Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

A privacidade dos seus arquivos armazenados no Google Drive

No Twitter, a cientista da computação e pesquisadora Nina Da Hora publicou um fio questionando as práticas de privacidade do Google em relação ao conteúdo dos usuários guardado no Google Drive.

O assunto é antigo. Em 2012, quando o Google unificou suas políticas de uso e privacidade, levantamos a questão no Gizmodo Brasil. O texto dava margem à interpretação de que os direitos sobre arquivos enviados ao Drive fossem compartilhados com o Google. Não era bem assim.

Ao longo dos anos, o texto da documentação do Google foi refinado. Hoje, a parte que se refere ao conteúdo do usuário armazenado pelo Google está mais fácil de ler. De qualquer modo, o alerta da Nina é válido; sobram histórias de arquivos apagados e contas Google excluídas sem aviso prévio ou chance de revisão.

Google remove extensão ClearURLs do Chrome

O Google removeu a extensão ClearURLs da loja do Chrome. Esta extensão remove automaticamente elementos de rastreamento das URLs, comuns no buscador do Google e em newsletters (não na do Manual), o que aumenta a privacidade dos usuários. Os motivos alegados pelo Google são vários e alguns deles, segundo o desenvolvedor, Kevin Roebert, contraditórios. Ele já preparou uma atualização e a submeteu ao Google. Até a publicação desta nota, a extensão ainda não havia sido restabelecida. Ela pode ser usada, porém, no Firefox e no Edge. Via Bleeping Computer (em inglês).

Google não fará testes do FLoC na Europa por temer incompatibilidade com a GDPR

Parece que o FLoC, novo método de rastrear usuários que o Google usará no lugar de cookies em sites de terceiros (entenda), é incompatível com a GDPR, legislação pró-privacidade europeia, e por isso não será testado em países do bloco. Vale aquela máxima: se não funciona com a GDPR, provavelmente é ruim para o mundo todo. Via AdExchanger (em inglês).

Algum país conseguiu ir bem no combate à pandemia sem “violar” a privacidade dos seus cidadãos?

No Twitter, Pedro Burgos chama a atenção a uma característica comum dos países bem sucedidos no combate à pandemia de COVID-19:

Pergunta honesta: algum país conseguiu ir bem no combate à pandemia sem “violar” a privacidade dos seus cidadãos? Todos os cases de sucesso fizeram coisas que provocariam arrepios em ativistas de privacidade que conheço.

Acho que nenhum ativista prega a inviolabilidade total da privacidade dos cidadãos. (Ok, talvez gente como o Stallman, mas esses são fora da curva e estão longe de falar pela maioria.) Todos nós rotineiramente abrimos mão da privacidade, quando declaramos o imposto de renda ou fazemos um cadastro governamental para ter acesso a serviços públicos, por exemplo. O caso da Austrália, que mantém listas com dados pessoais de frequentadores de bares e restaurantes, a gente já faz aqui, voluntariamente, quando abre uma comanda — passa nome e telefone, dados bem pessoais, sem ter a menor ideia do que o estabelecimento fará com eles.

O que pesa mais ao se “violar” a privacidade não é o ato em si, mas as motivações e circunstâncias. Se há opacidade ou transparência, se há salvaguardas legais de que a cessão parcial da privacidade será restrita àquela finalidade, se temos garantias robustas de que abusos (digo, ações imprevistas) não serão cometidos.

Uma pandemia é uma situação excepcional e, como tal, faria sentido negociar suspensões temporárias de direitos a fim de combatê-la. A gente já faz isso, ainda que aos trancos e barrancos, com o direito de ir e vir, um que é ainda mais básico que o da privacidade. Não acharia ruim, por exemplo, que pessoas contaminadas ou que tiveram contato com contaminados fossem rastreadas mais de perto. Seria justificável, pois há um bem maior em jogo.

Os “cases” que o Pedro listou no fio têm um ponto em comum que me parece mais relevante que as violações à privacidade: todos os países bem sucedidos são orientais. Ele cita isso, de passagem, ao dizer que “a discussão sobre esse ‘trade-off’ passa também por especificidades culturais das sociedades em questão”, mas talvez seja mais que um mero “trade-off”; talvez este seja o principal fator de diferenciação entre o sucesso oriental e o fracasso ocidental.

No Ocidente, sabemos bem, vige a primazia do individualismo. Atribuímos à responsabilidade individual o papel de pedra fundamental da sociedade, e vamos à luta assim, no “cada um por si”, mesmo quando enfrentamos um inimigo que só pode ser vencido em conjunto, caso de uma pandemia. Os inacreditáveis protestos contra o “lockdown”, medida comprovadamente eficaz para conter a disseminação da doença, entram nessa conta — a galera de camiseta amarela e sem máscara que vai a esses protestos argumenta que o “lockdown” fere sua liberdade individual.

No Oriente, por outro lado, há um senso maior de coletividade, ou uma disposição a pequenos sacrifícios em nome de um bem maior. Suspeito (pois careço de conhecimento) que seja o caso mesmo em países mais alinhados ao Ocidente, como Austrália e Israel. Isso se reflete, e muito, em esforços coletivos. Os desastres no Brasil e nos Estados Unidos são fortes evidências de que a ingerência individual tem limites e, em situações extremas como a que vivenciamos, põe milhares de vidas em risco.

