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Netflix e a impossibilidade de negócios sustentáveis

Em março de 2017, o perfil oficial da Netflix no Twitter publicou que “amor é compartilhar uma senha”. Não era só uma piada do social media. Pouco menos de um ano antes, em julho de 2016, a empresa havia dito ao Business Insider que seus assinantes podiam “usar suas senhas da maneira que quisessem”, desde que não as revendessem.

A Netflix sempre tratou de forma permissiva o compartilhamento das suas senhas. Enquanto outras empresas que trabalham com assinaturas, como o Spotify, são bem rigorosas com quem pode e quem não pode usufruir do acesso compartilhado, a Netflix, como as declarações acima atestam, até incentivava esse comportamento. Era uma farra.

Uma farra está com os dias contados.

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A Netflix esperava ganhar 2,5 milhões de novos assinantes no primeiro trimestre de 2022. Perdeu 200 mil. Foi a primeira retração da base de assinantes desde 2011. Não só: a previsão para o próximo trimestre é de nova retração, uma perda de 2 milhões de assinantes.

Parece, afinal, que a Netflix bateu no teto. E isso não vai sair barato para os usuários — literalmente.

Na conversa com investidores após a divulgação do balanço, Reed Hastings, CEO da empresa, sugeriu a criação de um plano mais barato sustentado por anúncios, similar ao que a HBO Max oferece nos Estados Unidos.

Reed também falou do compartilhamento de senhas, que a Netflix começou a atacar. Hoje, a empresa tem 222 milhões de assinantes pagantes e outras 100 milhões de casas usam senhas compartilhadas pelos assinantes (leia-se: sem pagar nada). A Netflix já está testando uma cobrança adicional para essa galera que não paga pelo acesso.

O compartilhamento de senhas é um dos motivos apontados pela empresa para justificar a retração. O acirramento da competição no setor de streaming nos últimos três anos e os “macro-fatores”, como a pandemia, a guerra da Ucrânia e a inflação, também são citados na carta aos investidores.

As ações da Netflix despencaram 25% nas negociações pós-pregão. Via Netflix (PDF), CNBC (ambos em inglês).

Como saber em qual streaming tal filme ou série está passando

Minha mãe sempre diz que tudo que é demais, faz mal. Vale para tudo. Veja o streaming: é muito legal termos mais filmes e séries à disposição do que somos capazes de consumir, mas tal abundância gera novos problemas que não tínhamos antes.

Um recorrente aqui é saber em qual das dezenas de serviços de streaming tal filme ou série está passando.

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China começa a regular mercado de streamers

por Shūmiàn 书面

Uma nova legislação pretende regular a atuação de streamers — uma indústria de US$ 30 bilhões na China. A Administração Tributária chinesa publicou uma circular em conjunto com a Administração de Ciberespaço e a Administração de Regulação do Mercado propondo uma promoção e desenvolvimento mais sadios da indústria, incluindo a responsabilidade com impostos. A notícia veio na quarta (30), como contaram a Reuters e a CGTN.

Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, as novas regras devem incluir controles sobre a quantidade de dinheiro que os influenciadores podem receber de cada pessoa (as gorjetas), de modo a reduzir o excesso de gastos online. Outras preocupações devem ser diminuir o tempo de exposição de jovens a esses vídeos, bem como regular o conteúdo de alguns desses criadores, como resumiu o Protocol China.

Não é novidade que Pequim está de olho na evasão fiscal de celebridades e streamers. Em dezembro, Viya, a rainha das vendas online, viu seu império colapsar ao ser multada em US$ 210 milhões (¥ 1,3 bilhão) por evasão fiscal e perder suas contas em redes sociais. Esta matéria de janeiro de Shen Lu conta mais sobre o caso e a regulação da indústria de streaming. Vale uma lida neste artigo acadêmico de 2019 sobre as tensões sociais, políticas e econômicas que fazem parte de ser um streamer na China.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

No ritmo do coração (ou CODA, no original em inglês) arrebatou a estatueta do Oscar de melhor filme. Um feito histórico: foi a primeira vez que um filme lançado no streaming levou a principal categoria da premiação norte-americana. Mas… de qual streaming?

Resposta curta? Do Apple TV+. Em muitos países, como os Estados Unidos, Austrália, Alemanha e França, No ritmo do coração só está disponível no streaming da Apple. Mas em outros, não. No Brasil, por exemplo, ele está disponível no Prime Video, da Amazon, e pode ser alugado na Apple e no Google.

Isso acontece porque o filme não foi feito originalmente para o serviço da Apple; ele foi comprado por US$ 25 milhões após estrear no Festival de Sundance, em 2021. Só que antes disso, os direitos de distribuição internacional já vinham sendo negociados, o que criou tal situação, já que reverter esses acordos é complexo e, em alguns casos, inviável. Via Variety (2) (em inglês).

Atualização (16h15): O post foi editado para esclarecer que, para todos os efeitos, No ritmo do coração é um original Apple TV+, mesmo não estando em exibição no streaming da Apple em alguns países, como no Brasil.

