Swarm, novo app do Foursquare.

Swarm, novo app do Foursquare, troca gamificação por mais encontros reais com seus amigos


16/5/14 às 11h00

No começo do mês o Foursquare prometeu algo ousado: dividir seu app em dois. O original seria destinado a recomendar locais e dar dicas de estabelecimentos, uma parte que bem depois do lançamento do app se tornou prioridade para os desenvolvedores. Outro, inédito, receberia o que tornou o Foursquare conhecido, os check-ins e encontros com amigos. Ontem o Swarm, nome desse novo app, foi lançado, e outra divisão pode ser observada — desta vez, na recepção do público.

O Swarm está disponível para Android e iPhone, e é um trabalho bem feito, como tudo que tem saído do Foursquare nos últimos anos. Rápido, bonito, bem resolvido, ele pega todo o sistema de interação em tempo real do antigo e faz uma espécie de otimização seguindo dois princípios: 1) diminuir a fricção no uso do app; e 2) propiciar mais encontros em carne e osso entre seus usuários.

O e-mail de boas vindas do Swarm resume bem o que o que dá para fazer com o app. São três ações:

  • Quer se encontrar com amigos? Abra o app e veja quem está por perto.
  • Quer compartilhar o que está fazendo? O check-in nunca foi tão rápido e divertido.
  • Teve uma ideia de algo legal para fazer? Mande uma mensagem rapidamente para todos os seus amigos próximos.

Basicamente, é isso. Vejamos agora, pois, os pormenores dessa experiência e, principalmente, do que ficou de fora dela.

Adeus, check-in

Seus amigos aparecem de acordo com a localização no Swarm.
Tela inicial.

A interface do Swarm se divide em quatro áreas. Na primeira, os amigos são listados de acordo com sua posição em relação ao smartphone. Há quatro raios, que vão de 150 metros até “a uma distância muito grande”, gente de outras cidades. De cara o Swarm dá uma visão geral de onde seus amigos estão, mesmo que eles não tenham feito check-in.

Nesse contexto, o check-in como conhecíamos no Foursquare se tornou secundário e, em certa medida, desnecessário. O app tem a tecnologia e os smartphones modernos, os recursos para que a localização dos usuários seja “adivinhada” com precisão. Na prática, não é preciso sequer tirar o smartphone do bolso para que seus amigos saibam onde você está; o app sabe e se atualiza, ininterruptamente, em tempo real. Ao The Verge, o CEO Dennis Crowley foi direto:

“Veja bem, a razão da empresa, essa coisa toda, nunca foi construir um botão de check-in incrível.”

O check-in é apenas mais um sinal entre os vários que formam e explicam a base de estabelecimentos (ou venues) do Foursquare. Na época, foi necessário ante a rudimentaridade dos smartphones e APIs dos sistemas móveis.

Nada impede que você toque no botão de check-in e faça-o manualmente no Swarm, como era no antigo Foursquare. Ele continua existindo e é uma boa para quando se deseja informar exatamente o local da festa.

Mas não precisa, de verdade.

Soa invasiva essa estratégia, mas calma. Um dos problemas do Foursquare é, paradoxalmente, uma das suas vantagens: há pouca gente usando o serviço. No Brasil, a estratégia da TIM com o TIM Beta deu uma força, ainda que a maior parte do povo que se cadastrou no Foursquare para ganhar pontos (ou seja lá o que se ganhava naquilo) não use o serviço regularmente e, pior, saia adicionando desconhecidos num ritmo alucinado e sem qualquer critério.

Como ativar e desativar o compartilhamento.
Este GIF ilustra bem.

De qualquer forma, essa restrição permite que se crie uma lista de amigos mais íntimos. Recusar um convite ou dar unfriend são atos menos solenes aqui, e nessa o perigo de ir a um bar e aquele cara que fazia bullying contigo na escola e te adicionou ano passado no Facebook aparecer do nada, diminui bastante. Lidar com essa multiplicidade de gente é um dos grandes desafios do Facebook que, aliás, recentemente liberou uma função parecida com o Swarm.

Além dessa vantagem (discutível, mas vá lá, ainda é uma vantagem), existe uma “chave geral” na barra do topo, o compartilhamento do bairro. Arrastando-a para a direita, ela fica laranja (ativada) ou cinza. É esse interruptor que denuncia sua posição. Se você estiver em um jantar a dois e não quiser ser importunado pelo seu amigo Stifler, basta desativar o Swarm e sua carinha sumirá do radar. Simples e eficiente.

Chamando os amigos para o rolê pelo Swarm

Das outras três áreas, duas são conhecidas: notificações e um listão em ordem cronológica inversa dos check-ins dos seus amigos. A terceira, chamada Planos pela vizinhança, é nova. E promissora.

Os planos do Swarm permitem organizar encontros rapidamente.
O plano de John.