Como aponta o próprio Pedro, esse senso de coletividade é um traço cultural, ou seja, não se cria da noite para o dia, e depende de outras variáveis para florescer das quais carecemos no momento, como um nível mínimo de confiança uns nos outros e em quem nos lidera. Não é um assunto muito popular, mas fica a torcida (e o “dever de casa”) de começar a virar essa chave para que, na próxima pandemia, que infelizmente virá, estejamos melhor preparados.

O que Telegram e Manual do Usuário têm em comum?

O que Telegram e Manual do Usuário têm em comum? A visão sobre publicidade digital e privacidade.

Pavel Durov, CEO do Telegram, já disse que considera anúncios direcionados “imorais” e não deve recorrer a esse artifício quando o aplicativo passar a veicular anúncios. Na matéria do Wall Street Journal desta terça (16), sobre a dívida do Telegram, um porta-voz do aplicativo disse que pretendem mostrar que “a publicidade precisa, baseada em contexto, não só é uma alternativa ética à publicidade direcionada, mas que também pode ser tão eficiente quanto”. Nós também.

Clubhouse passa a permitir convites sem exigir lista de contatos do usuário em troca

Prestes a completar um ano, o Clubhouse finalmente permitirá convidar pessoas para o aplicativo sem que seja necessário ceder toda a agenda de contatos. Outras novidades incluem links compartilháveis para perfil ou clube, filtros de idiomas e o lançamento de um fundo de apoio para 20 “criadores”. Via @joinClubhouse/Twiter (em inglês).

Google, privacidade e mais do mesmo

Várias ovelhas no enquadramento. Ao centro, uma delas, focada, com a cabeça levantada.

por Rob Horning

“A publicidade é essencial para manter a web aberta para todos, mas o ecossistema web corre riscos se as práticas de privacidade não acompanharem as mudanças de expectativas”. Esta é a frase inicial de uma atualização recente do Google do seu projeto de substituir os cookies de terceiros nos navegadores — que nos rastreiam individualmente — por algo que a empresa chama de FLoCs: grupos de interesse ad hoc aos quais indivíduos seriam designados com base em seus históricos de navegação. Como Shoshana Wodinsky explica no Gizmodo, “Qualquer dado gerado individualmente seria mantido no navegador e a única coisa que os anunciantes poderiam rastrear e segmentar seria um ‘rebanho’1 contendo um grupo agregado de pessoas semi-anonimizadas”.

(mais…)

App para iPhone expôs milhares de gravações de chamadas telefônicas

Uma das poucas limitações para atividades do dia a dia que persistem no iOS é a de gravar ligações. Não dá. Os muitos apps disponíveis na App Store para esse fim usam uma gambiarra e envolvem um terceiro — a ligação passa por um servidor remoto e/ou inclui outro número, e é nesse ambiente externo que a gravação é feita.

Até funciona, mas o risco é enorme. Nesta semana, por exemplo, o popular app gravador de chamadas, de Arun Nair, expôs 130 mil áudios de chamadas telefônicas armazenados em um servidor exposto na Amazon. Via MacMagazine.

Como fazer, então? Compre um Android Quem tem um iPhone e um Mac pode “transferir” a ligação para o computador, graças ao recurso Continuidade. Aí, com um aplicativo do macOS como o Piezo, que grava todo o áudio que entra e sai no computador, dá para gravar a chamada. É assim que faço aqui e funciona muito bem.

Backups na nuvem criptogrados estão a caminho do WhatsApp

Existe um buraco na criptografia de ponta a ponta do WhatsApp: os backups na nuvem. Tanto no Android (Google Drive) quanto no iOS (iCloud), os backups na nuvem não são criptografados de ponta a ponta, o que significa que alguém que obtenha acesso a esses espaços pode ler as mensagens salvas.

Isso parece prestes a mudar. O WABetaInfo encontrou vestígios em uma versão de testes do WhatsApp de uma nova opção para criptografar backups do aplicativo. Ainda não se sabe quando o recurso será liberado. Via @WABetaInfo/Twitter.

Brave adquire buscador focado em privacidade

O navegador Brave anunciou a aquisição do buscador Tailcat, desenvolvido pela Cliqz, uma empresa que tinha seu próprio navegador focado em privacidade e que fechou as portas em abril de 2020. O objetivo do Brave é oferecer uma alternativa privada ao Google. Além dos “anúncios éticos”, que já são veiculados no navegador, o Brave quer oferecer uma versão paga do futuro buscador que não exibiria anúncios. Via The Register (em inglês).

Google anuncia que não rastreará mais usuários em sites de terceiros

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Novidades no Buttondown e FeedLetter, serviços usados no Manual do Usuário

Novidades legais de dois serviços usados por este Manual do Usuário.

O Buttondown, ferramenta de disparo de newsletters, tornou o monitoramento via pixel espião desativado por padrão para novas newsletters. (Entenda a questão.) No anúncio, Justin Duke, criador e mantenedor do serviço, diz que pretende fazer algumas mudanças para oferecer informações da newsletter sem que o dono dela precise recorrer ao pixel espião. No aguardo!

