Seus dados pessoais vazaram; o que fazer agora?

A gravidade com que são tratados os vazamentos de dados pessoais tem uma justificativa muito simples: boa parte deles não é substituível. Um número de telefone ou endereço são do tipo de dado mais simples de trocar, e mesmo esses já dão dor de cabeça e, para muitos, são trocas inviáveis. Documentos ou o nome de alguém são ainda mais complexo, e só possível em situações excepcionais. Trocar os biométricos, como impressões digitais ou o rosto? Boa sorte com isso.

Nesta semana, soubemos que um oceano de dados pessoais de praticamente todos os brasileiros vivos (e alguns mortos) está à venda na internet, fruto do que alguns já consideram o maior e mais lesivo vazamento da história no Brasil, um dos maiores do mundo.

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Sábado dei a dica do Hush aqui, um bloqueador de conteúdo que tenta eliminar aqueles popups de cookies que empesteiam a web em 2021. É bem legal, mas só funciona no Safari. Ou assim pensava. O Hush é baseado em uma lista de filtros — e essa lista pode ser instalado, por outros meios, no Firefox, Chrome, Edge… qualquer navegador moderno, basicamente.

A lista do Hush é a Fanboy’s Annoyance. Existem outras. A maneira mais fácil de ativá-las é via uBlock Origin, a melhor extensão para bloquear anúncios (e outras chateações) que há.

Após instalar a uBlock Origin, clique no ícone dela na barra de ferramentas e, em seguida, entre nas configurações. Na próxima tela, clique na aba Listas de filtros e role a página até o tópico Aborrecimentos. A extensão já traz sete listas do tipo, incluindo a Fanboy’s Annoyance, só que elas vêm desmarcadas por padrão. Selecione as que quiser (todas) e clique no botão Aplicar alterações. Elas serão ativadas e atualizadas automaticamente. Fácil, né?

Will Cathcart, presidente do WhatsApp, concedeu uma entrevista à Folha como parte do controle de danos que a empresa vem fazendo após o desastre da nova política de privacidade do aplicativo. A mensagem é confusa, por mais habilidoso que ele ou qualquer outro seja com as palavras: o WhatsApp continua criptografado de ponta a ponta nas conversas e grupos com indivíduos, mas deixa de sê-lo nos contatos com grandes empresas que usem a Business API do serviço. O que diferencia um do outro é um selo, daqueles que aparecem quando se inicia uma conversa e que, suspeito, pouca gente lê.

É curioso o esforço que Cathcart faz para distanciar o WhatsApp do modelo de redes sociais (“acreditamos que o WhatsApp deve se manter um aplicativo para conversas entre duas pessoas, um espaço privado, para pequenos grupos”), o que significa distanciá-lo de problemas, ao mesmo tempo em que tenta passar aos usuários um ruptura tão dramática quanto, a que transforma o WhatsApp em um SAC genérico para empresas e, com isso, abre uma brecha na criptografia de ponta a ponta. Via Folha.

Descobri há pouco o Hush, um novo bloqueador de conteúdo para Safari (iOS e macOS, na App Store) criado pelo programador sueco Joel Arvidsson. Foi uma instalação instantânea aqui. O Hush promete eliminar chateações comuns na web dos anos 2020, como aqueles pedidos para aceitar cookies e popups de notificações. “Navegue pela web como deveria ser”, diz a chamada do app.

O Hush usa o sistema de bloqueio de conteúdo da Apple, logo, é exclusivo para Safari. E por usar esse sistema, é bastante correto em termos de privacidade — ele não precisa analisar os sites acessados para entrar em ação e não emprega nenhum código que coleta dados. Aos desconfiados, o código é aberto. E, por incrível que pareça, o Hush é gratuito. (Se gostar, doe uns trocados ao Joel pelo ótimo trabalho.) Via Daring Fireball (em inglês).

https://www.youtube.com/watch?v=glZiMUtip5Q

Hoje relancei o canal do Manual do Usuário no YouTube. O primeiro vídeo, acima, é sobre o Signal, app de mensagens favorito da casa e uma ótima alternativa ao WhatsApp.

