Bloco de notas #8

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

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É difícil encontrar alguém que morra de amores por impressoras, e mesmo assim a HP não se ajuda. O engenheiro de software Robert Heaton foi “convocado” pelos sogros para instalar uma impressora da marca. Enquanto cumpria parte da sua pena por existir, descobriu que a HP coleta muitos dados de uso do equipamento [em inglês], como detalhes dos dispositivos que imprimem nela, a partir de quais apps as impressões são feitas e até o número de páginas impressas, e os repassa a parceiros comerciais para segmentar anúncios.

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Nesta semana, tivemos dois novos apoiadores da campanha de financiamento do blog: Matheus PedroLincoln Copceski. Obrigado!

Conto com a generosidade de leitores dispostos a pagar uma pequena mensalidade para manter o blog no ar. Você pode contribuir acessando a campanha do Manual no Catarse. A grana está curta e/ou tem outras prioridades? Compartilhe posts como este e indique o blog a quem você acha que gostaria de conhecê-lo. Tudo isso ajuda!

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A Vivo lançou um novo produto, o Vivo Car, que promete transformar carros comuns em conectados [Mobile Time, em português]. Após a contratação e a instalação de um dispositivo no automóvel, o consumidor ganha acesso à localização em tempo real do veículo, relatórios detalhados da sua condução, ofertas de manutenção e conveniência, e Wi-Fi interno com franquia de 40 GB por mês. Este negócio deve gerar dados tão valiosos à Vivo que a operadora não cobra o primeiro ano de uso e sequer decidiu ainda qual será o preço da mensalidade após o prazo de degustação.

→ A mesma Vivo acusada de coletar dados pessoais sensíveis das suas dezenas de milhões de clientes sem o devido consentimento para veicular anúncios segmentados [Manual do Usuário, em português].

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Os três novos Portal do Facebook em foto de divulgação.
Foto: Facebook/Divulgação.

O Facebook expandiu sua linha de sistemas de vigilância domést… digo, dispositivos para vídeo chamadas. Foram lançadas duas versões menores da tela conectada Portal (8 polegadas por US$ 129 e 10 polegadas por US$ 179) e o Portal TV (US$ 149), acessório que se conecta a TVs e lembra o finado Kinect da Microsoft. Agora, todos são compatíveis com vídeo chamadas no WhatsApp também. Por que alguém pagaria para colocaria uma câmera com microfones sensíveis do Facebook dentro de casa? Boa pergunta [Quartz, em inglês].

→ A Bloomberg revelou que, além de áudios do Messenger, conversas captadas pelo Portal original também eram repassadas para que terceirizados as ouvissem e transcrevessem [em inglês]. O Facebook não divulgava esse “detalhe” nem oferecia uma opção para interromper a coleta (opt-out). A prática foi temporariamente suspensa, mas voltará até o fim do ano ativada por padrão e com um opt-out.

→ O Facebook também deu detalhes do seu “Comitê de Supervisão” [Facebook, em português], um colegiado que dará a palavra final em casos delicados dentro da plataforma e definirá precedentes. O Facebook está montando sua suprema corte, quer ter uma moeda própria e ensaia lançar uma aba de notícias com curadoria de editores humanos [Nieman Lab, em inglês]. Megalomania em estado puro.

→ Nesta semana, Mark Zuckerberg reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump [Axios, em inglês], jantou com senadores e conversou com outros parlamentares norte-americanos. 👀

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Listão de tudo que saiu no Manual esta semana:

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A Apple antecipou a liberação do iOS 13.1 e do iPadOS em seis dias — de 30 para 24 de setembro, próxima terça-feira [The Verge, em inglês]. Não deu motivo, mas que bom.

→ Ontem (19) à noite instalei o iOS 13 no iPhone e fiquei bem satisfeito com as várias novidades [Manual do Usuário, em português]. Alguns sites têm relatado a presença de muitos bugs, mas aqui ainda não me deparei com nenhum. Fica apenas o alerta de que a atualização interrompe a sincronia do app Lembretes até que os demais dispositivos sejam atualizados. Para quem usa Mac, pode ser um problema — o macOS Catalina chega só em outubro.

