja (ambas são a mesma foto, com o foco alterado via software depois do clique):

Laranja desfocada.
Sem foco.
Laranja focada.
Com foco.

É um começo. Com o tempo o algoritmo deve ser aperfeiçoado e os resultados ficarão mais consistentes e chegarão a resoluções maiores. É esperar para ver — e, enquanto isso, se divertir mesmo com as limitações.

Nada de filmar em modo retrato!

A Câmera do Google pede ao usuário para deixar o smartphone em modo paisagem na hora de filmar.
Vire o celular!

Lembra do meu apelo para não filmarmos em modo retrato? A nova Câmera do Google engrossa o coro.

Quando no modo de vídeo com o celular em pé, um ícone na tela recomenda ao usuário que ele incline o dispositivo. É um ícone animado pouco descritivo, e não será surpresa se muita gente ficar coçando a cabeça tentando entender do que se trata ao se deparar com ele, mas é um toque legal, gentil (ele não te proíbe de filmar assim, como o YouTube Camera do iOS) e talvez capaz de conscientizar alguns que ainda insistem em filmar na vertical.

Câmera do Google, mais uma (boa) opção

No geral, quem usa o Android padrão (Nexus) tem bons motivos para atualizar a câmera para essa nova. Proprietários de outros modelos já no Android 4.4, como Moto X, Moto G, Galaxy S4 e Galaxy S5, não perdem nada testando, embora o apelo seja menor nesses casos — Motorola e Samsung se dedicam a criar apps de câmera poderosos ou mais acessíveis.

De qualquer modo, não custa nada experimentar. Às vezes é na simplicidade de um app como o Câmera do Google que mora o conforto ou, no caso, a melhor interface para se fazer fotos memoráveis.

Travei o SIM card! Como quase destruí meu smartphone com um adaptador de R$ 3

Lumia 920, nano SIM e o adaptador da morte.

Smartphones são projetos miniaturizados com o mínimo de partes móveis ou removíveis possível. Antes, baterias podiam ser trocadas, tampas saíam e quase sempre um slot para cartão de memória estava disponível. Hoje, pelo menos entre os aparelhos de ponta, a única alteração permitida é a inserção do SIM card, o chip da operadora. E foi isso, uma peça minúscula, o que quase arruinou o meu smartphone.

Os quatro tipos de SIM card

A miniaturização não atingiu somente o aparelho em si e seus componentes externos; o SIM card também encolheu com o passar do tempo. Do modelo original surgido com a tecnologia GSM e pouco lembrado hoje, ele encolheu muito. Antes, tinha quase o tamanho de um cartão de crédito. Desse, passamos ao modelo mini, com 15×25 mm e ainda o mais conhecido. Depois veio o micro, com 12×15 mm, que já se encontra em vários modelos intermediários e até alguns de entrada, como o Lumia 520. Por fim, chegamos ao nano, usado em poucos modelos, como os iPhones mais recentes, o Moto X e o novo One, da HTC, com apenas 8,8×12,3 mm.

Estamos em um ponto em que esses três tamanhos ainda encontram espaço nos smartphones à venda, em uma escala que vai dos mais simples (mini) até os mais avançados (micro ou nano). Na condição de quem testa diversos aparelhos, tenho dois SIM cards, o meu principal/pessoal (nano), que uso no dia a dia, e um outro apenas para testes (micro).

Mini, micro e nano SIM.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ontem pela manhã, decidido a experimentar o Windows Phone 8.1 Preview por alguns dias de forma total, ou seja, como meu smartphone principal, recorri a um dos itens da última visita virtual que fiz à DealExtreme: um adaptador de SIM cards. É um modelo barato, custou ~US$ 1,50, e bem versátil, composto pela chave para ejetar a bandeja de alguns modelos e adaptadores nano > micro, micro > mini e nano > mini.

Isso é possível porque embora o tamanho da moldura e do chip mude nos três tipos em uso atualmente, a leitura do chip, não. Se um nano SIM conseguir ocupar o espaço destinado a um mini SIM, ele funcionará. Correu-se o risco de haver uma quebra no padrão quando a ETSI estava escolhendo o 4FF, nome técnico do nano SIM. A Apple comprou briga com Nokia e outras fabricantes, que queriam um formato totalmente novo, e venceu. Graças a isso, a retrocompatibilidade foi mantida.

Tirei o nano SIM do iPhone 5, encaixei ele no adaptador e, em seguida, enfiei na bandeja do Lumia 920, o Windows Phone que uso para acompanhar o sistema e testar apps e soluções na plataforma. Religuei o aparelho e ganhei a mensagem de que o SIM card não fora reconhecido. Tranquilo, isso pode acontecer. O meu primeiro impulso foi remover a bandeja, ajeitar o adaptador e tentar novamente. Mas aí ele travou, e não saía mais. E eu, travei também quando me dei conta de que meu SIM card principal estava preso dentro do celular e, pior, sem funcionar. Que bela maneira de começar o dia.

