Base de usuários ativos do Threads encolheu 70%

Escrevi mais cedo, na newsletter, que a diminuição da base de usuários e tempo gasto no Threads é normal após a primeira onda de entusiasmo e curiosidade. Horas mais tarde, vejo que a Sensor Tower apontou um capote ainda maior: -70% de usuários ativos diários e 4 minutos de uso por dia. Será que já flopou? Via Wall Street Journal [sem paywall] (em inglês).

Morre Kevin Mitnick

O notório hacker Kevin Mitnick morreu neste domingo (16) de complicações de um câncer no pâncreas. Mitnick fez fama nos anos 1990, quando hackeou sistemas telefônicos, de empresas, universidades e do governo nos EUA, levando consigo milhares de arquivos e dados de cartões de crédito. Em 2000, após cumprir uma sentença de 46 meses de prisão, converteu-se em um hacker “white hat” e fez carreira como escritor, palestrante e consultor. Mitnick tinha 59 anos e deixa a esposa, Kimberley, grávida do primeiro filho do casal. Via New York Times, Dignity Memorial (ambos em inglês).

Medium lançará programa que paga escritores no Brasil

Em agosto, o Medium expandirá seu programa de parcerias — que paga a escritores que publicam na plataforma — no Brasil. Além disso, vai reformular os critérios de divisão de receita a fim de incentivar a “escrita humana de alta qualidade” em contraponto a virais baratos e conteúdo gerado por IA.

Sempre tive muitas reservas com o Medium. Ainda as tenho, e talvez por isso, mas também por achar que desta vez possa funcionar, assinei o Medium para ver qual é que é a desse programa. (Ah sim: agora a assinatura, de US$ 5/mês, é pré-requisito para ingressar no programa.) Meu perfil lá, caso queira segui-lo. Via blog do Medium (em inglês).

“Desenrola Brasil” é usado em posts patrocinados no Facebook para aplicar golpes

Estelionatários já estão usando o Desenrola Brasil, programa de quitação de dívidas lançado pelo governo federal nesta segunda (17), para aplicar golpes. A Agência Lupa encontrou posts patrocinados no Facebook, com gastos de até R$ 7 mil, que levam a páginas fraudulentas.

Mais uma vez, a Meta (dona do Facebook) lucra com o uso das suas plataformas para a prática de crimes. A responsabilidade solidária das plataformas digitais, que estava prevista no PL das fake news, provavelmente cairá. Percebe-se que é algo necessário. Via Agência Lupa.

Justiça decide que financeira não pode bloquear celular de devedor

A Justiça do Distrito Federal decidiu que é ilegal às empresas financeiras “sequestrar” o celular de consumidores inadimplentes. A grande ideia — de fazer Orwell se revirar no túmulo, de inveja — consistia em obrigar o consumidor a instalar um app ao tomar um empréstimo que, em caso de não pagamento, bloqueia funcionalidades do aparelho.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e Idec. Ainda cabe recursos. Via Convergência Digital.

Dangerzone mitiga o risco de ataques via documentos ou imagens adulterados

Documentos e imagens podem ser vetores para a disseminação de vírus e outras pragas digitais. O aplicativo Dangerzone ajuda a mitigar esse risco.

Como? Com “sandboxes” isoladas do sistema operacional e uma ideia engenhosa de desconstrução e reconstrução dos arquivos suspeitos.

Transcrevo (e traduzo) a descrição do site oficial:

Você dá a ele um documento no qual não sabe se pode confiar (por exemplo, um anexo de e-mail). Dentro de uma “sandbox”, o Dangerzone converte o documento em um PDF (se ainda não for um) e, em seguida, converte o PDF em dados brutos de pixels: uma enorme lista de valores de cores RGB para cada página. Então, em uma “sandbox” separada, o Dangerzone pega esses dados de pixels e os converte de volta em um PDF.

O aplicativo lida com arquivos *.pdf, documentos do Microsoft Office e LibreOffice e alguns formatos de imagens.

Um projeto da Freedom of the Press Foundation, o Dangerzone é gratuito, tem o código aberto e versões para Linux, macOS e Windows. Baixe-o aqui.

Justiça condena Meta a indenizar advogado vítima de conta falsa no WhatsApp

Um juiz de Santa Adélia (SP) condenou a Meta a indenizar um advogado em R$ 5 mil e excluir perfil falso no WhatsApp que usava a foto dele para tentar aplicar golpes. O expediente usado pelos estelionatários virou uma epidemia por aqui — eu mesmo já fui usado de “isca” em uma tentativa de golpe do tipo. Se a moda pega… Via Migalhas.

Remini compartilha dados com terceiros e pode retê-los por até dez anos

O aplicativo Remini anda em alta, e por um motivo meio… esquisito: ele gera fotos de bebês — que não existem — da pessoa que o utiliza. Gosto duvidoso à parte, a política de privacidade do Remini, sem surpresa, é aquela padrão de apps do tipo: dados podem ser compartilhados com terceiros para fins de segmentação de anúncios e podem ficar retidos por até uma década.

