Bloco de notas #11

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

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Nesta semana, tivemos uma nova apoiadora da campanha de financiamento do blog: Barbara Wolff Dick. Obrigado!

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Você precisa saber disto

Via decreto, o presidente Jair Bolsonaro instituiu nesta quinta (10) 0 “Cadastro Base do Cidadão”, um banco de dados centralizado dos cidadãos brasileiros com base no CPF. Não bastasse ser uma medida arbitrária, carente de qualquer debate público, há pelo menos outros dois problemas graves com o projeto: 1) Dados extremamente sensíveis, como os biométricos, são contemplados (até “maneira de andar”!!); e 2) o “comitê de governança”, responsável por liberar o acesso aos dados para outros entes públicos, será formado exclusivamente por representantes do governo. Um absurdo completo. [Folha, em português]

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Tim Cook, CEO da Apple, enviou um e-mail aos funcionários defendendo a decisão da empresa de remover da App Store o app HKmap.live, usado por manifestantes em Hong Kong para se orientarem pela cidade e evitar confrontos com a polícia. Como aponta Maciej Ceglowski [@pinboard/Twitter, em inglês], há pelo menos duas alegações no comunicado de Cook que carecem de qualquer confirmação. De qualquer forma, é um posicionamento lamentável. Como diria o meme, “decepcionado, mas não surpreso”. [The Guardian, em inglês]

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O iFood anunciou um programa de seguro contra acidentes para entregadores. A empresa afirma que não há custos aos entregadores nem aos usuários do app e que o seguro cobre despesas médicas, invalidez e morte em caso de acidentes sofridos enquanto o entregador estiver logado na plataforma. [G1, em português]

No Manual do Usuário

Leituras para o fim de semana

“A Amazon é imparável?”, pergunta-se Charles Duhigg nesta loooonga reportagem. “A obsessão com expansão da Amazon a tornou o equivalente corporativo de um colonizador, invadindo novas indústrias implacavelmente e subjugando muitas empresas menores pelo caminho”. Chama a atenção a vez em que a cidade de Seattle propôs um imposto às grandes empresas locais para construir abrigos e dar assistência aos crescentes sem-tetos que perambulam por suas ruas. Custaria à Amazon cerca US$ 20 milhões por ano; na época, o faturamento anual dela era de US$ 230 bilhões. Jeff Bezos foi contra. E venceu a disputa. [New Yorker, em inglês]

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Um estudo feito nos Estados Unidos constatou que 48% (!) dos homens já enviaram uma foto não solicitada do próprio pênis a uma mulher. Por que eles fazem isso? É o que os pesquisadores tentam responder. [El País, em português]

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Charlotte Jee resolveu testar um punhado de gadgets que prometem curar a insônia. Nenhum deles resolveu, mas no fim ela conseguiu melhorar seu sono com algumas sessões de terapia. “Resumidamente, o caminho para melhorar o sono é parar de se preocupar com ele”. [MIT Technology Review, em inglês]

O que mais?

Duas fotos do Gem, celular comprido da Essential, mostrando a interface.
Fotos: @Arubin/Twitter.

Andy Rubin, o infame criador do Android, divulgou fotos de um novo celular da sua empresa, a Essential. O chamado Gem é bem comprido e se parece mais com um controle remoto do que com um celular. (Ou, como alguém disse no Twitter, com quatro Apple Watches grudados.) Ainda não se sabe qual sistema ele usa nem qualquer outra informação relevante. [Twitter (2) (3), em inglês]

→ Rubin foi mandado embora do Google, em 2014, após uma investigação interna ter constatado que ele assediava funcionárias. A situação veio à tona em 2018, em uma reportagem do New York Times. O retorno dele, que estava em silêncio desde então, levanta a pergunta: é possível apreciar a obra apesar do criador podre? [Wired, em inglês]

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O Twitter admitiu ter usado para segmentar anúncios os números de telefone fornecidos por usuários para habilitar a autenticação em dois fatores. A matéria da Wired está especialmente boa, a começar pelo título: “Nunca confie em uma plataforma para colocar a privacidade à frente do lucro” [em inglês]. A desculpa do Twitter é que foi algo não intencional, argumento rebatido com elegância pela repórter Lily Hay Newman:

Erros e falhas acontecem, mas quando ocorre o mau uso de informações que os usuários fornecem para serviços de segurança, é especialmente óbvio que as empresas não estão priorizando a privacidade e a segurança do usuário em vez dos seus objetivos comerciais. Controlar e proteger um conjunto de dados tão restrito, bem definido e único deveria ser fácil para qualquer empresa grande.

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