Adaptadores, para que os quero?

Quem compra produtos baratinhos na DealExtreme e em outras lojas virtuais chinesas sabe que não raramente eles são uma roleta russa: podem ser muito bons e até duráveis, como aquele aspirador de pó portátil (ainda está funcionando!), ou mais frágil que itens descartáveis. O meu adaptador, aparentemente, cai nessa segunda definição.

Bandeja do Lumia 920 travada.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Após algumas tentativas frustradas seguindo tutoriais, os quais consistem basicamente em enfiar um plástico fino no vão da bandeja para destravar as “garras” que prende o SIM card lá dentro, fui a uma assistência que já haviam me recomendado aqui, no centro de Maringá. Sem os receios que eu nutria, o rapaz que me atendeu puxou a bandeja de uma vez e ela saiu. E eu, com cara de tacho, incrédulo com a facilidade com que ele fez aquilo e temeroso pelo movimento ter danificado alguma coisa internamente, apenas consegui balbuciar algo como “rapaz, que fácil, não?”

Passado o susto (não houve danos, o smartphone continua funcionando bem), eu não me arrisquei mais, né? Experimentarei o Windows Phone 8.1 Preview como se meu Lumia 920 fosse uma versão mais moderna do Zune em um universo paralelo onde o player da Microsoft não foi descontinuado e continua vendendo uma fração do que a Apple vende de iPod.

Adaptadores não são, pois, recomendáveis em aparelhos como esse, que guardam o SIM card em uma bandeja e são de difícil acesso. Já usei outros em celulares mais acessíveis nesse aspecto, nos quais o compartimento do SIM card fica totalmente exposto. Neles, caso algo dê errado, como enfiar o adaptador sem um SIM card, contornar esse problema é mais simples. Já aconteceu comigo, inclusive.

Claro que pode dar algo muito errado, como avisa o Android Central. No post, eles puxam um vídeo de 2012 (acima) em que Kevin Michaluk destrói um BlackBerry Bold 9900 com um adaptador vazio. E, no texto, Jerry Hildenbrand confessa já ter feito o mesmo com um Galaxy Nexus e entrega um colega que quase transformou um Lumia 1020 em uma bela câmera com apenas Wi-Fi. Todos, pois, graças a adaptadores. No meu caso, que foi com um Galaxy S II Lite, tive a sorte de conseguir remover o adaptador sem danificar o compartimento.

“Adaptador” é, por definição, um quebra-galho. Ao adaptar uma coisa, o que se faz é forçar o funcionamento de algo que, a princípio, é tão inadequado a ponto de não funcionar naturalmente. Você pode usar adaptadores de tomadas para plugues com o novo padrão brasileiro (e que sejam certificadas pelo INMETRO, por favor!), por exemplo, mas o ideal é trocar as tomadas da sua casa quando possível. Vai usar adaptadores de baixa qualidade, equivalentes aos que comprei para meus SIM cards? O risco, como mostrado, não compensa.

O que passei aqui é mais um problema de quem vive de testar celulares, está sempre trocando de aparelho, perfis peculiares. Se você comprou um smartphone novo e ele usa um padrão diferente de SIM card, o melhor a se fazer é ir a uma loja da sua operadora e solicitar a troca. Paga-se o preço de um SIM card novo, mas com a garantia de não levar sustos e a certeza de não colocar a integridade do seu smartphone em risco.

Tablets: amor para a vida toda ou apenas um caso rápido?

Tablets sobre uma bancada.

Os rumores que antecederam o lançamento do iPad, em 2010, traziam de carona comentários bem céticos. Muitos chamavam o tablet, sem conhecê-lo, de “iPodão”, e questionavam por que alguém iria querer um iPod gigante ou mesmo como ele se encaixaria na vida de alguém que já tivesse um smartphone e um notebook.

O iPad surgiu e, dos detratores, poucos sobraram. Muita gente reviu suas conclusões prematuras e, mesmo sem conseguir chegar a motivos racionais, enxergou o valor intrínseco do tablet. É difícil mesmo explicar a utilidade de um tablet, mas ela existe e qualquer pessoa que já correu os dedos por uma tela com quase o dobro do tamanho da de um phablet sabe que aquilo ali é, no mínimo, diferente.

Passados quatro anos da apresentação do tablet moderno, o segmento dá os primeiros sinais de desaceleração. Entre entusiastas, onde o conceito já se firmou, muitos que aderiram ao equipamento começam questioná-lo. No mainstream, ainda falta informação; aquelas mesmas dúvidas pré-lançamento do iPad não foram totalmente sanadas, ou de forma clara, para todos.

Afinal, tablet é apenas uma paixonite temporária, ou é amor para a vida toda?

A falta de interesse pelo tablet

Dedo tocando a tela de um tablet.
Foto: ebayink/Flickr.