(O Manual já optava por não usar pixel espião nem monitorar de qualquer modo os assinantes da newsletter.)

O FeedLetter, serviço de feedback para newsletters (aquelas “notas” que aparecerem no final da mensagem), encerrou o período de apoio inicial, em que Jens Boje, criador e mantenedor do serviço, concedia um desconto especial. A mudança veio acompanhada de algumas novidades e de um mapa dos próximos recursos que serão implementados, e fortalece o compromisso de manter o serviço de pé, funcionando e recebendo manutenção.

Uma coisa muito legal que o Jens faz é o “desconto de paridade”. Em lugares onde o dólar é muito caro, ele concede um desconto para adequar o custo do FeedLetter à realidade local. No momento, três usuários se beneficiam da paridade — eu sou um deles.

Sempre procuro trabalhar com parceiros e fornecedores alinhados aos princípios que norteiam o Manual do Usuário, como o Buttondown e o FeedLetter.

Extensões para bloquear pixels espiões do e-mail

Em março de 2020, publiquei neste Manual uma reportagem sobre a falta de privacidade das ferramentas de newsletter. O assunto voltou à tona agora, com mais força, graças a três fatores: o serviço de e-mail pago Hey (que bloqueia pixels espiões por padrão), esta reportagem da BBC e a campanha No To Spy Pixels lançada por Dave Smyth — todos, coincidentemente, britânicos.

Pixels espiões também são usados em e-mails um-para-um, para avisar o remetente quando o destinatário abre sua mensagem.

A renovada atenção a esse assunto ainda não tem força para fazer um Mailchimp ou Substack da vida rever suas políticas e configurações padrões, mas colocou em destaque alguns remédios.

O principal e mais simples deles é bloquear o carregamento de imagens remotas nas mensagens. O Fastmail, por exemplo, publicou um post informando que há anos protege seus usuários dessa maneira. Apps de e-mail não executam JavaScript, o que inviabiliza métodos tradicionais na web de monitoramento do usuário. O método padrão para aferir estatísticas nos e-mails, então, consiste em inserir na mensagem uma imagem minúscula e invisível, o tal “pixel espião”, que ao ser requisitada pelo aplicativo de e-mail ao servidor, “avisa” que a mensagem foi aberta e transmite outros dados, como o endereço IP (que expõe a localização aproximada do usuário).

Bloquear o carregamento de imagens remotas é uma solução básica e funcional, mas pode ser imperfeita por ser do tipo “8 ou 80”, ou seja, ou carrega todas as imagens (incluindo o pixel espião) ou nenhuma. O já citado Hey tem uma lista de bloqueio inteligente que bloqueia apenas os pixels espiões, mantendo o carregamento de outras imagens. Essas passam por um proxy, para que ao serem carregadas não revelem o IP do usuário. Fastmail e Gmail (!) também funcionam assim.

Para quem usa webmail, existem extensões de navegador que bloqueiam pixels espiões, como a Trocker (Chrome, Firefox), PixelBlock 2 (Chrome, apenas para Gmail) e Ugly Email (Chrome e Firefox, apenas para Gmail). O Mail, aplicativo padrão do macOS, tem um plugin gratuito que bloqueia pixels espiões, o MailTrackerBlocker.

A loja de apps para Android de um mundo ideal existe

Mascote/logo do F-Droid, grande e com um "C" invertido no peito, contra um fundo azul.

Um dos grandes diferenciais do Android em relação ao iOS que ainda resistem à convergência dos dois sistemas, que a cada nova versão ficam cada vez mais parecidos, é o suporte a lojas de aplicativos alternativas. Se no iOS você só pode baixar apps da App Store, no Android é possível instalar lojas alternativas. Não é simples habilitá-las e a hegemonia da Play Store, a oficial do Google que já vem pré-instalada, deixa pouco espaço para rivais, mas a possibilidade existe e viabiliza o surgimento de pequenas pérolas, como o F-Droid.

(mais…)

O que acontece se você não aceitar a nova política de privacidade do WhatsApp

O WhatsApp retomou os esforços públicos para passar a nova política de privacidade junto aos usuários. Em um post publicado na última sexta (18), a empresa informou que está usando o Status (os stories dentro do WhatsApp) para comunicar novidades e seus princípios diretamente aos usuários, e que esse “é o primeiro passo de muitos outros que virão para que possamos nos comunicar com ainda mais clareza com todos”. Um desses passos deve ser uma tela reformulada, mais simples, sobre a nova política de privacidade — o WABetaInfo encontrou-o numa versão beta. Via WhatsApp, WABetaInfo (em inglês).

Uma atualização na documentação do WhatsApp informa o que acontecerá a partir de 15 de maio com aqueles que não aceitarem a nova política de privacidade. Em resumo, “[p]or um curto período, você ainda poderá receber chamadas e notificações, mas não poderá ler nem enviar mensagens pelo app”. Via WhatsApp.

Para entender o que de fato muda com a nova política de privacidade do WhatsApp, leia isto.