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O Wall Street Journal falou com ex-executivos, funcionários e amigos de Adam Neumann, cofundador e CEO da We (antiga WeWork). As maluquices contábeis, aparentemente, se estendem à pessoa Neumann [em inglês]. Em 2016, após anunciar a demissão 7% dos funcionários para contenção de gastos em uma reunião com a empresa inteira, bandejas com shots de tequila adentraram o recinto e, em seguida, um famoso rapper (!?) apareceu, abraçou Neumann e começou a cantar. É uma situação tão surreal que, fosse uma esquete em The Office, seria acusada de forçada.

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O ótimo Pocket Casts, aplicativo para ouvir podcasts, agora é gratuito no Android e iOS [Pocket Casts, em inglês]. Há uma assinatura paga (US$ 0,99/mês) que concede espaço na nuvem para guardar arquivos de áudio e os apps para computadores e web. Em maio de 2018, o Pocket Casts foi adquirido pela NPR, uma rádio pública dos Estados Unidos. A gratuidade, segundo o comunicado, “é mais alinhada ao modelo de acesso aberto da nossa proprietária de mídia pública”. Deve ter ajudado também a concorrência pesada de apps gratuitos — Apple Podcasts, Google Podcasts, Spotify…

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O mundo do software livre anda em uma velocidade completamente diferente. O Inkscape, um editor de imagens vetoriais, foi lançado em 2003, mas somente agora chegou à versão 1.0 — ainda em beta [Inkscape, em inglês].

→ Outro caso emblemático do tipo ocorreu com o Wine, que levou 15 anos para chegar à versão 1.0 [Wine, em inglês].

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Interfaces alternativas para o Twitter são uma ótima maneira de escapar do algoritmo da timeline e dos padrões nocivos da interface dos apps oficiais. O Readme permite apenas a leitura da timeline e de listas — nada de postar, responder, retuitar ou curtir. A única opção de personalização é o “modo escuro”. Grátis, na web e em app para iOS.

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A Polícia Federal prendeu o gerente da agência dos Correios de Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ele é acusado de subtrair mais de 200 objetos [O Dia, em português], incluindo muitos celulares, no valor de R$ 400 mil.

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O Mi A3, da Xiaomi, começou a ser vendido na loja virtual da marca no Brasil [Xiaomi, em português]. Dentro do vasto portfólio da Xiaomi, este se destaca por integrar o programa Android One, que oferece um sistema limpo e atualizações garantidas pelo Google por até três anos. Custa R$ 2.199 (branco, com 64 GB) ou R$ 2.599 (preto, 128 GB) e pode ser parcelado em até seis vezes.

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Aconteceu no Github [em inglês]:

  • Um robô encontrou uma vulnerabilidade em uma dependência.
  • Outro robô enviou um código para corrigi-la.
  • Uma verificação automática do código foi feita.
  • O robô original aceitou o código.
  • Outro robô comemorou o aceite com um GIF animado.

Quem precisa de seres humanos? (Via Twitter [em inglês].)

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Na terça-feira (17), caiu o embargo da Apple às análises do iPhone 11 e iPhone 11 Pro. Isso significa que, na mesma hora, toda a imprensa norte-americana publicou suas impressões dos novos celulares. Nesse mar de mesmice, a embasbacante introdução da análise em vídeo do The Verge [YouTube, em inglês] (acima) se destacou. O trabalho fino de videografia chamou tanto a atenção que o pessoal de lá escreveu um artigo ricamente ilustrado [em inglês] explicando como ela foi feita.

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4 comentários

  1. Se hoje em dia o problema da privacidade já é tão grande fico imaginando (na verdade fico apavorado) quando o 5G se popularizar e praticamente tudo (geladeira, lâmpadas, portão, porta, janela, fogão, forno microondas, TV, chuveiro, cafeteira, ar condicionado, carro, comedouro do cachorro, etc) estiver conectado à internet 24/7 e trocando informações com todos as outras coisas… Para não dizer também do problema de segurança quando alguém hackear tudo isso e tomar o controle para si…

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