Uma pesquisa da Kantar Worldpanel ComTech conduzida com norte-americanos no último trimestre de 2013 constatou que 53% dos entrevistados não pretende adquirir um tablet nos próximos 12 meses e que 34% não tem certeza se o fará. Matemática básica, do total apenas 13% afirmam estar em seus planos a compra ou troca de um tablet em 2014.

Os números, obtidos no maior mercado de tecnologia de consumo do mundo, chamam a atenção. Os oficiais das empresas, embora não pintem um cenário ruim, também dão sinais de que o ritmo diminuiu. No último trimestre fiscal do ano passado a Apple vendeu 14,1 milhões de unidades do iPad, número ligeiramente superior ao mesmo período de 2012 mesmo com a linha revigorada com o iPad Air e iPad mini com tela Retina reforçando o time. A Samsung não revelou números exatos, mas disse, em seu relatório do mesmo trimestre (PDF), ter observado um aumento nas vendas das suas linhas Tab e Note em decorrência do Natal, e que pretende “(…) intensificar a competitividade dos preços” no primeiro trimestre de 2014. Preço, como veremos a seguir, é um fator-chave no momento.

Não são dados alarmantes, mas que se distanciam das altas expectativas, quase sempre alcançadas na prática, de anos anteriores. Traçando um paralelo com smartphones, essa possibilidade de estagnação despontou bem mais cedo nos tablets.

O que um tablet faz?

A mesma pesquisa mostrou também que é preciso explicar melhor ao consumidor sem perspectivas de aquisição para que serve um tablet. Embora apenas 4% dos consultados não tenham ideia do que é esse dispositivo, 67% entre os que não têm planos de adquirir um no próximo ano reconheceu saber pouco sobre ele — e isso inclui, claro, desconhecimento sobre o que ganhariam levando um para casa.

Os departamentos de marketing tentam explicar, com comerciais tanto práticos quanto lúdicos, esses casos de uso. Não é uma tarefa fácil, já que um tablet depende de vários fatores (apps, rotina do usuário, configuração familiar) e pode ser um punhado de coisas para cada um de nós. Até câmera, como vende a Apple em um comercial recente do iPad Air:

Outras, como a Samsung, apostam na pegada artística, em muito beneficiada pelo suporte a stylus da linha Galaxy Note:

Sem falar, claro, nas possibilidades mais mundanas, como jogos, leitura e vídeos, o tipo de uso que qualquer dono de tablet conhece e muito provavelmente faz, ou ainda como segunda tela enquanto assiste TV, hábito que divide com celulares e que vem ganhando força — nos EUA uma pesquisa da Nielsen constatou que cerca de 70% dos telespectadores têm à mão uma segunda tela quando estão na frente da TV.

Existem ainda os cenários específicos, sendo o mais comum o educacional. Entre profissionais da saúde, a adoção do tablet vem aumentando. Esses e outros locais e aplicações focalizadas são onde a flexibilidade do tablet brilha e dão a esperança de que há não um, mas vários mercados potenciais bem específicos pouco ou ainda não explorados. Locais para crescer. Tanto que Tim Cook aposta no meio corporativo para que a Apple continue lucrando com o iPad.

Consultei alguns leitores do Manual do Usuário para saber o que eles fazem com tablets. A maioria afirma usá-los com frequência, principalmente para atividades que envolvem leitura. André Catapan, 22 anos, pesquisador e mestrando em Engenharia de Produção, disse ler muito no seu iPad Air, tanto para suas pesquisas quanto por lazer. “[Leio sobre] artigos online, geralmente sobre política, filosofia e tecnologia, minhas principais áreas de interesse. Posso dizer que foi o principal motivo para comprar o iPad Air, nunca me dei bem lendo grandes textos na tela widescreen de um notebook.” Ele ainda acessa redes sociais, apps de vídeo (Netflix, YouTube) e eventualmente joga alguma coisa.

O perfil de uso do André é muito semelhante ao meu. Dois anos depois de adquirir um iPad, sempre recorro a ele para ler o que salvei no Pocket e dar uma passada no Facebook e Twitter com mais conforto. A tela grande e o acesso imediato, característica essa ressaltada pelo João Paes Neto, 22 anos, auxiliar administrativo e dono de um iPad de 4ª geração, são convidativas a sessões curtas de uso. O tablet se insere, como Steve Jobs deixou claro na apresentação do primeiro iPad, entre a facilidade de uso do smartphone e o poder do computador.