Os principais aplicativos do Google para iOS não são atualizados desde 7 de dezembro de 2020. Coincidência ou não, desde 8 de dezembro todos os novos apps e atualizações dos existentes submetidos à App Store precisam trazer o “rótulo nutricional” de dados que coletam. No início de janeiro, um porta-voz do Google garantiu ao TechCrunch que os apps da empresa seriam atualizados “nos próximos dias.” Duas semanas se passaram e… nada. Todos esperam que a lista de dados coletados dos apps do Google rivalize com a dos apps do Facebook, que escandalizou muita gente. Via MacMagazine.

O WhatsApp adiou o prazo para aceitar a sua nova e controversa política de privacidade, de 8 de fevereiro para 15 de maio. A empresa diz que, nesse período, fará “um trabalho intenso para esclarecer todas as informações incorretas sobre como a privacidade e a segurança funcionam no WhatsApp.” Via WhatsApp.

Para saber o que muda, de fato, na nova política de privacidade, leia a minha análise.

O que muda na nova política de privacidade do WhatsApp

No dia 8 de fevereiro 15 de maio, começa a valer a nova política de privacidade do WhatsApp. O pedido de aceite, que os usuários já começaram a ver ao abrir o aplicativo (imagem acima), diz que “após essa data, você deverá aceitar as atualizações para continuar usando o WhatsApp.” O ultimato tem causado rebuliço. O que muda, exatamente? Chegou a hora de abandonar o WhatsApp? Tento responder essas e outras perguntas nesta análise1.

Se preferir, veja em vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=VR3asQo4wgE

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Quais dados seus o WhatsApp compartilha com Facebook, Instagram e outros?

Como diria o Tino, o Facebook sentiu. Pelo Twitter, o perfil do WhatsApp publicou um infográfico para explicar quais dados não compartilha com o Facebook. Novamente, o Facebook se apega à criptografia de ponta a ponta como se fosse uma panaceia da privacidade, o que não é verdade. O infográfico só conta metade da história, omitindo os muitos dados que são compartilhados com Facebook, Instagram e outras propriedades do grupo.

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Os novos termos de uso do WhatsApp já estão dando dor de cabeça ao Facebook. Na Turquia, o conselho antitruste do país abriu uma investigação para apurar a obrigatoriedade, a partir de 8 de fevereiro, de os usuários compartilharem dados do WhatsApp com as outras propriedades do grupo, como Facebook e Instagram. Via Bloomberg (em inglês).

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) estuda medidas jurídicas e administrativas para impedir que o compartilhamento obrigatório de dados do WhatsApp. Via Folha.

Não é um pedido de outro mundo: a nova regra não valerá na Europa, por exemplo. Em maio de 2017, a União Europeia multou o Facebook em € 110 milhões por enganar órgãos reguladores em 2014 sobre a possibilidade desse compartilhamento entre WhatsApp e outras redes. Via The Irish Times (em inglês) e G1.

O Facebook atualizou a política de privacidade do WhatsApp nesta segunda (4). A partir de 8 de fevereiro, data limite para que os usuários aceitem a nova redação, dados do WhatsApp poderão ser usados em outras propriedades do Facebook. Ao contrário das outras alterações, que davam a opção de negar esse tipo de compartilhamento aos usuários, esta obriga quem quiser continuar usando o WhatsApp a aceitar o compartilhamento de dados. Aqui já apareceu a tela pedindo o aceite. Por ora, há um “X” para ignorá-la. A partir de 8 de fevereiro, não mais. Chegou a hora de pular do barco? WhatsApp via XDA-Developers (em inglês).