O Spotify atualizou seu site Loud & Clear com dados de pagamentos a artistas referentes a 2021. O total pago aumento 40% em relação a 2020, chegando a US$ 7 bilhões, e pela primeira vez mais de 1 mil artistas bateram a marca de US$ 1 milhão em receita no ano, um salto de 20,9% em relação ao ano anterior. Via Spotify (em inglês).

Todos esses dados devem ser encarados com um pé atrás. Afinal, o Spotify é parte interessada em dar a eles uma interpretação favorável e, como sabemos, tem muito artista por aí desanimado com o que recebe das plataformas de streaming

Do arquivo: O árduo caminho entre o meu dinheiro e os músicos em um mundo dominado pelo streaming (4/2021).

A parte de perguntas e respostas traz um debate interessante: o que o Spotify considera artista profissional. O serviço contesta a alegação de que todos os usuários que já enviaram uma música à plataforma, 8 milhões, são profissionais. Usando alguns critérios, como ter pelo menos dez músicas no serviço e o cruzamento de dados com plataformas de ingressos online, a estimativa do Spotify é de que a plataforma hospede 200 mil artistas profissionais.

Essa caracterização aproxima o Spotify do YouTube. E nem sou eu dizendo. Da seção de perguntas e respostas:

É verdade que oito milhões de pessoas já enviaram uma música para o Spotify — mas, da mesma maneira que enviar um ou dois vídeos ao YouTube não significa que essa pessoa esteja tentando ser um youtuber profissional, lançar algumas músicas em Spotify não significa ter uma carreira na música.

A Roku anunciou o OS 11, nova versão do sistema operacional das suas caixinhas de streaming, TVs e caixas de som. A grande novidade é a estreia dos álbuns de fotos. A partir do aplicativo para celular, os usuários podem enviar fotos e vê-las no aparelho e na proteção de tela. Esses álbuns podem ser compartilhados e criados em conjunto com outros usuários.

O OS 11 traz, ainda, novos modos de áudio para as caixas de som da marca, uma nova área de curadoria de conteúdo dos canais mais usados, “O que assistir”, na tela inicial e outras melhorias menores, todas descritas nos links ao lado. O Roku OS 11 será liberado gradualmente “nas próximas semanas”. Via blog da Roku, suporte da Roku (ambos em inglês).

A Netflix anunciou que fará um teste no Chile, Costa Rica e Peru em que oferecerá uma opção de cobrança extra para quem compartilha a senha de contas Padrão e Premium com pessoas que não moram na mesma residência.

Segundo a empresa, o “super popular” compartilhamento de senhas também “criou alguma confusão em relação a quando e como a Netflix pode ser compartilhada”. Os termos de uso especificam que a senha do serviço “não [pode] ser compartilhados com pessoas de fora da sua família”.

A adição de usuários externos terá um custo menor e poderá ser convertida numa assinatura à parte no futuro, mantendo o histórico, listas e recomendações personalizadas.

A Netflix sempre fez vista grossa para o compartilhamento de senhas e há registros de declarações positivas à prática do CEO, Reed Hastings. Mas a realidade bate à porta: em 2021, a Netflix registrou o menor crescimento desde 2015, reflexo do arrefecimento da pandemia e do aumento da concorrência no setor.

Não há previsão de quando ou mesmo se esse novo modelo será oficializado e expandido para outros países. Via Netflix (em inglês).

A Kantar agora mede a audiência dos serviços de streaming no Brasil, informa a coluna de Ricardo Feltrin. A medição acontece nos 6 mil domicílios que têm a caixinha tradicional, da TV aberta e fechada. Nas que têm banda larga, outra caixinha está sendo instalada. “Esse equipamento passa a ter acesso a todo o conteúdo — serviço de streaming, tempo gasto em cada um, conteúdo assistido etc. — por meio do roteador”, disse Melissa Vogel, CEO da Kantar. Entre os clientes, que recebem os dados diariamente, estão TVs abertas, pagas, agências de publicidade e até anunciantes. Via Uol Splash.

Neil Young conseguiu: seus álbuns não estão mais disponíveis no Spotify. A medida contou com o apoio da sua gravadora, a Warner, que é quem decide no fim das contas onde a música de Neil é disponibilizada. O Spotify representava 60% das audições por streaming das músicas do cantor.

“Percebi que não poderia continuar apoiando a desinformação do Spotify que ameaça a vida do público amante da música”, escreveu Neil no comunicado, em referência ao podcast Joe Rogan Experience, um dos mais populares do mundo e exclusivo do Spotify, responsável por difundir mentiras relacionadas à vacina contra a covid-19.

Ainda é possível ouvir algumas músicas de Neil Young no Spotify, faixas presentes em compilações e trilhas sonoras de filmes. Aos órfãos dos álbuns, Neil os convida a migrarem para outros serviços. E com um bônus: vários deles, como Amazon e Apple Music, oferecem versões em alta definição, “como foram concebidas para serem ouvidas”, enquanto o Spotify ainda oferece músicas em qualidade padrão. Via Neil Young Archives (em inglês).