Surface Pro na minha mesa de trabalho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outros leitores disseram ter substituído notebooks parcial ou completamente pelos tablets. O Windows 8, que aposta muito em conversíveis e híbridos, misturas entre notebooks e tablets, é a vedete dessa abordagem, é declaradamente “bipolar” e se vende como uma solução para entretenimento e trabalho. Nesse contexto o Surface, tablet da própria Microsoft, é o que melhor personifica a proposta. Mesmo com diversas falhas ele tem seu público, no qual está Igor Paes, outro leitor, 34 anos e analista de TIC:

“Substituí meu PC e meu notebook por ele [Surface Pro 2]. O uso mudou, pois antes o via como um desktop pra jogar e um notebook que utilizava pra navegar, escrever meu relatórios no trabalho e tal. Com o tempo, fui descobrindo a leitura através dele, tanto de livros como de notícias (Flipboard, por exemplo), joguinhos touch screen e fotografia (redes sociais e edição). Minha cabeça estava tão acostumada com o formato mouse e teclado que, ao deixar a type cover de lado, passei a usá-lo de outras formas, como descrevi um pouco acima.”

Gustavo Vieira, 36, consultor de gestão empresarial, escreve, edita e gerencia seu blog, o Espinafrando, integralmente através de um iPad mini com tela Retina. Ele também recorre ao tablet para ler gibis, acessar redes sociais e Internet Banking: “O futuro do tablet é ficar cada vez mais onipresente no dia-a-dia. Posso dizer que ele praticamente substituiu o uso de computador lá em casa, que vive sempre desligado”.

Esses dois casos ainda são raridades, e talvez nunca se tornem mais que isso. É bem verdade que artigos e apps mostrando o lado produtivo dos tablets são fáceis de encontrar, e coisas como o Office para iPad buscam reforçar esse posicionamento. O esforço em adaptação, porém, soa paradoxal à ideia de facilidade de uso que se tem dos tablets. Aprender a digitar rápido na tela, migrar fluxos de trabalho para os padrões simplificados do iOS/Android, encontrar os apps certos… É mais fácil continuar com o notebook, e melhor ainda se for um Ultrabook rápido e leve.

A linha tênue que separa tablets de phablets

Galaxy Note 3 e sua tela de 5,7 polegadas.
Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr.

O nome phablet, que surgiu quase como uma piada interna, pegou, e por um bom motivo: ele engloba uma categoria à parte de smartphones, uma com telas enormes. Com os últimos lançamentos dos topos de linha, todos com telas de 5 polegadas ou mais, essa divisão faz cada vez menos sentido.

O grande apelo de um tablet é a tela maior, bem maior que a dos smartphones. Das 3,5 polegadas do iPhone até a versão 4S para as 9,7 do iPad, há uma distância considerável. Já entre as 5,1 polegadas do Galaxy S5 e as 7 do Galaxy Tab 3…

O caminho contrário ao comentado acima, da união entre tablets e notebooks, também existe e é mais ameaçador à existência do tablet. A distância entre ele e smartphones, que antes justificava a compra dos dois equipamentos, encolheu com o tempo e isso pode ter impactado a noção de necessidade de um tablet que, sejamos sinceros, nunca foi lá muito forte. Mesmo a Apple diminuiu o espaço que separa seus equipamentos: o iPhone cresceu (4 polegadas a partir do iPhone 5) e o iPad diminuiu com a versão mini, para 7,9 polegadas.

Como telas grandes são o novo chamariz dos smartphones a despeito de outras especificações, mesmo quem centra suas escolhas no preço tem opções. De modelos intermediários, como Galaxy Gran Duos e Xperia C, chegando até a uns bem baratos, com o Nokia XL, a tela grande deixou de ser luxo de quem pode gastar muito com telefonia móvel.

A Huawei, no último MWC, anunciou o MediaPad X1 com uma proposta ousada: ser um dispositivo híbrido, smartphone e tablet ao mesmo tempo. Com tela de 7 polegadas e uma moldura finíssima, não duvido de que o conceito pegue e, em um futuro bem próximo, seja replicado por outras fabricantes. O mercado parece sedento por telas enormes que fazem ligação. Qual o limite? Eu não me arrisco a chutar.

Preços para baixo e mercados emergentes remediam a situação

O iPad mini tem tela de 7,9 polegadas.
Foto: Apple.

A pesquisa citada no início desta matéria trouxe outro ponto-chave na relação entre tablets e consumidores: o preço. 47% dos que estavam incertos sobre a compra de um tablet e 25% dos que não pretendem adquirir um acham tablets caros.

A explosão de modelos abaixo dos US$ 300 no final de 2012 e o sucesso que eles fazem, levando até a Apple a lançar uma versão encolhida e mais em conta do iPad, indicam que há, de fato, muita sensibilidade em relação a preços.

A alavancada nas vendas de tablets Android se deve em muito a esse fator. Ano passado, a plataforma ultrapassou o iPad em volume e faturamento, e essa inversão é creditada à inundação do mercado com modelos pequenos e baratos. E alguns muito baratos, a ponto de não serem recomendados por ninguém sério (você recebe pelo que paga) e, o mais curioso, posicionados como TVs/telas portáteis para vídeo.

No Brasil, tablets sérios disputam a atenção do consumidor com esses modelos super baratos de marcas desconhecidas ou, quando conhecidas, montados na China a partir de um projeto genérico e apenas marcados com o logo das empresas locais quando chegam aqui. Há uma disparidade enorme não só no valor pago, mas também e principalmente na qualidade e nas possibilidades que o dispositivo abre.

