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Neil Young remove suas músicas do Spotify em ato contra desinformação

Neil Young conseguiu: seus álbuns não estão mais disponíveis no Spotify. A medida contou com o apoio da sua gravadora, a Warner, que é quem decide no fim das contas onde a música de Neil é disponibilizada. O Spotify representava 60% das audições por streaming das músicas do cantor.

“Percebi que não poderia continuar apoiando a desinformação do Spotify que ameaça a vida do público amante da música”, escreveu Neil no comunicado, em referência ao podcast Joe Rogan Experience, um dos mais populares do mundo e exclusivo do Spotify, responsável por difundir mentiras relacionadas à vacina contra a covid-19.

Ainda é possível ouvir algumas músicas de Neil Young no Spotify, faixas presentes em compilações e trilhas sonoras de filmes. Aos órfãos dos álbuns, Neil os convida a migrarem para outros serviços. E com um bônus: vários deles, como Amazon e Apple Music, oferecem versões em alta definição, “como foram concebidas para serem ouvidas”, enquanto o Spotify ainda oferece músicas em qualidade padrão. Via Neil Young Archives (em inglês).

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15 comentários

  1. Opinião impopular aqui, concordo com a visão pró vacina do Neil Young mas também concordo com o fato do Spotify não aceitar o ultimato dele e retirar suas musicas, senão daqui uns dias qualquer artista ofendido com algo ia começar a fazer esse tipo de ameaça para retirar algum conteúdo que ele não goste da plataforma.

    1. Tem alguns pontos:
      1. O Spotify não tá apenas fornecendo uma plataforma, tá financiando o podcast.
      2. Não é “conteúdo que ele não gosta”, é discurso negacionista que mata e vai fazer essa pandemia durar para sempre

      1. Não to invalidando o discurso do Neil e nem afirmando que nesse escopo a Spotify tem razão em manter o conteúdo do Joe Rogan; mas somente concordo com ela em não ceder a pressão do tipo “se não tirar eu faço isso” porque abre brecha no futuro para outros artistas fazerem quando se incomodarem com algo (que as vezes pode ser ser justo e as vezes não)

  2. “Difundir mentiras” = Levar médicos no seu programa que falam coisas diferentes do que os médicos dizem na grande mídia.

    E vindo de um site que critica big techs e grande mídia…

    Uau.

    1. A essa altura acho que está claro que diploma de medicina não é sinônimo de confiabilidade — vide o nosso ministro da saúde, um médico mentiroso. O que o tal médico do Joe Rogan disse não é diferente da “grande mídia”, mas do consenso acadêmico. Em 2022, o fulano ir num programa com milhões de espectadores fazer discurso antivacina… sinceramente, não dá para tolerar esse tipo de coisa.

      Acho realmente importante que a gente ouça vozes dissonantes, mas tem que haver um mínimo de embasamento, coisa que negacionistas simplesmente não têm. Aí fica difícil.

  3. Eu fiquei sabendo meio por cima desse caso.

    Mas, ele faz apologia CONTRA a vacina ou ele só disse que não vai se vacinar?

    1. Mas não é esse o ponto? O Spotify como empresa privada tem todo direito de escolher manter o Rogan. Assim como o Neil Young tem de retirar suas músicas da plataforma. O erro foi achar que iria ganhar a opinião pública rotulando o cara de negacionista. No final, o Spotify priorizou o retorno financeiro enquanto Young queria chamar atenção pra si (o que conseguiu). É aguardar pra ver se continuará tendo a audiência que tinha no Spotify ou até mais (depois da repercussão, não duvido). Caso dê certo, ambos sairão ganhando enquanto ficamos aqui batendo boca na internet.

      1. Nos Estados Unidos, talvez sim. Aqui a liberdade de expressão não é absoluta — você não pode difamar ou caluniar outras pessoas, nem pode fazer apologia ao nazismo ou ofender outras pessoas com afirmações racistas, por exemplo.

        O Spotify está no direito dele de dar palco para alguém que põe a vida dos seus usuários em risco. Só que a motivação do Neil Young não é essa — ele não precisa “chamar a atenção pra si”. O que ele fez foi colocar o Spotify contra a parede para explicitar esse acordo entre plataforma e negacionista. Achei corajoso e muito bem arquitetado. Talvez não tenha efeito algo a curto prazo para o Spotify, mas esse liberou geral não funciona — até o Facebook, maior defensor dessa ideia meio torta de liberdade de expressão, voltou atrás.

        1. Eu acho que essa questão da liberdade absoluta não existe. Incentivar o racismo, nazismo, calúnia e difamação já são considerados crimes pelo código penal brasileiro. Mas ao mesmo tempo, querer calar alguém por eu não concordar com suas falas é censura. E não existe isso de colocar a vida das pessoas em risco pelo que é dito num podcast. É muita ignorância alguém tomar decisões de saúde se baseando em dados de internet sem procurar um médico.

          1. Promover ou dificultar o combate a doença contagiosa também é crime, Ronaldo. Artigo 268 do Código Penal.

            E não existe isso de colocar a vida das pessoas em risco pelo que é dito num podcast. É muita ignorância alguém tomar decisões de saúde se baseando em dados de internet sem procurar um médico.

            Até parece. O tanto de gente que não se vacinou por causa de discursos negacionistas de certos presidentes, podcasters e outros cretinos, como esse Joe Rogan. Você subestima o poder da comunicação.

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