A empresa por trás do Remini é a Bending Spoons, a mesma que comprou o Evernote e, no início de julho, demitiu em massa e fechou escritórios nos EUA e Chile. Via Estadão [sem paywall].

Netflix: mais cadastros nos EUA, audiência menor no Brasil

Cerca de 3,5 milhões de pessoas assinaram a Netflix nos Estados Unidos em junho, segundo a consultoria Antenna. Foi o melhor mês da empresa nessa métrica em muito tempo, com o dobro da média de cadastros mensais. O número é absoluto, ou seja, não leva em conta os cancelamentos no mesmo período.

No Brasil, segundo o Kantar Ibope (via Na Telinha), a Netflix perdeu audiência no primeiro semestre, caindo de 4,9% em janeiro para 4,1% em junho.

São dados preliminares e de terceiros. Nesta quarta (19), a Netflix divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2023 e, aí sim, teremos uma visão mais ampla da estratégia de acabar com o compartilhamento de senhas. Via Bloomberg (em inglês), Na Telinha.

Inteligência artificial no banco dos réus

Foto em close do site da OpenAI, destacando o logo da empresa, com um texto institucional embaixo, desfocado.

Um escritório de advocacia da Califórnia, processou a OpenAI e o Google por infringirem direitos autorais e a privacidade no treinamento dos seus chatbots, ChatGPT e Bard.

Em outra ação, a comediante e escritora Sarah Silverman e outros escritores processaram a OpenAI e a Meta pelo mesmo motivo. Aqui, a alegação é de que as empresas usaram cópias piratas de seus livros, de repositórios como Z-Library e Biblotik, para treinarem os algoritmos do ChatGPT e LLaMA.

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O que aprendi com cursos do Threads lançados menos de 24 horas depois do próprio Threads

Foto em preto e branco, de um professor homem em frente a uma lousa, com o logo do Threads sobre seu rosto.

Não fazia 24 horas que o Threads estava no ar, na quinta-feira (6), quando li alguém zombando que já tinha gente vendendo curso para bombar na nova rede social da Meta/Instagram.

Incrédulo, abri o marketplace do Hotmart e pesquisei por “threads”. Não havia um, mas sim uma dúzia de cursos do tipo nos resultados, com promessas absurdas de revelar supostos segredos do Threads para os negócios, para viralizar, para vender… enfim, para se dar bem no puxadinho recém-inaugurado do Zuckerberg.

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Google lança Bard no Brasil

Com atraso, o Google liberou o Bard, seu chatbot de IA, no Brasil e nos países da União Europeia. Esse é o “ChatGPT do Google”.

O primeiro acesso é cheio de ressalvas, incluindo um pedido em destaque para não incluir “informações que possam identificar você ou outras pessoas” na conversa, e o pedido para não usar as respostas como orientação médica, jurídica ou financeira. Fiz um teste rápido e, surpresa: o Google Bard “recomenda conferir” o Manual do Usuário. Via Google.

O futuro do Tumblr

A Automattic quer tornar o Tumblr relevante outra vez. Para isso, a empresa anunciou um plano ambicioso — ainda que meio abstrato — para atrair criadores de conteúdo e tornar a plataforma mais fácil de usar.

Se conseguir, será a primeira reviravolta do tipo. Nenhuma plataforma decadente que já tentou um retorno — Flickr, MySpace, Fotolog — alcançou êxito.

O primeiro desafio foi fazer-se entender. Usuários acharam que parte do plano era transformar o feed cronológico em algoritmo. A direção fez uma live de perguntas e respostas para afirmar que o cronológico sempre será uma opção.

A compra do Tumblr pela Automattic em 2019, por US$ 3 milhões, foi uma bênção à plataforma. Os novos donos reverteram o banimento a pornografia dos tempos de Yahoo, medida à época tomada para adequar o Tumblr à publicidade, mas que, para muita gente, foi sua sentença de morte.

Além do trabalho, recolocar o Tumblr em forma não é barato. A sangria é de US$ 30 milhões por ano, ou dez vezes o valor que pagou pela plataforma, segundo Matt Mullenweg, CEO da Automattic.

O Tumblr é meio blog, meio rede social, com duas partes dissociadas (o painel/app e o leiaute para a web) e uma cultura própria, esquisita, caótica e difícil de penetrar. São características únicas entre as grandes plataformas sociais comerciais, o que diz muito do seu apelo restrito e dificuldades de se pagar.

Ah, eu/o Manual estou lá. Se você ainda usa o Tumblr, vamos ser amigos.

Não tenho dúvida que o zero rating foi um erro, um equívoco.

— José Félix, presidente da Claro Brasil.

O zero rating pode acabar não por pressão regulatória, mas por iniciativa das próprias operadoras. O consumo excessivo de dados de aplicativos como WhatsApp e YouTube, geralmente contemplados nessas ofertas, somado a um ensaio do setor de telecomunicações de cobrar uma divisão da fatura do tráfego com as big techs, tem feito elas reavaliarem a estratégia. Via Agência Estado.