Uma pesquisa recente da Mobile Marketing Association/Nielsen Ibope revelou um aumento de 312% nas vendas de tablets no varejo brasileiro em 2013. Mas quais tablets?

Os resultados de outra pesquisa, essa realizada pelo IDC no segundo semestre do ano passado, ajudam a responder a pergunta acima. Eles apontaram aumento de 151% nas vendas desse tipo de equipamento em relação ao primeiro semestre, número em muito beneficiado pelos tablets “baratinhos”, como escreveu Claudia Tozetto no iG. De todos os modelos vendidos no período, 1,9 milhão, 55% custavam menos de R$ 500. Pedro Hagge, do IDC, explica o fenômeno brasileiro:

“O Brasil é um mercado em ascensão para os tablets, com grande parte dos usuários comprando seu primeiro dispositivo. Nosso mercado continua muito sensível a preços, e os tablets são acessíveis para o poder aquisitivo do consumidor brasileiro, representando uma opção viável de sistema para uso básico e acesso à Internet.”

Da mesma forma que demoraram para chegar aqui, o desaquecimento nas vendas de tablets também será sentido mais tarde no Brasil. E com a falta de alternativas (Chromebooks são inexplicavelmente caros, notebooks de entrada, além de não serem baratos, são ruins), não será espantoso se mercados emergentes acabarem sustentando por um tempo maior as margens desse tipo de equipamento.

O efeito colateral dessas peculiaridades locais é que quem vai às compras e acaba pegando um modelo baratinho, sem pesquisar antes, nem testá-lo, corre o risco de acabar com um aparelho lento e repleto de deficiências, que faz o desfavor de apresentar a plataforma a quem mais se beneficiaria dela da pior maneira possível.

Equilibrar preço e qualidade é uma equação ingrata, porém não impossível. Mesmo no mercado local há tablets que, vá lá, não são um iPad, mas quebram o galho por algumas centenas de Reais a menos. O problema, novamente, é identificá-los. Por fora, um Asus MeMO Pad HD7 não difere muito de um xing-ling ruim; já por dentro…

Uma moda que demorou a passar ou o futuro ainda inexplorado?

Homem usando um tablet.
Foto: ebayink/Flickr.

Talvez você esteja, agora, com uma visão apocalíptica do mercado de tablets na cabeça. Se for o caso, peço desculpas. Não era a intenção. Apesar de uma possível estagnação no horizonte, eles continuam sendo uma força no segmento móvel e seguem mais saudáveis que outras áreas, como a de notebooks. Sem falar no potencial de mercados emergentes, como o Brasil, ainda maravilhados pelo fator novidade e que seguem comprando muito.

Mas o sinal de alerta deve estar aceso, mesmo que no nível mais baixo, nas empresas que os fabricam. Quando até gente da indústria como Zal Bilimoria, ex-Netflix, hoje na Andreessen Horowitz, uma das empresas de capital de risco mais conceituadas dos EUA, sentencia que o amor pelos tablets acabou e traz dados da Netflix que sustentam seu ponto na prática, é sinal de que algo mudou.

Tablets são incríveis, eles só têm o problema de disputar a atenção com coisas ainda mais incríveis, os smartphones. Há espaço para eles nas nossas vidas? Sim, só que esse espaço talvez não seja tão grande quanto se imaginou a princípio.

Foto do topo: Martin Voltri/Flickr. Agradecimentos a todos os leitores que bateram um papo sobre o uso que fazem de tablets: João Paes Neto, Pedro Maia, André Capatan, Flávio Ricardo, Rodrigo Sabino, Thiago Brito, Igor Paes, Rafael Duarte, Gustavo Vieira, Pedro Simões, Pedro Dal Bó, Nelson Souza, Paulo Higa, Gabriel Arruda e Joel Nascimento Jr. Valeu!

A reação descabida da American Airlines à ameaça de terrorismo de Sarah, uma adolescente de 14 anos, no Twitter

Avião da American Airlines em solo.
Foto: Daniel Foster/Flickr.

Sarah, uma adolescente de 14 anos que vive em Roterdã, Holanda, publicou uma mensagem bastante infeliz no Twitter ontem pela manhã. Era uma ameaça de atentado terrorista dirigida à American Airlines. Neste momento ela está detida para investigação. E amedrontada.

A menina, que escrevia no perfil @QueenDemetriax_ (ela apagou a conta), publicou a seguinte mensagem direcionada à American Airlines, uma companhia aérea dos EUA:

Mensagem original de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@AmericanAir olá meu nome é Ibrahim e eu sou do Afeganistão. Sou parte da Al Qaida [sic] e no dia 1º de junho farei uma coisa bem grande tchau”

A resposta do social media da American Airlines veio seis minutos depois:

A resposta da American Airlines a Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@queendemetriax_ Sarah, nós encaramos essas ameaças com seriedade. Suas informações e endereços IP serão encaminhados à segurança e ao FBI.”