Alguém com mais capacidade fez uma análise ampla dos “rótulos nutricionais” dos apps mais populares da App Store. (Estou fascinado por este assunto.) Hugo Tunius usou um pouco de magia (leia-se: engenharia reversa) na API da App Store e conseguiu extrair dados estruturados das listas de apps mais populares, pagos e gratuitos, da versão britânica da loja.

Seus achados (em inglês) confirmam algumas suspeitas, como a de que apps gratuitos coletam mais dados pessoais que os pagos, mas não deixam de ser interessantes. Chama a atenção, por exemplo, que os apps do Facebook são os que mais coletam dados: as 12 primeiras posições são ocupadas por eles, todos coletando 128 (!) tipos de dados de 160 possíveis. O LinkedIn, da Microsoft, está em 13º, com 91 tipos de dados coletados. Só faltaram dados de jogos, área que Tunius ignorou na análise — talvez a única com potencial para superar o Facebook nesse aspecto.

Em tempo: o Google, que parou de atualizar seus apps para iOS no dia 7 de dezembro, coincidentemente véspera da obrigatoriedade dos rótulos nutricionais, prometeu que os atualizará esta semana. Via TechCrunch (em inglês).

Um dos poucos acertos do Facebook no que diz respeito à privacidade foi ter implementado a criptografia de ponta a ponta como padrão e obrigatória no WhatsApp em 2016. O recurso é útil, mas não é uma panaceia a despeito do que a empresa diz em seus comunicados e ao responder críticas.

Os “rótulos nutricionais” para apps que a Apple implementou em suas lojas em dezembro evidenciam isso. Dos de mensagens mais populares, o WhatsApp é o que mais coleta meta dados — que revelam muito sem quebrar a criptografia, e que o Facebook usa para direcionar anúncios e refinar recomendações automáticas em outras propriedades, como a rede social Facebook e o Instagram.

Acesse a página do WhatsApp na App Store, role até o subtítulo “Privacidade do app” e toque no link “Ver detalhes”, à direita. Em contrapartida, veja quais dados e para quê iMessage (da própria Apple), Telegram e Signal (o melhor deles) coletam. A diferença é chocante. Via Forbes (em inglês).

Regra geral, é difícil tomar partido em briga de gigantes, mas em batalhas como a que ocorre entre Facebook e Apple, nem tanto. O iOS 14 trouxe um recurso de privacidade chamado App Tracking Transparency (ATT), que faz com que apps só possam rastrear a atividade do usuário em outros apps e sites com a anuência expressa dele. Por ora, é opcional (só vi um app se antecipar), mas em 2021 o ATT será obrigatório.

Isso afeta diretamente os negócios do Facebook, calcados na devassa da privacidade. (Outra novidade da Apple, as “tabelas nutricionais” de apps do iOS 14.3, revela o tanto de dados que os do Facebook coletam dos usuários.) Diz muito o fato de que transparência seja uma ameaça existencial ao negócio do Facebook. Oficialmente, o argumento é de que o ATT prejudica as pequenas empresas que usam sua plataforma para anunciar e fazerem negócios.

A Electronic Frontier Foundation publicou um ótimo artigo explicando as falhas do ataque do Facebook à Apple, que incluiu até anúncios de página inteira em jornais de papel.

Pequenos negócios são, se muito, reféns do Facebook, que mantém um oligopólio da publicidade digital com o Google, dita regras e valores, e viabiliza a existência de incontáveis intermediários estranhos que abocanham parte do dinheiro investido pelos pequenos e coleta mais dados dos usuários sem devolver qualquer vantagem aparente. Sem surpresa, o único prejudicado pelo ATT é, na real, o Facebook.

O iOS 14.3, lançado na última segunda (14), trouxe as listas de “informações nutricionais” dos apps na App Store. As listas de apps historicamente hostis à privacidade do usuário, como Facebook e Instagram, são quilométricas. O vídeo acima mostra as de alguns apps.