Ainda bastante precária, ela permite chamar a galera para fazer alguma coisa. É como um evento no Facebook, só que descomplicado. Na verdade, descomplicado demais: a brincadeira consiste em deixar uma frase explicando o que e onde será o encontro. Isso dá margem para usos inusitados, do tipo “vou comprar sapato na loja ‘X’, alguém me ajuda?”, ou triviais, como “vamos no bar?”. Quem topar, clica em um botão confirmando o interesse e pode deixar um comentário. Tudo bem “aberto”, como se fosse uma obra de arte na visão do Umberto Eco.

O Swarm ainda é “8 ou 80” nessa questão das amizades. Não dá para criar um plano e segmentar os convidados, todo mundo fica sabendo de tudo. E… bem, a gente sabe que na vida não é assim, que temos diversos círculos de amizades e que sermos o laço que os une não significa que todo mundo se dará bem com todo mundo.

Modificar esse comportamento acrescentaria camadas extras de complexidade, e no momento isso parece ir contra os anseios do Foursquare, em especial contra o intuito de diminuir a fricção no uso do serviço. Talvez mude no futuro, mas só vislumbro essa movimentação se o Swarm cair no gosto do público mais mainstream. Será só assim, também, que a função de planos terá alguma utilidade. No papel, pelo menos, reforço: ela é bem promissora.

Cadê minhas medalhas? E minhas prefeituras?

Não é de hoje que o Foursquare busca se desvencilhar do check-in e, modo geral, do aspecto de gamificação. Aspecto que, para alguns, é a melhor parte da brincadeira. Medalhas, pontos, competição, prefeituras incentivam o uso do app nesse meio.

Tudo isso sumiu no Swarm*. A digestão dessa novidade depende de como você encara o Foursquare. Para mim, não faz muita falta; para Rafael Silva, 26 anos, colunista de tecnologia da Oi FM, sim:

“Eu não curti muito não [o fim da gamificação]. Queria mais badges e continuar no ranking de pontos e tal. Isso me motivava mais a dar check-in, ter uma disputa com meus amigos para ver quem ficava no topo. Agora não tem mais, perdeu parte da graça pra mim.”

* As prefeituras, na verdade, continuam existindo. A diferença é que agora elas não são centralizadas e cada círculo de amigos terá uma. Explicações mais detalhadas aqui.

Conversei com o Rafa, usuário bastante ativo do Foursquare há um bom tempo, sobre o novo app Swarm. Além da insatisfação com o fim dos badges e prefeituras, ele também citou o comportamento estranho do Foursquare, atualizado um dia antes para “receber” o Swarm. Ainda se faz check-in por lá, mas sua sua interface foi bastante simplificada. Pelas declarações dadas ao The Verge, é uma situação temporária enquanto o reformulado Foursquare, com foco em recomendações e dicas, não chega.

Ainda dá para fazer check-in e mencionar amigos no Swarm.
Check-in tradicional.

Meia década depois do seu laçamento, o conceito do check-in não vingou. Pior: passou de necessidade a um estorvo. Ele só é popular entre o pessoal da tecnologia e comunicação. Junto ao público menos aberto à premissa do app, parte majoritária, é uma dinâmica que soa quase anormal. “Por que você fica falando pra todo mundo onde está?”, e “Nem chegou e já vai fazer check-in!?” são comentários que ouço com frequência. Dá para entender a cara de interrogação que as pessoas fazem.

Para ser popular e fazer dinheiro com isso, um app ou serviço precisa demonstrar valor e ter uma base generosa de usuários. Na estratégia do Foursquare, é mais fácil alcançar esse estágio com recomendações de locais e dicas do que com um joguinho simples e pouco estimulante. Qualquer um que já recorreu ao serviço para encontrar um restaurante maneiro em uma cidade estranha, ou até mesmo onde mora, sabe que essa parte funciona muito bem.

Sendo assim, por que não focar nela? Para conseguir esse foco era preciso tirar o botão de check-in do centro da experiência do Foursquare — ele intimida, respinga em toda a experiência de uso e acrescenta complexidade à toa. Rachar o app em dois foi, portanto, a saída eleita — e uma das mais espertas. Felipe Cepriano, 23 anos, analista de software na IBM, usa o Foursquare desde 2009, acumula mais de 2200 check-ins e também acha que a divisão em dois apps é uma boa:

“Por um lado eu acho meio chato, precisar de dois apps pra fazer algo
que antes ficava em um só. Mas não vejo muito como implementariam
recursos novos, como os Planos, sem poluir a interface do Foursquare.
Separando o lado social do lado “discovery”, fica mais fácil. E tem
muita gente que gosta de conhecer lugares mas fica intimidada pela
interface do Foursquare: Uma conta nova mostra só uma timeline vazia,
e pouco fala de lugares novos pra descobrir.”

O Swarm aproveita muito bem o poder dos smartphones modernos para brincar com ideias de context awareness: em vez de puxar o smartphone do bolso, ele chama a nossa atenção quando é conveniente ou necessário. É a premissa básica de sistemas super especializados, como relógios inteligentes, mas que se adequa bem em equipamentos mais mundanos, mais estabelecidos, como nossos smartphones.