Sarah, claro, surtou. Nas mensagens seguintes, disse que ter sido uma piada, que se lamentava, estava com medo, jogou a culpa em uma amiga e afirmou que não era do Afeganistão.

As reações desesperadas de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

Foi uma piada, ou melhor, uma “piada” ruim. Não é isso o que está em questão. A reação da American Airlines, isso sim, foi o que mais me surpreendeu. Pareceu-me descabida dadas todas as circunstâncias.

A perigosa terrorista de 14 anos fã da Demi Lovato

A resposta da companhia aérea foi tão descabida quanto a ameaça da adolescente. Alguns podem alegar que foi uma resposta na mesma moeda, mas pense comigo: uma menina de 14 anos escrevendo algo estúpido na Internet? Ok. Uma empresa biolionária cheia de profissionais tocando o terror em cima disso? Preocupante.

Nem verdadeira a resposta da American Airlines era (era, do verbo não é mais, já que ela foi apagada do perfil): a empresa não tem acesso aos IPs de quem interage com ela no Twitter. Configurou-se, pois, uma espécie de ataque reverso: de ameaçadora, Sarah acabou vítima de terrorismo psicológico.

E temos as circunstâncias. Uma menina de 14 anos por trás de um plano maligno para derrubar aviões avisa de antemão a companhia aérea alvo do seu intento, via Twitter usando sua conta de fangirl da Demi Lovato, que algo grande acontecerá. Soa bizarro falando assim, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu entendo, e concordo, que com certas coisas não se brinca. Terrorismo é uma delas, e das mais sérias. A piada, como já disse, foi bem infeliz e passível de investigação, como a polícia de Roterdã, sem o envolvimento do FBI ou da American Airlines, está fazendo nesse momento. Aliás, a postura da polícia local é um sopro de sanidade em meio a tanta loucura. Ao Business Insider, um porta-voz disse:

“Não estamos em posição de comunicar qualquer ponto das acusações nesse momento. Apenas achamos que seria necessário trazer isso à tona pelo fato de que ela [a ameaça de Sarah] gerou muito interesse na Internet.”

Armar um circo em torno disso a ponto de amedrontar Sarah, de direcionar a ela comentários raivosos de gente que fica à toa na Internet, isso é pura e simplesmente errado. Antes de excluir sua conta ela ganhou uma avalanche de xingamentos vinda de estranhos. De “imatura” a “racista”, apenas tente imaginar como deve estar a cabeça dessa menina. Faça um exercício de analogia: pense nos comentaristas de portais dirigindo todo aquele chorume para você, destilando a raiva em relação ao sistema, aos petralhas, ao Sakamoto, aos direitos humanos contra você.

E lembre-se: ela tem 14 anos.

Poderia ter sido diferente

Existe um tratamento diferenciado para crianças e adolescentes em todas as esferas, incluindo a criminal, porque até certa idade nós não temos o discernimento desenvolvido — e muitos, inclusive, morrem velhos sem tê-lo funcionando plenamente. Para Sarah, ou a (suposta) amiga dela que fez a brincadeira no Twitter, isso se aplica também. Na hora em que começamos a ignorar essas nuances da psicologia humana, a enquadrar todo mundo em um crivo fixo para adultos e crianças, deixamos a humanidade um pouco de lado e voltamos algumas casas no jogo da evolução enquanto sociedade. Aproximamo-nos da Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”.

Como proceder, então? A American Airlines poderia ter enviado a Sarah apenas metade da sua mensagem, a que diz que leva essas ameaças a sério, via mensagem privada. Seria suficiente para que ela percebesse que, hey, existem consequências para o que acontece na Internet, há limites para a zoeira. Em seguida, pedir à polícia de Roterdã para averiguar a ameaça, porque por mais tola que ela pareça, ainda assim é algo que merece ser investigado. Melhor não arriscar.

“Ah, mas agora serviu de exemplo”. Será? E se sim, a que custo? O trauma que ficará na menina extrapola qualquer lição que seu caso tenha deixado aos demais — e, pelas reações que vi até agora, ele tem servido mais para risadas, “hahaha se ferrou!”, do que para conscientizar alguém que seja. É a mesma lógica que muitos apregoam no trânsito: ao ver que outro motorista está fazendo alguma barbeiragem, esses iluminados da direção seguem avançando até o último segundo, assustando o “babaca que não sabe dirigir” para “ensinar como é que se dirige”. Apontam e reforçam o erro achando que estão conscientizando. Relatos dessa metodologia pra lá de questionável são recorrentes, sempre contados com um quê de orgulho. Até hoje não soube, porém, de um caso bem sucedido de educação no trânsito baseada na intolerância e na agressividade.

O mundo está maluco, as pessoas estão perdendo as estribeiras por pouco e, nesse contexto, é fácil pegar qualquer coisinha para “servir de exemplo”, até uma brincadeira boba na Internet feita por uma criança. Fácil, não correto. Vamos colocar a mão na consciência, pessoal. Sarah tem 14 anos e, daqui em diante, um trauma para a vida toda.

Spotify no Brasil: demorou, mas ele chegou (mais ou menos). Tarde demais?

Logo enorme do Spotify.

O Spotify, serviço de streaming de músicas mais popular do planeta, há meses ensaia sua estreia no Brasil. Dependendo do ponto de vista (e do veículo de comunicação que você acompanha), dá para dizer que ele já chegou. É hora de abandonar as ofertas estabelecidas no Brasil e correr para o Spotify? Calma, muita calma nessa hora.

O Spotify já chegou oficialmente ao Brasil?

Aviso no site brasileiro do Spotify.
Spotify está chegando ao Brasil.

Resposta simples: sim.

Mas é um “sim” cheio de “poréns”. Quem entra no site oficial do Spotify hoje dá de cara com uma mensagem em letras garrafais dizendo “Spotify está chegando ao Brasil”, com um formulário para deixar seu e-mail e, em algum ponto futuro e não especificado, receber um convite para usar o serviço antes do lançamento oficial1. Sim, uma tática para gerar hype muito popular no longínquo ano de 2004, quando Orkut e Gmail eram também um clube semi-fechado, mas que ainda encontra adeptos dez anos depois.

Tenho uma conta lá faz alguns anos criada para usar o Spotify via VPN, uma forma de acesso que “engana” servidores. No caso, o Spotify achava que eu estava em um país onde ele já atuava — primeiro Inglaterra, depois Estados Unidos. Quando soube que o serviço estava operando por aqui em caráter de testes, bastou mandar um e-mail para o suporte (em português mesmo) solicitando a migração da conta. Em poucos minutos o meu Spotify ficou verde e amarelo, tornou-se acessível sem VPN e passou a aceitar pagamentos com meu cartão emitido no Brasil ou PayPal.

Spotify, agora num pretinho básico.
Novo Spotify para Windows.

Daquela época para agora, o Spotify mudou um pouco. A maior diferença é o cliente desktop, meio que uma exigência dadas as limitações do web. A nova versão, que apareceu dia desses, trouxe um visual negro bem mais refinado e, enfim, a possibilidade de salvar álbuns para acessá-los rapidamente, de um local específico, em vez de ter sempre que recorrer à busca ou criar playlists.

Tivesse sido lançado há uns dois anos, o Spotify seria uma escolha quase natural. Hoje, com Rdio, Deezer e Xbox Music brigando feio pela preferência do cliente, o cenário é outro. Como o Spotify se sai frente a esses concorrentes, principalmente o Rdio, que uso no dia a dia?

Spotify ou Rdio? Uma questão de abordagem

Assino o Rdio há uns bons anos e gosto muito do serviço. O que não me impediu, claro, de pagar uns trocados no Spotify para ver como ele está atualmente.

Aliás, já no pagamento nota-se uma aparente vantagem para o recém-chegado: ele é mais barato. Mesmo cobrando em dólar, na ponta do lápis os US$ 5,99 pelo plano mais completo, que inclui o uso de apps móveis, sai mais em conta que os R$ 14,90 do Rdio — uma diferença, feita a conversão com o dólar a R$ 2,19 (cotação de ontem) e acrescido o IOF (6,38%), de pouco mais de R$ 1. Ok, é de fato mais barato, mas a diferença é tão ínfima que outros fatores podem torná-la irrelevante. E para quem assina duas contas, a ausência de um plano familiar no Spotify, que existe no Rdio, acaba invertendo a pequena economia observada nos planos individuais.

Focando no plano individual, são esses “outros fatores” que complicam um pouco a situação do Spotify, ao menos para o meu perfil de uso. Ele tem uma pegada diferente em dois aspectos-chave: organização e descoberta de músicas.

O Spotify é todo sobre playlists. Se você quiser baixar músicas para ouvi-las desconectado da Internet, precisa criar uma playlist ainda que seja composta apenas por músicas de um mesmo álbum. Há uma obsessão por playlists que ignora outras formas de ouvir música, e uma delas em especial, o álbum completo, faz muita falta.

O Rdio também oferece playlists, mas dá mais atenção à organização por álbuns na Coleção. Curtiu um álbum, quer ouvi-lo mais vezes e tê-lo sempre à mão? Acrescente-o à Coleção e, opcionalmente, torne-o acessível offline. São dois cliques para cada ação, que é desencadeada em todos os dispositivos conectados à sua conta. Rápido e fácil, sem enrolação.

Organização por álbuns é central no Rdio.
Minha coleção no Rdio.

Não tenho muito saco para playlist e encaro muitos álbuns como trabalhos completos, fechados, que em certos casos merecem ser ouvidos de cabo a rabo. A nova interface do Spotify remedia esse defeito parcialmente: agora existe uma seção “Minhas músicas”, onde dá para acrescentar álbuns. Ainda falta, porém, a sincronia offline.