Pena que, como quase tudo que é social na Internet, o bom proveito do Swarm dependa da adoção pelos nossos amigos. É nessas horas que a lamúria do Fabio, abaixo, se estende a todos que, pelo mesmo motivo ou outro, quase sempre vê bolas de feno rolando na tela de notificações do Foursquare/Swarm:

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20 comentários

  1. Eu continuo a usar o Foursquare, mas depois que sairam os Badges o interesse diminuiu muito e raramente dou check-in. Erraram feio nessa achando que isso iria melhorar.

  2. Eu e mais outros usuário estamos notando que estão parando de contabilizar os check-ins feito no Swarm para desbloquear Badges. Um deles é meu irmão que mesmo realizando check-in três dias seguidos não desbloqueou a Local. O pior é que mesmo olhando pelo site não achei uma forma rápida de entrar em contato com o suporte do Foursquare.

  3. Achei péssimo a desativação das medalhas. Era sempre uma surpresa quando desativavamos uma. Hoje, estou achando o app mais pobrr, por mais que exista o Swarm. Digo isso pq existem outros app’s de comunicação que fazem mais sucesso e nunca vão ser substituídos pelo Swarm. A inovação do Foursquare que era justamente essa gamficação que se diferenciava do check-in do facebook, infelizmente acabou. Meus dias de uso do aplicativo estão com os dias contados.

  4. Detestei!
    Não tenho mais a motivação que tinha para fazer check-ins.
    Já tentei várias vezes desinstalar o app novo e ficar só com o antigo, mas forçaram a barra para ficar só com o novo e não tanto agradável!
    Muito chato e sem graça!!!
    Tô fora… não dá!!
    Espero que não tenha sucesso.

    1. Desinstala tudo e depois baixa só o foursquare. Fiz assim e deu certo. Mas prefeituras e badges adeus. To usando só para ver dicas de bons lugares já que também desmotivei de usar!

  5. Concordo com a Ana e o Fabricio. A parte interessante que eram os badges e os pontos sumirem, perdeu a graça demais. Desmotivei até de usar. E essa forçada de barra para baixar o swarm pra fazer check-in super me irritou. Sem falar no laranja do aplicativo swarm que não é nada agradável. Detestei!

  6. O que eu achei muito chato por parte do Foursquare foi terem forçado a instalar o Swarm não permitindo novos checkins a não ser que instale o Swarm. Venda casada na rede? Desculpe Swarm, não vai rolar.

  7. To achando muito ruim. Baixei mais ja desinstalei. Ter que ficar com dois comedores de bateria instalados…aff! Sem contar que achava legal a competição entre os amigos, as badges tambem eram bem legais. Ficou muito sem graça!

    1. Não vou nem baixar o novo app. Foursquare desinstalado do meu smart! Precisar de 2 apps pra pouca coisa? Não. Foi um péssimo movimento da empresa!

      1. Era um time que estava ganhando aqui no Brasil. Eu levava clientes e mais clientes para marcarem seus estabelecimentos. Explicava para eles como eles poderiam criar suas estratégias “Foursquare Marketing”. Mas agora tudo caiu por terra. Sinto-me lesado por todo o investimento de tempo no Foursquare para simplesmente vocês dividirem as funções de busca em um app e a de checkin em outro. Bom, vou recomeçar meus checkins no Yelp torcendo para q todos os meus amigos migrem para la.

        The app Foursquare was very important with me but nothing more. Why you change to Swarm? I hate it! What’s happened? So I change to Yelp and my friends too! Thank you for everything and good bye forever!

    1. Concordo Ana! Ficou sem graça né! Fico ate desmotivada a usar! Achei aquela interface laranja irritante! Enfim sinto muita falta do antigo!

  8. Sabe, sempre tratei o Foursquare como um serviço “querido”. Desde as excelentes e bem aproveitadas dicas até a cara de pau do redator e suas piadinhas infames. Sobre o aspecto jogo eu realmente parei de ligar para os pontos, mas as medalhas…essas eram bem bacanas e vou sentir falta. Tinha orgulho de ser um comedor de hamburgueres nivel 8 ou mesmo um conhecedor abstrato de padarias! É como a KM do meu carro …. tenho orgulho dela (http://www.flatout.com.br/voce-tem-medo-da-alta-quilometragem-seu-carro/).

    Mas…. apesar desse adeus as medalhas dá pra entender. O Foursquare tem uma base de dados incrível, com dicas excelentes e muitos, muuuuuitos locais…. A separação era mesmo inevitável.

    Estou testando o Swarm para ver qual é a dele… Por sorte eu sempre tratei o Foursquare de forma diferente ao Face… não é qualquer um que é meu amigo nessa rede. Mas mesmo assim os “grupos” fazem falta nesse primeiro momento. Tenho uma turma enorme mas com vários grupos que não interagem entre si (amigos diferentes).

  9. Como diria a Angélica: “essa moda pega?”
    O problema é desaprender e reaprender a usar. Se eu que sou da área achei confuso imaginem a galera que “dá uma estrela e depois se for legal volta pra mudar a nota”?

    Isto é um perigo nas mãos de mães e namoradas.