Mais importante que isso é a descoberta de novas músicas. O Spotify confia muito no Facebook (houve uma época em que ele só funcionava atrelado à rede social nos EUA) e mistura indicações de amigos com recomendações do algoritmo em uma aba “Descobrir” que é tudo, menos organizada.

No Rdio, a tela inicial apresenta álbuns em alta na sua rede de contatos. O esquema de amizades é independente e assíncrono, como no Twitter. Seguir pessoas com gostos similares aos seus é a garantia de receber boas indicações — comigo sempre funcionou.

Abaixo de cada álbum aparecem fotos dos contatos que ouviram-no, e esses rostos conhecidos são poderosos para me levar à descoberta de novas músicas. Para mim, é onde o Rdio ganha de lavada: além de uma mecânica em geral melhor, por estar oficialmente há mais tempo no Brasil ele tem mais usuários, entre os quais muitos amigos e conhecidos em quem presto atenção na hora de procurar coisas novas (e boas!) para ouvir.

O Rdio ainda tem alguns mimos bacanas, como o modo Controle Remoto (que uso um bocado, já que ouço bastante música na TV enquanto trabalho no computador) e interfaces bem bonitas tanto na web quanto nos apps móveis.

Qualidade e acervo

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Screenshots do Rdio e Spotify, tocando HAIM, no iPhone.
Rdio e Spotify no iPhone.
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Para ouvidos destreinados com fones simples, as diferenças na qualidade do áudio entre Spotify e Rdio são irrelevantes.

O Spotify parece mais acertado tecnicamente. O serviço usa um sistema peer-to-peer (P2P) bastante engenhoso e confia em arquivos OGG de bitrate altíssimo para entregar a melhor qualidade possível da forma mais rápida. E é rápido mesmo, em muitos casos mais que o Rdio.

Só que essa diferença é mínima, incapaz de distanciar muito os dois serviços, e a qualidade sonora dos dois beira a equivalência. Neste teste publicado no Medium, a constatação foi de que ambos têm qualidade aceitável. O Spotify apresentou uma pequena vantagem, mas uma que, repetindo, a ouvidos menos sensíveis com fones abaixo da faixa dos US$ 100 não fará diferença.

Em termos de acervo, vez ou outra me deparo com algum buraco no Spotify ou no Rdio2. O abismo entre os dois é pequeno, pelo menos dentro do que costumo ouvir, e tende a encolher ainda mais. Ponto para o Spotify por permitir mesclar arquivos MP3 do próprio usuário às músicas do catálogo.

A música em si, o fim desses e outros serviços de streaming, caminha para a comoditização. O que sobra para eles se diferenciarem uns dos outros são detalhes, recursos, os facilitadores e pequenos agrados para usuários mais exigentes.

Ah sim, e preço.

O trunfo do Spotify: ser gratuito

Não é preciso pagar para usar o Spotify. Ele oferece um plano gratuito cheio de anúncios, gráficos e sonoros, além de músicas com qualidade levemente reduzida.

É tentador, especialmente em mercados onde pagar por música não é algo tão natural, como o nosso. Parece uma troca justa num primeiro momento: toda a música que você quiser de graça, com banners e uns spots comerciais a cada poucas canções.

Tem quem conviva com isso, mas convenhamos: é profundamente irritante, no meio de uma sessão legal, entrar um “Un Dos Tres!” estridente do Ricky Martin daquele comercial da Fiat. Ou algo fora do tom em uma playlist para quem está curtindo uma fossa.

https://twitter.com/dremacedo/status/454088501836120064

O Deezer, que melhorou bastante (mas bastante mesmo!) seus apps desde que estreou no Brasil, também oferece um plano gratuito suportado por anúncios.

De qualquer forma, se você tem o mínimo de apreço por música e não está no perrengue para pagar o próximo aluguel, faça um esforço e arque com a mensalidade de um desses. Qualquer um.

Qualquer um? Sim, porque embora eles tenham particularidades e sejam melhores em um aspecto ou outro, no que interessa, ouvir música, todos são bem competentes. Em qualidade e acervo, Rdio, Spotify, Deezer, Xbox Music estão muito próximos. E como eles, mesmo os apenas pagos, oferecem períodos de degustação gratuitos, vale a pena fazer o teste. Não custa nada, literalmente, e permite ter uma noção do que você ganha e perde optando por cada um.

Ah, e bem-vindo ao Brasil, Spotify.

  1. Das coincidências da vida: algumas horas após fechar a edição deste post recebi o convite para usar o Spotify no e-mail que havia deixado na página brasileira do serviço há alguns meses. ↩
  2. Nesse quase um mês usando os dois serviços alternadamente, só me deparei com uma lacuna: Sleigh Bells. O Spotify tem, o Rdio, não. ↩